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A LENA JÁ ALERTA ATRELA A JANELA
SARAVÁ SAIAS AVARAS
IR À MISSA ASSIM, ARI
O TREPONEMA É AMENO PERTO
As frases
acima são palíndromos, isto é, palavras que tanto pode ser lidas da esquerda
para a direita ou vice-versa sem alterar o som nem o sentido. É um divertimento
muito antigo, e já era praticado pelos gregos. Aliás, a palavra vem do grego, e
significa “ir e voltar pelo mesmo caminho”.
Ao longo da
história, muitos palíndromos foram atribuídos a gente famosa, como este, que
teria sido feito por Napoleão ao avistar a Ilha de Elba, para onde ia preso: Able was I as I saw Elba. Isso é bastante improvável,
considerando-se o estado de espírito contra os ingleses naquele momento, e por
extensão contra a língua inglesa, supondo que ele a falasse.
Em Roma
antiga o palíndromo se chamava verso anacíclico, e na Idade Média foi muito
cultivado na França, onde dizem que foi feito este por um palindromista anônimo:
L’âme des uns iamais n’use de mal, seja lá o que isso signifique.
Armar
palíndromo é um divertimento arriscado. A pessoa fica de tal forma transtornada
que chega a preocupar a família e os amigos. E no ambiente de trabalho os
efeitos desta mania podem ser devastadores. Dizem que o imperador Nicolau I da
Rússia (1796 — 1855) proibiu esse divertimento na corte por não aguentar mais
tanto palíndromo. E o sultão Abdul Hamid I da Turquia (1721 — 1789) mandou
recolher palindromistas à prisão. Verdade ou não, avisamos que o divertimento é
perigoso.
Aqui vão
alguns palíndromos para quem quiser começar, mesmo estando avisado:
- A
mala na lama.
- Luz
a anilina azul.
- Logo
me vem o gol.
- Oiti
só do sítio.
- O
navio do Ivano.
- O
ledo modelo.
- Sete
setes é o mínimo? O mínimo é sete setes.
- Soluce
séculos, Ana, soluce séculos.
- A
tirana Ana Rita.
- Aroma
é de amora.
- Omitiram
o marítimo.
- O
lobo réu quer o bolo.
Etc. etc.

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O Almanach de
Piumhy — Ano CLX — Número 03 — Restaurado por
José J. Veiga, 1989, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; J. J. Veiga, ou José Jacintho Pereira Veiga (1915 — 1999), goiano de Corumbá de
Goiás, que ao terminar seus estudos secundários transferiu-se para o Rio
de Janeiro e ali formou-se em Direito, foi jornalista, redator, ficcionista e
tradutor, tendo trabalhado nos periódicos Tribuna da Imprensa, O
Globo, Reader's Digest, na BBC — Londres e na coordenação do Depto. Editorial da FGV — Fundação Getúlio Vargas;
considerado um dos maiores autores do realismo fantástico na literatura
brasileira, escreveu e publicou Os Cavalinhos de Platiplanto (1959), A
Hora dos Ruminantes (1966), A Estranha Máquina Extraviada (1967), Sombras de Reis Barbudos (1972), Os
Pecados da Tribo (1976), O Professor Burrim e as Quatro Calamidades (1978), De Jogos e Festas (1980), Torvelinho Dia e Noite (1985), A
Casca da Serpente (1989), O Risonho Cavalo do
Príncipe (1993), Objetos Turbulentos (1997) e outros
títulos; teve obras publicadas nos Estados Unidos, México, Inglaterra, Espanha, Dinamarca, Suécia, Noruega e Portugal; em 1997, pelo conjunto de sua
obra, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras; de
sua biografia também consta ter "restaurado" O Almanach de
Piumhy — Ano CLIX — Número 02 (1988) e O Almanach
de Piumhy — Ano CLX — Número 03 (1989).