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sexta-feira, 21 de julho de 2017

José J. Veiga: Palíndromos

Resultado de imagem para O Almanach de Piumhy — Ano CLX — Número 03 — Restaurado por José J. Veiga,
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A LENA JÁ ALERTA ATRELA A JANELA
SARAVÁ SAIAS AVARAS
IR À MISSA ASSIM, ARI
O TREPONEMA É AMENO PERTO

As frases acima são palíndromos, isto é, palavras que tanto pode ser lidas da esquerda para a direita ou vice-versa sem alterar o som nem o sentido. É um divertimento muito antigo, e já era praticado pelos gregos. Aliás, a palavra vem do grego, e significa “ir e voltar pelo mesmo caminho”.

Ao longo da história, muitos palíndromos foram atribuídos a gente famosa, como este, que teria sido feito por Napoleão ao avistar a Ilha de Elba, para onde ia preso: Able was I as I saw Elba. Isso é bastante improvável, considerando-se o estado de espírito contra os ingleses naquele momento, e por extensão contra a língua inglesa, supondo que ele a falasse.

Em Roma antiga o palíndromo se chamava verso anacíclico, e na Idade Média foi muito cultivado na França, onde dizem que foi feito este por um palindromista anônimo: L’âme des uns iamais n’use de mal, seja lá o que isso signifique.

Armar palíndromo é um divertimento arriscado. A pessoa fica de tal forma transtornada que chega a preocupar a família e os amigos. E no ambiente de trabalho os efeitos desta mania podem ser devastadores. Dizem que o imperador Nicolau I da Rússia (1796 1855) proibiu esse divertimento na corte por não aguentar mais tanto palíndromo. E o sultão Abdul Hamid I da Turquia (1721 1789) mandou recolher palindromistas à prisão. Verdade ou não, avisamos que o divertimento é perigoso.

Aqui vão alguns palíndromos para quem quiser começar, mesmo estando avisado:

  • A mala na lama.
  • Luz a anilina azul.
  • Logo me vem o gol.
  • Oiti só do sítio.
  • O navio do Ivano.
  • O ledo modelo.
  • Sete setes é o mínimo? O mínimo é sete setes.
  • Soluce séculos, Ana, soluce séculos.
  • A tirana Ana Rita.
  • Aroma é de amora.
  • Omitiram o marítimo.
  • O lobo réu quer o bolo.
Etc. etc.

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O Almanach de Piumhy — Ano CLX — Número 03 — Restaurado por José J. Veiga, 1989, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; J. J. Veiga, ou José Jacintho Pereira Veiga (1915 1999), goiano de Corumbá de Goiás, que ao terminar seus estudos secundários transferiu-se para o Rio de Janeiro e ali formou-se em Direito, foi jornalista, redator, ficcionista e tradutor, tendo trabalhado nos periódicos Tribuna da Imprensa, O Globo, Reader's Digest, na BBC — Londres e na coordenação do Depto. Editorial da FGV Fundação Getúlio Vargas; considerado um dos maiores autores do realismo fantástico na literatura brasileira, escreveu e publicou Os Cavalinhos de Platiplanto (1959), A Hora dos Ruminantes (1966), A Estranha Máquina Extraviada (1967), Sombras de Reis Barbudos (1972), Os Pecados da Tribo (1976), O Professor Burrim e as Quatro Calamidades (1978), De Jogos e Festas (1980), Torvelinho Dia e Noite (1985), A Casca da Serpente (1989), O Risonho Cavalo do Príncipe (1993), Objetos Turbulentos (1997) e outros títulos; teve obras publicadas nos Estados Unidos, México, Inglaterra, Espanha, Dinamarca, Suécia, Noruega e Portugal; em 1997, pelo conjunto de sua obra, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras; de sua biografia também consta ter "restaurado" O Almanach de Piumhy — Ano CLIX — Número 02 (1988) e O Almanach de Piumhy — Ano CLX — Número 03 (1989).