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terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Narciso Araújo: A um vacilante

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Marcha, sereno, palmilhando a terra,
sem loucas contrações, sem fúteis risos!
A paz se ganha no estridor da guerra;
dentro da luta estão os paraísos.

Há de surgir-te a dor, como uma serra,
alta e brutal, de distanciados visos,
alta, a zombar na altura, com que aterra*,
dos pés que andaram nos caminhos lisos:

o que vale é ter fé, é pela escarpa,
que sangra os pés, na fadigosa viagem,
calmamente subir sem** deixar a harpa...

Vale o saber certo o valor do obstáculo:
vê-se melhor dos cumes a paisagem,
de mais alto é mais épico o espetáculo!

(Poesias, 1ª série, págs. 71-72.)


Notas de Andrade Muricy:
* Está: “eterna”;
** Está “em”.
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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Narciso da Costa Araújo (1877 1944), capixaba nascido na Vila de Itapemirim, atual Itapemirim, estudou no Colégio Pedro II, Rio de Janeiro, formou-se pela Faculdade de Direito, também no Rio, adquiriu “sólidos” conhecimentos dos idiomas Grego, Latim e também de outras línguas “vivas”, foi jurista, jornalista e poeta do Simbolismo; colaborou na revista Vera-Cruz, de inspiração simbolista, fundou o jornal político O Caboclo; em 1941, foi eleito “Príncipe dos Poetas Capixabas” em concurso instituído pelo jornal A Tribuna; em vida, teve a publicação de Poesias, 1ª série (1942), além de “numerosa produção esparsa” em jornais e revistas do Rio de Janeiro, Rua do Ouvidor entre os quais, e nos periódicos capixabas O Eco e O Cachoeirano.