Mostrando postagens com marcador Carmen Cinira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Carmen Cinira. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Carmen Cinira: Desassombramento

60 poetas trágicos | Amazon.com.br
____________________
Que me aguarde, por pena, o mais triste dos fados,
e clamores hostis me sigam pela vida,
que floresçam vulcões nos montes sossegados
e trema de revolta a Terra adormecida…

Que se ergam contra mim os seres indignados
como um quadro dantesco em fúria desmedida,
e que, na própria altura, os astros deslocados
rolem numa sinistra e tremenda descida…

Hei de ser tua um dia e ofertar-te, sem pejo.
vibrante, ébria de amor, à chama de teu beijo,
esta alma virginal que há tanto assim te espera…

E então hei de sentir vaidosa, intensamente,
desabrochar em mim, num delírio crescente,
o instinto de mulher em ânsias de pantera!

Resultado de imagem para carmen cinira
____________________
60 Poetas Trágicos — Organização, seleção, nota de apresentação e traços biobibliográficos de Sergio Faraco, 2016, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Carmen Cinira (1902? 1933), carioca, nascida Cinira do Carmo Bordini Cardoso, ou Carmen Cardoso Bordini, foi poeta; por falta de vocação não chegou a concluir seus estudos que a levaria ao magistério, passando a dedicar-se inteiramente às atividades literárias; consta de sua bibliografia: Primeiros vôos (1928), Grinalda de Violetas (1929), Sensibilidade (póstumo, últimos versos, 1934) Crisálidas (póstumo, prefácio de Osório Duque Estrada, 1935); Carmen Cinira ficou viúva, aos 20 anos, de um jogador de futebol que contraiu tuberculose; a poeta, tendo adquirido a doença do marido por dele ter cuidado, veio a falecer em 30 de agosto de 1933.

domingo, 10 de julho de 2011

Carmen Cinira: Ser Mulher

____________________

(Á minha amiga Lourdes Palmer)

Ser mulher não é ter nas formas de escultura,
No traço do perfil, no corpo fascinante,
A beleza que um dia o tempo transfigura
E um olhar deslumbrado atrai a cada instante...

Ser mulher não é só ter a graça empolgante,

O feitiço absorvente, a lascívia e a ternura;
Ser mulher não é ter na carne provocante
A volúpia infernal que arrasta e desfigura...

Ser mulher é ter na alma essa imortal beleza
De quem sabe pensar com toda a sutileza
E no próprio ideal rara virtude alcança...

É ter, simples e pura, os sentimentos francos...

E ainda no fulgor dos seus cabelos brancos,
Sonhar como mulher, sentir como criança!
____________________
Os Cem Melhores Sonetos Brasileiros (segunda série, 1ª  edição), selecionados por Edgard Rezende, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro  RJ, 1950; Carmen Cinira (1905 1933), carioca, nascida Cinira do Carmo Bordini Cardoso em 1905, foi poeta; consta, de sua bibliografia: "Primeiros vôos", Rio, 1928; "Grinalda de Violetas", Rio, 1929; "Sensibilidade" (últimos versos), póstumo, 1934; "Crisálida"  (prefácio de Osório Duque Estrada), póstumo, Rio, 1935.