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Soneto CLII
Contra o fanchonismo, que invadindo
esta corte,
ameaça convertê-la em outra nova Sodoma.
Das tartáreas masmorras o Diabo
Trouxe nos cornos a brutal punheta;
Jurando aniquilar com mancha e
treta
Delícias feminis, por quem me babo:
Corre Lisboa do princípio ao cabo;
Inspira em corja vil que esquive a
greta,
Que ao gosto singular da mama e
teta
Hoje a mão substitua, a bimba, o
rabo:
Lavra o prazer bastardo; eis
Madragoa,
Eis Taipas, Cotovia em abandono,
Rara pica nas bordas já se assoa:
E perdeu tanto a voga o pobre cono,
Que até certo taful viu em Lisboa
Um gato sodomita, um cão fanchono!
* Segundo o ilustrador de O Lobo da Madragoa, de Alberto
Pimentel, editado em 1904, um romance misto biográfico e ficcional, onde o
autor relata as aventuras e desventuras do poeta português.
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Antologia
Pornográfica: de Gregório de Mattos a Glauco Mattoso, Organização e Introdução de
Alexei Bueno (Coleção Saraiva de Bolso), 2011, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro
— RJ; António Lobo de Carvalho (1730? — 1787), português de Guimarães, foi poeta
satírico; consta que suas poesias, sátiras implacáveis, quase todas compostas em
forma de soneto, provocavam a ira das pessoas atingidas, inclusive a dos próprios
mecenas e amigos mais próximos, o que lhe valeram várias vezes a prisão; o Lobo
de Madragoa, como era conhecido o poeta, teve sua obra editada por Inocêncio Francisco
da Silva, com o título de Poesias Joviaes e Satyricas (1852).




