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terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Dario Vellozo: Rosa Alquímica


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Olha, ó virgem, — não te iludas, —
Eu só tenho a lira e a cruz.
Junqueira Freire

Eu fui outrora Cavaleiro,
Era de argentum meu solar;
O meu brial de Cavaleiro
Era de lírio e de luar;
O meu broquel de Cavaleiro
Era um sol de ouro a rutilar.

Em minhas torres de esmeralda
Iam-se os Astros refletir,
Eram esperanças de esmeralda
De suavíssimo luzir;
Eram blandícias de esmeralda,
Astros e Pérolas de Ofir.

Vinham-se frotas do Oriente,
Sonhos e púrpura, ao Sol!
Elfos e Silfos do Oriente,
Meu coração era um farol;
Era um santelmo do Oriente
Efluviado pelo Sol.

Mas, nos recontros, o Destino
Quebrou-me a lança de cristal;
Desci às luras do Destino,
Perdeu alvores o brial;
As minhas torres o Destino
Vestiu de crepe sepulcral.

Vestes de monge da Saudade
Cingiram alma e coração;
Alma, no exílio da saudade,
Palmilho estranha solidão;
Os meus saltérios de saudade
São violetas da Ilusão.

Invoco as sombras do Passado,
Violo túmulos de amor;
Entro sepulcros do Passado
Levando outonos de amargor;
Nos sitiais de meu passado
Apenas reza a minha dor.

Nos atanores da Magia
Achei mercúrio, enxofre e sal
Filtros ocultos da Magia,
Ó luz estranha, ó luz feral!...
Corvo soturno da Magia,
Onde os alvores do brial?

As esmeraldas da Esperança
Na luz astral vão refulgir;
O vivo argentum da Esperança
Brilha nas pérolas de Ofir;
Fulvos leões, rubra esperança,
Tecel da Morte e do Porvir.

Extingue a lâmpada, Alquimista!
A Lua desce para o Além...
Rutila o Sol... Velho Alquimista,
Dá-me esse filtro que faz bem!
Santelmo fui, velho Alquimista,
E fui saltério, Alma do Além.

Ó Renascença, ó filtro de ouro,
XX : mistérios do Binário!
Entra, minha alma, os sólios de ouro
Desse esplendente santuário!
Brilham Santelmos, prata e ouro,
Analogias do Binário.

(Cinerário — 1929)

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Do Encantamento à Apostasia: A poesia brasileira de 1880—1919: antologia e estudo, por Fernando Cerisara Gil, 2006, Editora da UFPR, Curitiba — PR; Dario Persiano de Castro Vellozo (1869 1937), nascido no Rio de Janeiro, formado Mestre em Hermetismo pela Escola Superior de Ciências Herméticas, de Paris, foi encadernador, tipógrafo, poeta simbolista, narrador, ensaísta, orador, educador, pensador e catedrático em História; em sua juventude, estudou e aprendeu encadernação e tipografia, o que serviu para que ele mesmo compusesse tipograficamente os livros que escrevia; ainda jovem, radicou-se no Paraná e, em Curitiba, colaborou com jornais e revistas, fundou diversos periódicos entre estes a revista O Cenáculo e outras de cunho literário simbolista, além de ter exercido o ofício de professor de História; suas obras: Efêmeras (versos, Curitiba, 1890), Esquifes (prosa poética, 1896), Alma Penitente (poema, Curitiba, 1897), Esotéricas (Curitiba, Imprensa Paranaense, 1900), Helicon (Curitiba, 1908), Rudel (poema, Curitiba, 1912), Horto de Lísis (Curitiba, 1922), Cinerário (Curitiba, Livraria Mundial, 1929), Atlântida (poema, São Paulo, 1938), Fogo Sagrado (1941) e outros títulos.

terça-feira, 6 de setembro de 2022

Dario Vellozo: Adepto

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Duas vezes nascido, às mãos o ramo
De Acácia, árvore e símbolo dos Mestres,
Saio do esquife das mansões terrestres,
Das trevas para a Luz... Orfeu, quem amo,
 
Como a tua Eurídice, além me espera
Sob os mirtos da Paz, Musa de Samos,
Pois que, unidos no Amor, caminho vamos
Das alfombras do Templo de Citera.
 
Mas, Citera do Céu, que de Urânia
É profântida a minha Musa e Guia,
Que para o Alto me encaminha e leva.
 
Renunciei à carne, aos egoísmos;
Pairo sereno à fauce dos abismos,
Livre aos grilhões dos cárceres da Treva.

1933

(Fogo Sagrado — 1941)

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Do Encantamento à Apostasia: A poesia brasileira de 1880—1919: antologia e estudo, por Fernando Cerisara Gil, 2006, Editora da UFPR, Curitiba — PR; Dario Persiano de Castro Vellozo (1869 1937), nascido no Rio de Janeiro, formado Mestre em Hermetismo pela Escola Superior de Ciências Herméticas, de Paris, foi encadernador, tipógrafo, poeta simbolista, narrador, ensaísta, orador, educador, pensador e catedrático em História; em sua juventude, estudou e aprendeu encadernação e tipografia, o que serviu para que ele mesmo compusesse tipograficamente os livros que escrevia; ainda jovem, radicou-se no Paraná e, em Curitiba, colaborou com jornais e revistas, fundou diversos periódicos entre estes a revista O Cenáculo e outras de cunho literário simbolista, além de ter exercido o ofício de professor de História; suas obras: Efêmeras (versos, Curitiba, 1890), Esquifes (prosa poética, 1896), Alma Penitente (poema, Curitiba, 1897), Esotéricas (Curitiba, Imprensa Paranaense, 1900), Helicon (Curitiba, 1908), Rudel (poema, Curitiba, 1912), Horto de Lísis (Curitiba, 1922), Cinerário (Curitiba, Livraria Mundial, 1929), Atlântida (poema, São Paulo, 1938), Fogo Sagrado (1941) e outros títulos.

domingo, 7 de agosto de 2022

Dario Vellozo: Musa do Silêncio


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I

No silêncio da tarde que se esfolha,
Vaga e macia nos ocasos de ouro,
Fito, cismando, o teu semblante, o louro
Tom do cabelo que o pesar desfolha.

Segues, por entre os túmulos, sombria,
Na saudade pungente. Erma e discreta,
A Mansão do Silêncio a alma inquieta
Cinge-te, à luz nostálgica do dia.

És do Silêncio a Musa merencória,
Leio-te na alma angustiosa história,
Triste fadário que teu véu recata;

Leio-te na alma a solidão imensa,
Só mitigada por suave crença,
Prece que o olhar em lágrimas desata.

II

Vês? Eu bem sei que a tua dor é nobre
É nobre o culto que te inspira a campa;
Sobes da mágoa a merencória rampa,
Ouves da tarde o evocativo dobre.

Das sepulturas o silêncio cobre
A paz macia que o arvoredo estampa;
O ocaso acolhe a radiosa lampa,
E denso crepe teu semblante encobre.

Ouço-te o passo, peregrino soa.
A dor que sentes em minha alma ecoa,
Asa de crepe que o silêncio cruza;

Asa tão só, mas tão formosa, adeja,
E o níveo mármor do sepulcro beija...
Sombra de Samos, merencória Musa!

Templo das Musas, 14 de maio de 1921.

(Cinerário — 1929)

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Do Encantamento à Apostasia: A poesia brasileira de 1880—1919: antologia e estudo, por Fernando Cerisara Gil, 2006, Editora da UFPR, Curitiba — PR; Dario Persiano de Castro Vellozo (1869 1937), nascido no Rio de Janeiro, formado Mestre em Hermetismo pela Escola Superior de Ciências Herméticas, de Paris, foi encadernador, tipógrafo, poeta simbolista, narrador, ensaísta, orador, educador, pensador e catedrático em História; em sua juventude, estudou e aprendeu encadernação e tipografia, o que serviu para que ele mesmo compusesse tipograficamente os livros que escrevia; ainda jovem, radicou-se no Paraná e, em Curitiba, colaborou com jornais e revistas, fundou diversos periódicos entre estes a revista O Cenáculo e outras de cunho literário simbolista, além de ter exercido o ofício de professor de História; suas obras: Efêmeras (versos, Curitiba, 1890), Esquifes (prosa poética, 1896), Alma Penitente (poemas, Curitiba, 1897), Esotéricas (Curitiba, Imprensa Paranaense, 1900), Helicon (Curitiba, 1908), Rudel (poemas, Curitiba, 1912), Horto de Lísis (Curitiba, 1922), Cinerário (poesias, Curitiba, Livraria Mundial, 1929), Atlântida (poemas, São Paulo, 1938), e outros títulos.

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Dario Vellozo: Ângelus

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Vamos, poeta, ilumina a mesquita da mágoa,
Veste, agora, da mágoa o negro sambenito;
Eleva para a cruz os olhos rasos de água
E sobre o pó da nave ajoelha-te contrito

Ouves? Baomba o sino as orações da noite...
Há em toda a amplidão o mistério da Cruz...
Perpassa à luz do círio a sombra de um açoite
De mortas ilusões e de flechas de luz.

As místicas visões elevam-se das campas,
Na destra apresentando os missais do Destino...
E a larva do pesar sobe as íngremes rampas
Do país da saudade e do amor peregrino.

Todo poeta que sofre, a tristeza do monge
Sente, e sente do monge os longos desalentos:
É que a ambos o Amor fita-os de muito longe,
E sem amor não há nem céu nem firmamentos!...

Vamos, poeta, ajoelha! Esse templo é a tua alma.
Sobre o negro madeiro um anjo se debruça.
Seu semblante não tem a merencória calma
Das virgens; mas a dor que em teus versos soluça.

Esse arcanjo é a visão de teus dias mais santos,
É o místico ideal que te vibrava a lira;
E por ele subiste um calvário de prantos,
E por ele a tua alma estremece e suspira.

Vamos, reza, poeta! As orações confortam...
Perpassa à luz do círio a sombra de um açoite...
Os mistérios do Céu só as cruzes suportam,
Porque o Céu fala à cruz pelos astros da noite.

Abre o teu coração a todas as tristezas,
Vive na tua dor, silenciosamente...
E as tuas orações e as tuas incertezas
Sepulta junto à cruz de tua dor veemente.

Cinge mais sobre os rins os cordões do cilício,
Crava mais o punhal que te lacera o peito.
O céu quer muito pranto e muito sacrifício...
Morre, para que o céu se julgue satisfeito!

Irrisão! E não há quem te compreenda as dores.
E o sino do pesar toca sinistramente...
Monge, oscula essa cruz!... Monge, entoa louvores!...
Vive na tua dor silenciosamente.

Curitiba, 10 de março de 1894.

(Cinerário — 1894)

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Do Encantamento à Apostasia: A poesia brasileira de 1880—1919: antologia e estudo, por Fernando Cerisara Gil, 2006, Editora da UFPR, Curitiba — PR; Dario Persiano de Castro Vellozo (1869 1937), nascido no Rio de Janeiro, formado Mestre em Hermetismo pela Escola Superior de Ciências Herméticas, de Paris, foi encadernador, tipógrafo, poeta simbolista, narrador, ensaísta, orador, educador, pensador e catedrático em História; em sua juventude, estudou e aprendeu encadernação e tipografia, o que serviu para que ele mesmo compusesse tipograficamente os livros que escrevia; ainda jovem, radicou-se no Paraná e, em Curitiba, colaborou com jornais e revistas, fundou diversos periódicos entre estes a revista O Cenáculo e outras de cunho literário simbolista, além de ter exercido o ofício de professor de História; obras: Efêmeras (versos, Curitiba, 1890), Esquifes (prosa poética, 1896), Alma Penitente (poemas, Curitiba, 1897), Esotéricas (Curitiba, Imprensa Paranaense, 1900), Helicon (Curitiba, 1908), Rudel (poemas, Curitiba, 1912), Horto de Lísis (Curitiba, 1922), Cinerário (poesias, Curitiba, Livraria Mundial, 1929), Atlântida (poemas, São Paulo, 1938), e outros títulos.

segunda-feira, 15 de março de 2021

Dario Vellozo: Sob a estola da morte

 
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A Gonzaga Duque

Hora crepuscular dos outonos de opala...
É fúnebre a floresta, a minha alma dolente.
E não sei que saudade a alma no exílio sente,
Quando a tarde sucumbe e a floresta se cala.

O Silêncio me invade, a soledade exala
Um perfume de sonho, uma ebriez demente,
A incenso e rosmaninho... E sobe do poente
O perfil de ilusões da loura de Magdala.

Maria, a tua sombra a meus olhos caminha... *
Nostálgica da Luz, a minha alma adivinha
A promessa ideal que jamais nos fizemos.

Entro a ampla região dos profundos espaços...
Ó Lírio de Esmeralda, abraça-me em teus braços,
Na hora crepuscular dos arcanos supremos!

Retiro Saudoso, 6 de fevereiro de 1905.
(Cinerário, pág. 32.)


* Nota de Andrade Muricy: No seu estudo sobre Dario Vellozo, o mais completo que conheço com referência a esse mestre como publicista e poeta, escreve Massaud Moisés: “Mesmo que de passagem, repare-se no primeiro verso da terceira estrofe, que se diria bebido em Fernando Pessoa (cf. “Só na sombra ante meus pés caminha...”, do soneto XII dos “Passos da Cruz”, não fosse a data da composição do poema citado, 6 de fevereiro de 1905, desmentir totalmente a hipótese. Ou, então, que se diria o foco inspirador do poeta português . . . não fossem utópicas as relações culturais entre os dois lados do Atlântico etc. etc. O fato, porém, ilustra cabalmente a mundivivência ocultista de Dario Vellozo. Mais ainda: Fernando Pessoa fora um obstinado ocultista, a ponto de só se poder compreender-lhe a obra à luz dessa obsessão.” (O Simbolismo, vol. IV de A Literatura Brasileira, Editora Cultrix, 1967, pág. 176.)
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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 1, (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 2ª edição, 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Dario Persiano de Castro Vellozo (1869 1937), nascido no Rio de Janeiro, formado Mestre em Hermetismo pela Escola Superior de Ciências Herméticas, de Paris, foi encadernador, tipógrafo, poeta simbolista, narrador, ensaísta, orador, educador, pensador e catedrático em História; em sua juventude, estudou e aprendeu encadernação e tipografia, o que serviu para que ele mesmo compusesse tipograficamente os livros que escrevia; ainda jovem, radicou-se no Paraná e, em Curitiba, colaborou com jornais e revistas, fundou diversos periódicos entre estes a revista O Cenáculo — e outras de cunho literário simbolista, além de ter exercido o ofício de professor de História; escreveu e publicou: Efêmeras (versos, Curitiba, 1890), Esquifes (prosa poética, 1896), Alma Penitente (poema, Curitiba, 1897), Esotéricas (Curitiba, Imprensa Paranaense, 1900), Helicon (Curitiba, 1908), Rudel (poema, Curitiba, 1912), Horto de Lísis (Curitiba, 1922), Cinerário (Curitiba, Livraria Mundial, 1929), Atlântida (poema, São Paulo, 1938), e outros títulos.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Dario Velozo: Solau

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A Nestor de Castro

Eu sou o pajem de Dona Morte,
Loura de olhos monacais;
Eu rezo salmos a Dona Morte,
Sou o coral das Catedrais;
Nos meus idílios flavesce a morte,
A morte,  vinho das bacanais.

Volvei os olhos de esperança
A um cavaleiro Rosa-Cruz;
Os vossos olhos de esperança
São liras de ouro, alvas de luz;
São pulvinários de esperança,
Valquíria astral da Rosa-Cruz.

Nos cinerários de meus sonhos
Arderam Silfos e Quimeras;
Em que sepulcro andam meus sonhos,
Ó Peregrina de outras eras?!...
Noiva,  sepulcro de meu sonhos,
Crisoberil das primaveras!

Eu sou o pajem de Dona Morte,
Entre castelos e solares;
Seguindo os passos de Dona Morte,
Subi a torres de sete andares,
Os belvederes de Dona Morte
Andam suspensos de meus olhares.

Andam suspensos de minha boca
Os nove arcanos da Alquimia;
Nos setiais de minha boca
Rezaram monjas noite e dia;
Jamais oscules a minha boca,
Estrela d´alva da Nostalgia!...

Deixa que mortos enterrem mortos,
Loura, de olhos monacais,
A Morte embala meus sonhos mortos
Nas absides das Catedrais.
A Morte é a noiva dos sonhos mortos,
A Morte é círio das bacanais.

Deixa que mortos enterrem mortos,
Loura, de olhos monacais!

Obras, Edição do centenário (1969)

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Roteiro da Poesia Brasileira — Simbolismo, Seleção e Prefácio de Lauro Junkes, 2006, Global Editora e Distribuidora, São Paulo — SP; Dario Persiano de Castro Vellozo (1869 1937), nascido no Rio de Janeiro, formado Mestre em Hermetismo pela escola Superior de Ciências Herméticas, de Paris, foi poeta simbolista, narrador, ensaísta, orador, educador, pensador e catedrático em História; em sua juventude, estudou e aprendeu encadernação e tipografia, o que serviu para que ele mesmo compusesse tipograficamente os livros que escrevia; ainda jovem, radicou-se no Paraná e, em Curitiba, colaborou com jornais e revistas, fundou alguns periódicos entre estes a revista Cenáculo , além de ter exercido o ofício de professor de História; escreveu e publicou: Efêmeras (Curitiba, 1890), Alma Penitente (Curitiba, 1897), Esotéricas (Curitiba, Imprensa Paranaense, 1900), Helicon (Curitiba, 1908), Rudel (Curitiba, 1912), Horto de Lísis (Curitiba, 1922), Cinerário (Curitiba, Livraria Mundial, 1929), Atlântida (São Paulo, 1938).

domingo, 1 de junho de 2014

Dario Vellozo: Cruz e Sousa *

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(19.3.1898)
Passa o Azul, cantando, uma trirreme de ouro...
Velas pandas... No Azul... Que levita inspirado
Reza o ebúrneo 
Missal, de um requinte ignorado,
Entre astros monacais e iatagãs de mouro?...

Rutilam brocatéis de púrpura e de prata...
Fulgem Broquéis, à popa... A trirreme estremece...
Ísis! — quem te acompanha a estranha serenata
E para o Além da Morte entre os teus braços desce?

Morte é a eternidade; é um poente de outono...
Mago! — tu vais dormir o glorioso sono
Entre Broquéis de ônix, e iatagãs de mouro...

Vais dormir!... Vais sonhar!... (Nobre e celeste oblata!)
Segue no Azul, cantando, uma trirreme de ouro...
Rutilam brocatéis de púrpura e de prata.


* Nota de Péricles Eugênio da Silva Ramos: Data o soneto de 31 de março de 1898 (Curitiba) e traz dedicatória a Leôncio Correia. 
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Poesia Simbolista, Antologia — Introdução, Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1965, Edições Melhoramentos, São Paulo — SP; Dario Persiano de Castro Vellozo (1869 1937), nascido no Rio de Janeiro, formado Mestre em Hermetismo pela escola Superior de Ciências Herméticas, de Paris, foi poeta simbolista, narrador, ensaísta, orador, educador, pensador e catedrático em História; em sua juventude, estudou e aprendeu encadernação e tipografia, o que serviu para que ele mesmo compusesse tipograficamente os livros que escrevia; ainda jovem, radicou-se no Paraná e, em Curitiba, colaborou com jornais e revistas, além de ter exercido o ofício de professor de História; escreveu e publicou: Efêmeras (Curitiba, 1890), Alma Penitente (Curitiba, 1897), Esotéricas (Imprensa Paranaense, Curitiba, 1900), Helicon (Curitiba, 1908), Rudel (Curitiba, 1912), Horto de Lísis (Curitiba, 1922), Cinerário (Livraria Mundial, Curitiba, 1929), Atlântida (São Paulo, 1938).