
____________________
[traduzido por Péricles Eugênio da Silva Ramos]
I
Respondem um ao outro os montes incendiados;
Trovões ecoam de região para região,
E os mares entre si se acordam, tempestuosos;
Rochas de gelo abalam-se em redor do inverno,
Quando ressoa a clarinada do tufão.
II
De uma nuvem lampeja o resplendor,
Mil ilhas se iluminam em redor;
O terremoto calca em cinzas a cidade,
Tremem cem outras, cambaleando estão,
E a barulheira berra sob o chão.
III
Mais agudo que o do clarão é o teu relancear,
Teu passo, mais veloz que o terremoto a se arrastar;
Ensurdeceu a raiva do oceano; teu olhar
Cega os vulcões; a clara lâmpada solar
Perto da tua é o úmido fogo de paul.
IV
De vaga e serra e exalação
A luz do sol vara vapor, vara lufada;
E de espírito a espírito, nação para nação,
De urbe a vila se lança a tua madrugada —
Como sombras da noite são escravos e tiranos
Ante a luz da manhã.
Liberty
I
The fiery mountains answer each other;
Their thunderings are echoed from zone to zone;
The tempestuous oceans awake one another,
And the ice-rocks are shaken round Winter's throne,
When the clarion of the Typhoon is blown.
II
From a single cloud the lightening flashes,
Whilst a thousand isles are illuminated around,
Earthquake is trampling one city to ashes,
An hundred are shuddering and tottering; the sound
Is bellowing underground.
III
But keener thy gaze than the lightening's glare,
And swifter thy step than the earthquake's tramp;
Thou deafenest the rage of the ocean; thy stare
Makes blind the volcanoes; the sun's bright lamp
To thine is a fen-fire damp.
IV
From billow and mountain and exhalation
The sunlight is darted through vapour and blast;
From spirit to spirit, from nation to nation,
From city to hamlet thy dawning is cast, —
And tyrants and slaves are like shadows of night
In the van of the morning light.
____________________
Poesias de Shelley — Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1995, Coleção Toda Poesia nº 14, Art Editora Ltda., São Paulo — SP; Percy Bysshe Shelley (1792 — 1822), inglês nascido em Field Place, Horsham, foi poeta, ensaísta e dramaturgo do Romantismo da Inglaterra; de família abastada, fez seus estudos na Syon House Academy — Brentford e no Eton College, uma escola secular nos arredores do Castelo de Windsor; depois, matriculou-se na University College — Oxford, de onde foi expulso por ter publicado anonimamente um panfleto, The Necessity of Atheism, enviado aos bispos e outras personalidades, com um convite para debate e, intimado pelas autoridades escolares, ter-se calado, não respondendo se o folheto era ou não de sua autoria; com um professor de clássicos estudou de Horácio e Virgílio a Homero; traduziu O Banquete, de Platão; conheceu Lord Byron, John Keats, Leigh Hunt e outros escritores e poetas de sua época, convivendo com eles; sua bibliografia: Zastrozzi (romance, 1810), Original Poetry by Victor and Cazire (em coautoria com sua irmã Elizabeth Shelley, 1810), The Cenci, a Tragedy, in Five Acts (Os Cenci, uma Tragédia em 5 Atos, 1819), The Masque of Anarchy (1819), Una Favola (original em italiano, 1819), Ode to the West Wind (Ode ao Vento Oeste, 1819), Prometheus Unbound, A Lyrical Drama, in Four Acts (Prometeu Libertado, 1820), Adonais — elegia sobre a morte de John Keats (1821), Hellas, A Lyrical Drama (1821), e outros títulos; O poeta Shelley morreu no mar, quando o barco em que velejava desapareceu na neblina de uma tempestade, tendo seu corpo sido encontrado; Robert Schumann, Samuel Barber, Berthold Goldschmidt e outros compositores musicaram textos do poeta.
[traduzido por Péricles Eugênio da Silva Ramos]
I
Respondem um ao outro os montes incendiados;
Trovões ecoam de região para região,
E os mares entre si se acordam, tempestuosos;
Rochas de gelo abalam-se em redor do inverno,
Quando ressoa a clarinada do tufão.
II
De uma nuvem lampeja o resplendor,
Mil ilhas se iluminam em redor;
O terremoto calca em cinzas a cidade,
Tremem cem outras, cambaleando estão,
E a barulheira berra sob o chão.
III
Mais agudo que o do clarão é o teu relancear,
Teu passo, mais veloz que o terremoto a se arrastar;
Ensurdeceu a raiva do oceano; teu olhar
Cega os vulcões; a clara lâmpada solar
Perto da tua é o úmido fogo de paul.
IV
De vaga e serra e exalação
A luz do sol vara vapor, vara lufada;
E de espírito a espírito, nação para nação,
De urbe a vila se lança a tua madrugada —
Como sombras da noite são escravos e tiranos
Ante a luz da manhã.
![]() |
| Shelley |
I
The fiery mountains answer each other;
Their thunderings are echoed from zone to zone;
The tempestuous oceans awake one another,
And the ice-rocks are shaken round Winter's throne,
When the clarion of the Typhoon is blown.
II
From a single cloud the lightening flashes,
Whilst a thousand isles are illuminated around,
Earthquake is trampling one city to ashes,
An hundred are shuddering and tottering; the sound
Is bellowing underground.
III
But keener thy gaze than the lightening's glare,
And swifter thy step than the earthquake's tramp;
Thou deafenest the rage of the ocean; thy stare
Makes blind the volcanoes; the sun's bright lamp
To thine is a fen-fire damp.
IV
From billow and mountain and exhalation
The sunlight is darted through vapour and blast;
From spirit to spirit, from nation to nation,
From city to hamlet thy dawning is cast, —
And tyrants and slaves are like shadows of night
In the van of the morning light.
____________________
Poesias de Shelley — Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1995, Coleção Toda Poesia nº 14, Art Editora Ltda., São Paulo — SP; Percy Bysshe Shelley (1792 — 1822), inglês nascido em Field Place, Horsham, foi poeta, ensaísta e dramaturgo do Romantismo da Inglaterra; de família abastada, fez seus estudos na Syon House Academy — Brentford e no Eton College, uma escola secular nos arredores do Castelo de Windsor; depois, matriculou-se na University College — Oxford, de onde foi expulso por ter publicado anonimamente um panfleto, The Necessity of Atheism, enviado aos bispos e outras personalidades, com um convite para debate e, intimado pelas autoridades escolares, ter-se calado, não respondendo se o folheto era ou não de sua autoria; com um professor de clássicos estudou de Horácio e Virgílio a Homero; traduziu O Banquete, de Platão; conheceu Lord Byron, John Keats, Leigh Hunt e outros escritores e poetas de sua época, convivendo com eles; sua bibliografia: Zastrozzi (romance, 1810), Original Poetry by Victor and Cazire (em coautoria com sua irmã Elizabeth Shelley, 1810), The Cenci, a Tragedy, in Five Acts (Os Cenci, uma Tragédia em 5 Atos, 1819), The Masque of Anarchy (1819), Una Favola (original em italiano, 1819), Ode to the West Wind (Ode ao Vento Oeste, 1819), Prometheus Unbound, A Lyrical Drama, in Four Acts (Prometeu Libertado, 1820), Adonais — elegia sobre a morte de John Keats (1821), Hellas, A Lyrical Drama (1821), e outros títulos; O poeta Shelley morreu no mar, quando o barco em que velejava desapareceu na neblina de uma tempestade, tendo seu corpo sido encontrado; Robert Schumann, Samuel Barber, Berthold Goldschmidt e outros compositores musicaram textos do poeta.










