quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Shelley: Liberdade

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[traduzido por Péricles Eugênio da Silva Ramos]

I

Respondem um ao outro os montes incendiados;
Trovões ecoam de região para região,
E os mares entre si se acordam, tempestuosos;
Rochas de gelo abalam-se em redor do inverno,
Quando ressoa a clarinada do tufão.

II

De uma nuvem lampeja o resplendor,
Mil ilhas se iluminam em redor;
O terremoto calca em cinzas a cidade,
Tremem cem outras, cambaleando estão,
E a barulheira berra sob o chão.

III

Mais agudo que o do clarão é o teu relancear,
Teu passo, mais veloz que o terremoto a se arrastar;
Ensurdeceu a raiva do oceano; teu olhar
Cega os vulcões; a clara lâmpada solar
Perto da tua é o úmido fogo de paul.

IV

De vaga e serra e exalação
A luz do sol vara vapor, vara lufada;
E de espírito a espírito, nação para nação,
De urbe a vila se lança a tua madrugada 
Como sombras da noite são escravos e tiranos
           Ante a luz da manhã.

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Shelley

Liberty

I

The fiery mountains answer each other;
     Their thunderings are echoed from zone to zone;
The tempestuous oceans awake one another,
     And the ice-rocks are shaken round Winter's throne,
          When the clarion of the Typhoon is blown.

II

From a single cloud the lightening flashes,
     Whilst a thousand isles are illuminated around,
Earthquake is trampling one city to ashes,
     An hundred are shuddering and tottering; the sound
          Is bellowing underground.

III

But keener thy gaze than the lightening's glare,
     And swifter thy step than the earthquake's tramp;
Thou deafenest the rage of the ocean; thy stare
     Makes blind the volcanoes; the sun's bright lamp
          To thine is a fen-fire damp.

IV

From billow and mountain and exhalation
     The sunlight is darted through vapour and blast;
From spirit to spirit, from nation to nation,
     From city to hamlet thy dawning is cast, 
And tyrants and slaves are like shadows of night
          In the van of the morning light.
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Poesias de Shelley — Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos,  1995, Coleção Toda Poesia nº 14, Art Editora Ltda., São Paulo — SP;  Percy Bysshe Shelley (1792  1822), inglês nascido em Field Place, Horsham, foi poeta, ensaísta e dramaturgo do Romantismo da Inglaterra; de família abastada, fez seus estudos na Syon House Academy   Brentford e no Eton College, uma escola secular nos arredores do Castelo de Windsor; depois, matriculou-se na University College  Oxford, de onde foi expulso por ter publicado anonimamente um panfleto, The Necessity of Atheism, enviado aos bispos e outras personalidades, com um convite para debate e, intimado pelas autoridades escolares, ter-se calado, não respondendo se o folheto era ou não de sua autoria; com um professor de clássicos estudou de Horácio e Virgílio a Homero; traduziu O Banquete, de Platão; conheceu Lord Byron, John Keats, Leigh Hunt e outros escritores e poetas de sua época, convivendo com eles; sua bibliografia: Zastrozzi  (romance, 1810), Original Poetry by Victor and Cazire (em coautoria com sua irmã Elizabeth Shelley, 1810), The Cenci, a Tragedy, in Five Acts (Os Cenci, uma Tragédia em 5 Atos, 1819),  The Masque of Anarchy (1819), Una Favola (original em italiano, 1819), Ode to the West Wind (Ode ao Vento Oeste, 1819), Prometheus Unbound, A Lyrical Drama, in Four Acts (Prometeu Libertado, 1820), Adonais — elegia sobre a morte de John Keats (1821), Hellas, A Lyrical Drama (1821), e outros títulos; O poeta Shelley morreu no mar, quando o barco em que velejava desapareceu na neblina de uma tempestade, tendo seu corpo sido encontrado; Robert Schumann, Samuel Barber, Berthold Goldschmidt e outros compositores musicaram textos do poeta.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Paul Verlaine: No ermo da mata o som da trompa ecoa, . . . [soneto]

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[Traduzido por Manuel Bandeira]

No ermo da mata o som da trompa ecoa,
Vem expirar embaixo da colina.
E uma dor de orfandade se imagina
Na brisa, que em ladridos erra à toa.

A alma do lobo nessa voz ressoa...
Enche os vales e o céu, baixa à campina,
Numa agonia que à ternura inclina
E que tanto seduz quanto magoa.

Para tornar mais suave esse lamento,
Através do crepúsculo sangrento,
Como linho desfeito a neve cai.

Tão brando é o ar da tarde, que parece
Um suspiro do outono. E a noite desce
Sobre a paisagem lenta que se esvai.

Poésies!
Paul Verlaine

IX

Le son du cor s'afflige vers les bois
D'une douleur on veut croire orpheline
Qui vient mourir au bas de la colline
Parmi la bise errant en courts abois.

L'âme du loup pleure dans cette voix
Qui monte avec le soleil qui décline
D'une agonie on veut croire câline
Et qui ravit et qui navre à la fois.

Pour faire mieux cette plaine assoupie
La neige tombe à longs traits de charpie
A travers le couchant sanguinolent,

Et l'air a l'air d'être un soupir d'automne,
Tant il fait doux par ce soir monotone
Où se dorlote un paysage lent.

Sagesse  1880
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Antologia de Poemas para a Juventude (vários autores) — Organização e Apresentação de Henriqueta Lisboa, 2003, 2ª edição, Ediouro Publicações S/A, Rio de Janeiro — RJ; Paul Marie Verlaine (1844  1896), francês nascido em Metz, educou-se no Liceu Bonaparte (atual Liceu Condorcet), em Paris, trabalhou como funcionário público e desde cedo começou a escrever poesias, influenciado inicialmente pelo parnasianismo; considerado um dos expoentes da poesia e literatura francesa, usou a expressão poètes maudits (poetas malditos) para se referir aos poetas de sua época e de seu convívio  Baudelaire, Mallarmé, Rimbaud, Paul Valery, ... , grupo ao qual ele se incluía, e que privilegiavam a luta contra as convenções poéticas vigentes e sofriam reprimendas sociais por isso, tendo sido muitos deles ignorados pelos críticos; só posteriormente, em 1886, com a publicação do Manifesto Simbolista, por Jean Moréas, o termo "simbolismo" passou a nominar aquele novo ambiente literário; Paul Verlaine escreveu e publicou em poesia, Poèmes Saturniens (1866), Les Amies (1867), Fêtes Galantes (1869), La Bonne Chanson (1870), Romances Sans Paroles (1874), Sagesse (1880), Jadis et naguère (1884), Amour (1888) e outros títulos, e, em prosa, Les Poètes maudits (1884), Louise Leclercq  (1886), Les Memoires d'un veuf (1886), Mes hôpitaux (1891), Mes prisons (1893), Quinze jours en Hollande (1893) etc.; o poeta, que foi casado com Mathilde Mauté, participou da Comuna de Paris sem ser atuante nas ruas, teve relacionamento sentimental amoroso conturbado com Rimbaud e o feriu com dois tiros, foi preso e encarcerado e, nos anos finais de sua vida, Paris o viu dependente de drogas e de alcoolismo, vivendo em bairros pobres e se socorrendo em hospitais públicos.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Mário Quintana: Os parceiros

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Sonhar é acordar-se para dentro:
de súbito me vejo em pleno sonho
e no jogo em que todo me concentro
mais uma carta sobre a mesa ponho.

Mais outra! É o jogo atroz do Tudo ou Nada!
E quase que escurece a chama triste...
E, a cada parada uma pancada,
o coração, exausto, ainda insiste.

Insiste em quê? Ganhar o quê? De quem?
O meu parceiro... eu vejo que ele tem
um riso silencioso a desenhar-se

numa velha caveira carcomida.
Mas eu bem sei que a morte é seu disfarce...
Como também disfarce é a minha vida!

Apontamentos de História Sobrenatural  1976

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Mário Quintana — Antologia Poética, Volume 71 L&PM Pocket, Seleção de Sérgio Faraco, 2003 (reimpressão), 1ª edição 1997, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Mário de Miranda Quintana (1906  1994), gaúcho de Alegrete, foi poeta, jornalista e tradutor; escreveu e publicou A Rua dos Cataventos (1940), Canções (1946), Sapato Florido (1948), O Aprendiz de Feiticeiro (1950), Inéditos e Esparsos (1953), Pé de Pilão  (literatura infanto-juvenil, 1968), Quintanares (1976), Apontamentos de História Sobrenatural (1976), A Vaca e o Hipogrifo  (1978), Prosa e Verso  (1978), Baú de Espantos (1986) etecétera, etecétera, etecétera, além de participação em antologias; traduziu obras de Proust, Balzac, Mérimée, Conrad, Maupassant, Voltaire, Beaumarchais, entre outros autores; trabalhou em jornais gaúchos.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Emílio Moura: Cantiga de solitário

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Os que deixei no caminho,
sôbolos rios que vão...
onde é que estão?
Onde é que estão
Os que deixei no caminho?

 Todos, todos já dormindo
sôbolos rios que vão
à escuridão.

Os que deixei no caminho
se detiveram tão cedo
que me deixaram sozinho.

Os que deixei no caminho
sôbolos rios que vão...
onde é que estão?

Se havia sol no caminho,
que pensamento os deteve,
que fel, que sombra, que espinho?

Os que deixei no caminho
dormindo estão
sôbolos rios que vão.

(Itinerário Poético  poemas reunidos, 2002)

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Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 30, Seleção e Prefácio de Ivan Junqueira, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2008, São Paulo — SP; Emílio Guimarães Moura (1902  1971), mineiro de Dores do Indaiá, foi jornalista, professor universitário, escritor e poeta; trabalhou como redator de cadernos literários dos periódicos Diário de Minas, Estado de Minas e A Tribuna de Minas Gerais e lecionou na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Minas Gerais (FACEUFMG), da qual foi um dos fundadores e também diretor; junto com Carlos Drummond de Andrade e outros, integrou o grupo que editava A Revista, publicação literária modernista; sua bibliografia: Ingenuidade (1931), Canto da hora amarga (1936), Cancioneiro (1945), O espelho e a musa (1949), O instante e o eterno (1953), A casa (1961), 50 poemas escolhidos pelo autor (1961), Itinerário Poético (1969); recebeu o Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro, por seu Itinerário Poético, coletânea de todos os seus livros.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Hilda Hilst: Que este amor não me cegue nem me siga.

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I

Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.

Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.

Que este amor só me veja de partida.

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Cantares — Hilda Hilst, Organização e plano de edição de Alcir Pécora,  2002, Editora Globo, São Paulo — SP; Hilda de Almeida Prado Hilst (1930  2004), paulista de Jaú, formada em Direito pela Universidade de São Paulo, foi poeta, ficcionista e dramaturga; escreveu e publicou: em poesia, Presságio (1950), Balada de Alzira  (1951), Balada do Festival (1955), Roteiro do Silêncio (1959), Trovas de muito amor para um amado senhor (1960), Ode Fragmentária (1961), Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), Da Morte. Odes Mínimas  (1980),  Cantares de perda e predileção (1983), Amavisse (1989), Alcoólicas (1990), Bufólicas (1992), Exercícios (2002) entre outros títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós (1973), Tu não te moves de ti  (1980),  A Obscena Senhora D (1982), Contos d'escárnio (1992), Cartas de um sedutor (1991), Cantares do sem nome e de partidas (1995) etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volumes I e II (2000 e 2001); Hilda Hilst teve seu trabalho reconhecido nos meios literários, foi detentora de muitas premiações e teve obras traduzidas para o francês, italiano, espanhol, inglês e alemão; em 1965, em Campinas — SP, construiu a Casa do Sol, ali passou a residir, e dali passou a produzir seus textos; hoje, a Casa do Sol é a séde do Instituto Hilda Hilst, o qual objetiva preservar a sua obra e o local onde a autora trabalhou.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Filinto Elísio: Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados, . . . [soneto]

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Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,
um garbo senhoril, nevada alvura,
metal de voz que enleva de doçura,
dentes de aljôfar, em rubi cravados.

Fios de ouro, que enredam meus cuidados,
alvo peito, que cega de candura,
mil prendas; e (o que é mais que formosura)
uma graça, que rouba mil agrados.

Mil extremos de preço mais subido
encerra a linda Márcia, a quem ofereço
um culto, que nem dela inda é sabido.

Tão pouco de mim julgo que a mereço,
que enojá-la não quero de atrevido
com as penas que por ela em vão padeço.

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Sonetos de Amor & Desamor (vários autores), Organização de Ivan Pinheiro Machado e Notas de Sergio Faraco, Coleção L&PM Pocket, vol. 1095, 2016, Porto Alegre  RS; Filinto Elísio (1734  1819), ou Niceno, pseudônimos de Francisco Manuel do Nascimento, português e lisboeta, foi sacerdote, poeta do Arcadismo e tradutor; o poeta, perseguido pela Inquisição, teve que se exilar em Paris  França, ali tendo se ocupado como tradutor, para sobreviver; bibliografia: Obras Completas: 1817  1819); traduziu La Fontaine ('As Fábulas'), Chateaubriand (‘Os Mártires’), Sílio Itálico (‘Púnica’) e verteu para o francês, Mariana Alcoforado (‘Lettres Portugaises’).

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Charles Bukowski: tão louco quanto sempre fui

O Amor É Um Cão Dos Diabos | Amazon.com.br
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[traduzido por Pedro Gonzaga]

bêbado e escrevendo poemas
às 3 da manhã.

o que importa agora
é mais uma
boceta
apertada

antes que a luz
se apague

bêbado e escrevendo poemas
às 3h15 da manhã.

algumas pessoas me dizem que sou
famoso.

o que estou fazendo sozinho
bêbado e escrevendo poemas às
3h18 da manhã?

sou tão louco quanto sempre fui
eles não entendem
que não parei de me pendurar pelos calcanhares
da janela do 4° andar 
eu ainda o faço
agora mesmo
aqui sentado

ao escrever estas linhas
estou pendurado pelos calcanhares
vários andares acima:
68, 72, 101,
a sensação é a
mesma:
implacável
banal e
necessária

aqui sentado
bêbado e escrevendo poemas
às 3h24 da manhã.

Imagem relacionada
Charles Bukowski

as crazy as I ever was

drunk and writing poems 
at 3 a.m.

what counts now
is one more
tight pussy

before the light
tilts out

drunk and writing poems
at 3:15 a.m.

some people tell me that I'm 
famous.

what am I doing alone
drunk and writing poems at
3:18 a.m.?

I'm as crazy as I ever was
they don't understand 
that I haven't stopped hanging out of 4th floor
windows by my heels 
I still do
right now
sitting here

writing this down
I am hanging by my heels
floors up:
68, 72, 101,
the feeling is the
same:
relentless
unheroic and
necessary

sitting here
drunk and writing poems
at 3:24 a.m.
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O amor é um cão dos diabos — Charles Bukowski, Tradução de Pedro Gonzaga, 2015, reimpressão L&PM Pocket, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Henry Charles Bukowski Jr.  (1920  1994), ou Heinrich Karl Bukowski, alemão de Andernach, que desde os três anos de idade viveu nos Estados Unidos (inicialmente em Baltimore e depois em Los Angeles), foi poeta, contista e romancista; em 1939, inicia o curso de jornalismo e literatura pela Los Angeles City College; põe-se a escrever, é expulso de casa, passa a morar em pensões e, sem emprego, desiste da faculdade; convivendo com o alcoolismo, e com vida errante, passando por várias cidades americanas, trabalhou em empregos temporários como faxineiro, frentista, motorista de caminhão; depois, ingressou nos correios, trabalhando como carteiro por quatorze anos; aos 49 anos largou o emprego para se dedicar à carreira de escritor; escreveu e publicou: Flower, Fist, and Bestial Wail (coletânea de poesias, 1960), It Catches My Heart in its Hands (coletânea de poesias, 1963), Confessions of a Man Insane Enough to Live Beasts (1965), Post Office (Cartas na Rua, romance, 1971), Factótum (romance, 1975), Love is a Dog from Hell (O amor é um cão dos diabos, poesias, 1977), Women (Mulheres, romance, 1978), Shakespeare Never Did This (não-ficção, 1979) e tantos outros títulos em verso e prosa e não-ficção; Bukowski, com Cartas na Rua, romance que o tornaria famoso, passa a fazer uso de seu alterego Henry Chinaski que o acompanha na quase totalidade de seus romances.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Carlos Drummond de Andrade: Retorno

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Meu ser em mim palpita como fora 
do chumbo da atmosfera constritora. 
Meu ser palpita em mim tal qual se fora 
a mesma hora de abril, tornada agora. 

Que face antiga já se não descora 
lendo a efígie do corvo na da aurora? 
Que aura mansa e feliz dança e redoura 
meu existir, de morte imorredoura? 

Sou eu nos meus vinte anos de lavoura 
de sucos agressivos, que elabora 
uma alquimia severa, a cada hora. 

Sou eu ardendo em mim, sou eu embora 
não me conheça mais na minha flora 
que, fauna, me devora quanto é pura.

(Poesia completa  edição do
 centenário, 2 volumes, 2001)

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Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 30, Seleção e Prefácio de Ivan Junqueira, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2008, São Paulo — SP; Carlos Drummond de Andrade (1902 —  1987), mineiro de Itabira, poeta, contista e cronista, viveu intensamente o seu tempo e nos ofereceu como legado incontáveis obras em verso e prosa, publicadas em livros, jornais e revistas, pelo país afora e no resto do mundo; sua obra: Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do Mundo (1940); José (1942); Confissões de Minas, crônicas e artigos (1944); A Rosa do Povo (1945); Novos PoemasClaro Enigma (1951); Contos de Aprendiz (1951); Viola de Bolso (1952);  Passeios na Ilha, crônicas e artigos (1952); Fazendeiro do Ar (1954); Fala, Amendoeira, crônicas (1957); A Bolsa & A Vida, crônicas (1962); A Vida Passada a LimpoLição de Coisas (1962); Cadeira de Balanço, crônicas (1966); Versiprosa (1967); Boitempo (1968); A Falta que Ama (1968); Caminhos de João Brandão, crônicas (1970); O Poder Ultrajovem, crônicas (1972); As Impurezas do Branco (1973); Menino Antigo —  Boitempo II (1973); De Noticias & Não Notícias faz-se a Crônica (1974);  Discurso de Primavera, e algumas sombras (1977); Contos Plausíveis (1981); Boca de Luar, crônicas (1984); Amar Se Aprende Amando (1985);  O Avesso das Coisas, aforismos (1988); Farewell (1996) e tantos outros títulos...