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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Tomás de Iriarte: Senhor D. João, quietinho, que me enfado: . . . [soneto]

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[traduzido por José Paulo Paes]

Senhor D. João, quietinho, que me enfado:
beijar a mão é muito atrevimento;
abraçar-me… isso não, que me apoquento.
Cosquinhas… ai Joãozinho… e o pecado?

Como são maus os homens… mas cuidado
que me parece ouvir passos lá dentro…
não é ninguém… apressa o teu momento.
Ai que prazer… tão doce e regalado!

Jesus, sou uma louca, quem diria
que com um homem eu… sendo cristã
mas… que… de puro gozo… ai! vida minha!

Quanta vergonha… Vai-te… Queres mais?
O que tivestes não te satisfaz?
Oh meu Joãozinho, voltas amanhã?

Tomás de Iriarte

Señor D. Juan, quedito, que me enfado:

Señor D.  Juan, quedito, que me enfado:
besar la mano es mucho atrevimiento;
abrazarme... D.  Juan, no lo consiento.
Cosquillas... ay Juanito... ¿Y el pecado?

Qué malos son los hombres... mas, cuidado,
que me parece, Juan, que pasos siento...
no es nadie..., despachemos un momento.
¡Ay, qué placer... tan dulce y regalado!

Jesús, qué loca soy, quién lo creyera
que con un hombre yo... siendo cristiana
mas... que... de puro gusto... ¡ay... alma mía!

Ay, qué vergüenza, vete... ¿aún tienes gana?
Pues cuando tú lo pruebes otra vez...
pero, Juanito, ¿volverás mañana?
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Poesia Erótica (vários autores) — Seleção, Introdução, Tradução e Notas de José Paulo Paes, 2006, 1ª  edição, Companhia de Bolso, São Paulo — SP; Tomás de Iriarte y Nieves Ravelo (1750 1791), espanhol de Tenerife, foi comediógrafo, fabulista e poeta satírico; bibliografia: Hacer que hacemos (1770), Los literatos em cuaresma (1773), La música (1779), El don de gentes (1780), Fábulas literárias (1782), El señorito mimado (1783), La señorita malcriada (1788); traduziu Arte Poética, de Horácio.