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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Almeida Garrett: Barca bela

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Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela,
          Que é tão bela,
          Ó pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
         Colhe a vela,
         Ó pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela...
         Mas cautela,
         Ó pescador!

Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
        Só de vê-la,
        Ó pescador!

Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela,
        Foge dela,
        Ó pescador!

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Antologia Escolar de Poesia Portuguesa  De Camões a Pessoa, Organização de Douglas Tufano, 1993, Impressão em 2000, Editora Moderna, São Paulo  SP; João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett (1799  1854), português do Porto, formado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi escritor, dramaturgo, orador e político, e considerado um dos representantes literários do Romantismo em Portugal; trabalhou em jornais, foi fundador e dirigiu alguns deles  O Português e O Cronista, e colaborou com outros periódicos  a Revista Universal Lisbonense e A Semana, de Lisboa; escreveu e publicou O Retrato de Vênus (poema, 1821), Catão (tragédia, 1822), Camões (poema, 1825), Bosquejo da História da Poesia e Língua Portuguesa (in Parnaso Lusitano, 1826), Adozinda (poema, 1828), Da Educação (ensaio), Lírica de João Mínimo (poema, 1829), Portugal na Balança da Europa (ensaio, 1830), Um Auto de Gil Vicente (teatro, 1841), Viagens na minha terra (romance, 1846), Dona Filipa de Vilhena (comédia, 1846), e tantos outros títulos em verso e prosa e dramaturgia, além de inúmeros textos que, vindos à luz, só foram publicados postumamente.