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segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Ana Amélia Carneiro de Mendonça: Canto do trabalho

 
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Trabalho é glória. Quem trabalha
Vive feliz, sereno e são.
No ferro em brasa o homem que malha
Busca a beleza e a perfeição.

Da boca ardente da fornalha
Ergue-se o hino à criação.
Frontes de heróis, que o suor orvalha,
Os vossos louros aí estão.

Quem planta o trigo a vida espalha
Bendito seja quem faz pão!
É ouro em pó cada migalha,
Vale um tesouro em cada grão.

Pedra por pedra a alta muralha
Ergue-se aos poucos do ermo chão.
Louvado seja quem de palha
Cobriu a tosca habitação.

Quem fez o pano que agasalha,
Trançando o fio de algodão.
Quem fez a alvíssima toalha;
Quem vive negro de carvão.

Quem corta o tronco e nele talha
A mesa a que outros comerão.
Quem cose os pontos da mortalha.
Quem serra as tábuas do caixão.

A vida é áspera batalha
Em que a arma é a rude mão.
Bendito seja quem trabalha
Pela grandeza e a perfeição.

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Poesia Brasileira para a Infância (diversas autorias), Seleção, Organização e Texto/Apresentação de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, Coleção Henriqueta 1, 3ª edição revista, 1968, Edição Saraiva, São Paulo — SP; Ana Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça (1896 1971), nascida no Rio de Janeiro RJ, educada por preceptoras brasileiras, inglesas e alemãs, foi poetisa, tradutora, conferencista, jornalista e feminista carioca; teve poemas e crônicas publicados pelos mais importantes jornais do país, ajudou a fundar a Casa do Estudante do Brasil e a Associação Brasileira de Estudantes, e foi a primeira mulher membro de um tribunal eleitoral do país; obras: Esperanças (1911), Alma (1922), Ansiedade (1926), Harmonia dos Seres e das Coisas (1936) Mal de Amor (1939), Poemas (1951), 50 Poemas de Ana Amélia (poemas escolhidos, 1957).

domingo, 10 de outubro de 2021

Henry Wadsworth Longfellow: O remo quebrado

 
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[traduzido por Ana Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça]

Certo dia da Islândia em plaga solitária,
ia um poeta a vagar, levando o livro e a pena,
buscando um doce amém, uma frase serena,
que pudesse fechar sua obra literária.

Soluçava a seus pés cada onda tumultuária.
Os pássaros, cortando o azul da tarde amena,
passavam, lentos, no ar. Do poente a rubra cena 
iluminava o mar de luz extraordinária.

Pelas ondas, então, foi à praia trazido
velho remo quebrado, em que ele a custo leu:
"Quantas vezes contigo eu cansei de lutar!"

E como quem encontra o que julgou perdido,
essa frase traçou, aos céus a fronte ergueu,
 e, trêmulo, atirou a inútil pena ao mar.


The Broken Oar

Once upon Iceland's solitary strand
A poet wandered with his book and pen,
Seeking some final word, some sweet Amen,
Wherewith to close the volume in his hand.

The billows rolled and plunged upon the sand,
The circling sea-gulls swept beyond his ken,
And from the parting cloud-rack now and then
Flashed the red sunset over sea and land.

Then by the billows at his feet was tossed
A broken oar; and carved thereon he read,
"Oft was I weary, when I toiled at thee;"

And like a man, who findeth what was lost,
He wrote the words, then lifted up his head,
And flung his useless pen into the sea.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto [inúmeros sonetistas e tradutores], de Vasco de Castro Lima, Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; H. W. Longfellow, ou Henry Wadsworth Longfellow (1807 1882), estadunidense de Portland, Maine, formou-se no Bowdoin College, foi professor, tradutor e poeta; passou três anos na Europa onde estudou letras modernas e, de volta ao Maine, lecionou no colégio onde se formara; suas obras: em versos, Voices of the Night (Vozes da Noite, 1839), Ballads and other poems (Baladas e outros poemas, 1841), Poems on Slavery (Poemas sobre escravidão, 1842), Evangeline (poema épico, 1847), The Golden Legend (1851), The Song of Hiawatha (1854), The Courthship of Miles Standish e outros poemas (O cortejo de Miles Standish, 1858), Christus: a Mistery (Cristo: um mistério (1872), Three Books of Song (Três Livros de Canções, 1872), Consequências (1873) e outros; em prosa, Outre-Mer: A Pilgrimage Beyond the Sea, (Outre-Mer: uma peregrinação além do mar, ensaios, 1835), The Spanish Sudent. A Play in Three Acts (O estudante de espanhol, drama, 1843), The New England Tragedies (As tragédias da Nova Inglaterra, 1868), etc.; traduziu, de Dante Aligheri, A Divina Comédia.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Ana Amélia de Queiroz: Canção Banal

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Um grande amor se condensa
Em doces frases banais.
Ai de quem diz o que pensa!
Palavras são sempre iguais...

Dizei-me, árvores antigas
Que no vento soluçais,
As vossas tristes cantigas
Dizem coisas sempre iguais?

Fala-se de amor ardente
Em leves frases banais.
Ai de quem diz o que sente!
Palavras são sempre iguais...

Dizei-me, ó aves amigas,
Que pelos ramos cantais.
Nas vossas doces cantigas
Dizeis coisas sempre iguais?

E a gente vive tristonha,
Repetindo os mesmos ais...
Ai de quem diz o que sonha:
Palavras são sempre iguais...

(50 poemas de Ana Amélia, 1957,
Livraria  S. José, Rio de Janeiro, pág. 24.)

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Panorama da Poesia Brasileira, Volume V — Pré-Modernismo, por Fernando Góes, 1960, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Ana Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça (1896 1971), nascida no Rio de Janeiro RJ, poetisa, tradutora, conferencista, jornalista e feminista, teve poemas e crônicas publicados pelos mais importantes jornais do país; ajudou a fundar a Casa do Estudante do Brasil e a Associação Brasileira de Estudantes, foi a primeira mulher membro de um tribunal eleitoral do país e deixou-nos como legado Esperanças (1911), Alma (1922), Ansiedade (1926), Harmonia dos Seres e das Coisas (1936) Mal de Amor (1939), Poemas (1951), 50 Poemas de Ana Amélia (poemas escolhidos, 1957).

sábado, 24 de março de 2012

Ana Amélia de Queiroz: Mal de Amor

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Toda pena de amor, por mais que doa,
No próprio amor encontra recompensa.
As lágrimas que causa a indiferença
Seca-as depressa uma palavra boa.


A mão que fere, o ferro que agrilhoa,
Obstáculos não são que amor não vença.
Amor transforma em luz a treva densa,
Por um sorriso amor tudo perdoa.


Ai de quem muito amar não sendo amado,
E depois de sofrer tanta amargura,
Pela mão que o feriu não for curado.


Noutra parte há de em vão buscar ventura,
Fica-lhe o coração despedaçado,
Que o mal de amor só neste amor tem cura.
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Os Mais Belos Sonetos Brasileiros Seleção e Notas de Edgard Rezende, da Academia Fluminense de Letras Prefácio de Oliveira e Silva, 2ª edição, 1947, Casa Editora Vecchi Ltda., Rio de Janeiro RJ; Ana Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça (1896 1971), nascida no Rio de Janeiro RJ, poetisa, tradutora, conferencista, jornalista e feminista, teve poemas e crônicas publicados pelos mais importantes jornais do país; ajudou a fundar a Casa do Estudante do Brasil e a Associação Brasileira de Estudantes, foi a primeira mulher membro de um tribunal eleitoral do país e deixou-nos como legado Esperanças (1911), Alma (1922), Ansiedade (1926), Harmonia dos Seres e das Coisas (1936) e Mal de Amor (1939).