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Eis-me, brandindo, alígero, o
tacape,
por defender-te dos
Aventureiros,
sem que haja um só, por mais
revel, que escape
dos meus botes fatais como
certeiros.
Eis-me, Tapuia! E por que a
clave empape
no sangue dos cobardes, dos
traiçoeiros,
nem mesmo encontre aquele que
desguape*
este porte que é bem dos
Brasileiros...
Que, pois, a vida e o teu amor
percorram
meu sangue heróico, dos Barés
oriundo,
e todos quantos te desejam —
morram!
Porque, Tapuia, no final
conluio
do teu afeto, afrontarei o Mundo
com a força e a graça do Varão
Tapuio!...
* Nota do Organizador e Autor
deste O Mundo Maravilhoso do Soneto: Nota do Verso 7 — [O dicionário] Aurélio
não registra "desguapar", mas "desguampar": — Bras. RS.
Tirar as guampas ou cornos de (a rês), serrando-os ou usando de outro meio,
para lhe permitir maior desenvolvimento físico.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto,
de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho,
1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Ernani Vieira (1896 — 1938),
amazonense e manauara, não cumpriu o ciclo inicial do ensino formal (frequentou
por alguns meses a escola primária de Fortaleza — CE, depois, mudando-se com os
pais para Abaeté, hoje Abaetetuba — PA, aos 8 anos de idade foi matriculado em escola
primária, em pouquíssimo tempo se indispôs com o diretor e negou-se a continuar
comparecendo ao banco escolar ali, e, na impossibilidade de frequentar outro estabelecimento
de ensino, compulsoriamente tornou-se autodidata), foi tipógrafo e poeta; aprendeu
conhecimentos de leitura e escrita, com seus livros, em uma pequena tipografia do
pai, proprietário do semanário O Comércio; de seus traços biográficos, no relato
de Rodrigues Pinagé, da Academia Paraense de Letras, consta que foi “nos caixotins
da modesta tipografia que Ernani se fez conhecedor dos primeiros rudimentos gramaticais,
cujas questões analisava com sabedoria precoce.”; em 1910, de mudança para Recife
— PE (ele e suas duas irmãs), a convite de um seu tio que passou a ampará-los, Ernani
empregou-se como tipógrafo em um jornal recifense, no qual trabalhou “quotidianamente
em suas edições matutina e vespertina”; em 1913, Ernani Vieira, “abatido por insidiosa
moléstia” — a lepra, uma doença infectocontagiosa crônica —, foi forçado a retornar
definitivamente para Belém, e ali se isolou, passando “a morar em quartos separados
nas chamadas ‘Repúblicas’” da capital paraense e seu convívio no lar, com os pais,
só se dava nas refeições; nas palavras de Vasco de Castro Lima, organizador e autor
deste O Mundo Maravilhoso do Soneto, “Ernani Vieira é considerado um perfeito imitador
do estilo científico de Augusto dos Anjos, como se pode aquilatar pelos seus dois
fortes sonetos Dentro da Cidade da Lepra e Dona Tuberculosa.”; suas obras: em poesia:
Ritornelos (1919), Barquinhos de Papel (1926), De Picareta e Pá e Dona Filosofia
(ambos em 1928), Para Você, Dona Cidade, Toca de Fel e Cano de Esgoto (todos em
1929), Poema dos Canoeiros do Pará (1932), em prosa: Iza (romance, 1929), para teatro:
Sangue Português (drama em 3 atos, 1926) e Purriba di Muá (comédia em 1 ato), e
outros títulos; faleceu num leprosário, em Belém — PA, no dia 30 de maio de 1938.