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[traduzido por Augusto de Campos]
Odeio o brilho frio
Das estrelas iguais
Salve, alto desvario
Das torres ogivais!
Pedra, muda-te em véu
Ou transforma-te em teia!
No peito azul do céu
A agulha aguda alteia!
O vôo é minha meta,
Uma asa em mim se estira.
Mas a que alvo a seta
Do pensamento mira?
Quando a hora já se for,
Talvez eu volte a voar.
Lá, me negam o amor.
Aqui, não ouso amar.
1912
Я ненавижу свет...
Я ненавижу свет
Однообразных звезд.
Здравствуй, мой давний бред, —
Башни стрельчатый рост!
Кружевом, камень, будь
И паутиной стань,
Неба пустую грудь
Тонкой иглою рань!
Будет и мой черед —
Чую размах крыла.
Так — но куда уйдет
Мысли живой стрела?
Или свой путь и срок
Я, исчерпав, вернусь:
Там — я любить не мог,
Здесь — я любить боюсь...
1912
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poesia da recusa (vários autores) — augusto de campos, Seleção,
Tradução, Traços biobibliográficos e Introdução de Augusto de Campos, Coleção Signo
volume 42, 2006, Editora Perspectiva, São Paulo — SP; Óssip Mandelstam (1891 — 1938),
polonês de Varsóvia, à época Império Russo, estudou Filologia e História na Universidade
de São Petersburgo, foi poeta, escritor, tradutor, crítico literário e ensaísta,
tendo iniciado suas atividades literárias em 1910, com a publicação de alguns de
seus poemas na revista Apollón; obras: Каменьn (Pedra, 1913), Tristia (1922),
Poemas (1928), Cadernos de Vorôniej (preservados por Nadeja, mulher do poeta)...;
Óssip Mandelstam, por ter elaborado poemas com críticas à atuação de Stálin no então
governo soviético, foi alvo de alguns processos e duas prisões, veio a morrer num
exílio interno, o “campo de trânsito” de Vtoraya Rechka, perto de Vladivostok, e
foi postumamente reabilitado.













