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quinta-feira, 11 de junho de 2020

Max de Vasconcellos: De volta

Livro: Max de Vasconcellos o Poeta da Agonia - Emilio Maciel ...
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Ao cabo, enfim de tanta inglória lida,
na ânsia de falso bem, inutilmente,
por meus loucos desejos combatida,
torno ao teu seio hospitaleiro e quente.

Mas, venho de alma triste e arrependida,
de passo tardo e músculos de doente;
sentindo que falhou em minha vida,
tudo o que nela foi anseio ardente;

que em vão deram à dor dos meus desejos,
 bocas e taças mil vinhos e beijos,
pois só trago hoje, ao regressar cansado,

a alma em febre e nos nervos doloridos,
a impressão dos martírios lá vividos
e o desespero de não ter gozado...

Transcrito em: PAIXÃO, Mucio da.
Movimento literário em Campos. Rio de
Janeiro: Typ. do Jornal do Commercio, 1924.

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Max de Vasconcellos — O Poeta da Agonia, Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Maria José da Silva Fernandes, Monique da Costa Ribeiro, Thiago Roza Ialdo Montilha e outros, 2012, In-Fólio, Rio de Janeiro — RJ; Max de Vasconcellos Azevedo (1891 1919), fluminense de Campos dos Goytacazes, estudou no Colégio Abílio, de Niterói, formou-se na Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, foi poeta, jornalista, militante anarquista e boêmio frequentador da Roda Literária do Café Paris, de Niterói, além de também fazer presença em outros cafés da Lapa carioca; o poeta trabalhou como jornalista em diversos periódicos niteroienses e da então capital do país, Rio de Janeiro; Max de Vasconcellos não publicou livros em vida, porém seus poemas, crônicas e resenhas ficaram registrados em inúmeros jornais e revistas da época, muitos deles de orientação anarquista: Athena Fluminense (hebdomedário literário e noticioso) e Gazeta da Manhã, ambos de Niterói, O Debate, A Razão, A Luta (Revista da Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro), Guerra Social, Gazeta de Notícias, A Voz do Trabalhador (Órgão da Confederação Operária Brasileira), La Rinascenza Latina — Settimanale politico dell’italo-americanismo in Brasile e ABC, todos do Rio de Janeiro, Fanal — revista do Novo Cenáculo, de Curitiba, A Plebe e A Lanterna (jornal anticlerical e de combate), ambos de São Paulo, O Dia, de Campos dos Goytacazes etc; poliglota, o poeta também escreveu e deixou registrado versos em italiano, francês e romeno; a Roda Literária do Café Paris frequentada pelo poeta e boêmio, algum tempo depois passou a se chamar Cenáculo Ambulante (consta ter sido o poeta o primeiro a designá-la Cenáculo) e mais tarde (1923) deu origem ao Cenáculo Fluminense de História e Letras CFHL, ativo até os dias de hoje; o poeta simbolista, boêmio e jovem, morreu de tuberculose em 10 de abril de 1919.

terça-feira, 19 de maio de 2020

Max de Vasconcellos: Sino

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Sino, boca do Além falando à vida...
Voz do Passado orando no presente,
Ai compassivo da alma dolorida...
Murmúrio em bronze de quem já foi crente...

O humano coração que hoje duvida,
Ama-te o badalar, ao Sol nascente;
Nas catedrais na cúpula da ermida,
Dobrando pela luz, à hora poente!...

Amo-te em toda a parte onde teu vulto
A meus olhos de cético aparece...
Porque me lembras que já tive um culto;

E porque um dia, de teu bojo forte,
Se há de erguer para o azul a única prece
Que a vida rezará por minha morte!

Transcrito em: REZENDE, Edgard (Org.).
Os mais belos poemas brasileiros. 3. ed. rev.
Rio de Janeiro: F. Bastos, 1945

MAX VASCONCELOS – Brasil – Poesia dos Brasis - Rio de Janeiro ...
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Max de Vasconcellos — O Poeta da Agonia, Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Maria José da Silva Fernandes, Monique da Costa Ribeiro, Thiago Roza Ialdo Montilha e outros, 2012, In-Fólio, Rio de Janeiro — RJ; Max de Vasconcellos Azevedo (1891 1919), fluminense de Campos dos Goytacazes, estudou no Colégio Abílio, de Niterói, formou-se na Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, foi poeta, jornalista, militante anarquista e boêmio frequentador da Roda Literária do Café Paris, de Niterói, além de também fazer presença em outros cafés da Lapa carioca; o poeta trabalhou como jornalista em diversos periódicos niteroienses e da então capital do país, Rio de Janeiro; Max de Vasconcellos não publicou livros em vida, porém seus poemas, crônicas e resenhas ficaram registrados em inúmeros jornais e revistas da época, muitos deles de orientação anarquista: Athena Fluminense (hebdomedário literário e noticioso) e Gazeta da Manhã, ambos de Niterói, O Debate, A Razão, A Luta (Revista da Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro), Guerra Social, Gazeta de Notícias, A Voz do Trabalhador (Órgão da Confederação Operária Brasileira), La Rinascenza Latina — Settimanale politico dell’italo-americanismo in Brasile e ABC, todos do Rio de Janeiro, Fanal — revista do Novo Cenáculo, de Curitiba, A Plebe e A Lanterna (jornal anticlerical e de combate), ambos de São Paulo, O Dia, de Campos dos Goytacazes etc; poliglota, o poeta também escreveu e deixou registrado versos em italiano, francês e romeno; a Roda Literária do Café Paris frequentada pelo poeta e boêmio, algum tempo depois passou a se chamar Cenáculo Ambulante (consta ter sido o poeta o primeiro a designá-la Cenáculo) e mais tarde (1923) deu origem ao Cenáculo Fluminense de História e Letras CFHL, ativo até os dias de hoje; o poeta simbolista, boêmio e jovem, morreu de tuberculose em 10 de abril de 1919.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Max de Vasconcellos: 13 de Maio

Livro: Max de Vasconcellos o Poeta da Agonia - Emilio Maciel ...
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13 de maio! Há perto de trinta anos
Uma raça gritou ao sol que te dourava:
Acabou-se afinal o tempo dos tiranos,
já não há raça pelo mundo escrava,
Com a carta de alforria!
E entanto ainda durava e dura a tirania...
O homem negro deixou de ser a propriedade
Do branco fazendeiro,
Mas continua entanto o cativeiro
Do rico sobre o pobre...
E há grandes prantos pela Humanidade!

O que nada produz tudo consome:
E morre no hospital nas prisões ou de fome,
O produtor de tudo...
E a lei serve de escudo,
Com sabres e canhões, a toda esta injustiça!
A lei é, pois, o mal; lute-se contra a lei!
E assim como se fez contra o feitor e o rei,
Faça-se contra toda a autoridade!
Em busca de justiça,
Alcemos a bandeira da equidade,
Que é a bandeira flamante da Anarquia,
... grande promessa a memória!

Nós, anarquistas, somos a nova era...
Dentro da nossa esplêndida quimera,
Encerramos o mundo de amanhã;
Quando a lira, vibrada ao som do malho,
Cantar os hinos fortes do trabalho
À luz tranqüila e morna da manhã.

É com alma fita neste mundo novo,
Que vamos despertar no coração do Povo
Os estos de coragem que outrora,
Nas praças de Paris, cantando a Marselhesa,
Levantou contra as armas da nobreza
A grande barricada redentora!

E em breve há de luzir também o dia
Em que o Povo, acordando, em voz sonora,
Denodado e viril, há de saudar a aurora
Com vivas à anarquia!

(Recorte de jornal não identificado)

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Max de Vasconcellos — O Poeta da Agonia, Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Maria José da Silva Fernandes, Monique da Costa Ribeiro, Thiago Roza Ialdo Montilha e outros, 2012, In-Fólio, Rio de Janeiro — RJ; Max de Vasconcellos Azevedo (1891 1919), fluminense de Campos dos Goytacazes, estudou no Colégio Abílio, de Niterói, formou-se na Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, foi poeta, jornalista, militante anarquista e boêmio frequentador da Roda Literária do Café Paris, de Niterói, além de também fazer presença em outros cafés da Lapa carioca; o poeta trabalhou como jornalista em diversos periódicos niteroienses e da então capital do país, Rio de Janeiro; Max de Vasconcellos não publicou livros em vida, porém seus poemas, crônicas e resenhas ficaram registrados em inúmeros jornais e revistas da época, muitos deles de orientação anarquista: Athena Fluminense (hebdomedário literário e noticioso) e Gazeta da Manhã, ambos de Niterói, O Debate, A Razão, A Luta (Revista da Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro), Guerra Social, Gazeta de Notícias, A Voz do Trabalhador (Órgão da Confederação Operária Brasileira), La Rinascenza Latina — Settimanale politico dell’italo-americanismo in Brasile e ABC, todos do Rio de Janeiro, Fanal — revista do Novo Cenáculo, de Curitiba, A Plebe e A Lanterna (jornal anticlerical e de combate), ambos de São Paulo, O Dia, de Campos dos Goytacazes etc; poliglota, o poeta também escreveu e deixou registrado versos em italiano, francês e romeno; a Roda Literária do Café Paris frequentada pelo poeta e boêmio, algum tempo depois passou a se chamar Cenáculo Ambulante (consta ter sido o poeta o primeiro a designá-la Cenáculo) e mais tarde (1923) deu origem ao Cenáculo Fluminense de História e Letras CFHL, ativo até os dias de hoje; o poeta simbolista, boêmio e jovem, morreu de tuberculose em 10 de abril de 1919.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Max de Vasconcellos: Primeiro de Maio

Resultado de imagem para Ouve meu grito antologia de poesia operária 1894 1923
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Dia grande e cruel à memória operária
Hinos brancos de Paz. Hinos rubros de Guerra.
A Bandeira do Amor que se fez incendiária…

Data fatal que em si ao mesmo tempo encerra
A promessa do bem ao coração do Pária
E juramentos de Ódio aos senhores da Terra!

Olhar perdido além, num horizonte vago,
Num sonho em que se vê o Mundo Comunista,
Ou se lembram talvez os mortos de Chicago!

Grande marco miliário à suprema conquista
Do País ideal onde se esplaina o Lago
Verde-azul da Concórdia a consolar a vista.

Calendimaio! O Sol que te ilumina seja
O último a iluminar as grades da Prisão,
Os muros do Quartel e as fachadas da Igreja;

E amanhã, ao brotar do grande Astro o Clarão,
Que aos seus raios triunfais o Homem por fim se veja
Sobre a Terra, cantar, liberto do patrão!…

A Razão, 1º/5/1919, p.6.
A Voz do Trabalhador, 1º/5/1913, p.1.
(jornais do Rio de Janeiro)

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Ouve meu grito — Antologia de poesia operária (1894 — 1923), Pesquisa e Organização de Bernardo Kocher (também com texto-Apresentação) e Eulalia Lahmeyer Lobo (também com Introdução), 1987, UFRJ—Proed SR.2 e Editora Marco Zero, São Paulo — SP; Max de Vasconcellos Azevedo (1891 — 1919), fluminense de Campos dos Goytacazes, estudou no Colégio Abílio, de Niterói, formou-se na Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, foi poeta, jornalista, militante anarquista e boêmio frequentador da Roda Literária do Café Paris, de Niterói, além de também fazer presença em outros cafés da Lapa carioca; o poeta trabalhou como jornalista em diversos periódicos niteroienses e da então capital do país, Rio de Janeiro; Max de Vasconcellos não publicou livros em vida, porém seus poemas, crônicas e resenhas ficaram registrados em inúmeros jornais e revistas da época, muitos deles de orientação anarquista: Athena Fluminense (hebdomedário literário e noticioso) e Gazeta da Manhã, ambos de Niterói, O Debate, A Razão, A Luta (Revista da Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro), Guerra Social, Gazeta de Notícias, A Voz do Trabalhador (Órgão da Confederação Operária Brasileira), La Rinascenza Latina — Settimanale politico dell’italo-americanismo in Brasile e ABC, todos do Rio de Janeiro, Fanal — revista do Novo Cenáculo, de Curitiba, A Plebe e A Lanterna (jornal anticlerical e de combate), ambos de São Paulo, O Dia, de Campos dos Goytacazes, etc; poliglota, o poeta também escreveu e deixou registrado versos em italiano, francês e romeno; a Roda Literária do Café Paris frequentada pelo poeta e boêmio, algum tempo depois passou a se chamar Cenáculo Ambulante (consta ter sido o poeta o primeiro a designá-la Cenáculo) e mais tarde (1923) deu origem ao Cenáculo Fluminense de História e Letras CFHL, ativo até os dias de hoje; o poeta simbolista, boêmio e jovem, morreu de tuberculose em 10 de abril de 1919.

quinta-feira, 5 de março de 2020

Max de Vasconcellos: Deus

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A natureza, dizem os deisistas,
Prova um Deus construtor sobejamente,
Oculta embora das vistas
No éter do imponderável transcendente.

Tudo quer uma causa, ateu demente,
E na matéria tu por mais que insistas,
Por mais que faças racionais conquistas,
Sempre terás um X em tua frente.

Eu pergunto: se Deus deve existir,
Por que tudo provém de um criador,
Donde é que Deus então nos há de vir?

E se a causa do efeito Deus provar,
Deus será quem o fez-se dum autor
Este segundo não precisar?

A Lanterna: anticlerical e de combate,
10 de maio 1913, p.1, São Paulo.

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Max de Vasconcellos — O Poeta da Agonia, Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Maria José da Silva Fernandes, Monique da Costa Ribeiro, Thiago Roza Ialdo Montilha e outros, 2012, In-Fólio, Rio de Janeiro — RJ; Max de Vasconcellos Azevedo (1891 1919), fluminense de Campos dos Goytacazes, estudou no Colégio Abílio, de Niterói, formou-se na Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, foi poeta, jornalista, militante anarquista e boêmio frequentador da Roda Literária do Café Paris, de Niterói, além de também fazer presença em outros cafés da Lapa carioca; o poeta trabalhou como jornalista em diversos periódicos niteroienses e da então capital do país, Rio de Janeiro; Max de Vasconcellos não publicou livros em vida, porém seus poemas, crônicas e resenhas ficaram registrados em inúmeros jornais e revistas da época, muitos deles de orientação anarquista: Athena Fluminense (hebdomedário literário e noticioso) e Gazeta da Manhã, ambos de Niterói, O Debate, A Razão, A Luta (Revista da Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro), Guerra Social, Gazeta de Notícias, A Voz do Trabalhador (Órgão da Confederação Operária Brasileira), La Rinascenza Latina — Settimanale politico dell’italo-americanismo in Brasile e ABC, todos do Rio de Janeiro, Fanal — revista do Novo Cenáculo, de Curitiba, A Plebe e A Lanterna (jornal anticlerical e de combate), ambos de São Paulo, O Dia, de Campos dos Goytacazes etc; poliglota, o poeta também escreveu e deixou registrado versos em italiano, francês e romeno; a Roda Literária do Café Paris frequentada pelo poeta e boêmio, algum tempo depois passou a se chamar Cenáculo Ambulante (consta ter sido o poeta o primeiro a designá-la Cenáculo) e mais tarde (1923) deu origem ao Cenáculo Fluminense de História e Letras CFHL, ativo até os dias de hoje; o poeta simbolista, boêmio e jovem, morreu de tuberculose em 10 de abril de 1919.