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domingo, 3 de agosto de 2025

Ricardo Gonçalves: Cromo

 
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A casa onde mora aquela
Menina cor de açucena
É uma casinha pequena,
Casa de porta e janela.

Tão pequenina e singela!
Ao vê-la, a idéia me acena
De quebrar o bico à pena
E fazer uma aquarela! *

Pintar a casa, a colina...
Mas, sobretudo a menina,
O ar descuidado e feliz,

Dando relevo à pintura
Numa ridente moldura
De cravos e bogaris.


* Nota da edição  Vocabulário: Aquarela — Pintura com tintas aguadas, e sem sobreposição de umas e outras.
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Poesia Brasileira para a Infância (diversas autorias), Seleção, Organização e Texto/Apresentação de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, Coleção Henriqueta 1, 3ª edição revista, 1968, Edição Saraiva, São Paulo — SP; Ricardo Mendes Gonçalves (1893 1916), paulista e paulistano, formado em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo (atual USP Largo São Francisco), foi poeta, tradutor, jornalista, orador e político (vereador em São Paulo); fez parte do grupo do 'Minarete' juntamente com Monteiro Lobato e outros; trabalhou para os jornais Comércio de São Paulo, Estadinho, foi repórter do jornal O Correio Paulistano e colaborou no Amigo do Povo, etc.; com suas idéias socialistas e libertárias, participou ativamente dos movimentos operários de seu tempo teve envolvimento em congresso de estudantes, pregando o socialismo e, depois, em uma greve ferroviária, na qual foi ferido à bala no braço; é considerado o apresentante dos ideais da filosofia anarquista a Edgard Leuenroth, que é hoje célebre nome desta filosofia; o poeta e anarquista também assinou seus textos com os pseudônimos D. Ricardito e Bruno de Cadiz; deixou-nos uma única obra, Ipês (poesias, 1921), publicada postumamente; suicidou-se em 11 de outubro de 1916.

sábado, 8 de abril de 2023

Ricardo Gonçalves: Uma vela que passa

 
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Longe, um barco de pesca à viração desfralda
A vela, e singra ao sol que rompe a escassa bruma,
Rumo desses ilhéus que o marouço engrinalda
Com seus flocos de espuma...

Foge... graciosamente enfunada, palpita
No horizonte lilás, como um pássaro exul...
Depois se afasta e é uma asa branca na infinita
Curva do mar azul...

Primeiro amor! Sonho formoso de criança,
Cheio de luz, cheio de unção, cheio de graça!
És tu, na curva azul de um mar todo bonança,
Uma vela que passa...

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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232 Poetas Paulistas — Antologia, por Pedro de Alcântara Worms, 1968, Editora Conquista, Rio de Janeiro — RJ; Ricardo Mendes Gonçalves (1893 1916), paulista e paulistano, formado em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo (atual USP Largo São Francisco), foi poeta, tradutor, jornalista, orador e político (vereador em São Paulo); fez parte do grupo do 'Minarete' juntamente com Monteiro Lobato e outros; trabalhou para os jornais Comércio de São Paulo, Estadinho, foi repórter do jornal O Correio Paulistano e colaborou no Amigo do Povo, etc.; com suas idéias socialistas e libertárias, participou ativamente dos movimentos operários de seu tempo teve envolvimento em congresso de estudantes, pregando o socialismo e, depois, em uma greve ferroviária, na qual foi ferido à bala no braço; é considerado o apresentante dos ideais da filosofia anarquista a Edgard Leuenroth, que é hoje célebre nome desta filosofia; o poeta e anarquista também assinou seus textos com os pseudônimos D. Ricardito e Bruno de Cadiz; deixou-nos uma única obra, Ipês (poesias, 1921), publicada postumamente; suicidou-se em 11 de outubro de 1916.

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Ricardo Gonçalves: A casa onde mora aquela . . . [soneto]

 
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[Aquarela]

A casa onde mora aquela
Menina cor de açucena
É uma casinha pequena,
Casa de porta e janela.

Tão pequenina e singela!
Ao vê-la, a idéia me acena
De quebrar o bico à pena
E fazer uma aquarela.

Pintar a casa, a colina...
Mas, sobretudo a menina,
O ar descuidado e feliz,

Dando relevo à pintura
Numa ridente moldura
De cravos e bogaris.

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232 Poetas Paulistas — Antologia, por Pedro de Alcântara Worms, 1968, Editora Conquista, Rio de Janeiro — RJ; Ricardo Mendes Gonçalves (1893 1916), paulista e paulistano, formado em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo (atual USP Largo São Francisco), foi poeta, tradutor, jornalista, orador e político (vereador em São Paulo); fez parte do grupo do 'Minarete' juntamente com Monteiro Lobato e outros; trabalhou para os jornais Comércio de São Paulo, Estadinho, foi repórter do jornal O Correio Paulistano e colaborou no Amigo do Povo, etc.; com suas idéias socialistas e libertárias, participou ativamente dos movimentos operários de seu tempo teve envolvimento em congresso de estudantes, pregando o socialismo e, depois, em uma greve ferroviária, na qual foi ferido à bala no braço; é considerado o apresentante dos ideais da filosofia anarquista a Edgard Leuenroth, que é hoje célebre nome desta filosofia; o poeta e anarquista também assinou seus textos com os pseudônimos D. Ricardito e Bruno de Cadiz; deixou-nos uma única obra, Ipês (poesias, 1921), publicada postumamente; suicidou-se em 11 de outubro de 1916.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Ricardo Gonçalves: Nhá Carola

Resultado de imagem para Poesia Brasileira para a Infância Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito
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A D. Olga

Arrepanhando o vestido
De chita azul, nhá Carola,
Põe feijão na caçarola
Para o almoço do marido.

Dorme um cachorro estendido
À porta da casinhola;
Gritam galinhas de Angola
No terreiro bem varrido.

Enquanto chia a panela,
A moça vai à janela,
A ver se o marido vem.

Mas entra logo zangada
Porque na volta da estrada
Não aparece ninguém.

Resultado de imagem para ricardo gonçalves nhá carola
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Poesia Brasileira para a Infância (diversos autores), Seleção, Organização e Texto/Apresentação de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, Coleção Henriqueta 1, 3ª edição revista, 1968, Edição Saraiva, São Paulo — SP; Ricardo Mendes Gonçalves (1883 1916), paulista e paulistano, formado em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo (atual USP Largo São Francisco), foi poeta, tradutor, jornalista, orador e político (vereador em São Paulo); fez parte do grupo do 'Minarete' juntamente com Monteiro Lobato e outros; trabalhou para os jornais Comércio de São Paulo, Estadinho, foi repórter do jornal O Correio Paulistano e colaborou no Amigo do Povo etc.; com suas idéias socialistas e libertárias, participou ativamente dos movimentos operários de seu tempo teve envolvimento em congresso de estudantes, pregando o socialismo e, depois, em uma greve ferroviária, na qual foi ferido no braço à bala; é considerado o apresentante dos ideais da filosofia anarquista a Edgard Leuenroth, que é hoje célebre nome desta filosofia; Ricardo Gonçalves deixou-nos uma única obra, Ipês (poesias, 1921), publicada postumamente; suicidou-se em 11 de outubro de 1916.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Ricardo Gonçalves: A Cisma do Caboclo

Resultado de imagem para antologia da poesia paulista II
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                         A Valdomiro Silveira

Cisma o caboclo à porta da cabana.
Declina o sol, mas, rúbido, espadana
        Ondas fulvas de luz.
No terreiro, entre espigas debulhadas,
Arrulham, perseguindo-se a bicadas,
        Dois casais de pombinhos parirus.

A criação de penas se empoleira;
Come a ração no cocho da mangueira
        Um velho pangaré.
E uma vaca leiteira e bois de carro
Pastam junto à casinha, que é de barro,
        Coberta de sapé.

Longe, uma tropa trota pela estrada.
E a viração das matas, impregnada
        De perfumes sutis,
Traz dos grotões, que a sombra, lenta, invade
O soturno queixume de saudade
        Das pombas juritis.

Cisma o caboclo. Pensa na morena
Que vira numa noite de novena
        Orando ao pé do altar.
Que vira... e que, por mal de seus pecados,
Tinha os olhos profundos e rasgados
        E um riso de matar.

Branco, de fofos, era o seu vestido.
E ele, ao vê-la, sentindo-se ferido
        Em pleno coração,
Baixinho suspirou: "Nossa Senhora!
Ai, meu São Bom Jesus de Pirapora
        Da minha devoção!"

Depois não se conteve e, num fandango,
Furtou-lhe um beijo aos lábios de morango
        O diabo do rapaz.
E ela volveu zangada: "Malcriado!
Seu vigário já disse que é pecado.
        Aquilo não se faz!..."

E o caboclo medita. O sol em chama
Como agora há pouquinho não derrama
        Ondas fulvas de luz.
O córrego soluça, a noite desce,
E vem dos capoeirões onde anoitece
        O trilo vesperal dos inambus.

(Ipês  sem data, págs.43 a 45)

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Antologia da Poesia Paulista II Prefácio, Organização, Seleção e Notas Bibliográficas por Domingos Carvalho da Silva, Oliveira Ribeiro Neto e Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1960, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo  SP; Ricardo Mendes Gonçalves (1883 1916), paulista e paulistano, formado em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo (atual USP Largo São Francisco), foi poeta, tradutor, jornalista, orador e político (vereador em São Paulo); fez parte do grupo do 'Minarete' juntamente com Monteiro Lobato e outros; trabalhou para os jornais Comércio de São Paulo, Estadinho, foi repórter do jornal O Correio Paulistano e colaborou no Amigo do Povo, etc.com suas idéias socialistas e libertárias, participou ativamente dos movimentos operários de seu tempo  teve envolvimento em congresso de estudantes, pregando o socialismo e, depois, em uma greve ferroviária, na qual foi ferido no braço à bala; é considerado o apresentante dos ideais da filosofia anarquista a Edgard Leuenroth, que é hoje célebre nome desta filosofia; Ricardo Gonçalves deixou-nos uma única obra, Ipês (poesias, 1921), publicada postumamente; suicidou-se em 11 de outubro de 1916.