____________________
Das utopias
Se as coisas são inatingíveis...
ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não
fora
A mágica presença das estrelas!
Da discreta alegria
Longe do mundo vão, goza o feliz
minuto
Que arrebataste às horas
distraídas.
Maior prazer não é roubar um fruto
Mas sim ir saboreá-lo às
escondidas.
(Espelho Mágico, quartetos — 1951)
____________________
Assombros cotidianos — Antologia: Mário
Quintana, Organização de Márcio Vassallo, 2024, 1ª edição, Alfaguara, Rio de
Janeiro — RJ; Mário de Miranda Quintana (1906 — 1994), gaúcho de Alegrete, fez
seus estudos iniciais na Escola Elementar mista de Dona Mimi Contino e na
escola do mestre português Antônio Cabral Beirão, ali concluiu o curso
primário, estudou em regime de internato no Colégio Militar de Porto Alegre —
RS, foi poeta, escritor, jornalista e tradutor; na infância, aprendeu a ler
folheando o jornal Correio do Povo e iniciou-se em noções de francês com os
pais, em casa; teve seus primeiros textos literários publicados na revista
Hyloea, da Sociedade Cívica e Literária dos alunos do colégio; como jornalista,
trabalhou n’O Estado do Rio Grande, no Correio do Povo, além de ter colaborado
na revista Província de São Pedro e em outros periódicos gaúchos; suas obras: A
Rua dos Cataventos (sonetos, 1940), Canções (poemas, 1946), Sapato Florido (poesia
e prosa, 1948), O Batalhão das Letras (literatura infantil, 1948), O Aprendiz de
Feiticeiro (poemas, 1950), Espelho Mágico (quartetos, 1951), Inéditos e Esparsos
(1953), Pé de Pilão (literatura infanto-juvenil, 1968), Quintanares (1976), Apontamentos
de História Sobrenatural (1976), A Vaca e o Hipogrifo (1977), Prosa e Verso (1978),
Lili inventa o Mundo (literatura infantil, 1983), O Sapato Amarelo (literatura
infanto-juvenil, 1984), Baú de Espantos (1986) etc.; além de participação em muitas
antologias, o poeta teve + outras publicações e apresentações: discografia — poemas
declamados, Antologia Poética de Mário Quintana (disco de vinil, Polygram, 1983),
música — Recital Canto Coral Quintanares (1993) e Cantando o Imaginário do Poeta
(1994), teatro — Lili Inventa o Mundo (adaptação e montagem de Dilmar Messias, 1993);
traduziu obras de Marcel Proust, Balzac, Mérimée, Virginia Woolf, Conrad, Maupassant,
Voltaire, Beaumarchais, Antoine de Saint-Exupéry entre
outras autorias; foi laureado com o Prêmio Machado de Assis (da Academia
Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra) e o Prêmio Jabuti, como
personalidade literária, ambos em 1981, além de ter recebido outras premiações e
honrarias.









