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Poema
Oh! aquele menininho que dizia
“Fessora, eu posso ir lá fora?”
Mas apenas ficava um momento
Bebendo o vento azul…
Agora não preciso pedir licença a ninguém.
Mesmo porque não existe paisagem lá fora:
Somente cimento.
O vento não mais me fareja a face como um cão amigo…
Mas o azul irreversível persiste em meus olhos.
(A Vaca e o Hipogrifo — 1977)
A oferenda
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos...
Trago-te estas mãos vazias
Que vão tomando a forma do teu seio.
(Esconderijos do Tempo —
1980)
Uma simples elegia
Caminhozinho por onde eu ia andando
E de repente te sumiste,
— o que seria que te aconteceu?
Eu sei… o tempo… as ervas más… a vida…
Não, não foi a morte que acabou contigo:
Foi a vida.
Ah, nunca a vida fez uma história mais triste
Que a de um caminho que se perdeu…
(Nariz de Vidro — 1984)
(Antologia
Poética — 1985)
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Assombros cotidianos — Antologia:
Mário Quintana, Organização de Márcio Vassallo, 2024, 1ª edição, Alfaguara, Rio
de Janeiro — RJ; Mário de Miranda Quintana (1906 — 1994), gaúcho de Alegrete,
fez seus estudos iniciais na Escola Elementar mista de Dona Mimi Contino e na
escola do mestre português Antônio Cabral Beirão, ali concluiu o curso
primário, estudou em regime de internato no Colégio Militar de Porto Alegre —
RS, foi poeta, escritor, jornalista e tradutor; na infância, aprendeu a ler
folheando o jornal Correio do Povo e iniciou-se em noções de francês com os
pais, em casa; teve seus primeiros textos literários publicados na revista
Hyloea, da Sociedade Cívica e Literária dos alunos do colégio; como jornalista,
trabalhou n’O Estado do Rio Grande, no Correio do Povo, além de ter colaborado
na revista Província de São Pedro e em outros periódicos gaúchos; suas obras: A
Rua dos Cataventos (sonetos, 1940), Canções (poemas, 1946), Sapato Florido (poesia
e prosa, 1948), O Batalhão das Letras (literatura infantil, 1948), O Aprendiz de
Feiticeiro (poemas, 1950), Espelho Mágico (quartetos, 1951), Inéditos e Esparsos
(1953), Pé de Pilão (literatura infanto-juvenil, 1968), Quintanares (1976), Apontamentos
de História Sobrenatural (1976), A Vaca e o Hipogrifo (1977), Prosa e Verso (1978),
Esconderijos do Tempo (1980), Lili inventa o
Mundo (literatura infantil, 1983), O Sapato Amarelo (literatura infanto-juvenil,
1984), Nariz de Vidro (literatura infantil, 1984), Baú
de Espantos (1986) etc.; além de participação em muitas antologias, o poeta
teve + outras publicações e apresentações: discografia — poemas declamados,
Antologia Poética de Mário Quintana (disco de vinil, Polygram, 1983), música —
Recital Canto Coral Quintanares (1993) e Cantando o Imaginário do Poeta (1994),
teatro — Lili Inventa o Mundo (adaptação e montagem de Dilmar Messias, 1993); traduziu
obras de Marcel Proust, Balzac, Mérimée, Virginia Woolf, Conrad, Maupassant, Voltaire,
Beaumarchais, Antoine de Saint-Exupéry entre
outras autorias; foi laureado com o Prêmio Machado de Assis (da Academia
Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra) e o Prêmio Jabuti, como
personalidade literária, ambos em 1981, além de ter recebido outras premiações
e honrarias.










