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sábado, 5 de janeiro de 2019

Evaristo Geraldo: Patativa do Assaré — do Nordeste para o mundo

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Dizem que o bom poeta
Não se faz, já nasce feito.
A vida de Patativa
Nos confirma esse conceito,
Pois quando ele era menino
Já versejava perfeito.

Nasceu então Patativa
Lá na Serra de Santana,
Bem próximo de Assaré,
Uma cidade bacana,
Que, devido ao Patativa,
Ganhou fama soberana.

Era o pai de Patativa
Homem de pouca cultura,
Chamado Pedro Gonçalves,
E viveu da agricultura.
Sua mãe, Maria Pereira,
Outra boa criatura.

O menino Patativa
Foi uma criança normal,
Brincava com seus amigos
Com baladeira e bornal,
Com seu cavalo de talo
Corria no matagal.

Além disso o Patativa
Correu e fez pirueta,
Brincou de gado de osso,
De pião e carrapeta,
Porque a infância da gente
Passa tal qual um cometa.

Patativa, inda criança,
Perdeu dum olho a visão,
Quando ainda iniciava
A troca da dentição,
Por causa de uma doença
Comum no nosso sertão.

Outro fato aconteceu
Aos oito anos de idade,
O poeta perde o pai,
Ficando na orfandade.
Patativa e seus irmãos
Enfrentam adversidade...

Ele e seu irmão mais velho
Tiveram que trabalhar,
Pois tinham mais três irmãos
Menores pra sustentar,
Porque de outra maneira
Iriam fome passar.

A infância de Patativa
Se tornou muito sofrida,
Pois só vivia na roça
Numa batalha aguerrida
E assim só pôde estudar
Aos onze anos de vida.

A escola em que ele estudou
Era carente e atrasada,
Os professores da época
Batiam na garotada,
E faltava pros alunos
Lápis e até tabuada.

Patativa só passou
Quatro meses estudando,
Pois junto ao irmão mais velho
Tinha que estar trabalhando,
Roçando, limpando mato,
Botando água e plantando.

Porém Patativa foi
Sempre muito inteligente,
Pois quando saiu da escola
Já lia perfeitamente
E nunca deixou de ler
O que via em sua frente.

O contato com as letras
Fez dele um grande poeta,
Porque a leitura é
Algo que molda e completa,
E só se vence na vida
Tendo no peito uma meta.

Nos quatro meses de escola
Ele provou ser esperto,
Pois leu nesse pouco tempo
Dois livros do Felisberto,
Demonstrando, assim, pra todos
Um raciocínio aberto.

Patativa, desde cedo,
Já sabia o que queria
E logo se apaixonou
Pela boa poesia,
Lendo cordel e escutando
Violeiro em cantoria.

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Patativa do Assaré, do Nordeste para o mundo — Evaristo Geraldo, com Ilustrações de Cosmo Bráz, 2015, Editora Imeph, Fortaleza  CE; Evaristo Geraldo da Silva, nascido em 1968, cearense de Quixadá, é poeta cordelista e atua como arte-educador, ministrando oficinas de cordel; autor de dezenas de folhetos e vários livros publicados, além de muitos textos inéditos, o poeta teve algumas de suas obras adotadas em projetos educacionais do Ceará, de Pernambuco e de Minas Gerais e distribuídas por várias bibliotecas; bibliografia: A incrível história da imperatriz Porcina (2006), João e Maria (Editora Imeph, 2008), A dama das camélias (adaptação para cordel, Editora Nova Alexandria, 2010), O fogo de Minarã e Raquel de Queiroz  a dama do romance (ambos de 2010), O Conde Mendigo e a Princesa Orgulhosa (Editora Armazém da Cultura, 2012), Patativa do Assaré  do Nordeste para o mundo (editora Imeph, 2015) e tantos outros títulos; recebeu premiações por seus textos, tendo sido um dos ganhadores do “Prêmio Raquel de Queiroz de Literatura Infantil” da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará; desde 1979 reside em Maracanaú CE.