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Eu vi dos pólos o gigante alado,
sobre um montão de pálidos coriscos,
sem fazer caso dos bulcões* ariscos,
devorando em silêncio a mão do fado!
Quatro fatias de tufão gelado
figuravam da mesa entre os petiscos;
e, envolto em manto de fatais rabiscos,
campeava um sofisma ensangüentado!
"Quem és, que assim me cercas de episódios?"
lhe perguntei, com voz de silogismo,
brandindo um facho de trovões serôdios**.
"Eu sou" — me disse, —
"aquele anacronismo,
que a vil coorte de sulfúreos ódios
nas trevas sepultei de um solecismo...”
Notas do organizador Idel Becker:
* bulcão: massa densa de vapores, semelhante a nuvem;
nevoeiro espesso, que prenuncia um temporal.
** serôdios: tardios, fora de estação.
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Humor e Humorismo — Poesias
e Versos e Paródias de Poemas Famosos — Antologia, Organização de Idel Becker, 1961,
Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Bernardo Joaquim da Silva Guimarães (1825 —
1884), mineiro de Ouro Preto, formado pela Faculdade de Direito de São Paulo (atual
USP — Largo São Francisco), foi poeta, romancista, jornalista, magistrado e professor;
bibliografia: Cantos da Solidão (poesia, 1852), O Ermitão de Muquém (1858, publicado
em 1869), A Voz do Pajé (drama, 1860), Poesias diversas (1865), Evocações (1865),
Lendas e Romances: Uma História de Quilombolas, A Garganta do Inferno, A Dança dos
Ossos (contos, 1871), O Garimpeiro, O Seminarista e O Índio Afonso (romances, todos
de 1872), A Escrava Isaura (romance, 1875), Folhas de Outono (coletânea de versos,
1883) e outros títulos; o romance A Escrava Isaura foi tema de novela de mesmo nome
(1976—1977 e 2004, Globo e Record) e, na versão exibida na Globo, foi exportada
para mais de uma centena de países — na China, por exemplo, a Escrava Isaura, protagonizada
pela atriz Lucélia Santos, foi assistida por mais de 1 bilhão de pessoas e, lá,
a edição do romance, em livro, contou com pelo menos 300 mil exemplares.



