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[traduzido por Marigê Quirino Marchini]
Estou por esperar tão fatigada,
vencida pela dor, da dor cativa,
pela sua pouca fé tão olvidada
por quem de seu tornar triste me priva.
Essa morte que o mundo empalidece
com a sua foice por último castigo,
chamo sempre, por refrigério, em prece,
no ardentíssimo anseio em que perigo.
E a morte não escuta o meu chamar,
e escarnece das loucas fantasias,
também rebelde o amado ao retornar.
Assim, com pranto meu, águas salinas,
faço as ondas piedosas e este mar,
e ele vive feliz em suas colinas.
Notas da edição:
1. a causa dell’attesa.
2. per le prove si scarsa fedeltà.
3. mi priva.
4. colei, cioè morte.
5. fa impallidire (di paura).
6. a ciascuno assegna la sua sorte.
7. s’accresce.
8. restio.
9. umidi.
10. È sempre l’uomo amato.
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Revista do Clube de Poesia de São Paulo — Ano XXV, São Paulo — dezembro de 2001 — nº 12 (vários autores), Diretor: Milton de Godoy Campos, Clube de Poesia, São Paulo — SP; Gaspara Stampa (1523? — 1554), nascida em Pádua — Itália, de família de origem milanesa e condição burguesa, foi poetisa; Educou-se e viveu em Veneza; bibliografia: Rimas de madonna Gaspara Stampa (publicado postumamente por sua irmã Cassandra, 1554); Gaspara era culta em literatura, arte e música.
[traduzido por Marigê Quirino Marchini]
Estou por esperar tão fatigada,
vencida pela dor, da dor cativa,
pela sua pouca fé tão olvidada
por quem de seu tornar triste me priva.
Essa morte que o mundo empalidece
com a sua foice por último castigo,
chamo sempre, por refrigério, em prece,
no ardentíssimo anseio em que perigo.
E a morte não escuta o meu chamar,
e escarnece das loucas fantasias,
também rebelde o amado ao retornar.
Assim, com pranto meu, águas salinas,
faço as ondas piedosas e este mar,
e ele vive feliz em suas colinas.

Io
son da l’aspettar . . .
Io son da l'aspettar1 omai sì
stanca,
sì vinta dal dolor e dal disio,
per la sì poca fede2 e molto oblio
di chi del suo tornar, lassa, mi manca3,
che lei4, che 'l mondo
impalidisce e imbianca5
con la sua falce e dà l'ultimo fio6,
chiamo talor per refrigerio mio,
sì 'l dolor nel mio petto si rinfranca7.
Ed ella si fa sorda al mio
chiamare,
schernendo i miei pensier fallaci e folli,
come sta sordo8 anch'egli al suo tornare.
Così col pianto, ond'ho gli
occhi miei molli9,
fo pietose quest'onde e questo mare;
ed ei10 si vive lieto ne’ suoi colli.
Notas da edição:
1. a causa dell’attesa.
2. per le prove si scarsa fedeltà.
3. mi priva.
4. colei, cioè morte.
5. fa impallidire (di paura).
6. a ciascuno assegna la sua sorte.
7. s’accresce.
8. restio.
9. umidi.
10. È sempre l’uomo amato.
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Revista do Clube de Poesia de São Paulo — Ano XXV, São Paulo — dezembro de 2001 — nº 12 (vários autores), Diretor: Milton de Godoy Campos, Clube de Poesia, São Paulo — SP; Gaspara Stampa (1523? — 1554), nascida em Pádua — Itália, de família de origem milanesa e condição burguesa, foi poetisa; Educou-se e viveu em Veneza; bibliografia: Rimas de madonna Gaspara Stampa (publicado postumamente por sua irmã Cassandra, 1554); Gaspara era culta em literatura, arte e música.