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[traduzido por Régis Bonvicino]
No infinito coberto de eternas
belezas,
Como átomo perdido, incerto, solitário,
Um planeta chamado Terra, dias contados,
Voa com os seus vermes sobre as profundezas.
Filhos sem cor, febris, ao
jugo do trabalho,
Marchando, indiferentes ao grande mistério,
E quando um dos seus é enterrado, já sérios,
Saúdam-no. Do torpor não são arrancados.
Viver, morrer, sem desconfiar
da história
Do globo, sua miséria em eterna glória,
Sua agonia futura, o sol moribundo.
Vertigens de universo, todo o
seu só festa!
Nada, nada, terão visto. Partem do mundo
Sem visitar sequer o seu próprio planeta.
Médiocrité
Dans l'Infini criblé
d'éternelles splendeurs,
Perdu comme un atome, inconnu, solitaire,
Pour quelques jours comptés, un bloc appelé Terre
Vole avec sa vermine aux vastes profondeurs.
Ses fils, blêmes, fiévreux,
sous le fouet des labeurs,
Marchent, insoucieux de l'immense mystère,
Et quand ils voient passer un des leurs qu'on enterre,
Saluent, et ne sont pas hérissés de stupeurs.
La plupart vit et meurt sans
soupçonner l'histoire
Du globe, sa misère en l'éternelle gloire,
Sa future agonie au soleil moribond.
Vertiges d'univers, cieux à
jamais en fête!
Rien, ils n'auront rien su. Combien même s'en vont
Sans avoir seulement visité leur planète.
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Litanias da lua: Jules
Laforgue — Organização, Nota
Introdutória, Notícia Biográfica e Tradução de Régis Bonvicino, edição
bilíngue, 1989, Iluminuras, São Paulo — SP; Julio
Laforgue ou Jules Laforgue (1860 —
1887), nascido em Montevidéu —
Uruguai, mas desde os seis anos de idade residindo na França, terra de seus
pais, foi poeta, romancista, ensaísta e tradutor franco-uruguaio; fez seus
estudos iniciais em Tarbes, concluindo-os em Paris, no hoje Liceu Condorcet,
depois passou pela Escola de Belas Artes, também em Paris, e em 1879 publicou sua
primeira poesia; escreveu cerca de duas centenas de poemas, além de prosa
criativa e prosa crítica; de sua biografia, consta que sua poética influenciou
fortemente T. S. Eliot, Ezra Pound e Marcel Duchamp; traduziu Walt Whitman;
Jules Laforgue foi um dos primeiros poetas franceses a escrever em versos
livres, o primeiro a fazê-lo de forma sistemática; obras: publicou em
vida apenas quatro livros, Les Complaintes (1885), L’Imitation de Notre Dame la
Lune, Concile Féerique (ambos em 1886) e Moralidades Lendárias (1887);
postumamente vieram à luz Derniers Vers (1890), Mélanges Posthumes (1903), a
maior parte de sua obra só foi publicada postumamente; no Brasil, sua poética fertilizou Pedro Kilkerry, Marcelo Gama, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade; morreu aos 27 anos, de tuberculose.













