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[traduzido por Álvaro Reis]
A lagoa, espasmado ao sol de beijos quentes,
Cobriu-se esta manhã de brancos nenufares;
Alguns já fora d’água erigem-se, trementes,
A balançar o hostil, sob o frescor dos ares.
Outros, mal se vêm à tona d’água apontando,
Mas sua flor sorri na superfície lisa,
Docemente, ao tremer da vaga sombra, quando
Do cálice a borda a onda de leve frisa.
Outros mais têm a flor coberta inteiramente,
Cedo para ainda haurir da aurora os raios nados;
Podeis por cima d’água olhá-los, vagamente,
Parecendo, à pressão do líquido, alongados...
Na lenta floração, assim, — os meus pensares;
Definitivos uns, à plena luz triunfantes,
Desabrochados como altivos nenufares,
Bailando às vibrações, à flor d’água, oscilantes.
Outros ainda não têm ultrapassado o nível,
— Esses que tanto embala o coração de um poeta...
E ficam a flutuar no espaço sensível,
Como a flor da lagoa à tona d’água quieta.
Mas, sinto o influxo em mim, surdo e vivaz na essência,
De outros pensares meus, brotando ocultamente;
Que me deixam ficar na nutriz sonolência,
Tal como o nenufar sob as águas, dormente...
Les Nénuphars
L'étang dont le soleil chauffe la somnolence
Est fleuri, ce matin, de beaux nénuphars blancs;
Les uns, sortis de l'eau, se dressent tout
tremblants,
Et dans l'air parfumé leur tige se balance.
D'autres n'ont encor pu fièrement émerger:
Mais leur fleur vient sourire à la surface lisse.
On les voit remuer doucement et nager:
L'eau frissonnante affleure aux bords de leur
calice.
D’autres, plus loin encor du moment de surgir
Au soleil, ont leur fleur entière recouverte...
On peut les voir, bercés d’um remous sur l’eau
verte:
Ecrasés par son poids, ils semblent s’élargir.
Ainsi sont mes pensers dans leur floraison lente.
Il en est d’achevés, sans plus rien d’hésitant,
Complètement éclos, comme, sur cet étang,
Les nénuphars bercés par la brise indolente.
D’autres n’ont encor pu dépasser le niveau;
Ce sont ceux-là surtout que, poète, on caresse,
Qu’on laisse à fleur d’esprit flotter avec paresse,
Comme les nénuphars qui bâillent à fleur d’eau.
Mais je sens la poussée en moi vivace et sourde
D’autres pensers germes mystérieusement,
Qui s’achèvent encor dans l’assoupissement,
Comme les nénuphars qui dormente sous l’eau lourde.
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Antologia de Poetas Franceses do
séc. XV ao séc. XX — O Livro de Ouro da Poesia da França, por R. Magalhães Jr.,
sem data, Ediouro — Clássicos de bolso, Editora Tecnoprint S. A., Rio de Janeiro
— RJ; Edmond Eugène Alexis Rostand
(1868 — 1918), francês de Marselha, formado em Direito, sem nunca ter exercido a
profissão, foi poeta, escritor e dramaturgo; tornou-se conhecido como dramaturgo,
pela autoria da peça Cyrano de Bergerac; obras: Le Gant Rouge (peça, A Luva
Vermelha, 1888), Ode à la Musique (poesia, 1890), Les Musardises (Divagações, poesia,
1891), Les Deux Pierrots (Os Dois Pierrôs, 1893), Les Romanesques (comédia, 1893),
La Princesse Lontaine (A Princesa Longínqua, 1895), La Samaritaine (A Samaritana,
1897), Pour la Grèce (poesia, 1897), Cyrano de Bergerac (comédia dramática, 1897),
L’Aiglon (O Filhote de Águia, drama, 1900), Un Soir à Hernani (poesia, 1902), La
Dernière Nuit de Don Juan (A Última Noite de Don Juan, peça, 1911) e outros textos;
toda obra teatral de Edmond Rostand foi escrita em versos; em 1902, o poeta foi
eleito membro da Academia Francesa.





