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quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Pablo Antonio Cuadra: Meditação ante um poema antigo & A rosa

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[traduzidos por Manuel Bandeira]

A rosa

Quem se arrima à rosa
não tem sombra.

Eu busquei a beleza
e o sol me queima.

Meditação ante um poema antigo

Perguntou a flor: o aroma
acaso me sobreviverá?

Perguntou a lua: alguma
luz guardo depois de morrer?

Mas o homem disse: por que acabo
e fica entre vós o meu canto?

Pablo Antonio Cuadra

La rosa o el solitário

“Quien se arrima a la rosa
no tiene sombra.”

Yo busqué la beleza
y el sol me quema.

Meditación ante un poema antiguo

Preguntó la flor: ¿el perfume
acaso me sobrevivirá?

Preguntó la luna: ¿guardo algo
de luz para después de perecer?

Mas el hombre dijo: ¿por qué termino
y queda entre vosotros mi canto?
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Estrela da Vida Inteira — Manuel Bandeira, nova edição, 2008, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Pablo Antonio Cuadra Cardenal (1912 2002), nicaraguense de Manágua, foi poeta, ensaísta, crítico de arte e de literatura, dramaturgo, artista gráfico e ideólogo; estudou Direito na Universidad de Oriente y Mediodía de Granada, Nicarágua; foi co-fundador do movimento literário ’Vanguardia’, em Granada; trabalhou no jornal La Prensa e fundou a revista centro-americana cultural El pez y la serpiente, tendo sido diretor de ambos os periódicos; escreveu e publicou Poemas Nicaragüenses (1934), Hacia La Cruz Del Sur (ensaio, 1936), Canto Temporal (1943), Promisión de México Y Otros Ensayos (1945), Entre La Cruz Y La Espada (ensaio, 1946), Poemas con Un Crepúsculo A Cuestas (1949), La Cegua (teatro, 1950), La Tierra Prometida (poesia, 1952), Por Los Caminos Van Los Campesinos (teatro, 1957), El Jaguar Y La Luna (poesia, 1959), El Nicaragüense (ensaio, 1967), Agosto (contos, 1970), Vuelva, Gueguense (contos, 1970), Tierra que Habla (poesia, 1974), Esos Rostros que Asoman En La Multitud (poesia, 1976), Otro Rapto de Europa (ensaio, 1976), Cantos De Cifar Y Del Mar Dulce (poesia, 1979) e outros textos em verso e prosa e para teatro; foi agraciado com diversas premiações.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Pablo Antonio Cuadra: Auto-soneto

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[traduzido por Manuel Bandeira]

Poeta chamam ao ser por mim cumprido.
Levo mundo em meus pés ultravagantes.
Um pássaro nas veias. E ao ouvido
Um anjo de conselhos inquietantes.

Se quixotesco, ao que é meu apelido
 Cuadra  me enviai: questor de rocinantes,
assim terá pretextos cavalgantes
meu interior ginete enlouquecido.

Sou o que fui. Como homem, verdadeiro.
Sonhador, como poeta, e estreleiro.
Como cristão, de espinhos coroado.

E pois que a morte ao cabo a tudo vence,
Pablo Antonio, à tua cruz entrelaçado
suba em flor teu cantar nicaragüense.

Pablo Antonio Cuadra

Autosoneto

Llamaron poeta al hombre que he cumplido.
Llevo mundo en mis pies ultravagantes.
Un pájaro en mis venas. Y al oído
un ángel de consejos inquietantes.

Si Quijote, ¡llevadme a mi apellido!
— De la Cuadra : cuestor de rocinantes
y así tenga pretextos cabalgantes
mi interior caballero enloquecido.

Soy lo sido. Por hombre, verdadero.
Soñador, por poeta y estrellero.
Por cristiano, de espinas coronado.

Y pues la muerte al fin todo lo vence,
Pablo Antonio, a tu cruz entrelazado
suba en flor tu cantar nicaragüense. 
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Estrela da Vida Inteira — Manuel Bandeira, nova edição, 2008, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Pablo Antonio Cuadra Cardenal (1912 2002), nicaragüense de Manágua, foi poeta, ensaísta, crítico de arte e de literatura, dramaturgo, artista gráfico e ideólogo; estudou Direito na Universidad de Oriente y Mediodía de Granada, Nicarágua; foi co-fundador do movimento literário ’Vanguardia’, em Granada; trabalhou no jornal La Prensa e fundou a revista centro-americana cultural El pez y la serpiente, tendo sido diretor de ambos os periódicos; escreveu e publicou Poemas Nicaragüenses (1934), Hacia La Cruz Del Sur (ensaio, 1936), Canto Temporal (1943), Promisión de México Y Otros Ensayos (1945), Entre La Cruz Y La Espada (ensaio, 1946), Poemas con Un Crepúsculo A Cuestas (1949), La Cegua (teatro, 1950), La Tierra Prometida (poesia, 1952), Por Los Caminos Van Los Campesinos (teatro, 1957), El Jaguar Y La Luna (poesia, 1959), El Nicaragüense (ensaio, 1967), Agosto (contos, 1970), Vuelva, Gueguense (contos, 1970), Tierra que Habla (poesia, 1974), Esos Rostros que Asoman En La Multitud (poesia, 1976), Otro Rapto de Europa (ensaio, 1976), Cantos De Cifar Y Del Mar Dulce (poesia, 1979)  e outros textos em verso e prosa e para teatro; foi agraciado por diversas premiações.