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Artista! Se te oprime a esquálida miséria,
Se a grande falta de ouro amarra as tuas asas,
Rojando-te no chão, na lama da matéria,
Mesclando a fome vil ao sonho em que te abrasas,
Não te importe o clamor dessas turbas tão rasas,
Não te importe o pungir da carne deletéria;
Num solo de veludo ou num solo de brasas,
Caminha, fito o olhar numa esperança etérea.
Que te importa o banal? A propriedade? O mundo?
Se te negam o pão, usa a força, expropria;
Em vez de te humilhar, faze-te vagabundo!
Vibra o plectro de luz por esse mundo afora,
Mas lega, quando morto, à multidão sombria,
Um grito de revolta e uma estrofe sonora.
* Notas de Yara Aun Khoury, historiadora e autora do Texto/Documento A Poesia Anarquista,
neste Sociedade & Cultura — Revista Brasileira de História Nº 15: Soneto impresso, sem nome do autor nem outra
referência; no
texto/documento A Poesia Anarquista [págs 215-247 da referida revista] no qual
a historiadora apresenta 40 poemas de vários autores libertários, lê-se o
seguinte trecho: ... “Edgard
Leuenroth, num trabalho metódico e minucioso, reuniu, sobretudo na imprensa
operária e livre-pensadora, poesias de várias regiões do país publicadas ao
longo dos anos 1900. Nelas e por elas lamentam-se as condições de vida e de
trabalho do assalariado, as misérias dos vícios e das guerras, as resignações e
as crendices religiosas; denunciam-se as tiranias e as injustiças das
instituições autoritárias. Em oposição, são enaltecidos o uso da razão e o
livre-pensar e o trabalhador é alentado para a luta, apesar dos sofrimentos e
das desilusões. Curiosamente, raramente as poesias se referem às formas de
organização do movimento ou da sociedade futura propostas pelos anarquistas;
reportam-se mais ao valor da instrução racionalista e à importância do saber e
da cultura; exaltam o trabalho como elemento fundamental na edificação da
futura sociedade anárquica e o próprio lazer como meio de educação e de luta.
Muitas das poesias coletadas por Edgard são manuscritas, outras datilografadas,
algumas impressas; umas são acompanhadas de cartas explicativas; outras são
delicadas a algum militante ou enviadas para serem incorporadas ao documento em
elaboração pelo velho militante.” ...
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Sociedade & Cultura —
Revista Brasileira de História Nº 15 — Órgão da ANPUH — Associação Nacional dos
Professores Universitários de História [vários autores], Volume 8, setembro de 1987
/ fevereiro de 1988, Editora Marco Zero — São Paulo — SP; sobre
a autoria do poema Aos Poetas — Miséria,
nada se sabe, o que de resto está explicitado no trecho do texto/documento A Poesia Anarquista, da
historiadora Yara Aun Khoury, acima transcrito.
