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quarta-feira, 28 de abril de 2021

Autoria desconhecida: Aos Poetas — Miséria *

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Artista! Se te oprime a esquálida miséria,
Se a grande falta de ouro amarra as tuas asas,
Rojando-te no chão, na lama da matéria,
Mesclando a fome vil ao sonho em que te abrasas,

Não te importe o clamor dessas turbas tão rasas,
Não te importe o pungir da carne deletéria;
Num solo de veludo ou num solo de brasas,
Caminha, fito o olhar numa esperança etérea.

Que te importa o banal? A propriedade? O mundo?
Se te negam o pão, usa a força, expropria;
Em vez de te humilhar, faze-te vagabundo!

Vibra o plectro de luz por esse mundo afora,
Mas lega, quando morto, à multidão sombria,
Um grito de revolta e uma estrofe sonora.

* Notas de Yara Aun Khoury, historiadora e autora do Texto/Documento A Poesia Anarquista, neste Sociedade & Cultura — Revista Brasileira de História Nº 15: Soneto impresso, sem nome do autor nem outra referência; no texto/documento A Poesia Anarquista [págs 215-247 da referida revista] no qual a historiadora apresenta 40 poemas de vários autores libertários, lê-se o seguinte trecho: ...Edgard Leuenroth, num trabalho metódico e minucioso, reuniu, sobretudo na imprensa operária e livre-pensadora, poesias de várias regiões do país publicadas ao longo dos anos 1900. Nelas e por elas lamentam-se as condições de vida e de trabalho do assalariado, as misérias dos vícios e das guerras, as resignações e as crendices religiosas; denunciam-se as tiranias e as injustiças das instituições autoritárias. Em oposição, são enaltecidos o uso da razão e o livre-pensar e o trabalhador é alentado para a luta, apesar dos sofrimentos e das desilusões. Curiosamente, raramente as poesias se referem às formas de organização do movimento ou da sociedade futura propostas pelos anarquistas; reportam-se mais ao valor da instrução racionalista e à importância do saber e da cultura; exaltam o trabalho como elemento fundamental na edificação da futura sociedade anárquica e o próprio lazer como meio de educação e de luta. Muitas das poesias coletadas por Edgard são manuscritas, outras datilografadas, algumas impressas; umas são acompanhadas de cartas explicativas; outras são delicadas a algum militante ou enviadas para serem incorporadas ao documento em elaboração pelo velho militante.” ...
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Sociedade & Cultura — Revista Brasileira de História Nº 15 — Órgão da ANPUH — Associação Nacional dos Professores Universitários de História [vários autores], Volume 8, setembro de 1987 / fevereiro de 1988, Editora Marco Zero — São Paulo — SP; sobre a autoria do poema Aos Poetas Miséria, nada se sabe, o que de resto está explicitado no trecho do texto/documento A Poesia Anarquista, da historiadora Yara Aun Khoury, acima transcrito.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Autoria desconhecida *: Menino da rua

Fotógrafo: João Machado
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Menino da rua, que pinta e que esbanja, 
Que foge de casa, que furta laranja,
Do nosso quintal...
Que atiça cachorro, que joga bolinha,
Que engraxa sapatos, que xinga a vizinha.
Que vende jornal...

Menino da rua, moleque vadio,
Que fuma bagana, que nada no rio
Em dias de sol...
Que grita, que briga, que faz arruaças,
Que estraga os telhados, que quebra as vidraças
Com o seu futebol...

Menino da rua, que foge da escola
Que forma seu bando de gente gabola
Nos becos sem luz...
Que diz nome feio, que cospe e esconjura,
Que segue o palhaço, que mente, que jura
Com os dedos em cruz...

Menino da rua que pisa a enxurrada,
Que senta no chão, que suja a calçada,
Que é bamba dos bravos...
Que põe apelidos, que apanha foguetes,
Que busca recados, que leva bilhetes...
Por vinte centavos...

Menino da rua, magrinho e briguento,
Que quase não come, que dorme ao relento,
Sem nada queixar...
Que vai ao cinema, que banca o mocinho,
Que canta e assobia, que sofre sozinho.
Que vive sem lar...

Menino da rua, de brecha na testa,
De calça rasgada, que em dia de festa
A gente não vê...
Que joga baralho, que pula, que salta,
Que briga de pique... menino peralta,
Invejo você!
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Este poema, de autoria desconhecida por enquanto, fez parte da minha pré-adolescência em Iperó SP. Tomei contato com o texto em 1965, quando eu tinha doze anos e cursava a primeira série do antigo ginásio em Boituva, uma cidade próxima de Iperó. Constava do livro didático à época, e do qual também não retive o nome do autor. Quanto esquecimento! Já bem recentemente, nas minhas pesquisas googleanas e que tais, consegui recuperar tão somente o texto do poema, mas nada nem sinal do nome do ou da poeta. Nas visitas que ainda faço em sebos, sinto-me como que procurando agulha em palheiro. Outra informação: o poema 'Menino da Rua' foi publicado no jornal O Agudense, número 17, de 16.06.1960  direção de Édio Sormani, de Agudos — SP. Descobri isso recentemente e, claro, ali também não consta a autoria.

Fica a dica, para quem quiser colaborar: Que tal continuarmos a pesquisa? Grato, desde já.