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segunda-feira, 30 de março de 2026

Lirio Resende: Exortação a Primeiro de Maio

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O trabalho não é festa,
Enquanto no mundo resta
Uma exploração que empesta,
O bem-estar, a paz geral!
Protestai, trabalhadores;
Fazei rufar os tambores
E marchai contra os horrores
Do maldito capital!

Explorados e premidos
Afinai vossos sentidos
Deixem de ser iludidos!
Há uma nova Luz, olhai!
Quem só quer emancipar,
Deve agir, tem de lutar,
Quer em Terra, quer em Mar,
Vossas forças congregai!

Avante, segui à luta,
Pois que a burguesia estulta,
Vai dirigindo a labuta
No mais torpe barbarismo!...
E se nosso esforço é falho,
Tombaremos no trabalho,
Sem repouso ou agasalho,
Despenhados num abismo!

Vamos todos à conquista,
Do novo sol que se avista,
E muitas léguas não dista,
Do elmo dos altos dos montes!
É o fanal da Liberdade,
Apontando à Humanidade,
Da futura sociedade
Os fraternos horizontes!

Primeiro de Maio é dia
De luta, não de alegria,
Pois que lembra a tirania
Contra os modernos pioneiros!
Dia também de descanso
Para darmos um balanço,
Pois nossos passos no avanço,
Vão prosseguindo ligeiros!

Neste Primeiro de Maio
Redobremos sem desmaio,
Nossa firmeza, e num raio
Mostremos não vacilar!
Que impere o nosso direito!
E tudo que diz respeito,
Para alcançarmos o preito,
Da Liberdade e o Bem-Estar!

(A Razão, 1º/5/1919, p. 9.)

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Ouve meu grito — Antologia de poesia operária (1894 — 1923), Pesquisa e Organização de Bernardo Kocher (também com texto-Apresentação) e Eulalia Lahmeyer Lobo (também com Introdução), 1987, UFRJ—Proed SR.2 e Editora Marco Zero, São Paulo — SP; sobre Lirio de Rezende, poeta, livreiro e militante anarquista, pouco se sabe; Edgar Rodrigues, em Rebeldias 2, faz o registro de mais de uma centena de “pedreiros da anarquia”, “colaboradores na imprensa ácrata, e só em A Voz do Trabalhador (1908-1915), órgão da Confederação Operária Brasileira, 48 militantes (homens e mulheres) anarquistas escreviam em suas páginas. Nos anos 1910 e 1920 muitos operários já tinham vencido a falta de instrução das escolas oficiais e adquirido conhecimento invejável nos sindicatos, nos centros de cultura e nas escolas de teatro social, eram formados na universidade da vida. Escreviam poesias revolucionárias, romances, obras de idéias avançadas, de história, dirigiam jornais como se jornalistas profissionais fossem. [...], Lírio de Rezende, entre outros.”; já Angela Maria Roberti Martins, doutora em História Social pela PUC-SP, no texto O gênero na composição poética anarquista nos relata que Lírio de Rezende, poeta-militante, foi autor do livreto de poesias Mundo Agonizante (1920), cuja edição teve a responsabilidade do grupo idealista ‘Paladinos do Porvir’ que “esclarecia que o preço cobrado pelo folheto destinava-se a cobrir o custo do trabalho gráfico e que a publicação do opúsculo servia para garantir a “propaganda exclusivamente libertária”; neste texto (O gênero na composição...) há o relato de que Lírio de Rezende “desde muito jovem ingressou no movimento anarquista e que na idade adulta teria exercido a atividade de livreiro; por sua vez, em Memória Anarquista do Centro Galego do Rio de Janeiro (1903-1922), o autor Mílton Lopes, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro, nos conta que, de fato, na Rua da Constituição, antiga Rua dos Ciganos nº 14, “funcionou a livraria de Lírio de Rezende [...], a primeira especializada em literatura anarquista”; o poeta-militante teve seus poemas publicados especialmente pela imprensa operária e anarquista (periódicos Liberdade, Voz Cosmopolita, A Razão, todos do Rio de Janeiro, Renovação, entre outros...).

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Lirio de Rezende: Últimos momentos de Nero

 
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Maldito seja o dia em que eu nasci
Maldito o ebúrneo leite que mamei
Maldita a vida inútil que passei
E malditas as mágoas que sofri

Maldita seja a paz que idealizei
Mais os lauréis do gênio que expandi
Maldita seja a lei que proclamei
E todo bem que aos nobres concedi.

Maldito seja o trono, a humanidade
Maldito o amor, o gozo, a liberdade
Que não passam de meras ilusões

Maldita seja a Madre-Natureza
Que permite o momento de fraqueza
Em que morre o maior dos corações

(Voz Cosmopolita, 1/2/1923, p. 2.)

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Ouve meu grito — Antologia de poesia operária (1894 — 1923), Pesquisa e Organização de Bernardo Kocher (também com texto-Apresentação) e Eulalia Lahmeyer Lobo (também com Introdução), 1987, UFRJ—Proed SR.2 e Editora Marco Zero, São Paulo — SP; sobre Lirio de Rezende, poeta, livreiro e militante anarquista, pouco se sabe; Edgar Rodrigues, em Rebeldias 2, faz o registro de mais de uma centena de “pedreiros da anarquia”, “colaboradores na imprensa ácrata, e só em A Voz do Trabalhador (1908-1915), órgão da Confederação Operária Brasileira, 48 militantes (homens e mulheres) anarquistas escreviam em suas páginas. Nos anos 1910 e 1920 muitos operários já tinham vencido a falta de instrução das escolas oficiais e adquirido conhecimento invejável nos sindicatos, nos centros de cultura e nas escolas de teatro social, eram formados na universidade da vida. Escreviam poesias revolucionárias, romances, obras de idéias avançadas, de história, dirigiam jornais como se jornalistas profissionais fossem. [...], Lírio de Rezende, entre outros.”; já Angela Maria Roberti Martins, doutora em História Social pela PUC-SP, no texto O gênero na composição poética anarquista nos relata que Lírio de Rezende, poeta-militante, foi autor do livreto de poesias Mundo Agonizante (1920), cuja edição teve a responsabilidade do grupo idealista ‘Paladinos do Porvir’ que “esclarecia que o preço cobrado pelo folheto destinava-se a cobrir o custo do trabalho gráfico e que a publicação do opúsculo servia para garantir a “propaganda exclusivamente libertária”; neste texto (O gênero na composição...) há o relato de que Lírio de Rezende “desde muito jovem ingressou no movimento anarquista e que na idade adulta teria exercido a atividade de livreiro; por sua vez, em Memória Anarquista do Centro Galego do Rio de Janeiro (1903-1922), o autor Mílton Lopes, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro, nos conta que, de fato, na Rua da Constituição, antiga Rua dos Ciganos nº 14, “funcionou a livraria de Lírio de Rezende [...], a primeira especializada em literatura anarquista”; o poeta-militante teve seus poemas publicados especialmente pela imprensa operária e anarquista (periódicos Liberdade, Voz Cosmopolita, A Razão, todos do Rio de Janeiro, Renovação, entre outros...).

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Lirio de Rezende: Organização & Trabalhador que labutas

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Organização

Os governos se organizam
Empregando a tirania
Para esmagar as idéias
Que prosperam dia a dia!

Façamos também o mesmo
Em pujantes alcatéias;
Esmagada a tirania
Vencerão nossas idéias!

(Voz Cosmopolita, 1/4/1922, p.2.)

Trabalhador que labutas

Trabalhador que labutas
Escravizado ao poder,
Tu plantas as boas frutas
Que os outros sabem comer

(Voz Cosmopolita, 18.12.1923, p.2.)

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Ouve meu grito — Antologia de poesia operária (1894 — 1923), Pesquisa e Organização de Bernardo Kocher (também com texto-Apresentação) e Eulalia Lahmeyer Lobo (também com Introdução), 1987, UFRJ—Proed SR.2 e Editora Marco Zero, São Paulo — SP; sobre Lirio de Rezende, poeta, livreiro e militante anarquista, pouco se sabe; Edgar Rodrigues, em Rebeldias 2, faz o registro de mais de uma centena de "pedreiros da anarquia", “colaboradores na imprensa ácrata, e só em A Voz do Trabalhador (1908-1915), órgão da Confederação Operária Brasileira, 48 militantes (homens e mulheres) anarquistas escreviam em suas páginas. Nos anos 1910 e 1920 muitos operários já tinham vencido a falta de instrução das escolas oficiais e adquirido conhecimento invejável nos sindicatos, nos centros de cultura e nas escolas de teatro social, eram formados na universidade da vida. Escreviam poesias revolucionárias, romances, obras de idéias avançadas, de história, dirigiam jornais como se jornalistas profissionais fossem [...], Lírio de Rezende, entre outros.”; já Angela Maria Roberti Martins, doutora em História Social pela PUC-SP, no texto “O gênero na composição poética anarquista” nos relata que Lírio de Rezende, poeta-militante, foi autor do livreto de poesias Mundo Agonizante (1920), cuja edição teve a responsabilidade do grupo idealista ‘Paladinos do Porvir’ que “esclarecia que o preço cobrado pelo folheto destinava-se a cobrir o custo do trabalho gráfico e que a publicação do opúsculo servia para garantir a “propaganda exclusivamente libertária”; neste texto (O gênero na composição ...) há o relato de que Lírio de Rezende “desde muito jovem ingressou no movimento anarquista e que na idade adulta teria exercido a atividade de livreiro"; por sua vez, em Memória Anarquista do Centro Galego do Rio de Janeiro (1903-1922), o autor Mílton Lopes, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro, nos conta que, de fato, na Rua da Constituição, antiga Rua dos Ciganos nº 14, “funcionou a livraria de Lírio de Rezende [...], a primeira especializada em literatura anarquista”; o poeta-militante teve seus poemas publicados especialmente pela imprensa operária e anarquista (periódicos LiberdadeVoz CosmopolitaA Razão, todos do Rio de Janeiro, entre outros...).

sábado, 1 de maio de 2021

Lírio Rezende: Aos heróis de Chicago *

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Parsons, Fischer, Spies, Engel, Lingg, Fieldem, Schwab, Neeb.

Para corporizar em versos cristalinos
A suprema visão dos oito semeadores
Que sobranceiramente uniram seus destinos
Em prol da refeição dos povos sofredores;
Para se causticar a fronte dos tratantes
Que fizeram tolher o passo aos bandeirantes
Paladinos do bem, dos mundos superiores,
É preciso verter as lágrimas do triste,
Suportar e reagir aos aguilhões da fome;
É preciso enfrentar a causa que persiste
Na missão de manter o mal que nos consome
É preciso pairar acima da opulência,
Ter nobre sentimento e ser puro altruísta,
É preciso sentir, amar, ter complacência,
Pensar e refletir, ser algo mais que artista;
Definir e mostrar por atos de verdade
Tudo quanto elevar a causa da igualdade!
Pelos tempos afora
Desde o riso pagão à loucura cristã,
Existiu a pletora
Das leis a constituir uma justiça vã...
Tal como antigamente o mesmo existe agora!
Mas apesar das leis serem frutos da força
Existe uma outra lei que jamais há quem torça
É a lei da vontade
O desejo aguilhão que impele a humanidade!

Arautos decididos,
Ousando conquistar nas praças de Chicago
Oito horas de labor em bem dos oprimidos,
Não poderão gozar do sonho o belo afago.

Presos foram sofrer sem culpa, nas prisões!...

Embora quatro heróis tenham sido enforcados,
Alguém fez prosseguir seus gestos e ações
E disto a prova está nas reivindicações
Que desde 86 são fatos confirmados!

Oito horas de labor para cada operário,
Valem por uma luz na treva de um calvário!
Faz avançar um grau na estrada que conduz,
Ao éden da eqüidade o povo que produz.

Irmãos que me escutais: se em vossos corações
Arde a chama do amor em novas concepções,
Deixai que se irradie esse calor fecundo
Até se transformar em sol de novo mundo!

[jornal (“Renovação”, novembro de 1921.)]

* Notas de Yara Aun Khoury, historiadora e autora do Texto/Documento A Poesia Anarquista, neste Sociedade & Cultura — Revista Brasileira de História Nº 15: Publicado em “Renovação”, em novembro de 1921; no texto/documento A Poesia Anarquista [págs 215-247 da referida revista] no qual a historiadora apresenta 40 poemas de vários autores libertários, lê-se o seguinte trecho: ... “Edgard Leuenroth, velho militante libertário paulista [...] Gostava de uma frase que dizia: ‘o pensar faz os homens humanos, a leitura os torna completos, a história os converte em sábios e prudentes, a poesia “espirituais”, sensíveis’. À medida em que nos familiarizamos com a militância anarquista nos damos conta do significado dessas palavras. A Anarquia, na perspectiva militante, é a doutrina que leva à verdadeira libertação, porque valoriza os indivíduos como “forças conscientes” capazes de construir os caminhos libertários por sua própria experiência e vontade. No entender libertário, são muitos os caminhos para a felicidade suprema, que está na liberdade completa, na perfeita harmonia com a natureza e dos homens entre si. Esses são construídos no dia-a-dia, com base na liberdade, na igualdade e na solidariedade, segundo e como queiram os sujeitos em ação, na vida diária, na família, no trabalho ou no lazer. Livremente organizados, eles forjam a revolução, enfrentando a exploração e a autoridade em todas as situações onde elas se manifestam. [...] Dentro dessa perspectiva, as leituras, os estudos, e a reflexão ocupam lugar de destaque na militância anarquista. Seus protagonistas organizam jornais e outras publicações, centros culturais, conferências e festivais artísticos, criam escolas, por meio das quais procuram aprofundar e debater assuntos sociais, divulgar a doutrina libertária e o ensino racionalista que a acompanha.” ...
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Sociedade & Cultura — Revista Brasileira de História Nº 15 — Órgão da ANPUH — Associação Nacional dos Professores Universitários de História [vários autores], Volume 8, setembro de 1987 / fevereiro de 1988, Editora Marco Zero — São Paulo — SP; sobre Lirio de Rezende, poeta, livreiro e militante anarquista, pouco se sabe; Edgar Rodrigues, em Rebeldias 2, faz o registro de mais de uma centena de “pedreiros da anarquia”, “colaboradores na imprensa ácrata, e só em A Voz do Trabalhador (19081915), órgão da Confederação Operária Brasileira, 48 militantes (homens e mulheres) anarquistas escreviam em suas páginas. Nos anos 1910 e 1920 muitos operários já tinham vencido a falta de instrução das escolas oficiais e adquirido conhecimento invejável nos sindicatos, nos centros de cultura e nas escolas de teatro social, eram formados na universidade da vida. Escreviam poesias revolucionárias, romances, obras de idéias avançadas, de história, dirigiam jornais como se jornalistas profissionais fossem. [...], Lírio de Rezende, entre outros.”; já Angela Maria Roberti Martins, doutora em História Social pela PUC-SP, no texto O gênero na composição poética anarquista nos relata que Lírio de Rezende, poeta-militante, foi autor do livreto de poesias Mundo Agonizante (1920), cuja edição teve a responsabilidade do grupo idealista ‘Paladinos do Porvir’ que “esclarecia que o preço cobrado pelo folheto destinava-se a cobrir o custo do trabalho gráfico e que a publicação do opúsculo servia para garantir a 'propaganda exclusivamente libertária'”; neste texto (O gênero na composição...) há o relato de que Lírio de Rezende “desde muito jovem ingressou no movimento anarquista e que na idade adulta teria exercido a atividade de livreiro"; por sua vez, em Memória Anarquista do Centro Galego do Rio de Janeiro (1903-1922), o autor Mílton Lopes, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro, nos conta que, de fato, na Rua da Constituição, antiga Rua dos Ciganos nº 14, “funcionou a livraria de Lírio de Rezende [...], a primeira especializada em literatura anarquista”; o poeta-militante teve seus poemas publicados especialmente pela imprensa operária e anarquista (periódicos Liberdade, Voz Cosmopolita, A Razão, todos do Rio de Janeiro, Renovação, entre outros...).

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Lirio de Rezende: Prodigioso!...

 
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O Aureliano Leal *, vulto apagado,
Nutrindo propensão para a malícia
Conseguiu ser o chefe de polícia,
D’um governo, como todos detestado!

Tão depressa no cargo empossado
A espada manejou com tal perícia
Que resolveram dar-lhe vitalícia
Outra pasta de estofo aveludado.

À crítica mordaz, ele sorria;
Prendendo, deportando, respondia
 Hei de acabar com todos os grevistas. 

E tanto perseguiu as multidões
Que lhes fortaleceu as convicções,
Fazendo triplicar os anarquistas!

(jornal Liberdade, 08/1919, p. 2.)

* Nota do Verso e Conversa: através de pesquisa googleana, o atrevido aprendiz de blogueiro desta página faz constar que Aureliano Leal (1877 — 1924) foi nomeado chefe de polícia do Rio de Janeiro, à época capital da república e distrito federal, no governo Venceslau Braz; Aureliano, ao atuar dando ordens para que antes da apreensão de materiais usados em jogos de azar os infratores fossem avisados, teria inspirado os autores e compositores Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o Donga, e Mauro de Almeida a criarem o samba Pelo Telefone, hoje reconhecido como marco inicial da história fonográfica do gênero.
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Ouve meu grito — Antologia de poesia operária (1894 — 1923), Pesquisa e Organização de Bernardo Kocher (também com texto-Apresentação) e Eulalia Lahmeyer Lobo (também com Introdução), 1987, UFRJ—Proed SR.2 e Editora Marco Zero, São Paulo — SP; sobre Lirio de Rezende, poeta, livreiro e militante anarquista, pouco se sabe; Edgar Rodrigues, em Rebeldias 2, faz o registro de mais de uma centena de “pedreiros da anarquia”, “colaboradores na imprensa ácrata, e só em A Voz do Trabalhador (1908-1915), órgão da Confederação Operária Brasileira, 48 militantes (homens e mulheres) anarquistas escreviam em suas páginas. Nos anos 1910 e 1920 muitos operários já tinham vencido a falta de instrução das escolas oficiais e adquirido conhecimento invejável nos sindicatos, nos centros de cultura e nas escolas de teatro social, eram formados na universidade da vida. Escreviam poesias revolucionárias, romances, obras de idéias avançadas, de história, dirigiam jornais como se jornalistas profissionais fossem. [...], Lírio de Rezende, entre outros.”; já Angela Maria Roberti Martins, doutora em História Social pela PUC-SP, no texto O gênero na composição poética anarquista nos relata que Lírio de Rezende, poeta-militante, foi autor do livreto de poesias Mundo Agonizante (1920), cuja edição teve a responsabilidade do grupo idealista ‘Paladinos do Porvir’ que “esclarecia que o preço cobrado pelo folheto destinava-se a cobrir o custo do trabalho gráfico e que a publicação do opúsculo servia para garantir a “propaganda exclusivamente libertária”; neste texto (O gênero na composição...) há o relato de que Lírio de Rezende “desde muito jovem ingressou no movimento anarquista e que na idade adulta teria exercido a atividade de livreiro; por sua vez, em Memória Anarquista do Centro Galego do Rio de Janeiro (1903-1922), o autor Mílton Lopes, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro, nos conta que, de fato, na Rua da Constituição, antiga Rua dos Ciganos nº 14, “funcionou a livraria de Lírio de Rezende [...], a primeira especializada em literatura anarquista”; o poeta-militante teve seus poemas publicados especialmente pela imprensa operária e anarquista (periódicos LiberdadeVoz CosmopolitaA Razão, todos do Rio de Janeiro, entre outros...).

sábado, 14 de setembro de 2019

Lirio de Rezende: Novo Spartacus

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Ó nababos da lei, faróis da tirania
Que mandais meus irmãos ao grande morticínio
Ficai sabendo, pois, titãs da burguesia
Que não deve tardar vosso fero extermínio.

O lucro que tirais de tanto barbarismo
Aumentará por certo a vossa teimosia,
Mas desempenhar-vos-á num tenebroso abismo
No qual ireis carpir tamanha hipocrisia.

Basta de latrocir, ferozes salafrários!
Tartufos, canibais, infames, sanguinários
Já seguis aberrando um colossal vulcão...

Para vos castigar, histéricos, malditos,
Desprezo a vossa lei, vou por entre os aflitos
Repartir munições para a revolução.

(jornal Liberdade, 06/1919, p. 2.
— Rio de Janeiro)
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Ouve meu grito — Antologia de poesia operária (1894 — 1923), Pesquisa e Organização de Bernardo Kocher (também com texto-Apresentação) e Eulalia Lahmeyer Lobo (também com Introdução), 1987, UFRJ—Proed SR.2 e Editora Marco Zero, São Paulo — SP; sobre Lirio de Rezende, poeta e militante anarquista, pouco se sabe; Edgar Rodrigues, em Rebeldias 2, faz o registro de mais de uma centena de “pedreiros da anarquia”, “colaboradores na imprensa ácrata, e só em A Voz do Trabalhador (19081915), órgão da Confederação Operária Brasileira, 48 militantes (homens e mulheres) anarquistas escreviam em suas páginas. Nos anos 1910 e 1920 muitos operários já tinham vencido a falta de instrução das escolas oficiais e adquirido conhecimento invejável nos sindicatos, nos centros de cultura e nas escolas de teatro social, eram formados na universidade da vida. Escreviam poesias revolucionárias, romances, obras de ideias avançadas, de história, dirigiam jornais como se jornalistas profissionais fossem. ..., Lírio de Rezende, entre outros.”; já Angela Maria Roberti Martins, doutora em História Social pela PUCSP, no texto “O gênero na composição poética anarquista” nos relata que Lírio de Rezende, poeta-militante, foi autor do livreto de poesias Mundo Agonizante (1920), cuja edição teve a responsabilidade do grupo idealista ‘Paladinos do Porvir’ que “esclarecia que o preço cobrado pelo folheto destinava-se a cobrir o custo do trabalho gráfico e que a publicação do opúsculo servia para garantir a “propaganda exclusivamente libertária”; neste texto (O gênero na composição...) há o relato de que Lírio de Rezende “desde muito jovem ingressou no movimento anarquista e que na idade adulta teria exercido a atividade de livreiro; por sua vez, em Memória Anarquista do Centro Galego do Rio de Janeiro (1903—1922), o autor Mílton Lopes, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro, nos conta que, de fato, na Rua da Constituição, antiga Rua dos Ciganos nº 14, “funcionou a livraria de Lírio de Rezende ..., a primeira especializada em literatura anarquista”; o poeta-militante teve seus poemas publicados especialmente pela imprensa operária e anarquista (periódicos Liberdade, Voz Cosmopolita, A Razão, todos do Rio de Janeiro, entre outros.) ...

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Lirio de Rezende: José Oiticica

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Neste imenso Brasil, tenho certeza,
Não existe sociólogo fecundo
Como tu que revolves bem no fundo
Os contrastes da iníqua lei burguesa.

Na musa, tens rebelde pira acesa,
Na prosa, o dardo firme e furibundo,
Se arremetes com força contra o Mundo,
É para lhe extrair toda a impureza!

Lenine brasileiro, te chamavam;
 Parvos!  se julgam que te melindraram
Mais elevaram teu afoitamento...

Já vem de longe a bulha que moveram
Contra ti, certos mestres que perderam
Quando os venceste a golpes de talento!...

Liberdade, 8/1919, p.2
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Ouve meu grito — Antologia de poesia operária (1894 — 1923), Pesquisa e Organização de Bernardo Kocher (também com texto-Apresentação) e Eulalia Lahmeyer Lobo (também com Introdução), 1987, UFRJ—Proed SR.2 e Editora Marco Zero, São Paulo — SP; sobre Lirio de Rezende, poeta e militante anarquista, pouco se sabe; Edgar Rodrigues, em Rebeldias 2, faz o registro de mais de uma centena de ¨pedreiros da anarquia”, “colaboradores na imprensa ácrata, e só em A Voz do Trabalhador (1908-1915), órgão da Confederação Operária Brasileira 48 militantes (homens e mulheres) anarquistas escreviam em suas páginas. Nos anos 1910 e 1920 muitos operários já tinham vencido a falta de instrução das escolas oficiais e adquirido conhecimento invejável nos sindicatos, nos centros de cultura e nas escolas de teatro social, eram formados na universidade da vida. Escreviam poesias revolucionárias, romances, obras de ideias avançadas, de história, dirigiam jornais como se jornalistas profissionais fossem. ..., Lírio de Rezende, entre outros.”; já Angela Maria Roberti Martins, doutora em História Social pela PUC-SP, no texto O gênero na composição poética anarquista, nos relata que Lírio de Rezende, poeta-militante, foi autor do livreto de poesias Mundo Agonizante (1920), cuja edição teve a responsabilidade do grupo idealista ‘Paladinos do Porvir’ que deixava claro que o preço cobrado pelo folheto destinava-se a cobrir o custo do trabalho gráfico e que a publicação do opúsculo servia para tão somente garantir a propaganda libertária; neste texto (O gênero na ...) há o relato de que Lírio de Rezende “desde muito jovem ingressou no movimento anarquista e que na idade adulta teria exercido a atividade de livreiro; por sua vez, em Memória Anarquista do Centro Galego do Rio de Janeiro (1903-1922), o autor Mílton Lopes, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro, nos conta que, na Rua da Constituição, antiga Rua dos Ciganos nº 14, “funcionou a livraria de Lírio de Rezende ..., a primeira especializada em literatura anarquista”; o poeta-militante teve seus poemas publicados especialmente pela imprensa operária e anarquista.