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A poesia é a lógica mais simples.
Isso surpreende
Aos que esperam ser um gato
Drama maior que o meu sapato.
Ou aos que esperam ser o meu sapato
Drama tanto mais duro que andar descalço
E ainda aos que pensam não ser o meu andar descalço
Um modo calmo.
(Maior surpresa terão passado
Os que julgam que me engano:
Ah, não sabem o quanto quero o sapato
Nem sabem o quanto trago de humano
Nesse desespero escasso.
Não sabem mesmo o que falo
Em teorema tão claro.
Como não se cansariam ao me buscar os passos
Pois tenho os pés soltos e ando aos saltos
E, se me alcançassem, como se chocariam ao saber que faço
A lógica da verdade pelos pontos falsos.)
[Aprendizagem: 1962-1964]
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Inquisitorial — poemas: José Carlos Capinan, Ensaio crítico
introdutório “Capinan e a Nova Lírica” de José Guilherme Merquior, Apresentação
[texto/orelha] de Ênio Silveira, 2ª edição, 1995, Editora Civilização
Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; José Carlos Capinan, nascido em 1941, baiano de
Esplanada, formou-se em Artes Cênicas, Direito (Universidade Federal da Bahia —
UFBA) e Medicina (também pela UFBA), é poeta, compositor, letrista, escritor,
publicitário, produtor de shows musicais, tendo exercido trabalhos em múltiplas
áreas, e médico; desde os 15 anos escreve poesias; como letrista, poeta e ativo
em artes, participou fortemente dos movimentos culturais da década de 60, tanto
em parcerias na MPB quanto no teatro, além de em outras atividades; na década de
80, atuou em políticas culturais na Bahia: foi secretário de cultura em Camaçari
e secretário estadual de Cultura; na música, foi parceiro de Gilberto Gil, Zé Renato,
Jards Macalé, Gereba, Tom Zé, João Bosco, Caetano Veloso, Edu Lobo, Gonzaguinha
etc., colaborou em jornais e revistas, tendo sido coeditor da revista Anima na
década de 70; escreveu e publicou: Bumba meu boi (1960), Inquisitorial (poemas,
1966), Ciclo de Navegação, Bahia e gente (1975), Estrela do Norte, Adeus
(1981), Confissões de Narciso (1995), Uma canção
de amor às árvores desesperadas (poemas, 1996), Balança mas hai-kai (1996),
Vinte canções de amor e um poema quase desesperado (2014), Cancioneiro geral: 1962-2023 (antologia poética, 2024)...
e, em discografia, Te esperei (LP [long-play], 1984), Olho de lince — trabalho
de parto (LP Gonzaguinha, 1985), O Viramundo — 21 anos de Tropicalismo (LP,
1988), Reunião — O Brasil dizendo Drummond (CD [compact disc], 2002), Cancioneiro
geral — Tributo a Capinan (álbum digital, 2025); é integrante da Academia de
Letras da Bahia e presidente de honra do Museu Nacional da Cultura
Afro-brasileira, em Salvador — BA; Capinan, considerado o poeta do
Tropicalismo, participou deste grupo criador do “movimento de vanguarda
renovador da cultura brasileira em 1967 e 1968, e integrou o álbum ‘Tropicália
ou Panis et Circensis’”.





