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[traduzido por José Paulo Paes]
A indecência pode ser normal,
saudável;
na verdade, um pouco de indecência é necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.
E um pouco de putaria pode ser normal, saudável.
Na verdade, um pouco de putaria é necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.
Mesmo a sodomia pode ser normal, saudável,
desde que haja troca de sentimento verdadeiro.
Mas se alguma delas for para o cérebro, aí se torna perniciosa:
a indecência no cérebro se torna obscena, viciosa,
a putaria no cérebro se torna sifilítica
e a sodomia no cérebro se torna uma missão,
tudo, vício, missão, insanamente mórbido.
Do mesmo modo, a castidade na hora própria é normal e bonita.
Mas a castidade no cérebro é vício, perversão.
E a rígida supressão de toda e qualquer indecência, putaria e relações assim
leva direto a furiosa insanidade.
E a quinta geração de puritanos, se não for obscenamente depravada,
é idiota. Por isso, você tem de escolher.
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| D. H. Lawrence |
Bawdy can be sane
Bawdy can be sane and wholesome,
in fact a little bawdy is necessary in every life
to keep it sane and wholesome.
And a little whoring can be sane and wholesome.
In fact a little whoring is necessary in every life
to keep it sane and wholesome.
Even sodomy can be sane and wholesome
granted there is an exchange of genuine feeling.
But get any of them on the brain, and they become pernicious:
bawdy on the brain becomes obscenity, vicious.
Whoring on the brain becomes really syphilitic
and sodomy on the brain becomes a mission,
all the lot of them, vice, missions, etc., insanely unhealthy.
In the same way, chastity in its hour is sweet and wholesome.
But chastity on the brain is a vice, a perversion.
And rigid suppression of all bawdy, whoring or other such commerce
is a straight way to raving insanity.
The fifth generation of puritans, when it isn't obscenely profligate,
is idiot. so you've got to choose.
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Poesia Erótica (vários autores)
— Seleção, Introdução, Tradução e Notas de José Paulo Paes, 2006, 1ª
edição, Companhia de Bolso, São Paulo — SP; D. H. Lawrence, ou David
Herbert Lawrence (1885 — 1930), inglês nascido em Nottingham — Reino Unido, foi
professor primário, escritor ficcionista, ensaísta, poeta e pintor; sua obra transita em quase todos os gêneros literários (romances, poemas, novelas,
contos, peças de teatro, livros de viagens, traduções, livros sobre arte,
crítica literária e cartas pessoais); escreveu e publicou O pavão branco (The
White Peacock, romance, 1911), Filhos e amantes (romance, 1913), The Poems and
others (poesia, 1913), The Widowing of Mrs. Holroyd (peça teatral, 1914), The
Prussian Officer and Other Stories (contos, 1914), Amores (poesia, 1916), Look!
We have
come through! (poesia, 1917), New Poems (1918), Mulheres apaixonadas (Women in
Love, romance, 1920), Touch and Go (peça teatral, 1920), Movements in European
History (não-ficção, 1921), Sea and Sardinia (relato de viagem, 1921), Tortoises
(poesia, 1921), England, My England and Other Stories (contos, 1922), Canguru
(Kangoroo, romance, 1923), Studies en Classic American Literature (não-ficção, 1923),
O raposo (The Fox, The Captain’s Doll, The Ladybird, contos, 1923), Reflections
on the Death of a Porcupine and other essays (ensaios, 1925), A serpente emplumada (The Plummed Serpent,
romance, 1926), David (peça teatral, 1926), O amante de Lady Chatterley (Lady
Chatterley’s Lover, romance, 1928), A virgem e o cigano (The Virgin and the
Gipsy and Other Stories, contos, 1930), Last Poems (1932), The Married Man
(peça teatral, 1940), além de diversos volumes de cartas e outros; traduziu Lev Shestov, Ivan Alekseyevich Bunin, Giovanni Verga e
Antonio Francesco Grazzini.