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segunda-feira, 25 de março de 2024

Ernani Rosas: Renúncia de uma Estátua


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talhara um dia a efígie da mulher...
depois, a estátua em ânsia que suponho
ter alma e anseio sem saber sequer...

Depois de pronta a sua branca musa
por sugestão da Arte que o conforta,
quis dar-lhe vida e voz, à argila morta
veio a descrença mórbida e confusa!...

Meditando em seu sonho que o deslumbra
p’la concepção sonâmbula que a lira
não pode definir porque é penumbra!

Nela revive uma existência fátua...
a demência do Artista que a esculpira,
delirando a harmonia desta Estátua!

Rio [1]947

E. Rosas

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Cidade do ócio: entre sonetos e retalhos — Ernani Rosas, Organizado por Zilma Gesser Nunes, 2008, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã, A Época e revista Orpheu (Portugal); obras: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952) foram incluídos vinte e sete de seus poemas, e em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos — Organização de Zilma Gesser Nunes (2008).

* Nota deste Verso e Conversa: plaquetes: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página expõe que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete e organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo e Rictus da Cruz; já neste Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos, a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda Trigueiros, além de Rictus da Cruz.

quinta-feira, 7 de março de 2024

Ernani Rosas: A falta d'oiro


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O Tédio nos arrasta lira miséria
apetece-nos a forma deletéria
a tirarmos um sono no sepulcro

fugimos à manhã à vida bela
temos pavor ao ósculo mais pulcro
da estrela que apagar da dor o fulcro
e aclarar os abrolhos da procela!...

Procuramos o abismo, o caos informe
as geenas cruéis do inferno humano
a dor e o desespero, a goela enorme
para assim nos tragar divino arcano!...

por tudo que é perjuro e mentiroso
buscamos o fel da vida como gozo
e nunca a Ti ó monstro desumano

Oiro, felicidade, à nossa glória...
a primavera, os vinte e cinco, a estrada
aberta às aventuras que a memória
nos esperará num pedestal na alada

Casta de desenganos e naufrágios
de quem anda a orar de plaga em plaga
dentre as vagas e oceânicos adágios
que os nossos sonhos do viver apaga!...

Rio [1]947

E. Rosas

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Cidade do ócio: entre sonetos e retalhos — Ernani Rosas, Organizado por Zilma Gesser Nunes, 2008, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã, A Época e revista Orpheu (Portugal); obras: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952) foram incluídos vinte e sete de seus poemas, e em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos — Organização de Zilma Gesser Nunes (2008).

* Nota deste Verso e Conversa: plaquetes: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página expõe que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete e organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo e Rictus da Cruz; já neste Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos, a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda Trigueiros, além de Rictus da Cruz.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Ernani Rosas: Vivera um longo tempo compungido . . . [soneto]


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Vivera um longo tempo compungido
a Te ouvir minha musa inigualável
Paisagem de tristeza incomparável
na psíquica grandeza, que hei perdido...

Por desertas regiões de comovido
crepúsculo de dor e sentimento
sou como um vento de fragor tolhido
em meus passos de mágoa e esquecimento...

Anoiteci num vale de Tristeza
à asa do crepúsculo vencido,
p’la fadiga da aspérrima devesa...

E os dias lá se vão para o futuro,
e o ser, que mui lidou, cai abatido...
nunca chega a vencer algo obscuro!

Rio [1]946

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Cidade do ócio: entre sonetos e retalhos — Ernani Rosas, Organizado por Zilma Gesser Nunes, 2008, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã, A Época e revista Orpheu (Portugal); obras: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952) foram incluídos vinte e sete de seus poemas, e em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos — Organização de Zilma Gesser Nunes (2008).

* Nota deste Verso e Conversa: plaquetes: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página expõe que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete e organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo e Rictus da Cruz; já neste Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos, a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda Trigueiros, além de Rictus da Cruz.

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Ernani Rosas: Olavo Bilac: Safo e Apolo irmanados . . .

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Olavo Bilac: Safo e Apolo irmanados num
só ente!
Silveira Neto: Um eterno-Luar de inverno,
mais o clangor de sinos numa aldeia ao Sol-pôr..
Alphonsus de Guimaraens: Policromia litúrgica
de vitrais em versinhos de Missal! Astrologismo cruel,
atuação de um parélio genial em sonâmbulas
Strofes!
Calisto Cordeiro: crayon a caracterizar e satiri-
zar caracteres e Sfinges.

Ronald de Carvalho: Um cortejo de quadrigas
em jogo assustador por Centauros em demanda
a Zeus e ao Olimpo, pela estrada do Sol ensanguenta-
da em capilar hemorragia de rubis preciosos,
rumando ao poente!

Cruz e Sousa: O eleito dos Eleitos! A astral clarivi-
dência dos nossos dias enublados de Tédio e pedantismo,
o Zeus imortal do nosso Olimpo, hoje como
um sol dentre as nuvens da morte, dormita em
seu Nirvana!

Rio [1]947

E. Rosas

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Cidade do ócio: entre sonetos e retalhos — Ernani Rosas, Organizado por Zilma Gesser Nunes, 2008, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã, A Época e revista Orpheu (Portugal); obras: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952) foram incluídos vinte e sete de seus poemas, e em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos — Organização de Zilma Gesser Nunes (2008).

* Nota deste Verso e Conversa: plaquetes: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página expõe que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete e organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo e Rictus da Cruz; já neste Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos, a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda Trigueiros, além de Rictus da Cruz.

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Ernani Rosas: "Spleen"


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Causa-me espanto a mágoa da criança,
tenho horror ao prazer desenfreado...
à bacanal, à orgia, por pecado,
à carne inerme, que nos gera e cansa!...

À luxúria brutal, à serpe infrene,
que o veneno sutil nos alimenta...
à ebriez singular do Ópio que alenta
e o olhar conduz a um âmbito perene!...

Oculto-me no Antro do meu ópio,
erro por mim, p’lo paraíso alado...
de um perene florir de Heliotrópios!

Vejo sorrir “fermosa Primavera”!
fria e aloirada de semblante amado,
A Quadriga avistando pela esfera!...

Rio [1]947

E. Rosas

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Cidade do ócio: entre sonetos e retalhos — Ernani Rosas, Organizado por Zilma Gesser Nunes, 2008, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã, A Época e revista Orpheu (Portugal); obras: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952) foram incluídos vinte e sete de seus poemas, e em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos — Organização de Zilma Gesser Nunes (2008).

* Nota deste Verso e Conversa: plaquetes: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página expõe que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete e organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo e Rictus da Cruz; já neste Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos, a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda Trigueiros, além de Rictus da Cruz.

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Ernani Rosas: Musa profana

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Uma noite de vã ideologia
Saí em busca de uma novidade
recortavam a silente imensidade
os meteoros da minha fantasia...

Dirigi-me a uma casa silenciosa
à meia-luz onde a luxúria habita
onde há fausto e a volúpia não crepita
e traz à face uma máscara nublosa...

De renúncia e miséria e de impureza
que faz chorar a alma de Tristeza
De ser cândidas flores a mirrar!...

É a Lama, é o mal, a escrófula latente
o fermento da Sífilis, demente...
De prazer a florir no Lupanar!

[1]952 Rio

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Cidade do ócio: entre sonetos e retalhos — Ernani Rosas, Organizado por Zilma Gesser Nunes, 2008, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã, A Época e revista Orpheu (Portugal); obras: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952) foram incluídos vinte e sete de seus poemas, e em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos — Organização de Zilma Gesser Nunes (2008).

* Nota deste Verso e Conversa: plaquetes: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página expõe que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete e organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo e Rictus da Cruz; já neste Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos, a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda Trigueiros, além de Rictus da Cruz.

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Ernani Rosas: Vênus ou Safo?

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Da nuca à vértebra osculo-Te a epiderme,
arfam Te os seios, enluaradas pomas!
a derramar o sândalo da coma,
p’la volúpia oloral da carne inerme...

Vibras o corpo em contorções de gozo,
a carne tem marés de anseio e mame:
Um oceano se agita voluptuoso
em teu sangue, rugindo em tua carne!

Cróton lascivo de rubente estame
dos meus beijos as abelhas num enxame,
bebem-Te o olor da carne voluptuosa...

Nesse delírio que a Volúpia instiga
entre anseios e ósculos, nervosa...
adejas no prazer p’la noute amiga!...

[1]946 (Rio)

E. Rosas

Versos do Livro "Torre-de-David" de E. Rosas

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Cidade do ócio: entre sonetos e retalhos — Ernani Rosas, Organizado por Zilma Gesser Nunes, 2008, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã, A Época e revista Orpheu (Portugal); obras: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952) foram incluídos vinte e sete de seus poemas, e em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos — Organização de Zilma Gesser Nunes (2008).

* Nota deste Verso e Conversa: plaquetes: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página expõe que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete e organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo e Rictus da Cruz; já neste Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos, a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda Trigueiros, além de Rictus da Cruz.

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Ernani Rosas: O Monge-e-o-Burro!


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Há muita gente tola neste mundo,
Que é capaz de esmurrar ponta de faca:
Se em burro não virar, pode ser vaca...
e fuçar como um porco em charco imundo!

Muito mais burro é quem Te chama burro,
há rapazes que têm orelhas mocas!
outras, rasgadas, caem-lhes sobre a boca
dando em silêncio um insensível urro.

Confesso que encarnam informe aspecto
de Zebra ou de loba para assim passar...
entre os homens mais vis, nesse discreto

Hábito negro  a pel’ de uma caveira!
indo por montes brancos de Luar...
grunhir como um suíno na estrumeira!

[1]946 Rio

N. Luso

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Cidade do ócio: entre sonetos e retalhos — Ernani Rosas, Organizado por Zilma Gesser Nunes, 2008, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã, A Época e revista Orpheu (Portugal); obras: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952) foram incluídos vinte e sete de seus poemas, e em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos — Organização de Zilma Gesser Nunes (2008).

* Nota deste Verso e Conversa: plaquetes: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página expõe que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete e organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo e Rictus da Cruz; já neste Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos, a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda Trigueiros, além de Rictus da Cruz.

sábado, 22 de julho de 2023

Ernani Rosas: “Versos da Vida e da Miséria”


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À porta de uma Igreja
achava-se um mendigo
vencido como o tempo
varrido de ilusões sem seu castelo antigo
pedia e murmurava...
dos olhos gotejava
a lágrima sentida
era a sombra da vida
a vida que fugia
sob andrajos estendendo a palma seguida
da mão pela miséria,
ora afagando as chagas, ora coçando a carne
sob a veste agrava-lhe a lepra, e tem coceiras
chora e suspira e frases balbucia
numa surda toada
de angústia e de desânimo...
Passa um, passa outro,
a esmola cai-lhe ao colo
para ele o chorar é um doce consolo.
Negra visão da vida tem um homem como esse
tem Dantescas visões, paixões de pandemunium
infernal e infeliz p’ra n’alma de crente
É a vida de quem pede e nada tem no mundo
a meu ver chagas nuas a escorrer pus e sangue:
A cigarra de outr’ora que cantava no estio
que de nada cuidou para si, no futuro
e agora jaz inerte à porta de uma igreja
a chorar e a estender a sua mão mirrada
à piedade indif’rente, à burguesia crua
De olhar impiedoso vil, plasmando a imagem nua
da miséria outra Lua...
para os astros tranquilos,
que perscrutavam por Deus do espaço e do infinito
as desgraças do mundo e a frieza do homem!...

Rio [1]951

E. Rosas

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Cidade do ócio: entre sonetos e retalhos — Ernani Rosas, Organizado por Zilma Gesser Nunes, 2008, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã, A Época e revista Orpheu (Portugal); obras: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952) foram incluídos vinte e sete de seus poemas, e em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos — Organização de Zilma Gesser Nunes (2008).

* Nota deste Verso e Conversa: plaquetes: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página expõe que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete e organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo e Rictus da Cruz; já neste Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos, a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda Trigueiros, além de Rictus da Cruz.

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Ernani Rosas: Oração à Enxada

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Com o suor ao rosto teu...
mais o pranto das estrelas
colma os campos com o céu!...

Jardineira que lidaste
os canteiros da ilusão:
Mas, que rosas tu criaste?
Que merecem uma oração...

Gleba fria, inanimada,
como a chuva e o sol Te querem?
Dar-te beijos sol e chuva,
Quente como os de mulher!...

O teu trigo é puro e casto
como o corpo da hóstia pura:
cor da Lua, p’lo céu vasto...
Quando as noutes são escuras!...

Quando a terra no seu seio
guarda a sombra e sorve o orvalho
Quando tudo é só receio...
e o nevoeiro, agasalho!...

Soa ao longe a rude enxada
pela terra que sussurra...
Bendiz a mão que a esmurra,
dando-lhe rudes pancadas!?

Cava a vida! Cava a cova...

Entre a enxada e o pensamento
há parentesco divino:
Uma cava e o outro cava,
Ambos têm igual destino!...

Cava o Pão e cava a morte:
cava o sepulcro que encerra
os sofrimentos da sorte...

Cavador da minha cova
cavarás bem funda e larga:
a minha sombra e no cipreste
dando sombra negra e amarga

Ao plantar o corpo meu,
quero que plantes também:
a agonia de um cipreste,
que é a imagem de quem quer bem!...

Cavador, que cavas tanto
que cavaste a vida inteira
tu cavas a minha cova
Junto ao pé de uma aroeira

O que fazes não Te chega
p’ra morreres esfomeado
morrer de fome às cegas
como um lobo pelo prado

Se os recursos que possuis
Não Te dão para viver
Mais nos val’ mandar a enxada
p’ro diabo e se perder:!...

Se mal chega p’ra morares
na miséria impiedosa
mais nos val’ assim par’ceres,
como a sorte mentirosa?

Somos todos cavadores
uns da Arte outros do Sonho:
Se na vida as flor’s dão pranto
Se o viver é um val’ medonho?!...

[1]946

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Cidade do ócio: entre sonetos e retalhos — Ernani Rosas, Organizado por Zilma Gesser Nunes, 2008, Editora da UFSC, Florianópolis — SC; Ernani Salomão Rosas Ribeiro de Almeida (1886 1955), catarinense de Desterro, atual Florianópolis, foi poeta; desde os três anos de idade passou a residir na cidade do Rio de Janeiro e, depois, com a morte do pai (Oscar Rosas, político e também poeta, que basicamente lhe garantia as mesadas), mudou-se com a mãe e irmãs para Nova Iguaçu, também no Rio, onde morreu em difíceis condições; levou uma vida boêmia e sofreu discriminação pela sua gagueira e homossexualidade; foi um homem reservado que tentou ficar o máximo possível no anonimato; colaborou com os periódicos O Imparcial, Maçã, A Época e revista Orpheu (Portugal); obras: Certa Lenda numa Tarde — Paráfrasis de Narciso (assina Rictus da Cruz, 1917), Poemas do Ópio (1918) e Silêncios (sem data); após sua morte, houve o resgate de sua obra poética: em Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Organização de Andrade Muricy (1952) foram incluídos vinte e sete de seus poemas, e em Poesias — Organização de Iaponan Soares e Dalila Carneiro da Cunha Luz Varella (1989) estão reunidos oitenta e oito poemas, manuscritos e plaquetes* encontrados, já nos arquivos da Academia Catarinense de Letras; depois vieram outros estudos: História do Gosto e Outros Poemas — Organização de Ana Brancher (1997) e Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos — Organização de Zilma Gesser Nunes (2008).

* Nota deste Verso e Conversa: plaquetes: o atrevido aprendiz de blogueiro desta página expõe que, conforme o História do Gosto e Outros Poemas (1997), as plaquetes, em torno de trinta e sete e organizadas pelo poeta, são pequenos livros costurados à mão e com barbante, com capa de papel “de embrulho”, onde foi escrito à mão o título da plaquete; por elas, tem-se que Ernani Rosas também fez uso de alguns pseudônimos para assiná-las: N. Cáspio, A. Luzo, N. Luzo e Rictus da Cruz; já neste Cidade do Ócio: entre sonetos e retalhos, a autora relata os pseudônimos Narciso Cáspio, Antonio Luzo, Narciso Luzo e Alda Trigueiros, além de Rictus da Cruz.