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quinta-feira, 26 de junho de 2025

Miodrag Pavlović: Réquiem

 
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[traduzido por Aleksandar Jovanović]

desta feita
morreu alguém por perto

Réquiem
no cinzento parque
sob o céu carrancudo

As mulheres seguem o corpo morto
e no quarto vazio restou a morte
fechando as cortinas

Senti
as flores ficaram mais leves
por um cérebro humano
E o agradável silêncio da tarde
e menino descalço sentado à porta
mastiga uvas

Quem permanece fiel
àquele que perde
Sem pressa com a morte
ninguém se parece com ninguém
os filhos pensam nos brinquedos
Sem despedidas nas partidas
isso é risível e censurável

Miodrag Pavlović

Rekvijem

ovoga puta
umro je neko blizu

Rekvijem
u sivom parku
pod zatvorenim nebom

Žene su pošle za mrtvim telom
smrt je ostala u praznoj sobi
i spustila zavesu

Osetite
svet je postao lakši
za jedan ljudski mozak
Prijatna tišina posle ručka
bosonog dečak sjedi na kapiji
i jede groždje

Zar iko ostane veran
onome što izgubi
Ne žurite sa smrću
niko ni na koga ne liči
sinovi misle na igračke
i ne opraštajte se pri odlasku
to je smešno I pogrdno

* Nota do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: O organizador e tradutor Aleksandar Jovanović, no Prefácio deste Poesia Iugoslava Contemporânea (Sérvia), nos relata o abaixo transcrito:
     “O presente volume apresenta alguns dos poetas mais expressivos da Literatura Iugoslava contemporânea, escrita em servo-croata. Mas, para que a compreensão do leitor seja mais clara, é preciso ressaltar que se trata de poetas da Literatura da Sérvia. Portanto, este livro não é uma visão integral da Modernidade na Literatura Iugoslava. Tampouco é uma visão integral da Modernidade na Literatura Iugoslava escrita em servo-croata. É uma parte dela.
     Para que uma antologia de Literatura Iugoslava fosse integral, seria preciso nela incluir não somente obras de escritores da Croácia, mas também da Bósnia-Herzegovina e do Montenegro (redigidos todos em servo-croata), e, ainda, obras de escritores da Eslovênia (escritos em esloveno) e da Literatura da Macedônia (escritos em macedônio). Não é, como sublinhamos, uma visão integral, mas é o primeiro esforço para que os leitores da língua portuguesa possam ter acesso a ela.
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Poesia Iugoslava Contemporânea (Sérvia) — [36 poetas], texto A Poesia Contemporânea da Sérvia — suas raízes e seus significados, por Jovan Pejčić, edição bilíngue, Prefácio, Tradução e Notas de Aleksandar Jovanović, 1987, Editora Meca São Paulo — SP; Miodrag Pávlovitch (1923[?] 1928 2014), nascido em Novi Sad, região norte da Sérvia, formou-se pela Faculdade de Medicina de Belgrado, atuou como médico num breve período, passou a dedicar-se “exclusivamente” à literatura, foi poeta, contista, ensaísta, dramaturgo, editor, tradutor, professor universitário e antologista; estreou em 1953 com seu livro 87 Pesama e a partir daí tornou-se conhecido; por longo período foi editor da editora Prosveta, em Belgrado; também em Belgrado, foi diretor do Teatro Nacional e atuou como dramaturgo; suas obras: 87 Pesama ([87 песама] 87 canções, coleção de poemas, 1952), Stub sećanja ([Стуб сећања], Pilar da Memória, 1953), Hododarje ([Хододарје], 1971), Svetli i tamni praznici ([Светли и тамни празници] Feriados brilhantes e escuros, 1971), Pevanja na Viru ([Певања на Виру] Canções sobre a fonte, 1977), Bekstvo po Srbiji ([Бекства по Србији] Fuga para a Sérvia, 1979), Ulazak u Kremonu ([Улазак у Кремону] Entrando em Cremona, 1989), Cosmologia profanata ([Цосмологиа профаната] Cosmologia do Profano, 1990), e outros títulos; teve poemas e ensaios traduzidos para todas as línguas europeias e diversas línguas orientais; Miodrag Pávlovitch organizou várias antologias poéticas, com destaque para a “Antologija srpskog pesništva od XIII do XX veka ([Антологија српског песништва од XIII до XX века] Antologia de Poesia Sérvia do Século XIII ao Século XX, 1ª edição em 1964, e várias vezes reeditada); o poeta foi membro da Academia Europeia de Poesia e da Academia Sérvia de Ciências e Artes; recebeu premiações por várias de suas obras.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Miodrag Pavlović: A defesa de nossa cidade

 
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[traduzido por Aleksandar Jovanović]

Eu tenho esperança por esta cidade
eu tenho uma grande esperança
eu tenho uma cidade
eu tenho a manhã de todas as manhãs
mas a manhã de minha esperança ainda está por chegar.

Não a manhã da esperança mas a esperança da concretização
não a manhã porvindoura mas aquela que dura muito tempo
não a porvindoura mas aquela que só se transfigura para si
a figura da grande esperança, a vinda desta cidade
todas as manhãs eu tenho essa esperança.

Eu vejo um grande porto de brilho
um[a] onda de névoa perfumada, um barco de paredes rachadas
eu vejo o porto dessa parede
deste barco, da onda deste olho
o porto em que nos hão de esperar os nossos sósias.
Não os sósias mas nós pessoalmente
pela primeira vez similares a nós mesmos
não no porto, mas em meio ao mar
por que o porto está aqui, esta é a parede do brilho
não é o barco nem o olho vazando do sósia.

Ouço o balouçar dos andares vítreos
praças de gongos, a vinda de portas entreabertas
ouço o balouçar das flores nas praças
o encontro dos helicópteros nos andares de nuvens
ouço o gongo da vinda
as portas abertas
as portas pelas quais adentra esta mesma flor.

Por que eu tenho esperanças por esta cidade
por que tiveram esperança por esta vinda
aqueles anteriores a nós e o sol acima de nós
por esta cidade, por este retesamento
por esta fome dos tempos e este retesamento das cargas
pela nuvem da nova figura. Por que eu tenho esperanças
não somente pelo retesamento dos tempos
não somente pelos andares de pirâmides
não somente pelo brilho da vinda e pelo gongo da grande esperança
pela onda da vigília e pelo porto do sósia
mas também pelas portas entreabertas
pelas portas entreabertas
pela fome do abrimento
por esta cidade.

Miodrag Pavlović

Odbrana našeg grada

VI
Ja imam nade za ovaj grad
ja imam veliku nadu
ja imam grad
ja imam jutro svakoga jutra
ali jutro moje nade tek dolazi.

Ne jutro nade nego jutro ostvarenja
ne jutro koje dolazi no koje traje vrlo dugo
ne koje dolazi no koje samo sebi menja lik
lik velike nade, dolazak ovog grada
ja imam ovu nadu svakog jutra.

Ja vidim veliku luku sjaja
talas mirisne magle, brod napuklog zida
ja vidim luku sa ovoga zida
sa ovog broda, sa talasa ovog oka
luku gde će nas dočekati naši dvojnici.
Ne dvojnici nego mi lično
prvi put slični sebi samima
ne u licu nego nasred mora
jer ovde je luka, ovo je zid sjaja
nije brod ni napuklo oko dvojnika

Čujem ljuljanje staklenih spratova
trgove gongova, dolazak otvorenih vrata
čujem ljuljanje cveća na trgovima
susret helikoptera na spratovima oblaka
čujem gong dolaska
čujem otvorena vrata
vrata na koja ulazi to isto cveće.

Jer imam nade za ovaj grad
jer imali su nade za ovaj dolazak
oni pre nas i sunce iznad nas
za ovaj grad za ovaj grč
za ovu glad vremena i grč bremena
za oblak novog lika. Jer imam nade
ne samo za grč vremena
ne samo za spratove piramida
ne samo za sjaj dolaska i gong velike nade
za talas svitanja i luku dvojnika
ne samo za piramide
nego i za otvorena vrata
za otvorena vrata
za glad otvaranja
za ovaj grad.

* Nota do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: O organizador e tradutor Aleksandar Jovanović, no Prefácio deste Poesia Iugoslava Contemporânea (Sérvia), nos relata o abaixo transcrito:
     “O presente volume apresenta alguns dos poetas mais expressivos da Literatura Iugoslava contemporânea, escrita em servo-croata. Mas, para que a compreensão do leitor seja mais clara, é preciso ressaltar que se trata de poetas da Literatura da Sérvia. Portanto, este livro não é uma visão integral da Modernidade na Literatura Iugoslava. Tampouco é uma visão integral da Modernidade na Literatura Iugoslava escrita em servo-croata. É uma parte dela.
     Para que uma antologia de Literatura Iugoslava fosse integral, seria preciso nela incluir não somente obras de escritores da Croácia, mas também da Bósnia-Herzegovina e do Montenegro (redigidos todos em servo-croata), e, ainda, obras de escritores da Eslovênia (escritos em esloveno) e da Literatura da Macedônia (escritos em macedônio). Não é, como sublinhamos, uma visão integral, mas é o primeiro esforço para que os leitores da língua portuguesa possam ter acesso a ela.
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Poesia Iugoslava Contemporânea (Sérvia) — [36 poetas], texto A Poesia Contemporânea da Sérvia — suas raízes e seus significados, por Jovan Pejčić, edição bilíngue, Prefácio, Tradução e Notas de Aleksandar Jovanović, 1987, Editora Meca São Paulo — SP; Miodrag Pávlovitch (1923[?] 1928 2014), nascido em Novi Sad, região norte da Sérvia, formou-se pela Faculdade de Medicina de Belgrado, atuou como médico num breve período, passou a dedicar-se “exclusivamente” à literatura, foi poeta, contista, ensaísta, dramaturgo, editor, tradutor, professor universitário e antologista; estreou em 1953 com seu livro 87 Pesama e a partir daí tornou-se conhecido; por longo período foi editor da editora Prosveta, em Belgrado; também em Belgrado, foi diretor do Teatro Nacional e atuou como dramaturgo; suas obras: 87 Pesama ([87 песама] 87 canções, coleção de poemas, 1952), Stub sećanja ([Стуб сећања], Pilar da Memória, 1953), Hododarje ([Хододарје], 1971), Svetli i tamni praznici ([Светли и тамни празници] Feriados brilhantes e escuros, 1971), Pevanja na Viru ([Певања на Виру] Canções sobre a fonte, 1977), Bekstvo po Srbiji ([Бекства по Србији] Fuga para a Sérvia, 1979), Ulazak u Kremonu ([Улазак у Кремону] Entrando em Cremona, 1989), Cosmologia profanata ([Цосмологиа профаната] Cosmologia do Profano, 1990), e outros títulos; teve poemas e ensaios traduzidos para todas as línguas europeias e diversas línguas orientais; Miodrag Pávlovitch organizou várias antologias poéticas, com destaque para a “Antologija srpskog pesništva od XIII do XX veka ([Антологија српског песништва од XIII до XX века] Antologia de Poesia Sérvia do Século XIII ao Século XX, 1ª edição em 1964, e várias vezes reeditada); o poeta foi membro da Academia Europeia de Poesia e da Academia Sérvia de Ciências e Artes; recebeu premiações por várias de suas obras.