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[traduzido por Manuel Bandeira]
Habito um castelo de cartas,
Uma casa de areia, um edifício no ar,
E passo os minutos esperando
O desmoronamento do muro, a chegada do raio,
O correio celeste com a última notícia,
A sentença que voa numa vespa,
A ordem como um látego de sangue
Dispersando ao vento uma cinza de anjos.
Então perderei minha morada terrestre
E me encontrarei nu novamente.
Os peixes, os astros,
Remontarão o curso de seus céus inversos.
Tudo que é cor, pássaro ou nome,
Volverá a ser apenas um punhado de noite,
E sobre os despojos de cifras e plumas
E o corpo do amor, feito de fruta e música,
Baixará por fim, como o sonho ou a sombra,
O pó sem memória.
[traduzido por Manuel Bandeira]
Habito um castelo de cartas,
Uma casa de areia, um edifício no ar,
E passo os minutos esperando
O desmoronamento do muro, a chegada do raio,
O correio celeste com a última notícia,
A sentença que voa numa vespa,
A ordem como um látego de sangue
Dispersando ao vento uma cinza de anjos.
Então perderei minha morada terrestre
E me encontrarei nu novamente.
Os peixes, os astros,
Remontarão o curso de seus céus inversos.
Tudo que é cor, pássaro ou nome,
Volverá a ser apenas um punhado de noite,
E sobre os despojos de cifras e plumas
E o corpo do amor, feito de fruta e música,
Baixará por fim, como o sonho ou a sombra,
O pó sem memória.
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| Jorge Carrera Andrade |
Morada terrestre
Habito un edificio de naipes,
Una casa de arena, un castillo en el aire
Y paso los minutos esperando
El derrumbe del muro, la llegada del rayo,
El correo celeste con la final noticia,
La sentencia que vuela en una avispa,
La orden como un látigo de sangre
Dispersando en el viento una ceniza de ángeles.
Entonces perderé mi morada terrestre
Y me hallaré desnudo nuevamente.
Los peces, los luceros
Remontarán el curso de sus inversos cielos.
Todo lo que es color, pájaro o nombre
Volverá a ser apenas un puñado de noche,
Y sobre los despojos de cifras y de plumas
Y el cuerpo del amor, hecho de fruta y música,
Descenderá por fin, como el sueño o la sombra,
El polvo sin memoria.
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Estrela da Vida Inteira — poesias, Manuel Bandeira, nova edição, 1993, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Jorge Carrera Andrade (1903 — 1978), equatoriano de Quito, exerceu a diplomacia, foi escritor, ensaísta, tradutor e poeta; cursou até o colégio, em Guayaquil, depois, viajando à Europa, estudou Filosofia e Letras (Barcelona — Espanha) e Diplomacia (França), tendo residido também na Inglaterra e na Alemanha; como diplomata, exerceu funções tanto no Equador como em outros países; em sua juventude, ainda no Equador, foi um dos fundadores do grupo literário La Idea; bibliografia: Amigo de las nubes, Estanque Inefable (1922), Mademoiselle Satán (1927), Rol de la Manzana, Biografía para Uso de los Pájaros (1937), Microgramas (1940), Lugar de Origen, Aquí Yace la Espuma, Registro del Mundo — antologia poética, 1922—1939 (1945), Hombre Planetario (2 volumes, 1957 e 1959), Floresta de los Guacamayos, Vocación Terrena, e outros títulos.
Estrela da Vida Inteira — poesias, Manuel Bandeira, nova edição, 1993, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Jorge Carrera Andrade (1903 — 1978), equatoriano de Quito, exerceu a diplomacia, foi escritor, ensaísta, tradutor e poeta; cursou até o colégio, em Guayaquil, depois, viajando à Europa, estudou Filosofia e Letras (Barcelona — Espanha) e Diplomacia (França), tendo residido também na Inglaterra e na Alemanha; como diplomata, exerceu funções tanto no Equador como em outros países; em sua juventude, ainda no Equador, foi um dos fundadores do grupo literário La Idea; bibliografia: Amigo de las nubes, Estanque Inefable (1922), Mademoiselle Satán (1927), Rol de la Manzana, Biografía para Uso de los Pájaros (1937), Microgramas (1940), Lugar de Origen, Aquí Yace la Espuma, Registro del Mundo — antologia poética, 1922—1939 (1945), Hombre Planetario (2 volumes, 1957 e 1959), Floresta de los Guacamayos, Vocación Terrena, e outros títulos.
