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[traduzido
por Francisco Octaviano]
Era bela,
como a estátua
Em
mortuária capela,
Dormindo
em leito de pedra,
Imóvel,
pode ser bela.
Tinha
bondade, se basta
Dar, ao
acaso, sem dó,
Sem que
Deus enxergue a esmola,
Se a
esmola é dinheiro só.
Pensava,
se o vão ruído
De um
falar suave e lento,
Como
gemido de arroio,
Denuncia
o Pensamento.
Orava, se
os olhos negros
Uma fez
fitos no chão,
Outra vez
ao céu erguidos,
Podem
chamar-se oração.
Sorria, se
o refrigério
De uma
brisa, na alvorada,
Chegasse
a expandir a flor
Que se
conserva fechada.
Chorara,
se, argila inerte,
Seu
coração ressequido
Gotas de
celeste orvalho
Pudesse
haver recolhido.
Amara, se
no seu peito
Não
velasse orgulho fútil,
Como em cima
de um sepulcro
Se
entretém lâmpada inútil.
Aparentava
viver...
Sem ter
vivido morreu...
Caiu-lhe
das mãos o livro...
Nesse
livro nada leu!
Sur une morte
Elle
était belle, si la Nuit
Qui dort
dans la sombre chapelle
Où
Michel-Ange a fait son lit,
Immobile
peut être belle.
Elle
était bonne, s’il suffit
Qu’en
passant la main s’ouvre et donne,
Sans que
Dieu n’ait rien vu, rien dit,
Si l’or
sans pitié fait l’aumône.
Elle
pensait, si le vain bruit
D’une
voix douce et cadencée,
Comme le
ruisseau qui gémit
Peut
faire croire à la pensée.
Elle
priait, si deux beaux yeux,
Tantôt
s’attachant à la terre,
Tantôt se
levant vers les cieux,
Peuvent
s’appeler la Prière.
Elle
aurait souri, si la fleur
Qui ne
s’est point épanouie
Pouvait
s’ouvrir à la fraîcheur
Du vent
qui passe et qui l’oublie.
Elle
aurait pleuré si sa main,
Sur son
coeur froidement posée,
Eût
jamais, dans l’argile humain,
Senti la
céleste rosée.
Elle
aurait aimé, si l’orgueil
Pareil à
la lampe inutile
Qu’on
allume près d’un cercueil,
N’eût
veillé sur son coeur stérile.
Elle est
morte, et n’a point vécu.
Elle
faisait semblant de vivre.
De ses
mains est tombé le livre,
Dans
lequel elle n’a rien lu.
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Clássicos
Jackson, Volume XXXIX — Poesia, 2º Volume [vários autores e tradutores] — Selecção
e Notas de Ary de Mesquita, 1958, W. M. Jackson Editores, Rio de Janeiro — RJ; Alfred
Louis Charles de Musset (1810 — 1857), francês e parisiense, antes de completar
9 anos de idade foi matriculado no Lycée Henri IV, concluiu o ensino médio, depois
aventurou-se nos estudos de medicina, direito, pintura, música, logo os abandonou,
e passou a se dedicar com determinação e interesse à literatura, foi poeta, novelista,
romancista, crítico e dramaturgo, e tido como "l'enfant terrible" do período
romantista em Paris; “desde os 14 anos já fazia seus versos": A ma mére (1824),
À Mademoiselle Zoé le Douairin (1826), Un rêve et L’anglais mangeur d’opium (1828)...;
escreveu e publicou Premières poésies (1829), Une nuit vénitienne (teatro, 1830),
Contes d'Espagne et d'Itale (coletânea de poemas, Contos da Espanha e da Itália,
1830), Secrètes pensées de Raphael (Pensamentos secretos de Raphael, 1830), Voeux
stériles (Voos estéreis, 1830), Namouna (poema narrativo, 1831), La coupe et les
lèvres (teatro, 1832), Rolla (longo poema narrativo, 1833), On ne badine pas avec
l'amour (Com o amor não se brinca, teatro comédia, 1834), Lorenzaccio (drama romântico,
1834), Fantasio (teatro comédia, 1834), Le Chandelier (comédia em três atos, 1835),
La confession d'un enfant du siècle (A confissão de um filho do século, novela autobiográfica,
1836), Les Nuits: La Nuit de Mai [1835], La Nuit de Décembre [1835], La Nuit d'Août
[1836], La Nuit d'Octobre [1837], La Nuit d’Avril [1838] (ciclo As Noites, 1835-1838),
Lettres du Dupuis et Cotonet (crítica, Cartas de Dupuis e Cotonet, 1837), Souvenir
(Recordação, 1841), Il faut qu'une porte soit ouverte ou fermé (É preciso que uma
porta esteja aberta ou fechada, comédia, 1845), Carmosine (comédia em Um Ato, 1850),
Bettine (comédia, 1851) e outros textos em verso e prosa e para teatro; teve poemas
musicados por Hector Berlioz [poème Le Lever, 1839], Charles Gounod [avec piano,
Venise, 1849], Édouard Lalo [trois mélodies: À une fleur, Chanson de Barberine et
La Zuecca, 1870], Claude Debussy [Madrid, 1879], [Rondeau, 1881] e [Chanson espagnole,
1883] etc.; pertenceu à Académie Française; o poeta, desde 1824, foi um dos frequentadores
do “Cénacle”, salão literário de Charles Nodier — bibliotecário da Bibliotéque de
l’Arsenal, e tendo como companhia Victor Hugo e outros; passou a viver como um “dândi
devasso”, teve várias amantes, uma das quais a escritora George Sand [pseudônimo
de Amantine Aurore Lucile Dupin,
baronesa de Dudevant]; em 1845, Musset foi condecorado com a Legião de Honra
em reconhecimento à sua influência na literatura francesa; com a “saúde frágil, mas sobretudo atormentado pelo alcoolismo, pela
ociosidade e pela devassidão, morreu de tuberculose em 2 de maio de 1857”, aos 46
anos.