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[traduzido por José Paulo Paes]
A vida, o ar que aspiramos existe:
uma leveza, uma similitude em tudo,
uma equação, uma asserção aberta, movediça,
em tudo e, árvore após árvore a eclodir
no verão prematuro, uma paixão, paixão
em tudo, como se o jogo do ar com as cadentes
sementes de olmo rabiscasse um desenho
simples como a ventura quando tem muito de comer
e a desventura nada, simples como o anelo
quando tem muitos caminhos e o pesar nenhum,
simples como o lótus sacro é simples
porque pode ser comido — um desenho tão simples
quanto o riso rabiscando no ar teu rosto.
Livet, luften vi indånder…
Quinze Poetas Dinamarqueses, Seleção, Tradução, Introdução, Prefácio e Notas de José Paulo Paes e Apresentação de Jorge H. Wolff, edição bilíngue, Coleção Poesia Traduzida Volume II, 1997, Letras Contemporâneas, Florianópolis — SC; Inger Christensen (1935 — 2009), dinamarquesa de Vejle, embora tenha iniciado o curso de medicina, dedicou-se mesmo às artes literárias; foi poeta, ensaísta, ficcionista, dramaturga e professora formada, tendo o alemão como disciplina principal; é considerada expoente no modernismo dinamarquês e no experimentalismo literário da Europa contemporânea; bibliografia: Lys: digte (poemas, 1962), Græs: digte (poemas, 1963), Evighedsnaskinen (romance, 1964), Intriganterne (peça, 1972), Alfabet (poemas, 1981), Del af labyrinten (ensaios, 1982), Den store ukendte (infantil, 1982) etc.; recebeu premiações por sua obra, teve textos musicados e foi traduzida para vários idiomas.
[traduzido por José Paulo Paes]
A vida, o ar que aspiramos existe:
uma leveza, uma similitude em tudo,
uma equação, uma asserção aberta, movediça,
em tudo e, árvore após árvore a eclodir
no verão prematuro, uma paixão, paixão
em tudo, como se o jogo do ar com as cadentes
sementes de olmo rabiscasse um desenho
simples como a ventura quando tem muito de comer
e a desventura nada, simples como o anelo
quando tem muitos caminhos e o pesar nenhum,
simples como o lótus sacro é simples
porque pode ser comido — um desenho tão simples
quanto o riso rabiscando no ar teu rosto.
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| Inger Christensen |
Livet, luften vi indånder…
Livet,
luften vi indånder finds
en
lethed i alt, en lighed i alt,
en
ligning, et åbent bevægeligt udsagn
i
alt, og mens træ efter træ bruser op i
den
tidlige sommer, en lidenskab, lidenskab
i
alt, som fandtes der til luftens leg med
den
faldende manna en enkel principtegning,
enkel
som når lykken har masser af mad
og
ulykken ingen, enkel som når længslen
har
masser af veje og lidelsen ingen,
enkel
som den hellige lotus er enkel
fordi
den kan spises, en tegning så enkel
som
når latteren tegner dit ansigt i luft
____________________Quinze Poetas Dinamarqueses, Seleção, Tradução, Introdução, Prefácio e Notas de José Paulo Paes e Apresentação de Jorge H. Wolff, edição bilíngue, Coleção Poesia Traduzida Volume II, 1997, Letras Contemporâneas, Florianópolis — SC; Inger Christensen (1935 — 2009), dinamarquesa de Vejle, embora tenha iniciado o curso de medicina, dedicou-se mesmo às artes literárias; foi poeta, ensaísta, ficcionista, dramaturga e professora formada, tendo o alemão como disciplina principal; é considerada expoente no modernismo dinamarquês e no experimentalismo literário da Europa contemporânea; bibliografia: Lys: digte (poemas, 1962), Græs: digte (poemas, 1963), Evighedsnaskinen (romance, 1964), Intriganterne (peça, 1972), Alfabet (poemas, 1981), Del af labyrinten (ensaios, 1982), Den store ukendte (infantil, 1982) etc.; recebeu premiações por sua obra, teve textos musicados e foi traduzida para vários idiomas.
