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Minha existência esvaída
no tempo das compoteiras.
Primas de coxas de vidro
confabulam sobre as mesas.
Compoteiras desenhadas
na teia de muitas lendas.
Rede branca de saudade
nos esteios da fazenda.
De repente os mortos descem
pelo espaldar das cadeiras,
os olhos fitos nos olhos
volúveis das compoteiras.
Compoteiras coloridas
pela infância e o devaneio.
Mesma a forma, o mesmo gosto
adocicado de um seio.
Compoteiras adoçadas
pela amargura esvaída
do coração das escravas
embalando a nossa vida.
Fossem de vidro lavrado
ou do cristal que reluz,
meu coração transbordava
das compoteiras azuis.

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Revista do Clube da Poesia de
São Paulo — Poesia nº 3, (vários autores), Ano II, dezembro de 1978,
Editor: Geraldo Pinto Rodrigues, São Paulo — SP; Francisco de
Oliveira Carvalho (1927 — 2013), cearense de Russas, estudou no
Ateneu São Bernardo, foi escritor e poeta; ainda em Russas, publicou seus
primeiros versos, numa pequena tipografia; depois, mudando-se para Fortaleza,
fez carreira profissional como assessor na Universidade Federal do Ceará,
participou da vida intelectual da capital do estado e envolveu-se com os
movimentos literários do seu tempo; bibliografia: Cristal da memória (1955), Canção
atrás da esfinge (1956), Do girassol e da nuvem (1960), O tempo e os
amantes (1966), Dimensão das coisas (1967), Memorial de Orfeu (1969),
Quadrante solar (Prêmio Nestlé de Literatura, 1982), Barca dos sentidos (1989),
Rosa geométrica (1990), Exercícios de literatura (ensaio, 1990), Crônica
das raízes (1992), Galope de Pégaso (1994), Textos e contextos (ensaio,
1995), Girassóis de barro (Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional do
Rio de Janeiro, 1997), Romance da nuvem pássaro (1998), A concha e o
rumor (2000), Memórias do espantalho (2004), e outros títulos em
verso e prosa, além de ter participado em antologias publicados no Brasil,
Portugal, França e Alemanha; o poeta teve parte de sua obra traduzida para o
búlgaro; pertenceu à Academia Cearense de Letras.
