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[traduzido por José Paulo Paes]
Ali jazem em ordem como se
à espera de algum ato tardio
que os pudesse ligar entre si
e
reconciliá-los com aquele
frio;
tudo está por enquanto
inacabado.
Por que, dentro dos bolsos, um
cartão
com o nome de
cada? O ar de enfado
nas suas bocas, foi esforço
vão
tentar lavá-lo: só ficou
patente.
Mais áspera, a barba ainda nos
rostos:
o zelador da morgue tem seus
gostos;
nem os de boca aberta lhe dão
náuseas.
Com olhos revirados sob as
pálpebras,
os mortos veem-se agora
interiormente.
Morgue
Da liegen sie bereit, als ob es gälte,
nachträglich eine Handlung zu erfinden,
die mit einander und mit dieser Kälte
sie zu versöhnen weiss und zu verbinden;
denn das ist alles noch wie ohne Schluss.
Wasfür ein Name hätte in den Taschen
sich finden sollen? An dem Überdruss
um ihren Mund hat man herumgewaschen:
er ging nicht ab; er wurde nur ganz rein.
Die Bärte stehen, noch ein wenig härter,
doch ordentlicher im Geschmack der Wärter,
nur um die Gaffenden nicht anzuwidern.
Die Augen haben hinter ihren Lidern
sich umgewandt und schauen jetzt hinein.
[Neue Gedichte — 1º (1907)]
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Poemas — R. M. Rilke, Seleção,
Tradução, Introdução e Notas de José Paulo Paes e Apresentação de João Moura
Jr., bilíngue, 2001, 1ª edição, 3ª reimpressão, Companhia das Letras — São Paulo
— SP; Rainer Maria Rilke (1875 — 1926), ou René Karl Wilhelm Johann Josef Maria
Rilke, austríaco de Praga (antigo Império Austro-Húngaro, atual República Tcheca),
fez seus estudos nas universidades de Praga, Munique e Berlim, foi poeta e novelista;
o poeta, um quase nômade, andejou por muitos países na Europa; no início da Primeira
Guerra Mundial, em 1914, Rilke residia em Munique e ali permaneceu até o término
do conflito; escreveu e publicou Leben und Lieder (Vida e Canções, 1894),
Larenopfer (Oferenda aos lares, 1895), Das Buch der Bilder (O Livro das Imagens,
1902), Die Weise von Liebe und Todd es Cornets Christoph Rilke (A Canção do amor
e de Morte do Porta-Estandarte Cristóvão Rilke, 1904), Stundenbuch (O Livro das
Horas, 1905), Neue Gedichte (Novos Poemas, 1907—1908), Die Aufzeichnungen des Malte
Laurids Brigge (Os Cadernos de Malte Laurids Brigge, 1910), Das Marien Leben (A
Vida de Maria, 1913), Duineser Elegien (Elegias de Duíno, 1923), Sonette an Orpheus
(Sonetos a Orfeu, 1923), Briefe an einen jungen Dichter (publicação póstuma, Cartas
a um Jovem Poeta, 1929); também escreveu poemas em francês.