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[traduzido por João Moura Jr.]
Pousa, amor, a cabeça sonolenta,
Humana sobre o meu braço inconstante;
A beleza das crianças pensativas
Tempo e febres consomem lentamente
E cabe à tumba mostrar quão efêmeras
Essas mesmas crianças vêm a ser:
Mas que em meu braço, até que nasça o dia,
Possa repousar a viva criatura,
Mortal e culpada, e, no entanto, para
Mim a coisa mais bela de se ver.
Nem a alma nem o corpo têm amarras:
Para os amantes, quando eles se deitam
No seu declive indulgente e encantado,
Tomados da languidez costumeira,
Intensa é a visão que Vênus manda
De uma simpatia sobrenatural,
De esperança e amor generalizado;
Enquanto uma abstrata intuição desperta,
No meio das geleiras e das pedras,
Do eremita o êxtase carnal.
Certeza e fidelidade se estiolam
Quando bate meia-noite o relógio
Como se fossem vibrações de um sino,
E lançam seu pedante palavrório,
Aos gritos, os delirantes em voga:
Os últimos centavos a pagar
— Assim o prevê o baralho mofino —
Serão saldados; porém, desta noite,
Que não se perca nenhum pensamento,
Nenhum suspiro, nenhum beijo ou olhar.
A beleza, a meia-noite e a visão morrem:
Deixa os ventos do amanhecer, que sopram
Suaves em tua sonhadora cabeça,
Exibirem um dia de tal forma
Propício que o olho e o coração o saúdem,
Satisfeitos com o mundo mortal;
Quer a secura meridiana te veja
Nutrida pela força involuntária
E permita-te ir a noite adversária
Guardada pelo amor universal.
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| W. H. Auden |
Lullaby
Lay your sleeping head, my love,
Human on my faithless arm;
Time and fevers burn away
Individual beauty from
Thoughtful children, and the grave
Proves the child ephemeral:
But in my arms till break of day
Let the living creature lie,
Mortal, guilty, but to me
The entirely beautiful.
Soul and body have no bounds:
To lovers as they lie upon
Her tolerant enchanted slope
In their ordinary swoon,
Grave the vision Venus sends
Of supernatural sympathy,
Universal love and hope;
While an abstract insight wakes
Among the glaciers and the rocks
The hermit’s carnal ecstasy.
Certainty, fidelity
On the stroke of midnight pass
Like vibrations of a bell
And fashionable madmen raise
Their pedantic boring cry:
Every farthing of the cost,
All the dreaded cards foretell,
Shall be paid, but from this night
Not a whisper, not a thought,
Not a kiss nor look be lost.
Beauty, midnight, vision dies:
Let the winds of dawn that blow
Softly round your dreaming head
Such a day of welcome show
Eye and knocking heart may bless,
Find the mortal world enough;
Noons of dryness find you fed
By the involuntary powers,
Nights of insult let you pass
Watched by every human love.
January 1937
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W. H. Auden — Poemas,
Seleção de João Moura Jr. Tradução e Introdução de José Paulo Paes e João Moura
Jr., edição bilíngue, 1986, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Wystan Hugh
Auden ou W. H. Auden (1907 — 1973), inglês de York, estudou ciências biológicas
no Christ Church College da Universidade de Oxford e, se dedicando às artes
literárias, foi poeta, roteirista, historiador literário, dramaturgo, escritor,
libretista, crítico literário, professor universitário, ensaísta e compositor;
bibliografia: Paid on both sides: a Charade (poemas, 1930), The Dance of Death
(peça, 1933), Look, Stranger! (poemas, 1936), This Island (poemas, 1937),
Episile to a Godson & other poems (1972) e outros títulos, além de libretos
de ópera, roteiros de cinema e colaborações musicais; em 1948, Auden foi laureado
com o Prêmio Pulitzer de Poesia e, em 1954, com o Prêmio Bollingen.

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