
O TÚNEL niquelado do teu tórax
trepidante
a locomotiva rompe
a sucata
esmagando a base inoxidável
Na órbita dos poços lacrimeja
a ferragem dos teus olhos lacrados de aço
trafega enorme
por sobre a tua farda fiscal
o vagão do ventre de carga
corre
nos trilhos das artérias
teu sangue ferroviário vermelho
No zimbório da noite
se expande a pleura
em teu peito de estrelas
carbonizadas
as lesmas de óleo devoram
teus poros de astro sórdido
a roda
talha e retalha
a moeda de tua cara pálida
Espectro de ferro
farol circular de mercúrio
gigante na aproximação
do instante
empregado
range telúrico da noite
teu coração
público

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Poesia Viva 1 (vários
poetas) — Introdução de Antônio Houaiss, 1968, Civilização
Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Carlos Fernando
Fortes de Almeida, nascido em 1936, carioca, é médico psicanalista,
contista poeta e romancista; realizou seus primeiros versos aos quinze anos;
colaborador ativo do Suplemento Dominical do Jornal do Brasil e da Revista Civilização Brasileira, escreveu e publicou Tempos e
Coisas (poesia, 1958), Epílogo de Epaminondas (novela,
1959), Poesia neoconcreta (1960), Canto Pluro (poesia,
1968), Desamérica (contos, 1969), O Evangelho antes de São
Mateus (romance, 1969), A véspera do Medo (1972), Augusto
dos Anjos: Eu tu ele nós vós eles (crítica, 1978), Arma
Branca (poesia, 1979), O Estranho mais próximo (romance,
1988) ...; teve obras editadas na Argentina, México, Estados Unidos e
Dinamarca.