A Guimarães
Passos
Que dramalhão! Um intrigante ousado,
Vendo chegar da Palestina o conde,
Diz-lhe que a pobre da condessa esconde
No seio o fruto de um amor culpado.
Naturalmente o conde fica irado
— "O pai quem é?" pergunta. — "Eu", lhe responde
Um pajem que entra. — "Um duelo!" — "Sim! Quando? Onde?"
No encontro morre o amante desgraçado..
Folga o intrigante... Porém surge um mano,
E vendo morto o irmão, perde a cabeça,
Crava o punhal no peito do tirano.
É preso o mano, mata-se a condessa,
Endoidece o marido... e cai o pano,
Antes que outra catástrofe aconteça.
Folga o intrigante... Porém surge um mano,
E vendo morto o irmão, perde a cabeça,
Crava o punhal no peito do tirano.
É preso o mano, mata-se a condessa,
Endoidece o marido... e cai o pano,
Antes que outra catástrofe aconteça.
(Rimas, edição da Cia. Industrial
Americana, Rio, 1909, p.179 — 180.)
____________________
Antologia dos Poetas Brasileiros — Poesia da fase parnasiana, Organização de Manuel Bandeira e Nota Editorial de Alexei Bueno, 1996, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Artur Nabantino Gonçalves
de Azevedo (1855 — 1908), maranhense de São Luís, foi
jornalista, romancista, comediógrafo, contista, poeta e uma das grandes figuras
do humorismo brasileiro; escreveu e publicou Carapuças (poesia,
1871), Sonetos (1875), Uma Véspera de Reis (teatro,
1876), A Capital Federal (teatro, 1897), O
Escravocrata (teatro, 1884), O Dote (teatro, 1896), Um Dia
de Finados (sátira, 1880), Contos Fora da Moda (contos,
1897), Contos em Verso (1898) etc.; como jornalista, trabalhou nos
principais jornais da época, no Rio de Janeiro, tendo fundado e dirigido A
Gazetinha, Vida Moderna e O Álbum; na elaboração de
sua obra, multiplicava-se em pseudônimos: Elói o herói, Gavroche, Petrônio,
Cosimo, Juvenal, Dorante, Frivolino, Batista o trocista e outros.







