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quarta-feira, 25 de março de 2020

Friedrich Schiller: Os Cantores do Mundo Antigo

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[traduzido por Rudolf Bölting]

Dize-me, aonde foram os seres excelsos, onde encontrarei os cantores
Que com sua palavra encantaram os povos,
Aqueles que trouxeram Deus do céu e ao céu levaram,
Nas asas do canto, nosso espírito.
Sim, eles ainda vivem, mas faltam-lhes ações, a lira falta
Que desperte um ouvido interessado, de que há falta também.
Poetas felizes do mundo feliz! De boca em boca
Foi, de geração em geração, a vossa palavra sentida.
As vossas ideias tão aplaudidas, com tanto ardor,
Como fosse o Deus em pessoa que ia ser recebido.
Na chama do canto aqueceu o ouvinte os sentimentos
E nestes sentimentos hauriu ardor o cantor,
Purificando-o cada vez mais. Feliz aquele que na voz do povo
Ouviu ecoar a alma do seu canto,
Aquele a quem, ainda na vida, apareceu a divindade
Que o homem moderno nem no coração percebe.

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Friedrich Schiller

Die Sänger der Vorwelt

Sagt, wo sind die Vortrefflichen hin, wo find ich die Sänger,
Die mit dem lebenden Wort horchende Völker entzückt,
Die vom Himmel den Gott, zum Himmel den Menschen gesungen
Und getragen den Geist hoch auf den Flügeln des Lieds?
Ach, noch leben die Sänger, nur fehlen die Taten, die Lyra
Freudig zu wecken, es fehlt, ach! ein empfangendes Ohr.
Glückliche Dichter der glücklichen Welt! Von Munde zu Munde
Flog, von Geschlecht zu Geschlecht euer empfundenes Wort.
Wie man die Götter empfängt, so begrüsste jeder mit Andacht,
Was der Genius ihm, redend und bildend, erschuf.
An der Glut des Gesangs entflammten des Hörers Gefühle,
An des Hörers Gefühle nährte der Sänger die Glut,
Nährt und reinigte sie! Der Glückliche, dem in des Volkes
Stimme noch hell zurück tönte die Seele des Lieds,
Dem noch von aussen erschien, im Leben, die himmlische Gottheit,
Die der Neuere kaum, kaum noch im Herzen vernimmt.
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologias de Poetas da Língua Alemã, (diversos autores e tradutores), Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, Clássicos de Bolso, 1985, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Johann Christoph Friedrich von Schiller (1759 1805), alemão de Marbach am Neckar, inicia o curso de Direito, abandona, e forma-se em Medicina; foi poeta, filósofo, médico, professor, dramaturgo e historiador; considerado grande homem das letras, foi um dos principais representantes do Romantismo e do Classicismo alemão; sua obra: em dramaturgia: Os Bandoleiros (1781), Wallestein (1799), Maria Stuart (1800), A Noiva de Messina (1803), Guilherm Tell (18031804) etc., em poesia: Os Artistas (1788), Ode à Alegria (1785), A Luva (1797), O Canto do Sino (1799) e outros, em prosa: Cartas Filosóficas (1786), Da Arte Trágica (1792), Do Patético (1793), Poesia Ingênua e Sentimental (1796), História da Separação dos Países Baixos (1788), História da Guerra dos Trinta Anos (inacabada, 17911793) e outros títulos.