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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Olavo Bilac: A Boneca

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Deixando a bola e a peteca,
Com que inda há pouco brincavam,
Por causa de uma boneca,
Duas meninas brigavam.

Dizia a primeira: "É minha!"
"É minha!" a outra gritava;
E nenhuma se continha,
Nem a boneca largava.

Quem mais sofria (coitada!)
Era a boneca. Já tinha
Toda a roupa estraçalhada,
E amarrotada a carinha.

Tanto puxaram por ela,
Que a pobre rasgou-se ao meio,
Perdendo a estopa amarela
Que lhe formava o recheio.

E, ao fim de tanta fadiga,
Voltando à bola e à peteca,
Ambas, por causa da briga,
Ficaram sem a boneca . . .


1904  Poesias Infantis

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Poesia Infantil — Cadernos Poesia Brasileira (diversos autores), Prefácio de Luís Camargo, 1996, Instituto Cultural Itaú, São Paulo — SP; Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (1865 1918), nascido no Rio de Janeiro, foi poeta expoente do parnasianismo, cronista e jornalista; colaborou em publicações periódicas como as revistas A Bruxa, Careta, A Cigarra, A Imprensa, A Leitura, Branco e Negro, Brasil-Portugal e Atlântida; escreveu Poesias (1888), Crônicas e Novelas (1894), Crítica e Fantasia (1904), Conferências Literárias (1906), Tratado de Versificação (1910), Dicionário de Rimas (1913), Ironia e Piedade — crônicas (1916) etc; foi autor da letra do Hino à Bandeira.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Sidónio Muralha: Lógica

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A preguiça lentamente,
lentamente a balançar,
parece dizer à gente:

 ora essa! ora essa!

Sou eu que vou devagar
ou você que vai depressa?

1976 — A dança dos pica-paus

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Poesia Infantil — Cadernos Poesia Brasileira (diversos autores), Prefácio de Luís Camargo, 1996, Instituto Cultural Itaú, São Paulo — SP; Pedro Sidónio de Araujo Muralha (1920 1982), português lisboeta, estudou Ciências Econômicas e Financeiras (Lisboa) e Administração de Empresas (Universidade de Louvain, Bélgica), foi escritor e poeta com dedicação em grande parte à literatura infantil, sendo considerado, na língua portuguesa, um dos principais poetas para crianças; escreveu e publicou Beco (poesias, 1941), Bichos, bichinhos e bicharocos (infantil, 1950), Companheira dos homens (1950), A televisão da bicharada (infantil, 1962), Os olhos das crianças (1963), Esse Congo que foi Belga (prosa, 1969), O andarilho (prosa, 1975), A dança dos pica-paus (infantil, 1976), As crianças sem ano internacional (prosa, 1979) e tantos outros títulos em verso e prosa; foi co-fundador e sócio da Editora Giroflê, em São Paulo, e recebeu premiação na II Bienal do Livro pela obra A televisão da bicharada; além de em Portugal, viveu em diversos locais: Congo Belga, Bélgica, Guiné-Bissau, Londres, Paris e Brasil (São Paulo e Curitiba).

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Sidónio Muralha: Greve no Circo

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Uma foca equilibrista
cansada de equilibrar
ficou desequilibrada
e confessou ao artista:
 amigo, estou esfomeada,
se não me dão de jantar
não equilibro mais nada!

1976  A dança dos pica-paus

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Poesia Infantil — Cadernos Poesia Brasileira (diversos autores), Prefácio de Luís Camargo, 1996, Instituto Cultural Itaú, São Paulo — SP; Pedro Sidónio de Araujo Muralha (1920  1982), português lisboeta, estudou Ciências Econômicas e Financeiras (Lisboa) e Administração de Empresas (Universidade de Louvain, Bélgica), foi escritor e poeta com dedicação em grande parte à literatura infantil, sendo considerado, na língua portuguesa, um dos principais poetas para crianças; escreveu e publicou Beco (poesias, 1941), Bichos, bichinhos e bicharocos (infantil, 1950), Companheira dos homens (1950), A televisão da bicharada (infantil, 1962), Os olhos das crianças (1963), Esse Congo que foi Belga (prosa, 1969), O andarilho (prosa, 1975), A dança dos pica-paus (infantil, 1976), As crianças sem ano internacional (prosa, 1979) e tantos outros títulos em verso e prosa; foi co-fundador e sócio da Editora Giroflê, em São Paulo, e recebeu premiação na II Bienal do Livro pela obra A televisão da bicharada; além de em Portugal, viveu em diversos locais: Congo Belga, Bélgica, Guiné-Bissau, Londres, Paris e Brasil (São Paulo e Curitiba). 

domingo, 6 de dezembro de 2015

Olavo Bilac: Meio-Dia

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Meio-dia. Sol a pino.
Corre de manso o regato.
Na igreja repica o sino;
Cheiram as ervas do mato.

Na árvore canta a cigarra;
Há recreio nas escolas:
Tira-se, numa algazarra,
A merenda das sacolas.

O lavrador pousa a enxada
No chão, descansa um momento,
E enxuga a fronte suada,
Contemplando o firmamento.

Nas casas ferve a panela
Sobre o fogão, nas cozinhas;
A mulher chega à janela,
Atira milho às galinhas.

Meio-dia! O sol escalda,
E brilha, em toda a pureza,
Nos campos cor de esmeralda,
E no céu cor de turquesa...

E a voz do sino, ecoando
Longe, de atalho em atalho,
vai pelos campos, cantando
A Vida, a Luz, o Trabalho!

1904  Poesias Infantis

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Poesia Infantil — Cadernos Poesia Brasileira (diversos autores), Prefácio de Luís Camargo, 1996, Instituto Cultural Itaú, São Paulo — SP; Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (1865 1918), nascido no Rio de Janeiro, foi poeta expoente do parnasianismo, cronista e jornalista; colaborou em publicações periódicas como as revistas A Bruxa, Careta, A Cigarra, A Imprensa, A Leitura, Branco e Negro, Brasil-Portugal e Atlântida; escreveu Poesias (1888), Crônicas e Novelas (1894), Crítica e Fantasia (1904), Conferências Literárias (1906), Tratado de Versificação (1910), Dicionário de Rimas (1913), Ironia e Piedade — crônicas (1916) etc; foi autor da letra do Hino à Bandeira.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

José Paulo Paes: O Bife

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Onde é
que está
meu bife?
Fugiu do açougue
sumiu da cozinha
no prato não acho
quem sabe me diga:
será que meu bife
está noutra barriga?

Meu bife
era
a cavalo:
um ovo
estalado
com batata frita.
Porém me lembrei:
sendo bife a cavalo
fugiu no galope
não vou mais achá-lo.

1993  Lé com cré

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Poesia Infantil — Cadernos Poesia Brasileira (diversos autores), Prefácio de Luís Camargo, 1996, Instituto Cultural Itaú, São Paulo — SP; José Paulo Paes (1926  1998), paulista de Taquaritinga, foi poeta, tradutor, ensaísta, crítico literário, jornalista e editor; formado em Química Industrial, durante anos trabalhou em laboratório farmacêutico (Curitiba  PR), sem jamais ter deixado a literatura, gosto adquirido através de seu avô que era livreiro; na cidade paranaense colaborou com a revista Joaquim (1946 1948), dirigida por Dalton Trevisan; transferindo-se para São Paulo, passou a colaborar com os jornais Folha de São PauloO Estado de São PauloO Tempo, Jornal de Notícias e Revista Brasiliense; escreveu e publicou: O Aluno (1947), Cúmplices (1951), Novas Cartas Chilenas (1954), Mistério em Casa (1961), Anatomias (1967), Resíduo (1973), Calendário Perplexo (1983), É isso Ali (1984), Gregos & Baianos (ensaio, 1985), Um por Todos (poesia reunida, 1988), A Poesia Está Morta Mas Juro Que Não Fui Eu (1988), Prosas Seguidas de Odes Mínimas (1992), Lé com Cré (1993), A Meu Esmo (1995), De Ontem Para Hoje (1996), Um passarinho me contou (1997), Melhores poemas (1998), Uma Letra Puxa a Outra (1998), Ri Melhor Quem Ri Primeiro (1999), O Lugar do Outro (1999), Socráticas (livro inédito, edição póstuma, 2001) e tantos outros títulos em parceria com poetas e escritores, no gênero poesia infantil e infanto-juvenil; como editor, verteu para o português autores gregos, dinamarqueses, italianos, norte-americanos e ingleses, tais como Charles Dickens, Joseph Conrad, Pietro Aretino, Konstantínos Kaváfis, Laurence Sterne, W. H. Auden, William Carlos Williams, J. K. Huysmans, Paul Éluard, Hölderlin, Paladas de Alexandria, Edward Lear, Rilke, Seféris, Lewis Carroll, Níkos Kazantzákis, Ovídio etc.; foi laureado com diversos prêmios literários, nas categorias poesia, literatura infanto-juvenil e tradução.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Zalina Rolim: Cuidados Maternais

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Expor minha filhinha ao sol ardente
Mamãe diz que é um perigo:
Quero sentar-me ao delicioso abrigo
Deste arbusto virente.

A sombrinha de seda cor-de-rosa
Torna a luz tão suave!...
No arvoredo palpita um ninho de ave
Sob a fronde cheirosa.

Meio-dia. Um barulho de água viva
Cortando o fresco atalho
Do bosque, em fino leito de cascalho,
Marulhoso deriva.

Minha filhinha, a todo o encanto alheia,
Descansa em meus joelhos;
E nos seus lábios doces e vermelhos,
Leve sorriso ondeia.

Pesa-lhe o sono; já entreabre a custo
Os olhos sonolentos,
E adormecê-la assim exposta aos ventos,
Causa-me grande susto.

Tão melindrosa e frágil! Pobre anjinho!
Traz-me em perpétuo anseio...
Quem me dera escondê-la no meu seio
Em faixas de carinho!...

E conservá-la assim
meu sonho eterno
No íntimo do peito,
E de amor construir-lhe o níveo leito
No coração materno!...

1897  Livro das Crianças

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Poesia Infantil  Cadernos Poesia Brasileira (diversos autores), Prefácio de Luís Camargo, 1996, Instituto Cultural Itaú, São Paulo  SP; Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo (1869 1961), paulista de Botucatu, foi professora alfabetizadora, educadora, poeta e uma das precursoras na difusão de poesias para crianças no país; como educadora do Jardim da Infância de São Paulo, traduziu obras dos idiomas inglês e italiano e colaborou com a Revista do Jardim da Infância com traduções, adaptações e produções originais de pedagogia, ficção e poesia; escreveu para a revista feminina A Mensageira (1897 1900) e para os jornais O Itapetininga, Correio Paulistano e A Província de São Paulo; são de sua autoria O Coração (1893), Livro das Crianças (1897) e Livro da Saudade (organizado em 1903 para publicação póstuma e se extraviou); viveu em Itapetininga durante parte de sua vida, inicialmente acompanhando o pai, juiz de Direito que para ali fora nomeado; viveu também em São Paulo.