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Deixando a bola e a peteca,
Com que inda há pouco brincavam,
Por causa de uma boneca,
Duas meninas brigavam.
Dizia a primeira: "É minha!"
— "É minha!" a outra gritava;
E nenhuma se continha,
Nem a boneca largava.
Quem mais sofria (coitada!)
Era a boneca. Já tinha
Toda a roupa estraçalhada,
E amarrotada a carinha.
Tanto puxaram por ela,
Que a pobre rasgou-se ao meio,
Perdendo a estopa amarela
Que lhe formava o recheio.
E, ao fim de tanta fadiga,
Voltando à bola e à peteca,
Ambas, por causa da briga,
Ficaram sem a boneca . . .
Com que inda há pouco brincavam,
Por causa de uma boneca,
Duas meninas brigavam.
Dizia a primeira: "É minha!"
— "É minha!" a outra gritava;
E nenhuma se continha,
Nem a boneca largava.
Quem mais sofria (coitada!)
Era a boneca. Já tinha
Toda a roupa estraçalhada,
E amarrotada a carinha.
Tanto puxaram por ela,
Que a pobre rasgou-se ao meio,
Perdendo a estopa amarela
Que lhe formava o recheio.
E, ao fim de tanta fadiga,
Voltando à bola e à peteca,
Ambas, por causa da briga,
Ficaram sem a boneca . . .
1904 — Poesias Infantis
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Poesia
Infantil — Cadernos Poesia Brasileira (diversos autores), Prefácio de
Luís Camargo, 1996, Instituto Cultural Itaú, São
Paulo — SP; Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac
(1865 — 1918), nascido no Rio de Janeiro, foi poeta expoente do
parnasianismo, cronista e jornalista; colaborou em publicações periódicas como as revistas A Bruxa, Careta, A Cigarra, A Imprensa, A Leitura, Branco e Negro, Brasil-Portugal e Atlântida; escreveu Poesias (1888), Crônicas
e Novelas (1894), Crítica e Fantasia (1904), Conferências Literárias (1906), Tratado de Versificação (1910), Dicionário de
Rimas (1913), Ironia e Piedade — crônicas (1916) etc; foi autor
da letra do Hino à Bandeira.



