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[traduzido
por Luiz de Miranda]
Chove sobre a areia,
sobre o teto
o tema da chuva,
os largos eles da chuva lenta,
caem sobre as páginas
de meu amor sempiterno,
o sal de cada dia,
regressa chuva a teu ninho anterior,
volta com tuas agulhas ao passado,
hoje quero o espaço branco,
o tempo de papel para um ramo
de roseira verde e de rosas douradas,
algo da infinita primavera
que hoje esperava, com o céu aberto
quando voltou a chuva
a tocar tristemente
a janela,
depois a dançar
com fúria desmedida
sobre meu coração e sobre o teto, reclamando
seu lugar,
pedindo-me um cálice
para enchê-lo uma vez mais de agulhas,
de tempo transparente,
de lágrimas.
Llueve . . .
Llueve
sobre la arena, sobre el techo
el tema
de la lluvia:
las largas eles de la lluvia lenta
caen sobre las páginas
de mi amor sempiterno,
la sal de cada día:
regresa lluvia a tu nido anterior,
vuelve con tus agujas al pasado:
hoy quiero el espacio blanco,
el tiempo de papel para una rama
de rosal verde y de rosas doradas:
algo de la infinita primavera
que hoy esperaba, con el cielo abierto
y el papel esperaba,
cuando volvió la lluvia
a tocar tristemente
la ventana,
luego a bailar con furia desmedida
sobre mi corazón y sobre el techo, reclamando
su sitio,
pidiéndome una copa
para llenarla una vez más de agujas,
de tiempo transparente,
de lágrimas.
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Pablo Neruda — Últimos Poemas (O Mar
e os Sinos), Tradução de Luiz de Miranda, Edição Bilíngue, Volume 60 Coleção L&PM
Pocket, reimpressão, 2017, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; conhecido e reconhecido
pelo pseudônimo, Pablo Neruda (1904 — 1973), nascido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes
Basoalto, chileno de Parral, estudou Pedagogia e Francês na Universidade do Chile,
foi diplomata e poeta; aos treze anos começa a contribuir com alguns textos para
o jornal La Montaña; em 1920, já como Pablo Neruda, publicou poemas no periódico
literário Selva Austral; considerado um dos mais importantes poetas de língua castelhana
do século XX, escreveu e publicou Crepusculario (1923), Veinte poemas de amor y
una canción desesperada (1924), Tentativa del hombre infinito (1926), El habitante
y su esperanza (novela, 1926), Canto general (1950), Los versos del Capitán (1952),
Todo el amor (1953), Estravagario (1958), Cien sonetos de amor (1959), Cantos ceremoniales
(1961), La Barcarola (1967), Las manos del día (1968), Fin del mundo (1969), Maremoto
(1970), La espada escendida (1970) Confieso que he vivido — Memorias (1977) e outros
títulos; foi laureado com o Prêmio Nacional de Literatura do Chile (1945), Prêmio
Lênin da Paz (1953) e Prêmio Nobel de Literatura (1971); como diplomata do governo
chileno, viveu em Burma, Ceilão, Java, Cingapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri.










