Mostrando postagens com marcador Luiz de Miranda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luiz de Miranda. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Pablo Neruda: Chove . . .

 
____________________
[traduzido por Luiz de Miranda]

Chove sobre a areia,
sobre o teto
o tema da chuva,
os largos eles da chuva lenta,
caem sobre as páginas
de meu amor sempiterno,
o sal de cada dia,
regressa chuva a teu ninho anterior,
volta com tuas agulhas ao passado,
hoje quero o espaço branco,
o tempo de papel para um ramo
de roseira verde e de rosas douradas,
algo da infinita primavera
que hoje esperava, com o céu aberto
quando voltou a chuva
a tocar tristemente
a janela,
depois a dançar
com fúria desmedida
sobre meu coração e sobre o teto, reclamando
seu lugar,
pedindo-me um cálice
para enchê-lo uma vez mais de agulhas,
de tempo transparente,
de lágrimas.

Pablo Neruda

Llueve . . .

Llueve
sobre la arena, sobre el techo
el tema
de la lluvia:
las largas eles de la lluvia lenta
caen sobre las páginas
de mi amor sempiterno,
la sal de cada día:
regresa lluvia a tu nido anterior,
vuelve con tus agujas al pasado:
hoy quiero el espacio blanco,
el tiempo de papel para una rama
de rosal verde y de rosas doradas:
algo de la infinita primavera
que hoy esperaba, con el cielo abierto
y el papel esperaba,
cuando volvió la lluvia
a tocar tristemente
la ventana,
luego a bailar con furia desmedida
sobre mi corazón y sobre el techo, reclamando
su sitio,
pidiéndome una copa
para llenarla una vez más de agujas,
de tiempo transparente,
de lágrimas.
____________________
Pablo Neruda — Últimos Poemas (O Mar e os Sinos), Tradução de Luiz de Miranda, Edição Bilíngue, Volume 60 Coleção L&PM Pocket, reimpressão, 2017, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; conhecido e reconhecido pelo pseudônimo, Pablo Neruda (1904 1973), nascido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, chileno de Parral, estudou Pedagogia e Francês na Universidade do Chile, foi diplomata e poeta; aos treze anos começa a contribuir com alguns textos para o jornal La Montaña; em 1920, já como Pablo Neruda, publicou poemas no periódico literário Selva Austral; considerado um dos mais importantes poetas de língua castelhana do século XX, escreveu e publicou Crepusculario (1923), Veinte poemas de amor y una canción desesperada (1924), Tentativa del hombre infinito (1926), El habitante y su esperanza (novela, 1926), Canto general (1950), Los versos del Capitán (1952), Todo el amor (1953), Estravagario (1958), Cien sonetos de amor (1959), Cantos ceremoniales (1961), La Barcarola (1967), Las manos del día (1968), Fin del mundo (1969), Maremoto (1970), La espada escendida (1970) Confieso que he vivido — Memorias (1977) e outros títulos; foi laureado com o Prêmio Nacional de Literatura do Chile (1945), Prêmio Lênin da Paz (1953) e Prêmio Nobel de Literatura (1971); como diplomata do governo chileno, viveu em Burma, Ceilão, Java, Cingapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri.

domingo, 24 de abril de 2022

Pablo Neruda: Hoje quantas horas . . .

 
____________________
[traduzido por Luiz de Miranda]

Hoje quantas horas vão caindo
no poço, na rede, no tempo,
são lentas mas não tiveram descanso,
seguem caindo, unindo-se
primeiro como peixes,
depois como pedradas ou garrafas.
Lá embaixo entendem-se
as horas com os dias,
com os meses,
com lembranças confusas,
noites desabitadas,
roupas, mulheres, trens e províncias,
o tempo se acumula
e cada hora
se dissolve em silêncio,
se esfarela e cai
ao ácido de todos os vestígios,
à água negra
do avesso da noite.

Pablo Neruda

Hoy cúantas horas . . .

Hoy cúantas horas van cayendo
en el pozo, en la red, en el tempo:
son lentas pero no se dieron tregua,
siguen cayendo, uniéndose
primero como peces,
luego como pedradas o botellas.
Allá abajo se entienden
las horas con los días,
con los meses,
con borrosos recuerdos,
noches desabitadas,
ropas, mujeres, trenes y provincias,
el tempo se acumula
y cada hora
se disuelve en silencio,
se desmenuza y cae
al ácido de todos los vestigios,
al agua negra
de la noche inversa.
____________________
Pablo Neruda — Últimos Poemas (O Mar e os Sinos), Tradução de Luiz de Miranda, Edição Bilíngue, Volume 60 Coleção L&PM Pocket, reimpressão, 2017, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; conhecido e reconhecido pelo pseudônimo, Pablo Neruda (1904 1973), nascido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, chileno de Parral, estudou Pedagogia e Francês na Universidade do Chile, foi diplomata e poeta; aos treze anos começa a contribuir com alguns textos para o jornal La Montaña; em 1920, já como Pablo Neruda, publicou poemas no periódico literário Selva Austral; considerado um dos mais importantes poetas de língua castelhana do século XX, escreveu e publicou Crepusculario (1923), Veinte poemas de amor y una canción desesperada (1924), Tentativa del hombre infinito (1926), El habitante y su esperanza (novela, 1926), Canto general (1950), Los versos del Capitán (1952), Todo el amor (1953), Estravagario (1958), Cien sonetos de amor (1959), Cantos ceremoniales (1961), La Barcarola (1967), Las manos del día (1968), Fin del mundo (1969), Maremoto (1970), La espada escendida (1970) Confieso que he vivido — Memorias (1977) e outros títulos; foi laureado com o Prêmio Nacional de Literatura do Chile (1945), Prêmio Lênin da Paz (1953) e Prêmio Nobel de Literatura (1971); como diplomata do governo chileno, viveu em Burma, Ceilão, Java, Cingapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri.

terça-feira, 1 de março de 2022

Pablo Neruda: Perdão se pelos meus olhos . . .

 
____________________
[traduzido por Luiz de Miranda]

Perdão se pelos meus olhos não chegou
mais claridade que a espuma marinha,
perdão porque meu espaço
se estende sem amparo
e não termina:
monótono é meu canto,
minha palavra é um pássaro sombrio,
fauna de pedra e mar, o desconsolo
de um planeta invernal, incorruptível.
Perdão por esta sucessão de água,
da rocha, a espuma, o delírio da maré
assim é minha solidão
saltos bruscos de sal contra os muros
de meu ser secreto, de tal maneira
que eu sou uma parte do inverno,
da mesma extensão que se repete
de sino em sino em tantas ondas
e de um silêncio como cabeleira,
silêncio de alga, canto submergido.

Pablo Neruda

Perdón si por mis ojos . . .

Perdón si por mis ojos no llegó
más claridad que la espuma marina,
perdón porque mi espacio
se extiende sin amparo
y no termina:
monótono es mi canto,
mi palabra es un pájaro sombrío,
fauna de piedra y mar, el desconsuelo
de un planeta invernal, incorruptible.
Perdón por esta sucesión del agua,
de la roca, la espuma, el desvarío
de la marea: así es mi soledad:
bruscos saltos de sal contra los muros
de mi secreto ser, de tal manera
que yo soy una parte
del invierno,
de la misma extensión que se repite
de campana en campana en tantas olas
y de un silencio como cabellera,
silencio de alga, canto submergido.
____________________
Pablo Neruda — Últimos Poemas (O Mar e os Sinos), Tradução de Luiz de Miranda, Edição Bilíngue, Volume 60 Coleção L&PM Pocket, reimpressão, 2017, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; conhecido e reconhecido pelo pseudônimo, Pablo Neruda (1904 1973), nascido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, chileno de Parral, estudou Pedagogia e Francês na Universidade do Chile, foi diplomata e poeta; aos treze anos começa a contribuir com alguns textos para o jornal La Montaña; em 1920, já como Pablo Neruda, publicou poemas no periódico literário Selva Austral; considerado um dos mais importantes poetas de língua castelhana do século XX, escreveu e publicou Crepusculario (1923), Veinte poemas de amor y una canción desesperada (1924), Tentativa del hombre infinito (1926), El habitante y su esperanza (novela, 1926), Canto general (1950), Los versos del Capitán (1952), Todo el amor (1953), Estravagario (1958), Cien sonetos de amor (1959), Cantos ceremoniales (1961), La Barcarola (1967), Las manos del día (1968), Fin del mundo (1969), Maremoto (1970), La espada escendida (1970) Confieso que he vivido — Memorias (1977) e outros títulos; foi laureado com o Prêmio Nacional de Literatura do Chile (1945), Prêmio Lênin da Paz (1953) e Prêmio Nobel de Literatura (1971); como diplomata do governo chileno, viveu em Burma, Ceilão, Java, Cingapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri.

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Pablo Neruda: Parece que um navio . . .

 
____________________
[traduzido por Luiz de Miranda]

Parece que um navio estranho
passará pelo mar, a certa hora.
Não é de ferro nem são alaranjadas
suas bandeiras,
ninguém sabe de onde
nem a hora,
tudo está preparado
e não há melhor salão, tudo disposto
ao passageiro acontecimento.
A espuma está disposta
como uma alfombra fina,
tecida com estrelas,
mais distante o azul,
o verde, o movimento ultramarinho,
tudo espera.
E aberto o rochedo,
lavado, limpo, eterno,
espalhado na areia
como um cordão de castelos,
como um cordão de torres.
Tudo
está disposto,
o silêncio está convidado,
e até homens, sempre distraídos,
esperam não perder esta presença;
vestiram-se como em dia de Domingo,
lustraram as botas,
pentearam-se.
Estão ficando velhos
e o navio não passa.

Pablo Neruda

Parece que un navío . . .

Parece que un navío diferente
pasará por el mar, a cierta hora.
No es de hierro ni son anaranjadas
sus banderas:
nadie sabe de dónde
ni la hora:
todo está preparado
y no hay mejor salón, todo dispuesto
al acontecimiento pasajero.
Está la espuma dispuesta
como una alfombra fina,
tejida con estrellas,
más lejos el azul,
el verde, el movimiento ultramarino,
todo espera.
Y abierto el roquerío,
lavado, limpio, eterno,
se dispuso en la arena
como un cordón de castillos,
como un cordón de torres.
Todo
está dispuesto,
está invitado el silencio,
y hasta los hombres, siempre distraídos,
esperan no perder esta presencia:
se vistieron como en día Domingo,
se lustraron las botas,
se peinaron.
Se están haciendo viejos
y no pasa el navío.
____________________
Pablo Neruda — Últimos Poemas (O Mar e os Sinos), Tradução de Luiz de Miranda, Edição Bilíngue, Volume 60 Coleção L&PM Pocket, reimpressão, 2017, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; conhecido e reconhecido pelo pseudônimo, Pablo Neruda (1904 1973), nascido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, chileno de Parral, estudou Pedagogia e Francês na Universidade do Chile, foi diplomata e poeta; aos treze anos começa a contribuir com alguns textos para o jornal La Montaña; em 1920, já como Pablo Neruda, publicou poemas no periódico literário Selva Austral; considerado um dos mais importantes poetas de língua castelhana do século XX, escreveu e publicou Crepusculario (1923), Veinte poemas de amor y una canción desesperada (1924), Tentativa del hombre infinito (1926), El habitante y su esperanza (novela, 1926), Canto general (1950), Los versos del Capitán (1952), Todo el amor (1953), Estravagario (1958), Cien sonetos de amor (1959), Cantos ceremoniales (1961), La Barcarola (1967), Las manos del día (1968), Fin del mundo (1969), Maremoto (1970), La espada escendida (1970) Confieso que he vivido — Memorias (1977) e outros títulos; foi laureado com o Prêmio Nacional de Literatura do Chile (1945), Prêmio Lênin da Paz (1953) e Prêmio Nobel de Literatura (1971); como diplomata do governo chileno, viveu em Burma, Ceilão, Java, Cingapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri.

sábado, 1 de junho de 2019

Pablo Neruda: O embaixador

Resultado de imagem para ultimos poemas pablo neruda
____________________
[traduzido por Luiz de Miranda]

Vivi em um beco
onde chegavam para mijar
todo gato e todo cão
de Santiago do Chile.
Era em 1925.
Eu me encerrava com a poesia
transportado ao Jardim de Albert Samain,
ao suntuoso Henri de Regnier,
ao leque azul de Mallarmé.

Nada melhor contra a urina
de milhares de cães suburbanos
que um cristal refinado
com pureza essencial, com luz e céu,
e janelas da França, parques frios
por onde as estátuas impecáveis
 era em 1925 
trocavam-se camisas de mármore,
como pátinas, suavíssimas ao tato
de numerosos elegantes séculos.

Naquele beco eu fui feliz.

Mais tarde, anos depois,
cheguei como Embaixador aos Jardins.

Já os poetas tinham ido embora.

E as estátuas não me conheciam.

Pablo Neruda

El embajador

Viví en un callejón donde llegaban
a orinar todo gato y todo perro
de Santiago de Chile.
Era en 1925.
Yo me encerraba con la poesía
transportado al Jardín de Albert Samain,
al suntuoso Henri de Regnier,
al abanico azul de Mallarmé.

Nada mejor contra la orina
de millares de perros suburbiales
que un cristal redomado
con pureza esencial, con luz y cielo:
la ventana de Francia, parques fríos
por donde las estatuas impecables
 era en 1925 
se intercambiaban camisas de mármol,
patinadas, suavísimas al tacto
de numerosos siglos elegantes.

En aquel callejón yo fui feliz.

Más tarde, años después,
llegué de Embajador a los Jardines.

Ya los poetas se habían ido.

Y las estatuas no me conocían.
____________________
Pablo Neruda — Últimos Poemas (O Mar e os Sinos), Tradução de Luiz de Miranda, Edição Bilíngue, Volume 60 Coleção L&PM Pocket, reimpressão, 2017, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; conhecido e reconhecido pelo pseudônimo, Pablo Neruda (1904 — 1973), nascido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, chileno de Parral, estudou Pedagogia e Francês na Universidade do Chile, foi diplomata e poeta; aos treze anos começa a contribuir com alguns textos  para o jornal La Montaña; em 1920, já como Pablo Neruda, publicou poemas no periódico literário Selva Austral; considerado um dos mais importantes poetas de língua castelhana do século XX, escreveu e publicou Crepusculario (1923), Veinte poemas de amor y una canción desesperada (1924), Tentativa del hombre infinito (1926), El habitante y su esperanza (novela, 1926), Canto general (1950), Los versos del Capitán (1952), Todo el amor (1953), Estravagario (1958), Cien sonetos de amor (1959), Cantos ceremoniales (1961), La Barcarola (1967), Las manos del día (1968), Fin del mundo (1969), Maremoto (1970), La espada escendida (1970) Confieso que he vivido — Memorias (1977) e outros títulos; foi laureado com o Prêmio Nacional de Literatura do Chile (1945), Prêmio Lênin da Paz (1953) e Prêmio Nobel de Literatura (1971); como diplomata do governo chileno, viveu em Burma, Ceilão, Java, Cingapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Pablo Neruda: Regressando

Resultado de imagem para ultimos poemas pablo neruda
____________________
[traduzido por Luiz de Miranda]

Eu tenho tantas mortes de perfil
que por isso não morro,
sou incapaz de fazê-lo,
me buscam e não me acham
e saio com o que quero,
com meu pobre destino
de cavalo perdido
nos potreiros solitários
do sul do Sul da América
 sopra um vento de ferro,
as árvores se dobram
desde seu nascimento,
devem beijar a terra,
a planície 
chega depois a neve
feita de mil espadas
que nunca terminam.
Eu tenho regressado
de onde estarei,
desde amanhã Sexta,
eu regressei
com todos os meus sinos
e fiquei plantado
procurando a pradaria,
beijando terra amarga
como o arbusto dobrado.
Porque é obrigatório
obedecer ao inverno,
deixar crescer o vento
também dentro de ti,
até que cai a neve,
unem-se o hoje e o dia,
o vento e o passado,
cai o frio,
ao fim estamos sozinhos,
por fim nos calaremos.
Obrigado.

Pablo Neruda

Regresando

Yo tengo tantas muertes de perfil
que por eso no muero,
soy incapaz de hacerlo,
me buscan y no me hallan
y salgo con la mía,
con mi pobre destino
de caballo perdido
en los potreros solos
del sur del Sur de América:
sopla un viento de fierro,
los árboles se agachan
desde su nacimiento:
deben besar la tierra,
la llanura:
llega después la nieve
hecha de mil espadas
que no terminan nunca.
Yo he regresado
desde donde estaré,
desde mañana Viernes,
yo regresé
con todas mis campanas
y me quedé plantado
buscando la pradera,
besando tierra amarga
como el arbusto agachado.
Porque es obligatorio
obedecer al invierno,
dejar crecer el viento
también dentro de ti,
hasta que cae la nieve,
se unen el hoy y el día,
el viento y el pasado,
cae el frío,
al fin estamos solos,
por fin nos callaremos.
Gracias.
____________________
Pablo Neruda — Últimos Poemas (O Mar e os Sinos), Tradução de Luiz de Miranda, Edição Bilíngue, Volume 60 Coleção L&PM Pocket, reimpressão, 2017, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; conhecido e reconhecido pelo pseudônimo, Pablo Neruda (1904  1973), nascido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, chileno de Parral, estudou Pedagogia e Francês na Universidade do Chile, foi diplomata e poeta; aos treze anos começa a contribuir com alguns textos para o jornal La Montaña; em 1920, já como Pablo Neruda, publicou poemas no periódico literário Selva Austral; considerado um dos mais importantes poetas de língua castelhana do século XX, escreveu e publicou Crepusculario (1923), Veinte poemas de amor y una canción desesperada (1924), Tentativa del hombre infinito (1926), El habitante y su esperanza (novela, 1926), Canto general (1950), Los versos del Capitán (1952), Todo el amor (1953), Estravagario (1958), Cien sonetos de amor (1959), Cantos ceremoniales (1961), La Barcarola (1967), Las manos del día (1968), Fin del mundo (1969), Maremoto (1970), La espada escendida (1970) Confieso que he vivido — Memorias (1977) e outros títulos; foi laureado com o Prêmio Nacional de Literatura do Chile (1945), Prêmio Lênin da Paz (1953) e Prêmio Nobel de Literatura (1971); como diplomata do governo chileno, viveu em Burma, Ceilão, Java, Cingapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Pablo Neruda: Preguiça

Resultado de imagem para pablo neruda últimos poemas edição bilíngue trad. Luiz de Miranda l&PM
____________________
[traduzido por Luiz de Miranda]

Não trabalhei em Domingo,
ainda que nunca fui Deus.
Nem de Segunda a Sábado
porque sou criatura preguiçosa,
contentei-me com olhar as ruas
onde trabalham chorando
pedreiros, magistrados, homens
com ferramentas ou com ministérios.

Fechei todos meus olhos de uma vez
para não cumprir com meus deveres,
essa é a coisa
sussurrava-me a mim mesmo
com todas minhas gargantas,
e com todas minhas mãos
acariciei sonhando
as pernas femininas que passavam voando.

Depois bebi vinho tinto do Chile
durante vinte dias e dez noites.
Bebi esse vinho cor de amaranto
que nos palpita e que desaparece
em tua garganta como um peixe fluvial.

Devo agregar a este testemunho
que mais tarde dormi, dormi, dormi,
sem renegar de minha má conduta
e sem remordimentos,
dormi tão bem como se chovesse
interminavelmente
sobre todas as ilhas
deste mundo
furando com água celeste
a caixa dos sonhos.

Resultado de imagem para pablo neruda
Pablo Neruda

Pereza

No trabajé en Domingo,
aunque nunca fui Dios.
Ni del Lunes al Sábado
porque soy criatura perezosa:
me contenté con mirar las calles
donde trabajaban llorando
picapedreros, magistrados, hombres
con herramientas o con ministerios.

Cerré todos mis ojos de una vez
para no cumplir con mis deberes:
ésa es la cosa
me susurraba a mí mismo
con todas mis gargantas,
y con todas mis manos
acaricié soñando
las piernas femeninas que pasaban volando.

Luego bebí vino tinto de Chile
durante veinte días y diez noches.
Bebí ese vino color amaranto
que nos palpita y que desaparece
en tu garganta como un pez fluvial.

Debo agregar a este testimonio
que más tarde dormí, dormí, dormí
sin renegar de mi mala conducta
y sin remordimientos:
dormí tan bien como si lloviera
interminablemente
sobre todas las islas
de este mundo
agujereando con agua celeste
la caja de los sueños.
____________________
Pablo Neruda — Últimos Poemas (O Mar e os Sinos), Tradução de Luiz de Miranda, Edição Bilíngue, Volume 60 Coleção L&PM Pocket, reimpressão, 2017, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; conhecido e reconhecido pelo pseudônimo, Pablo Neruda (1904  1973), nascido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, chileno de Parral, estudou Pedagogia e Francês na Universidade do Chile, foi diplomata e poeta; aos treze anos começa a contribuir com alguns textos  para o jornal La Montaña; em 1920, já como Pablo Neruda, publicou poemas no periódico literário Selva Austral; considerado um dos mais importantes poetas de língua castelhana do século XX, escreveu e publicou Crepusculario (1923), Veinte poemas de amor y una canción desesperada (1924), Tentativa del hombre infinito (1926), El habitante y su esperanza (novela, 1926), Canto general (1950), Los versos del Capitán (1952), Todo el amor (1953), Estravagario (1958), Cien sonetos de amor (1959), Cantos ceremoniales (1961), La Barcarola (1967), Las manos del día (1968), Fin del mundo (1969), Maremoto (1970), La espada escendida (1970) Confieso que he vivido  Memorias (1977) e outros títulos; foi laureado com o Prêmio Nacional de Literatura do Chile (1945), Prêmio Lênin da Paz (1953) e Prêmio Nobel de Literatura (1971); como diplomata do governo chileno, viveu em Burma, Ceilão, Java, Cingapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Pablo Neruda: (Saúde, dizemos cada dia . . .)

Resultado de imagem para pablo neruda últimos poemas edição bilíngue trad. Luiz de Miranda l&PM
____________________
[traduzido por Luiz de Miranda]

Saúde, dizemos cada dia,
a cada um
é o cartão de visita
da falsa bondade
e da verdadeira.
É o sino para reconhecer-nos:
aqui estamos, saúde!
Se ouve bem, existimos.
Saúde, saúde, saúde,
a este e ao outro, a quem,
e à faca, ao veneno
e ao malvado.
Saúde, reconhece-me,
somos iguais
e não nos queremos,
nos amamos e somos desiguais,
cada um com colher,
com um lamento especial,
encantado de ser e de não ser;
há que dispor de tantas mãos
de tantos lábios para sorrir,
saúde!
que já não resta tempo.
Saúde
de inteirar-se de nada.
Saúde
de dedicar-nos a nós mesmos,
se é que nos resta algo
de nós, de nós mesmos.
Saúde!

Resultado de imagem para pablo neruda
Pablo Neruda

(Salud, decimos cada día . . .)

Salud, decimos cada día,
a cada uno,
es la tarjeta de visita
de la falsa bondad
y de la verdadera.
Es la campana para reconocermos:
aquí estamos, salud!
Se oye bien, existimos.
Salud, salud, salud,
a éste y al otro, a quién,
y al cuchillo, al veneno
y al malvado.
Salud, reconocedme,
somos iguales y no nos queremos,
nos amamos y somos desiguales,
cada uno con cuchara,
con un lamento especial,
encantado de ser o de no ser:
hay que disponer de tantas manos,
de tantos lábios para sonreír,
salud!
que ya no queda tempo.
Salud
de enterarse de nada.
Salud
de dedicarnos a nosotros mismos
si es que nos queda algo de nosotros,
de nosotros mismos.
Salud!
____________________
Pablo Neruda — Últimos Poemas (O Mar e os Sinos), Tradução de Luiz de Miranda, Edição Bilíngue, Volume 60 Coleção L&PM Pocket, reimpressão, 2017, L&PM Editores, Porto Alegre — RS;  conhecido e reconhecido pelo pseudônimo, Pablo Neruda (1904  1973), nascido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, chileno de Parral, estudou Pedagogia e Francês na Universidade do Chile, foi diplomata e poeta; considerado um dos mais importantes poetas de língua castelhana do século XX, escreveu e publicou Crepusculario (1923), Veinte poemas de amor y una canción desesperada (1924), Tentativa del hombre infinito (1926),  El habitante y su esperanza (novela, 1926), Canto general (1950), Los versos del Capitán (1952), Todo el amor (1953),  Estravagario (1958), Cien sonetos de amor (1959), Cantos ceremoniales  (1961), La Barcarola (1967),  Las manos del día (1968), Fin del mundo (1969), Maremoto (1970), La espada escendida (1970) Confieso que he vivido —  Memorias (1977) e outros títulos; foi laureado com o Prêmio Nacional de Literatura do Chile (1945), Prêmio Lênin da Paz (1953) e Prêmio Nobel de Literatura (1971).