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Chuva braba sem trovão,
gaiola sem arçapão,
casa véia sem fogão,
padaria sem tê pão,
mamãoêro sem mamão,
quintá sujo sem picão,
nem festa sem tê rojão.
Orquestra sem rabecão,
São Pedro sem tê balão,
nem camisa sem botão.
Mulata no riberão,
lavá rôpa
sem sabão,
nem bespa sem tê ferrão.
Manguêra sem tê portão,
sobrado sem tê porão,
nem cavalo redomão
cumê mío em garrafão.
Trem de ferro sem vagão,
nem sáia sem tê cordão,
espingarda sem tê cão,
bengala com dois gastão,
tomóve sem direção,
carne assada sem limão,
guardamento sem quentão,
nem cama sem tê corchão.
Burro véio sem senão,
escola sem decurião,
nem reza sem capelão.
Casamento sem função,
u banda sem tê pistão.
Defunto de pé no chão,
nem negócio sem barcão,
u guerra sem tê canhão.
Moça linda sem batão,
i sogra cum coração...
Folhas do Mato (1938 e 1940)
Poemas Sertanejos — Apresentação de Juvenal Paiva
Pereira (reedição de Folhas do Mato — Prefácio de Manoel Cerqueira Leite, e Favas
de Ingá), 1984 — Gráfica Itapetininga, Itapetininga — SP; Nhô Bentico e Abílio Víctor
(1899 — 1952) foram uma só pessoa, um só poeta, caipira, gráfico e radialista itapetiningano;
pioneiro dos reclames rimados para o comércio, Abílio Soares Víctor, poeta dialetal,
escreveu e publicou Folhas do Mato (1938, 2ª edição em 1940), Versos Humorísticos,
Favas de Ingá (1950) e Poemas Sertanejos.





