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quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Delminda Silveira: Verde mar da Esperança, em tuas ondas . . . [soneto]


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Verde mar da Esperança, em tuas ondas
leva o nosso batel dos meus amores;
quero que no teu seio as minhas dores
como um amigo piedoso escondas.

Ó céu! docel azul que te arredondas
sobre este abismo cheio d'esplendores,
mostra-me o íris de risonhas cores
neste Infinito que constante sondas!

Ai! se eu pudesse, nestas águas puras,
perlas que a dor me dá ir desfiando
do meu colar d'infindas amarguras...

Feliz iria só de amor cuidando,
por entre flores e gentis verduras,
meu coração sereno navegando!

Santa Catarina, 1-12-[18]99
[Sul-Americano, 21/04/1901]

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A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira, Diretora: Presciliana Duarte de Almeida (1897 a 1900), Edição fac-similar, Volume II, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Delminda Silveira de Souza (1854 1932), ou Brasília Silva, seu pseudônimo mais conhecido, catarinense de Desterro, atual Florianópolis, educou-se com aulas particulares, aprendeu francês, latim e noções de literatura com o professor, escritor e poeta Wenceslau Bueno de Gouveia [1844 1919], foi professora, escritora e poeta; desde jovem, Delminda dedicou-se ao magistério no Colégio Coração de Jesus, da então Desterro, onde lecionou francês e português, mesmo sem ter cursado escola secundária; na mesma época deu início à publicação de seus poemas em jornais e periódicos catarinenses, passando também a colaborar em revistas culturais de âmbito nacional, por exemplo n’A Mensageira — revista literária dedicada à mulher brasileira; pertenceu à Academia Catarinense de Letras, primeira mulher representante daquela instituição; suas obras: Lises e Martírios (poemas, 1908), Cancioneiro (coleção de hinos e poemas, 1914), Passos dolorosos (poesia sacra, “via sacra em versos”, 1931), Indeléveis Versos (oito poemas inéditos escritos em 1908, e outros, publicação póstuma, 1989), Delminda Silveira — obra completa (2009); a poetisa empresta seu nome a instituições e logradouros públicos: Escola de Educação Básica Delminda Silveira, Mondaí SC, Rua Delminda Silveira, Bairro Trindade, Florianópolis SC, Biblioteca do Colégio Sagrado Coração de Jesus, também em Floripa.

terça-feira, 4 de junho de 2024

Delminda Silveira: O primeiro Sorriso

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No alvo berço mimoso
feito de vimes trançados,
sobre os folhos rendilhados
do travesseiro sedoso,

o pequenito dormia
qual entre as plumas do ninho
dorme o tenro passarinho
ao findar de um belo dia.

Ao lado a mãe cuidadosa
o brando sono espreitando,
como a rola carinhosa
ao pé do ninho pousando,

fitava o meigo semblante
do anjo seu adorado
qual fita o lírio no prado
a linda estrela brilhante.

E o pequenito dormia
tão ledo... talvez sonhasse,
talvez su'alma vagasse
naquele céu que entrevia.

Leve, leve a mãe cuidosa
na pura fronte infantil
pousando a boca amorosa
estampa um beijo sutil.

Os sonhos voam, fugindo,
foge á terra o Paraiso;
desperta o anjo sorrindo...
era o primeiro sorriso!

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A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira, Diretora: Presciliana Duarte de Almeida (1897 a 1900), Edição fac-similar, Volume II, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Delminda Silveira de Souza (1854 1932), ou Brasília Silva, seu pseudônimo mais conhecido, catarinense de Desterro, atual Florianópolis, educou-se com aulas particulares, aprendeu francês, latim e noções de literatura com o professor, escritor e poeta Wenceslau Bueno de Gouveia [1844 1919], foi professora, escritora e poeta; desde jovem, Delminda dedicou-se ao magistério no Colégio Coração de Jesus, da então Desterro, onde lecionou francês e português, mesmo sem ter cursado escola secundária; na mesma época deu início à publicação de seus poemas em jornais e periódicos catarinenses, passando também a colaborar em revistas culturais de âmbito nacional, por exemplo n’A Mensageira — revista literária dedicada à mulher brasileira; pertenceu à Academia Catarinense de Letras, primeira mulher representante daquela instituição; suas obras: Lises e Martírios (poemas, 1908), Cancioneiro (coleção de hinos e poemas, 1914), Passos dolorosos (poesia sacra, “via sacra em versos”, 1931), Indeléveis Versos (oito poemas inéditos escritos em 1908, e outros, publicação póstuma, 1989), Delminda Silveira — obra completa (2009); a poetisa empresta seu nome a instituições e logradouros públicos: Escola de Educação Básica Delminda Silveira, Mondaí SC, Rua Delminda Silveira, Bairro Trindade, Florianópolis SC, Biblioteca do Colégio Sagrado Coração de Jesus, também em Floripa.

domingo, 12 de maio de 2024

Delminda Silveira: Ao romper da lua


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Como vens tão formosa, ó lua bela,
serena, pela azul imensidade,
qual ave branca na lagoa mansa;
assim, acompanhada de uma estrela.
Ó lua, me recordas a saudade
seguida da esperança.

Agora teu palor não me entristece
como outras vezes que no céu te vi,
e dor cruel não me deixou sorrir-te;
como estás longe, entanto! Ai, se pudesse
a minh'alma voar até junto a ti,
como essa estrela n'amplidão seguir-te!...

Do Céu sereno pelo azul infindo,
errante iria est'alma tão saudosa
olhando o mundo, ao teu clarão, d'altura;
e, quem sabe?... n'algum recanto lindo,
como em Oásis fonte preciosa,
não acharia eu minha ventura?...

Ai! segue n'amplidão, formosa lua,
minh'alma te acompanha num suspiro;
és sempre a mesma aqui ou noutro céu;
vamos pois: que esta luz mágica, tua,
me mostre além o plácido retiro
onde a minha ventura se escondeu!

[Lises e Martírios — 1908]

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A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira, Diretora: Presciliana Duarte de Almeida (1897 a 1900), Edição fac-similar, Volume I, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Delminda Silveira de Souza (1854 1932), ou Brasília Silva, seu pseudônimo mais conhecido, catarinense de Desterro, atual Florianópolis, educou-se com aulas particulares, aprendeu francês, latim e noções de literatura com o professor, escritor e poeta Wenceslau Bueno de Gouveia [1844 1919], foi professora, escritora e poeta; desde jovem, Delminda dedicou-se ao magistério no Colégio Coração de Jesus, da então Desterro, onde lecionou francês e português, mesmo sem ter cursado escola secundária; na mesma época deu início à publicação de seus poemas em jornais e periódicos catarinenses, passando também a colaborar em revistas culturais de âmbito nacional, por exemplo n’A Mensageira — revista literária dedicada à mulher brasileira; pertenceu à Academia Catarinense de Letras, primeira mulher representante daquela instituição; suas obras: Lises e Martírios (poemas, 1908), Cancioneiro (coleção de hinos e poemas, 1914), Passos dolorosos (poesia sacra, “via sacra em versos”, 1931), Indeléveis Versos (oito poemas inéditos escritos em 1908, e outros, publicação póstuma, 1989), Delminda Silveira — obra completa (2009); a poetisa empresta seu nome a instituições e logradouros públicos: Escola de Educação Básica Delminda Silveira, Mondaí SC, Rua Delminda Silveira, Bairro Trindade, Florianópolis SC, Biblioteca do Colégio Sagrado Coração de Jesus, também em Floripa.

sexta-feira, 29 de março de 2024

Delminda Silveira: Vésper


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Ó místico fanal.
Ó meiga filha da saudosa hora,
Vem beijar a cecém que te namora
Do lago no cristal!

Brilham do prado os lumes,
Perpassa a brisa merencória e grata,
Abrem no vai' caçoulas d'oiro e prata
A derramar perfumes.

Nos plainos, nas quebradas,
E sobre o leve azul das ondas mansas
Já solta triste noite as negras tranças
De perlas enastradas.

Vem, astro meu risonho,
Confidente gentil dos meus amores;
E' bela a noite, e eu quero em teus fulgores
Haurir meu doce sonho!

Lá surge ao fim do monte
A meiga Fada que sorri no lago,
Seu brando raio em carinhoso afago,
Já vem beijar-me a fronte.

Ó doce e meiga Diva,
Mensageira celeste da Esperança,
Tu que trazes aos nautas a bonança
Traze-me, traze-me a ventura esquiva!

Capital de Sta. Catarina

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A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira, Diretora: Presciliana Duarte de Almeida (1897 a 1900), Edição fac-similar, Volume II, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Delminda Silveira de Souza (1854 1932), ou Brasília Silva, seu pseudônimo mais conhecido, catarinense de Desterro, atual Florianópolis, educou-se com aulas particulares, aprendeu francês, latim e noções de literatura com o professor, escritor e poeta Wenceslau Bueno de Gouveia [1844 1919], foi professora, escritora e poeta; desde jovem, Delminda dedicou-se ao magistério no Colégio Coração de Jesus, da então Desterro, onde lecionou francês e português, mesmo sem ter cursado escola secundária; na mesma época deu início à publicação de seus poemas em jornais e periódicos catarinenses, passando também a colaborar em revistas culturais de âmbito nacional, por exemplo n’A Mensageira — revista literária dedicada à mulher brasileira; pertenceu à Academia Catarinense de Letras, primeira mulher representante daquela instituição; suas obras: Lises e Martírios (poemas, 1908), Cancioneiro (coleção de hinos e poemas, 1914), Passos dolorosos (poesia sacra, “via sacra em versos”, 1931), Indeléveis Versos (oito poemas inéditos escritos em 1908, e outros, publicação póstuma, 1989), Delminda Silveira — obra completa (2009); a poetisa empresta seu nome a instituições e logradouros públicos: Escola de Educação Básica Delminda Silveira, Mondaí SC, Rua Delminda Silveira, Bairro Trindade, Florianópolis SC, Biblioteca do Colégio Sagrado Coração de Jesus, também em Floripa.