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[traduzido por Oswaldino
Marques]
Jamais pus em dúvida a
misericórdia de Deus
A sua clemência e
magnânimos desígnios;
Bem certo estou de que se
fosse indulgente
Com argumentos cavilosos,
logo explicaria
Por que, no seu desterro,
cega vive a toupeira
E a carne que O espelha
deve um dia finar-se;
Por que hedionda culpa o
desditoso Tântalo
E sem tréguas tentado pelo
pomo fugidio,
E se Sísifo a exaurir-se
na intérmina vertente
E movido apenas por um
estúpido capricho.
Seus caminhos são
inescrutáveis e obscuros
Às indagações de quem
aflito se agita
Na viscosa trama de
frívolos cuidados
E é débil demais para
ousar compreender
O remendo cérebro que
comanda a Sua mão;
Mas uma coisa há que me
deixa perplexo:
Fazer um poeta negro e
obrigá-lo a cantar!
Yet
Do I Marvel
I doubt not God is good,
well-meaning, kind,
And did He stoop to quibble
could tell why
The little buried mole
continues blind,
Why flesh that mirrors Him
must some day die,
Make plain the reason tortured
Tantalus
Is baited by the fickle fruit,
declare
If merely brute caprice dooms
Sisyphus
To struggle up a never-ending
stair.
Inscrutable His ways are, and
immune
To catechism by a mind too
strewn
With petty cares to slightly
understand
What awful brain compels His
awful hand.
Yet do I marvel at this
curious thing:
To make a poet black, and bid
him sing!
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Poemas Famosos da Língua Inglesa
[diversos autores], Compilação, Tradução, Prefácios das 1ª e 2ª edições e Notas
de Oswaldino Marques, edição bilíngue, volume 599 da Coleção Antologia de Poetas
Universais, 1968, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Countee Cullen (1903 —
1946), nascido Countee LeRoy Porter, estadunidense de Louisville [ ? ],
Kentucky, viveu desde seus nove anos no Harlem, Nova York, estudou na DeWitt Clinton
High Scholl, Bronx, NY, na New York University e na Harward University, foi
escritor, poeta, dramaturgo e professor; pertenceu à nova geração de escritores
afro-americanos e participou do movimento Harlem Renaissance; colaborou como
editor assistente na revista Opportunity, agraciado com uma bolsa Guggenheim
pode estudar na França e viveu por um período viajando entre aquele país e os
Estados Unidos, foi professor de inglês, francês e redação criativa na
Frederick Douglass Junior High School, em Nova York; suas obras: Color
(poesias, 1925), Copper Sun (poesias, 1927), The Ballad of the Brown Girl
(poesias, 1928), The Black Christ and Other Poems (1929), One Way to Heaven
(romance — comédia social, 1932), The Medea and Some Poems (tradução de Medeia,
de Eurípedes, e alguns poemas, 1935), The Lost Zoo (poesias — literatura
juvenil, 1940), My Lives nad How I Lost Them (autobiografia do seu gato, 1942),
St. Louis Woman (drama, 1946) e outros textos.



