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sábado, 23 de novembro de 2019

Paul Valéry: Vento do Nordeste

Resultado de imagem para Poetas que pensaram o mundo — Organização de Adauto Novaes, 2005, Companhia das Letras,
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[traduzido por Michel Déguy (?)]

                    O homem ainda não começou seu trabalho: está ainda preparando suas ferramentas. Quando chegar o momento, dificilmente conservará o nome de homem…
                    (O grande vento que faz, que assobia na lareira, me sopra insanidade.)
                     Que aquisição a memória!…
                    Quando o homem tiver reconhecido que é nada, então poderá começar. Poderá a inteligência ou desaparecer ou substituir tudo? Ela começará a construir.
                    As questões, os enigmas necessários terão sido rebaixados. Nascer, sofrer, morrer não serão mais dificuldades. Haverá muito que a energia, os materiais, os seres vivos auxiliares estarão à disposição. O comércio e a indústria não mais existirão. Haverá uma única ciência e ela será quase inata.
                    A terra será apenas uma cidade. Nada mais se fará naturalmente isto é, às cegas.

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Paul Valéry

Vent du Nord-Est

                    L’homme n’a pas encore commencé son travail: il en est encore à préparer ses outils. Quand le temps sera venu, à peine gardera-t-il ce nom d’homme…
                    (Le grand vent qu’il fait, qui crie dans la cheminée, me souffle des insanités.)
                     Quelle acquisition, la mémoire!…
                    Quand l’homme aura reconnu qu’il n’est rien, alors cela pourra commencer. Alors l’intelligence pourra ou disparaître, ou tout remplacer? Elle commencera à bâtir.
                    Les questions, les énigmes nécessaires auront été avalées. Naître, souffrir, mourir ne feront plus de difficultés. Il y aura longtemps que l’énergie, les matières, les êtres vivants auxiliaires seront à disposition. Le commerce, l’industrie, ne seront plus. Il y aura une seule science et elle sera presque innée.
                    La terre ne sera qu’une ville. Rien ne se fera plus naturellement c’est-à-dire aveuglément.

                    Paul Valéry, VI, 255 [1916], em Poésie perdue,
Paris, Gallimard, 2000, p. 118.
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Poetas que pensaram o mundo — Organização de Adauto Novaes, 2005, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Ambroise-Paul-Toussaint-Jules Valéry (1871 1945), mais conhecido como Paul Valéry, francês de Sète, fez seus estudos secundários no Lycée de Montpellier, cursou Direito, exerceu diversas atividades na vida pública francesa, foi filósofo, escritor e poeta considerado um dos expoentes da escola Simbolista; seus primeiros versos vieram à luz a partir de 1889, ao mesmo tempo em que frequentava a faculdade, tendo sido publicados nos periódicos Revue Maritime de Marseille, La Revue Indépendante, de Paris, e La Conque; bibliografia: A Jovem Parca (1917), Album de vers Anciens (1920), Charmes (1922), Analetos (1927), Discours aux l’honneur de Goethe (1932), Mauvaises pensées et autres (1942) etecétera etecétera; o poeta Paul Valéry é tido como o autor de poemas dos mais significativos entre os que foram produzidos no século XX, ao lado de obras de T. S. Eliot, Ezra Pound, Fernando Pessoa, Rainer Maria Rilke...