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pompéia
Cachorros lâmpadas
pernas das meninas
rua de pedra se precipitando
do alto sobre o mundo incendiado
Avião furando nuvens
galho seco na sarjeta.
— o —
cânhamo
Serenidade de estrela
Meu pensamento desistiu da ordem
posso assistir à dança das imagens
trançadas velozes
curtas:
um desperdício de idéias.
Aceito porque o corpo está contente
não preciso do futuro
não espero meu amor.
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Processos Primários — poemas, Prefácio de Armando Freitas
Filho, 1996, Estação Liberdade, São Paulo — SP; Maria Rita Kehl, nascida em 1951,
paulista de Campinas, formada em Psicologia pela USP — Universidade de São Paulo,
mestrado em Psicologia Social, doutorado em Psicanálise pela Pontifícia
Universidade Católica — PUC-SP, é psicanalista,
jornalista, ensaísta, crítica literária, poetisa e cronista; começou a escrever
para o Jornal do Bairro ainda quando cursava a graduação, depois participou da
edição do jornal semanário Movimento, um dos mais importantes da chamada imprensa alternativa
que vicejou durante o regime militar pós 1964, e também do Em Tempo, outro semanário,
e já atuou como jornalista 'freelancer' para diversos jornais e revistas; escreveu
e publicou Imprevisão do Tempo, O Amor é uma Droga Pesada e Processos Primários (1979, 1983 e 1996, todos de poesia), Deslocamento do Feminino — A Mulher
Freudiana na Passagem para a Modernidade (1998), Função Fraterna (2000), Sobre Ética
e Psicanálise (2000), O Tempo e o Cão (2010), 18 crônicas e mais algumas (2011) ...; integrou a Comissão Nacional da Verdade, instalada em 2012 para apurar as violações
aos Direitos Humanos havidas no período de 1946 a 1988 no país; recebeu o Prêmio
Jabuti de Literatura na categoria "Educação, Psicologia e Psicanálise"
com a obra O Tempo e o Cão, em 2010, e o Prêmio Direitos Humanos, na categoria
“Mídia e Direitos Humanos”, concedido pelo governo federal.
