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sábado, 15 de fevereiro de 2025

Maria Rita Kehl: pompéia & cânhamo

 
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pompéia

Cachorros    lâmpadas
pernas das meninas

rua de pedra se precipitando
do alto sobre o mundo incendiado

Avião furando nuvens
galho seco na sarjeta.

— o —

cânhamo

Serenidade de estrela

Meu pensamento desistiu da ordem
posso assistir à dança das imagens
trançadas    velozes
curtas:
um desperdício de idéias.

Aceito porque o corpo está contente
não preciso do futuro
não espero meu amor.

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Processos Primários — poemas, Prefácio de Armando Freitas Filho, 1996, Estação Liberdade, São Paulo — SP; Maria Rita Kehl, nascida em 1951, paulista de Campinas, formada em Psicologia pela USP Universidade de São Paulo, mestrado em Psicologia Social, doutorado em Psicanálise pela Pontifícia Universidade Católica PUC-SP,  é psicanalista, jornalista, ensaísta, crítica literária, poetisa e cronista; começou a escrever para o Jornal do Bairro ainda quando cursava a graduação, depois participou da edição do jornal semanário Movimento, um dos mais importantes da chamada imprensa alternativa que vicejou durante o regime militar pós 1964, e também do Em Tempo, outro semanário, e já atuou como jornalista 'freelancer' para diversos jornais e revistas; escreveu e publicou Imprevisão do Tempo, O Amor é uma Droga Pesada e Processos Primários (1979, 1983 e 1996, todos de poesia), Deslocamento do Feminino — A Mulher Freudiana na Passagem para a Modernidade (1998), Função Fraterna (2000), Sobre Ética e Psicanálise (2000), O Tempo e o Cão (2010), 18 crônicas e mais algumas (2011) ...; integrou a Comissão Nacional da Verdade, instalada em 2012 para apurar as violações aos Direitos Humanos havidas no período de 1946 a 1988 no país; recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura na categoria "Educação, Psicologia e Psicanálise" com a obra O Tempo e o Cão, em 2010, e o Prêmio Direitos Humanos, na categoria “Mídia e Direitos Humanos”, concedido pelo governo federal.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Maria Rita Kehl: lua numa rua

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Você não sabe se ganha, se perde
se vem
não sabe a força dessa hesitação
e o morcego que eu sou diante dela
capaz de me orientar por um suspiro
um sopro
uma taquicardia.

Eu provo que a noite é puro leite
vício branco da lua
e a cidade se dissolve no meu quarto feito uma pastilha.

Um olho tem fome e você é tão novo
nem sabe quanto te encanta
meu convite de suicida.

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Processos Primários — poemas, Prefácio de Armando Freitas Filho, 1996, Estação Liberdade, São Paulo — SP; Maria Rita Kehl, nascida em 1951, paulista de Campinas, formada em Psicologia pela USP Universidade de São Paulo, é psicanalista, jornalista, ensaísta, crítica literária, poetisa e cronista; começou a escrever para o Jornal do Bairro, ainda quando cursava a graduação, depois participou da edição do jornal Movimento, um dos mais importantes da chamada imprensa alternativa que vicejou durante o regime militar pós 1964, e também do Em Tempo, outro semanário, e já atuou como jornalista 'freelancer' para diversos jornais e revistas; escreveu e publicou Processos Primários — poemas (1996), Deslocamento do Feminino — A Mulher Freudiana na Passagem para a Modernidade (1998), Função Fraterna (2000), Sobre Ética e Psicanálise (2000), O Tempo e o Cão (2010), 18 crônicas e mais algumas (2011), etc; ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura na categoria "Educação, Psicologia e Psicanálise" com a obra O Tempo e o Cão, em 2010; integrou a Comissão Nacional da Verdade, instalada em 2012 para apurar as violações aos Direitos Humanos havidas no período de 1946 a 1988 no país.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Maria Rita Kehl: recurso

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O método faz milagres.
Passar no quarto das crianças antes de deitar
só matar os insetos comprovadamente nocivos
sair lá fora no escuro, cinco minutos na primeira noite,
dez na segunda, até conseguir no mínimo uma hora de contemplação
sem terror.

O método tece uma teia 
horários  rotas de ônibus  receitas 
telefonemas na 6a. 
caderninhos 

quando a trama é bem firme cada gesto idiota adquire sentidos surpreendentes
imprescindíveis depois de algum tempo
capazes de sustentar uma existência inteira.

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Processos Primários — poemas, Prefácio de Armando Freitas Filho 1996, Estação Liberdade, São Paulo — SP; Maria Rita Kehl, nascida em 1951, paulista de Campinas, formada em Psicologia pela USP Universidade de São Paulo, é psicanalista, jornalista, ensaísta, crítica literária, poetisa e cronista; começou a escrever para o Jornal do Bairro, ainda quando cursava a graduação, depois participou da edição do jornal Movimento, um dos mais importantes da chamada imprensa alternativa que vicejou durante o regime militar pós 1964, e também do Em Tempo, outro semanário, e já atuou como jornalista 'freelancer' para diversos jornais e revistas; escreveu e publicou Processos Primários — poemas (1996), Deslocamento do Feminino — A Mulher Freudiana na Passagem para a Modernidade (1998), Função Fraterna (2000), Sobre Ética e Psicanálise (2000), O Tempo e o Cão (2010), 18 crônicas e mais algumas (2011), etc; ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura na categoria "Educação, Psicologia e Psicanálise" com a obra O Tempo e o Cão, em 2010; integrou a Comissão Nacional da Verdade, instalada em 2012 para apurar as violações aos Direitos Humanos havidas no período de 1946 a 1988 no país.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Maria Rita Kehl: corte de cabelos para ficar triste

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Tipo faça-você-mesma. Trabalho incansável.
Pode durar uma noite  ou mais  fio por fio 
a memória na ponta da tesoura,
obcecada.
Medo crescente. Medo até a paixão.
Ou até conferir pelo espelho:
aquela lá morreu mesmo.

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Processos Primários — poemas, Prefácio de Armando Freitas Filho, 1996, Estação Liberdade, São Paulo — SP; Maria Rita Kehl, nascida em 1951, paulista de Campinas, formada em Psicologia pela USP Universidade de São Paulo, é psicanalista, jornalista, ensaísta, crítica literária, poetisa e cronista; começou a escrever para o Jornal do Bairro, ainda quando cursava a graduação, depois participou da edição do jornal Movimento, um dos mais importantes da chamada imprensa alternativa que vicejou durante o regime militar pós 1964, e também do Em Tempo, outro semanário, e já atuou como jornalista 'freelancer' para diversos jornais e revistas; escreveu e publicou Processos Primários — poemas (1996), Deslocamento do Feminino — A Mulher Freudiana na Passagem para a Modernidade (1998), Função Fraterna (2000), Sobre Ética e Psicanálise (2000), O Tempo e o Cão (2010), 18 crônicas e mais algumas (2011), etc; ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura na categoria "Educação, Psicologia e Psicanálise" com a obra O Tempo e o Cão, em 2010; integrou a Comissão Nacional da Verdade, instalada em 2012 para apurar as violações aos Direitos Humanos havidas no período de 1946 a 1988 no país.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Maria Rita Kehl: literária

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A poesia de Cummings: antipática de tão pessoal.
Ezra Pound, um atleta das bibliotecas.
Faço o caminho precário, de pedra em pedra, saltando rápido pra não cair.
Concentração difusa: quem me diz hoje pode ser Novalis
ou o poeta que acabo de descobrir  "me importa a felicidade de todas as coisas".
Pulo fora. Telefono pra você. Sei tomar atitudes assim, numa emergência: conectar com o sexo o que está desligado,
premente, sem nome pairando aflito à flor da inteligência.

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Processos Primários  poemas, Prefácio de Armando Freitas Filho, 1996, Estação Liberdade, São Paulo  SP; Maria Rita Kehl, nascida em 1951, paulista de Campinas, formada em Psicologia pela USP Universidade de São Paulo, é psicanalista, jornalista, ensaísta, crítica literária, poetisa e cronista; começou a escrever para o Jornal do Bairro, ainda quando cursava a graduação, depois participou da edição do jornal Movimento, um dos mais importantes da chamada imprensa alternativa que vicejou durante o regime militar pós 1964, e também do Em Tempo, outro semanário, e já atuou como jornalista 'freelancer' para diversos jornais e revistas; escreveu e publicou Processos Primário poemas (1996), Deslocamento do Feminin A Mulher Freudiana na Passagem para a Modernidade (1998), Função Fraterna (2000), Sobre Ética e Psicanálise (2000), O Tempo e o Cão (2010), 18 crônicas e mais algumas (2011), etc; ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura na categoria "Educação, Psicologia e Psicanálise" com a obra O Tempo e o Cão, em 2010; integrou a Comissão Nacional da Verdade, instalada em 2012 para apurar as violações aos Direitos Humanos havidas no período de 1946 a 1988 no país.