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Entre as
frutas que há no mundo
Não há
uma fruta irmã
Na beleza
e na doçura
Da que se
chamou romã.
Tem coroa
de rainha,
Rósea cor
na casca tem,
Quando
racha me retrata
A
boquinha de meu bem.
Pela vez
primeira vi,
Num
jardim, pela manhã,
O meu
bem, que em vez de flores,
Me trazia
uma romã...
Consentiu,
pra que eu sentisse,
Desse seu
fruto a doçura,
Que eu
pusesse a mão no pomo,
A boca na
rachadura
* Nota do
Organizador Fábio Frohwein de Salles Moniz [com acréscimo deste Verso e
Conversa]: In: Melo Moraes Filho, Alexandre José de. Serenatas e Saraus. Rio de
Janeiro & Paris: H. Garnier, Livreiro-Editor, 1902, V. 3, p. 262; o
atrevido aprendiz de blogueiro desta página complementa que Fábio Frohwein, na
Apresentação deste Laurindo Rabelo — Série Essencial, relata que A Romã é um
lundu [canção] e integra o grupo de poemas de Laurindo: “Trata-se, na verdade,
de letras de canções, que, antes de ser publicadas, circulavam na tradição oral
de cantadores ao acompanhamento do violão ou piano, apresentando consequentemente
variações. Como Laurindo não publicou nenhum lundu [ . . . ] em Trovas, ou em
sua reedição, é praticamente impossível discernir qual variação estaria de
acordo com a chamada ‘vontade do autor’.”
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Laurindo
Rabelo — Série Essencial, Academia Brasileira de Letras, Organização,
Apresentação, Notícia Biográfica e Notas de Fábio Frohwein de Salles Moniz,
2012, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; Laurindo José da Silva Rabelo
(1826 — 1864), nascido no Rio de Janeiro — RJ, ordenou-se pelo Seminário São José,
no Rio, abandonou a carreira eclesiástica, formou-se em Medicina, tendo estudado
nas faculdades do Rio e da Bahia, tornou-se médico e ingressou no Corpo de Saúde
do Exército, mas também abandonou a medicina, foi professor — de História, Geografia,
Português, Latim e Francês — e poeta; consta ter recebido a alcunha de “Bocage brasileiro”,
pelo seu estilo literário; teve textos publicados na Marmota Fluminense; obras:
Trovas (1853), Tese apresentada e sustentada perante a Faculdade de Medicina do
Rio de Janeiro (1856), Poesias do Dr. Laurindo da Silva Rabelo (coligidas por Eduardo
de Sá Pereira de Castro, 1867), Compêndio de Gramática da Língua Portuguesa (adotado
pelas escolas regimentais do Governo Imperial, 1867), Obras poéticas (poesias
eróticas, 1882); Obras Completas (poesia, prosa e gramática, 1946); é o patrono
da cadeira nº 26 da Academia Brasileira de Letras.








