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sábado, 23 de agosto de 2025

Sophus Claussen: Impéria

 
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[traduzido por Per Johns]

Sou Impéria, maciça Rainha da Terra,
primordial como o frio que modorra no colo dos montes,
escura e indomável sonhando-me com frequência, já morta.

Esplendor é meu anseio. Não conheço doçura.
Sou a natureza estéril, o sáfaro deserto
Que germina pedra por pão e o parto recusa.

Ninguém me pode despertar sem meu amante,
o fogo, meu senhor, que me sujeita
e me comove até as mais fundas frinchas do abismo.

Tudo se torna inútil a não ser nosso tremor.
Tudo que medra e mancha minha pele de iridescências
arrepelo-o em meu abraço com o Deus dos Terremotos.

Sob a turfa que é revirada pelo arado
descansam minhas intangíveis, livres entranhas de ferro.
Todo aquele que no coração é estéril, tem algo de meu.

Nos venenos de meus carvões e veios de ferro
azuleja a primavera, que faz brotar o trigo nutriente.
Se goram os campos é minha parte vil.

Todo aquele que desafina e não encontra o tom
da canção cantada em coro solitário,
Todo aquele que desafina, é chão de meu chão.

Indiferente aos cortejos e danças dos que vivem
sonho sem cessar com a música dos elementos originários.
Fulmine-os com relâmpagos e terremotos e diga-lhes que parem!

Sou Impéria, maciça Rainha da Terra.
Sou a natureza estéril, o sáfaro deserto
que germina pedra por pão e o parto recusa.

Crateras venenosas, profundezas fumegantes,
antros enegrecidos fedendo a enxofre e metal
abrem-se íngremes ao apelo de meu destino chamejante.

Afundei no oceano o palácio dos reis,
despedacei a pobre felicidade do pobre ...
Por milhões de anos, sou rica, infindavelmente.

Achega-te a meu coração, que nunca temeu.
A porta está aberta. Espero, indomável, meu amante.
Grande é sua carne. E notória será nossa felicidade.

Sophus Claussen

Imperia

Jeg er Imperia, Jordmassens Dronning,
urstærk som Kulden, der blunder i Bjergenes Skød,
mørk og ubøjelig ofte jeg drømmer mig død.

Pragt er min Higen. Jeg kender ej Mildhed.
Jeg er den golde Natur, det udyrkede Øde,
som giver Stene for Brød, og som nægter at føde.

Ingen kan vække mig uden min Elsker,
Ilden, min Herre, til hvem jeg er givet i Vold,
saa at jeg røres til Afgrundens dybeste Fold.

Alt er unyttigt undtagen vor Skælven.
Alt, hvad der trives og pletter som Skimmel min Hud,
ruster jeg bort i et Møde med Jordskælvets Gud.

Under den Græstørv, som vendes af Ploven,
hviler mit jernfaste Indre unærmelig frit.
Hver, som er Gold i sit Hjerte, har noget af mit.

Af mine Kullags og Malmaarers Gifte
blaaner den Vaarsæd, som yder det nærende Mel.
Vantrives Markerne min er den vantrevne Del.

Hver, som er ustemt og ikke faar Tone
efter en Sang, som man synger i Klynger og Kor
hver, som er ustemt, er Jord af min Jord.

Kold for de Levendes Optog og Danse
drømmer jeg evig om Urelementets Musik.
Slaa dem med Lynild og Jordskælv og byd dem at standse!

Jeg er Imperia, Jordmassens Dronning.
Jeg er den golde Natur, det udyrkede Øde,
som giver Stene for Brød, og som nægter at føde.

Giftige Kratere, rygende Dybder,
sortsvedne Huler, der stinker af Svovl og Metal,
aabner sig brat, naar jeg lyder mit flammende Kald.

Kongernes Slot har jeg sænket i Havet,
slaaet den Fattiges fattige Lykke i Skaar ...
og er utømmelig rig for Millioner af Aar.

Kom til mit Hjerte, der aldrig har frygtet.
Døren er opladt. Jeg venter ubændig min Elsker.
Stort er hans Kød. Og vor Lykke skal blive berygtet.

[Paris, 1909]
(Dansk Vers, 1912)
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Panorama da Literatura Dinamarquesa — [vários períodos literários e várias autorias], edição bilíngue, Prefácio, Introdução e Organização de F. J. Billeskov Jansen e R. Wagner Hansen e Tradução de Per Johns, 1981[?], Editorial Nórdica, Rio de Janeiro — RJ; Sophus Niels Christen Claussen (1865 1931), dinamarquês de Helletoft, ilha de Langeland, estudou Direito em Copenhague, aprendeu Filosofia, foi jornalista, pintor, escultor, escritor e poeta lírico; na poesia, recebeu influência dos simbolistas franceses e muito influenciou os poetas modernistas dinamarqueses das décadas de 1940 1960; Claussen viveu vários anos em Paris França e na Itália e traduziu alguns de seus poetas favoritos: Percy Bysshe Shelley, Heinrich Heine e Charles Baudelaire entre outros; suas obras: Naturbørn (Filhos da Natureza, 1887), Pilefløjter (Flautas de salgueiro, 1899), Ungt Folk (1894), Djævlerier (Demônios, 1904), Dansk Vers (Verso Dinamarquês, 1912), Fabler (Fábulas, 1917), Heroica (1925) ..., além de vários livros de viagem e contos de prosa lírica da vida em pequenas cidades dinamarquesas.

terça-feira, 1 de julho de 2025

Sophus Claussen: Num Pomar

 
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[traduzido por Per Johns]

A tormenta caiu na paisagem solar?
Linho ao vento, minha alma ergueu-se;
E cascata de trovões, de raios prenhe,
Nas verdes folhas, chuva, despencou-se.
Quando após silenciou, já minha eras.

Está úmido nas aléias de amoras,
E odores, agora que a paz se fez,
Se evolam da grama cheia de gotas
E da flor das cerejeiras, claras
Recortadas contra um mar de luz.

Deixa-me aqui contigo adentrar-me,
Linda virgem de olhos escuros,
Tuas mãos, alvas como flores brancas,
Deixai-as roçagantes enlaçar-me,
Tu, vinha minha de lavras finas.

E tua face, como a flor da macieira,
Encosta-a em mim e beija-me a boca.
Teus lábios têm odor de doçura.
Mas é no fundo obscuro dos olhos
Que luzem tuas mais tenras carícias.

Com teu braço em mim enlaçado
E encostado teu seio em meu coração
Para ouvir-te os suspiros mais brandos,
Não tremerei com o frio do sereno,
Terei frêmitos alvissareiros.

Ao encontro do azulado crepúsculo
Esplendem as flores desses frutos.
Diante de mim dois olhos de espanto,
Diante de mim teu seio e braço nu
Que se enlaça em meu pescoço.

Estão úmidos teus pés, minha amada,
E como o pomar odores evolas.
Beijemo-nos em calma e silêncio!
Como galhos de macieira somos
Que se abrirão em flores e frutos.

Sophus Claussen

I en Frugthave

Faldt der Storm over solstille Flade?
Min Sjæl flagred op som et Lin;
og en lynflængt Tordenkaskade
skylled Regn over grønne Blade.
Da det blev tyst, var du min.

Der er fugtigt i Stikkelsbærgange
og dufter, nu det er tyst,
fra det dyngvaade Græs og de mange
Kirsebærblomster, som prange
skært mod et Lufthav saa lyst.

Lad mig vandre herind ved din Side,
mørkøjede Jomfru fin;
dine Hænder, de frugtblomst-hvide,
lad tæt mig om Livet glide,
du min smidigrankende Vin.

Og din Kind, den æbleblomst-røde,
læn mod mig og kys min Mund.
Dine Læber er vellugtsøde.
Men de sarteste Kærtegn gløde
fra Øjnenes mørkblanke Grund.

Har din Arm om min Hals jeg trukken
og din Barm mod mit Hjærte tæt,
saa jeg hører din sagteste Sukken,
da fryser jeg ikke i Duggen,
da bæver jeg saligheds-let.

Mod Solnedgangs-Blaaet højne
Frugtblomsterne deres Pragt.
Foran mig to undrende Øjne,
foran mig din Barm og din nøgne
Arm mig om Nakken lagt.

Du er vaad om din Fod, du rene,
og krydret som Frugthavens Lugt.
Lad os kysses tyst og alene!
vi er selv som to Æblegrene,
skal blomstre og bære Frugt.

(Pilefløjter — 1899)
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Panorama da Literatura Dinamarquesa — [vários períodos literários e várias autorias], edição bilíngue, Prefácio, Introdução e Organização de F. J. Billeskov Jansen e R. Wagner Hansen e Tradução de Per Johns, 1981[?], Editorial Nórdica, Rio de Janeiro — RJ; Sophus Niels Christen Claussen (1865 1931), dinamarquês de Helletoft, ilha de Langeland, estudou Direito em Copenhague, aprendeu Filosofia, foi jornalista, pintor, escultor, escritor e poeta lírico; na poesia, recebeu influência dos simbolistas franceses e muito influenciou os poetas modernistas dinamarqueses das décadas de 1940 1960; Claussen viveu vários anos em Paris França e na Itália e traduziu alguns de seus poetas favoritos: Percy Bysshe Shelley, Heinrich Heine e Charles Baudelaire entre outros; suas obras: Naturbørn (Filhos da Natureza, 1887), Pilefløjter (Flautas de salgueiro, 1899), Ungt Folk (1894), Djævlerier (Demônios, 1904), Dansk Vers (Verso Dinamarquês, 1912), Fabler (Fábulas, 1917), Heroica (1925) ..., além de vários livros de viagem e contos de prosa lírica da vida em pequenas cidades dinamarquesas.