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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Paulo Bomfim: Atiro aos vossos pés a mocidade . . . [soneto]

 
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Atiro aos vossos pés a mocidade
e a vida que me destes sem saber.
Senhora, se por vós posso morrer,
a morte me será felicidade.

Coloco ao vosso lado esta saudade
que a distância, entre nós, me faz sofrer.
Senhora, só por vós quero viver
o instante que será de eternidade.

Se a vida, noivo encanto, inda oferece
ao meu olhar atônito, fitando,
o dia inesperado que amanhece,

reponho em vosso peito esta alegria,
pois é do vosso olhar que vem raiando
o encantamento desse novo dia.

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Paulo Lébeis Bomfim (1926 2019), paulista e paulistano, foi jornalista, poeta e diretor de rádio e TV; desde criança escrevia seus versos e iniciou-se no jornalismo, em 1945, no Correio Paulistano e, logo após, no Diário de São Paulo (coluna Luz e Sombra), colaborou também com o Diário de Notícias (Notas Paulistas), do Rio; sua obra de estréia, Antônio Triste (poemas, com Ilustrações de Tarsila do Amaral e Prefácio de Guilherme de Almeida, 1946), foi agraciada no ano seguinte com o Prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras; foi diretor da Fundação Cásper Líbero, produzindo para rádio e televisão, e participando nos programas Universidade na TV, no Canal 2, Crônica da Cidade e Mappin Movietone, no Canal 4 e Hora do Livro e Gazeta é Notícia, na TV Gazeta; escreveu e publicou Transfiguração (1951), Relógio de  sol (1952), Cantiga do desencontro e Poema do silêncio (ambos em 1954), Sinfonia branca (1955), Armorial (1956), Poema da descoberta (1958), Sonetos (1959), Colecionador de minutos (1960), Sonetos da vida e da morte (1963), Tempo reverso (1964), Canções (1966), Aquele menino — livro de memórias (2000), Tecido de lembranças, crônicas e memórias (2004), Cancioneiro (2007) e outros títulos; teve obras traduzidas para os idiomas alemão, francês, inglês, italiano e espanhol [castelhano]; teve poemas musicados por Camargo Guarnieri, Dinorah de Carvalho, Oswaldo Lacerda e mais compositores; em 1982, recebeu o Troféu Juca Pato, de intelectual do ano, concedido pela UBE União Brasileira de Escritores.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Paulo Bomfim: Os dias mortos

 
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Os dias mortos, sim, onde enterrá-los?
Que solo se abrirá para acolhê-los
em seus pés indecisos, seus cabelos,
seu galope de sôfregos cavalos!

Os dias mortos, sim, onde guardá-los?
Em que ossário reter seus pesadelos,
seu tecido rompido de novelos,
seus fios graves, relva além dos valos?

Tempo desintegrado, tempo solto,
fátuo fogo de febre e de fuligem,
canteiro de sereia em mar revolto.

Em nossa carne, sim, em nossos portos,
quando o fim regressar à própria origem,
repousarão também os dias mortos!

(Poemas escolhidos — 1974)

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Paulo Lébeis Bomfim (1926 2019), paulista e paulistano, foi jornalista, poeta e diretor de rádio e TV; desde criança escrevia seus versos e iniciou-se no jornalismo, em 1945, no Correio Paulistano e, logo após, no Diário de São Paulo (coluna Luz e Sombra), colaborou também com o Diário de Notícias (coluna Notas Paulistas), do Rio; sua obra de estréia, Antônio Triste (poemas, com Ilustrações de Tarsila do Amaral e Prefácio de Guilherme de Almeida, 1946), foi agraciada no ano seguinte com o Prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras; foi diretor da Fundação Cásper Líbero, produzindo para rádio e televisão, e participando nos programas Universidade na TV, no Canal 2, Crônica da Cidade e Mappin Movietone, no Canal 4 e Hora do Livro e Gazeta é Notícia, na TV Gazeta; escreveu e publicou Transfiguração (1951), Relógio de  sol (1952), Cantiga do desencontro e Poema do silêncio (ambos em 1954), Sinfonia branca (1955), Armorial (1956), Poema da descoberta (1958), Sonetos (1959), Colecionador de minutos (1960), Sonetos da vida e da morte (1963), Tempo reverso (1964), Canções (1966), Aquele menino — livro de memórias (2000), Tecido de lembranças, crônicas e memórias (2004), Cancioneiro (2007) e outros títulos; teve obras traduzidas para os idiomas alemão, francês, inglês, italiano e espanhol [castelhano]; teve poemas musicados por Camargo Guarnieri, Dinorah de Carvalho, Oswaldo Lacerda e mais compositores; em 1982, recebeu o Troféu Juca Pato, de intelectual do ano, concedido pela UBE União Brasileira de Escritores.

sábado, 9 de abril de 2022

Eduardo de Oliveira: Mensagem

 
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Quero ouvir a linguagem
da fraternidade universal.
Quero auroras de bonança
e manhãs de paz embalando
a comunhão de todas as raças.

O mundo deve ser uma família só,
uma grande família feita só de irmãos
onde todos se completem
no trabalho bom e fecundo
como uma árvore carregada de frutos
— frutos que devem ser divididos entre
todos os seres da terra.

É mister que saibamos
encarar as desigualdades físicas.
Como um plano de justiça que a natureza
oferece aos homens.
Nem a cor
nem a desigualdade social
devem ser pretexto
para que os homens se atirem contra os homens.

Saibamos afastar as fronteiras,
as possessões, os passaportes,
as diferenças idiomáticas
o câmbio, o ouro
que tornaram o mundo mesquinho e insuportável.

A terra é farta
e vasta como um firmamento.
Nela há lugar para todos viverem
satisfeitos e tranquilos.
Devemos ser a todo transe
uma atitude de amor e
compreensão atuando acima
das dissenções
do utilitarismo sem entranhas
que tanto infelicitam a humanidade.

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Banzo — poesias: Eduardo de Oliveira, Apresentação e Prefácio [Duas palavras] de Roberto de Paula Leite e Paulo Bomfim, 2ª edição melhorada, 1965, Editora Obelisco, São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); obras: Além do pó (1958), Ancoradouro — sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1962), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

sábado, 20 de novembro de 2021

Eduardo de Oliveira: Cidade de amianto

 
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Sob esta selva de cimento armado
que floresceu no topo do planalto,
a vida se alimenta desse asfalto,
que são manchas de sangue coagulado.

Neste imenso deserto arquitetado
pelo progresso que nos leva ao alto
dos edifícios  esse novo arauto 
o homem fica artificializado.

Esse novo universo é como a pedra
É mister que se tenham nervos de aço
para fogar no bem o mal que medra.

Nessa cidade feita de sarjetas,
de esgotos e fuligens pelo espaço...
o luto envolve tudo em tarjas pretas.

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Banzo — poesias: Eduardo de Oliveira, Apresentação e Prefácio [Duas palavras] de Roberto de Paula Leite e Paulo Bomfim, 2ª edição melhorada, 1965, Editora Obelisco, São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); obras: Além do pó (1958), Ancoradouro — sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1962), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Eduardo de Oliveira: Avenida dos Tristes

 
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As rosas brancas morrem na avenida.
Nossa alma está deserta de esperança.
Na sarjeta há mendigo e há criança
que foram esquecidos pela vida.

Por toda a parte há sempre a mesma lida,
há sempre a mesma luta que nos cansa.
O céu deixou fugir toda bonança.
Há mãos pedindo um prato de comida.

A noite é grande. O sono inflama a vista.
A angústia, aos poucos, vai-se avolumando...
nossa alma é a sua próxima conquista.

Os lares se trasmudam num tugúrio,
parece que a alegria está chorando
e o vendaval que passa é o seu murmúrio.

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Banzo — poesias: Eduardo de Oliveira, Apresentação e Prefácio [Duas palavras] de Roberto de Paula Leite e Paulo Bomfim, 2ª edição melhorada, 1965, Editora Obelisco, São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); obras: Além do pó (1958), Ancoradouro — sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1962), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Eduardo de Oliveira: Cogumelo andante

 
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Procedo da miséria mais pungente
onde o sol da alegria nunca chega.
Eu nasci pelo chão das ruas.
Brotei dos monturos,
da fome cor de cinza,
dos detritos nauseabundos
que dão um cheiro humano a esta cidade.
Surgi da parte podre das sarjetas
como um maldito cogumelo andante...
Venho da escória mais abjeta
das nossas sociedades.
Nada sei, nada serei
nada significo
e nada espero de quem quer que seja.
Alimentei-me de terra e de amianto;
os ferros que sustentam estes prédios
foram meus companheiros, meu abrigo;
hoje, encerrados na sua imobilidade de concreto,
esperam-me em seus sarcófagos fantásticos.
A minha história é uma acre mistura de
sangue, suor e lágrimas
arrancados a meu rosto
no supremo desespero da subida.
E ao longo dessa trajetória
dolorosamente trágica
a pobreza mais deprimente
estendeu sobre mim
seu manto pardacento.
Fui apedrejado pelas humilhações.
O desprezo escarrou na minha face.
Os dejetos do opróbrio detiveram
meus passos em direção dos sonhos,
nesse dramático esforço da subida.
Soa pouco mais ou pouco menos
que um objeto de escárnio e comiseração
nas mãos implacáveis do destino!
Galguei todos os degraus da escala evolutiva,
numa fúria vulcânica de “crescer, criar, subir”.
Por isso, tenho um pavor biológico
do futuro, porque sei o que me
espera em cada esquina do tempo.
Procedo das misérias mais pungentes
onde o sol da ventura nunca chega.
Galguei todos os círculos da
formidável espiral em demanda do
espaço, do céu, do infinito.
Hoje, sei!
Se ontem nada fui.
Hoje sei que sou pouco menos do que ontem!
Nada mais. Nada menos
que um sombrio cogumelo andante.

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Banzo — poesias: Eduardo de Oliveira, Apresentação e Prefácio [Duas palavras] de Roberto de Paula Leite e Paulo Bomfim, 2ª edição melhorada, 1965, Editora Obelisco, São Paulo — SP; Eduardo de Oliveira (1926 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista, professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira (1998); suas obras: Além do pó (1958), Ancoradouro — sonetos (1960), O Ébano (1961), Banzo (1962), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão: dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980), A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel de sonetos (1994); o poeta, autor da letra e música do Hino treze de maio cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro, da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Paulo Bomfim: Soneto da transfiguração

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Venho de longe, trago o pensamento
Banhado em velhos sais e maresias;
Arrasto velas rotas pelo vento
E mastros carregados de agonias.
Provenho desses mares esquecidos
Nos roteiros de há muito abandonados
E trago na retina diluídos
Os misteriosos portos não tocados.
Retenho dentro da alma, preso à quilha,
Todo um mar de sargaços e de vozes,
E ainda procuro no horizonte a ilha
Onde sonham morrer os albatrozes.
   Venho de longe a contornar a esmo
   O cabo das tormentas de mim mesmo.


Sonnet de la transfiguration

Je viens de loin, j’apporte la pensée
Em vieux sels et odeur de mer, baignée;
Je trâine des voiles rompues par le vent
Et des mâts chargés d’agonie.
J’arrive de ces mers oubliées
Dans les itinéraires abondonnés il y a longtemps.
Et j’apporte dans la rétine dilués
Les ports mystérieux jamais touchés.
Je retiens dans mon âme, accroché à la quille,
Toute une mer d’algues et de voix,
Et je cherche encore à l’horizon l’île
Où des albatros rêvent d’aller mourir.
   Je viens de loin au hazard faisant le tour
   Du cap des tempêtes de moi-même.
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Chemins Scabreux — revue littéraire bilíngue 13, septembre 1997, Paris: Poésie du Brésil, Sélection et Presentacion de Lourdes Sarmento, Texto-prefácio de Olga Savary, edição bilíngue, tradutores: Lucilo Varejão Neto, Maria Nilda Pessoa e outros, 1997, Editions Vericuetos, Paris — França; Paulo Lébeis Bomfim (1926 2019), paulista e paulistano, foi jornalista e poeta; desde criança escrevia seus versos e iniciou-se no jornalismo, em 1945, no Correio Paulistano e, logo após, no Diário de São Paulo, colaborando também com o Diário de Notícias, do Rio; sua obra poética de estréia, Antônio Triste (com Ilustrações de Tarsila do Amaral e Prefácio de Guilherme de Almeida, 1946), foi agraciada, no ano seguinte, com o prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras; depois, vieram Transfiguração (1951), Relógio de sol (1952), Cantiga do desencontro e Poema do silêncio (ambos em 1954), Sinfonia branca (1955), Armorial (1956), Poema da descoberta (1958), Sonetos (1959), O colecionador de minutos (1960), Sonetos da vida e da morte (1963), Tempo reverso (1964), Canções (1966), Aquele menino — livro de memórias (2000), Tecido de lembranças, crônicas e memórias (2004) etc.; atuou na Fundação Cásper Líbero, produziu e participou de programações para rádio e televisão.

terça-feira, 14 de março de 2017

Paulo Bomfim: Do barco

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No barco de um soneto eu te procuro
Por praias e avatares tripulantes,
Deixo de mim nos litorais amantes,
Contrabandeando sóis no porto escuro.

E dos remos sonoros que seguro,

Faço a canção das ilhas mais distantes,
E num ritual de ventos navegantes
Clamo por ti em tempos de futuro.

Sinto que a vida passa e deito sondas

Que vão medindo em mim as profundezas
Dos céus que fui tragando em minhas ondas;

E na procura desse desatino,

Vou gritando ao sabor das correntezas:
 Meu barco, meu soneto, meu destino!

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Os Sonetos (Antologia — diversos autores), Coordenação Gráfica de Rogério Ramos e Capa e Ilustrações de Percy Deane, 1982, Edição especial para o Banco Lar Brasileiro S. A., LR Editores Ltda, São Paulo  SP; Paulo Lébeis Bomfim, nascido em 1926, paulista e paulistano, é jornalista e poeta; desde criança escrevia seus versos e iniciou-se no jornalismo, em 1945, no Correio Paulistano e, logo após, no Diário de São Paulo, colaborando também com o Diário de Notícias, do Rio; sua obra poética de estréia, Antônio Triste (com Ilustrações de Tarsila do Amaral e Prefácio de Guilherme de Almeida, 1946), foi agraciada, no ano seguinte, com o prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras; depois, vieram Transfiguração (1951), Relógio de sol (1952), Cantiga do desencontro e Poema do silêncio (ambos em 1954), Sinfonia branca (1955), Armorial (1956), Poema da descoberta (1958), Sonetos (1959), O colecionador de minutos (1960), Sonetos da vida e da morte (1963), Tempo reverso (1964), Canções (1966), Aquele menino  livro de memórias (2000), Tecido de lembranças, crônicas e memórias (2004) etc.; atuou na Fundação Cásper Líbero, produziu e participou de programações para rádio e televisão.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Paulo Bomfim: Do caos

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Invento este soneto onde procuro
Surgir de um ventre de palavras novas,
Nascer de mim, de ti, de tantas provas
Que me iniciam como um deus futuro.

Modelo sensações num mundo escuro
Onde semeio o corpo pelas covas,
Berços de terra, fonte onde renovas
As vidas que guardaste com meu muro.

Enquanto pelo céu as grandes naves
Vão sangrando de azul as descobertas
E os anjos vão ficando inda mais graves,

Invento este soneto de granizo,
Ferindo em minhas folhas entreabertas,
O caos que se transforma num sorriso.

(Sonetos da vida e da morte — 1963)

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Paulo Bomfim — Poemas Escolhidos, Introdução de Nogueira Moutinho, 1973, Círculo do Livro, São Paulo — SP;  Paulo Lébeis Bomfim, nascido em 1926, paulista e paulistano, é jornalista e poeta; desde criança escrevia seus versos e iniciou-se no jornalismo, em 1945, no Correio Paulistano e, logo após, no Diário de São Paulo, colaborando também com o Diário de Notícias, do Rio; sua obra poética de estréia, Antônio Triste (com Ilustrações de Tarsila do Amaral e Prefácio de Guilherme de Almeida, 1946), foi agraciada, no ano seguinte, com o prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras; depois, vieram Transfiguração (1951), Relógio de sol (1952), Cantiga do desencontro e Poema do silêncio (ambos em 1954), Sinfonia branca (1955), Armorial (1956), Poema da descoberta (1958), Sonetos (1959), O colecionador de minutos (1960), Sonetos da vida e da morte (1963), Tempo reverso (1964), Canções (1966), Aquele menino livro de memórias (2000), Tecido de lembranças, crônicas e memórias (2004) etc.; atuou na Fundação Cásper Líbero, produziu e participou de programações para rádio e televisão.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Paulo Bomfim: Nascer do verso puro e correntio, . . . [soneto]

Resultado de imagem para paulo bomfim Poemas escolhidos círculo do livro
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SONETO III

Nascer do verso puro e correntio,
Brotar da fonte feita de miragem,
Sentir que em nós, outros espectros agem
Vivendo em nossa pele de arrepio.

Rolar no próprio espanto a voz do rio
Sumindo em chão secreto de mensagem,
Saber que os olhos são também paisagem
Vista de além do céu perdido e frio.

Nascer em cada sopro do universo,
Ser alma navegando o som do verso
Em sílabas de espelho pelo porto.

Chorarmos vida no destino morto;
Sabendo que esse pranto assim convulso
É o tema que hoje bate em nosso pulso.

(Sonetos — l.959)

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Paulo Bomfim — Poemas Escolhidos, Introdução de Nogueira Moutinho, 1973, Círculo do Livro, São Paulo — SP;  Paulo Lébeis Bomfim, nascido em 1926, paulista e paulistano, é jornalista e poeta; desde criança escrevia seus versos e iniciou-se no jornalismo, em 1945, no Correio Paulistano e, logo após, no Diário de São Paulo, colaborando também com o Diário de Notícias, do Rio; sua obra poética de estréia, Antônio Triste (com Ilustrações de Tarsila do Amaral e Prefácio de Guilherme de Almeida, 1946), foi agraciada, no ano seguinte, com o prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras; depois, vieram Transfiguração (1951), Relógio de sol (1952), Cantiga do desencontro e Poema do silêncio (ambos em 1954), Sinfonia branca (1955), Armorial (1956), Poema da descoberta (1958), Sonetos (1959), O colecionador de minutos (1960), Sonetos da vida e da morte (1963), Tempo reverso (1964), Canções (1966), Aquele menino — livro de memórias (2000), Tecido de lembranças, crônicas e memórias (2004) etc.; atuou na Fundação Cásper Líbero, produziu e participou de programações para rádio e televisão.