terça-feira, 31 de outubro de 2023

Jessica Marcele: Sobre-viver de arte


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De nível em nível,
Me atraquei com multiníveis
Moedas ganhei, perdi.
Amigos adquiri.
Minha mente eu abri.

É incrível se sentir imbatível e ter coragem pra enfrentar o next level.
Iniciar do zero.
Um passo de cada vez.
Aproximando-se do seu sonho,
e se distanciando do talvez.

“Dar orgulho a quem torce por mim”
Foi a missão que eu escrevi.
E em prol disso permaneci:
Andando, cantando, dançando, atuando, recitando
Foi quando no sarau me encontrei!
Entendi meu porquê, sem porém, só vem
por você, ou por outrem
Onde ontem já é passado,
E o que vale é o que você tem se tornado a cada aprendizado.

Fiz do meu sonho, o nosso!
Eu quero, eu consigo, eu posso!
Criamos nossa produtora,
Almejando a mudança na vida das pessoas.
Há quem diga que não é trabalho,
Mas a arte do viver é trampo pra c**alho!
Contato, convite, fechamento
Roteiro, gravação
Pro nosso ganha pão tem que ter muito argumento!

E eu só lamento,
A quem faz do seu corre um tormento.
Tapando o sol com a peneira,
O rosto cheio de olheira
Sem ter enxergado
que do seu sonho,
É possível S(CIM) se construir um legado!
Me vejo acordado mesmo com os olhos fechados.
A história se repete até fora do set,
E já são sete da matina,
Se repete minha rotina,
Quentinha já tá fria,
Ardência na retina.

Com a mochila nas costas e as rimas na mão,
Saio correndo e perco mais um busão e o trenzão tão lotado de gente
quanto a minha mente:
Como é louco ser independente!

Mais uma vez atrasada pra vida,
Pras minhas fitas,
Eu tô parada, mas fingindo andar.
Essa gaiola que me deixa viva, andorinha avoada sozinha,
MAS NÃO ME IMPEDE DE VOAR!

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pilares: raízes espelhadas — poesias: Jessica Marcele & Jaque Alves, Prefácio de MC Martina e Posfácio de Patrícia Meira, 2019, nosotros, Editorial, São Paulo — SP; Jessica Marcele, paulista e paulistana nascida na ZL, bairro de São Miguel Paulista, aprendeu a ler em karaokê, formou-se na Escola Livre de Teatro de Santo André e no Módulo de Pesquisa Teatral Continuada do Espaço Cultural Aldeia Satélite, é atriz, performer, slammer, poeta, ativista, produtora e empreendedora; foi/é oficineira no projeto Luâncias Crescentes da Cia. EmQuadro, com foco no empoderamento feminino e voltado a jovens do ensino médio em escolas públicas da periferia de sampa; a poetatriz também foi/é cofundadora do selo/produtora CIM Cultura Independente em Movimento e do Brechó Breguenaite, além de integrar [ou ter integrado] as companhias e grupos teatrais: Cia. Cínicos Cênicos, Cia. Utilidade Pública, Melancolia e Visão Periférica; é atuante no Coletivo PARDOnizadas grupo de intervenções cênico-poéticas que aborda temas voltados às mulheres negras e no Coletivo Pilares; obras: pilares: raízes espelhadas (zine [plaquete, livreto] em coautoria com Jaque Alves, 2019), Teatro Íntimo, Monólogos Minimalistas (antologia, diversas autorias, 2021), Sua língua é o seu corpo (antologia também traduzida em libras, várias autorias, 2022); outras intervenções: compõe o elenco de Essa Cia. de Teatro, com Ensaio para dois perdidos, colabora na criação de E lá fora o silêncio, do LABTD Grupo Laboratório de Técnica Dramática, projeto Manifesto das Margens, com o grupo Mundu Rodá, espetáculo itinerante Reset Brasil, com o Coletivo Estopô Balaio.

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Esmeralda Ribeiro: Poesia de negro é...


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Poesia de negro é axé, é axé
A poesia negra vem com a força do quilombo
(Ponto de roda de poemas)

escrever é a linha invisível
que divide a loucura da sanidade
quando escrevo
minha ancestralidade
está presente
o processo de criação
é uma flor que vai desabrochando
criar é desafiar a lei
da gravidade espacial e territorial
a poesia negra é uma dama da noite
seu perfume africano e envolvente
atinge as zonas proibidas
do nosso íntimo
literatura afro é como uma música de rap
que dialoga com seus pares
com seus aliados
às vezes versa
às vezes conta uma prosa
às vezes salva os
manos quase perdidos na estrada

"Poesia de negro é axé, é axé
A poesia negra vem com a força do quilombo"

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Cadernos Negros: Poemas afro-brasileiros, Volume 41 [vários autores], Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa, 2018, Quilombhoje, São Paulo — SP; Esmeralda Ribeiro, nascida em 1958, paulista e paulistana, é jornalista, escritora, poeta e pesquisadora da literatura afro-brasileira; atua no projeto Quilombhoje e na coordenação da série Cadernos negros; suas obras: Malungos e Milongas (contos, 1988), Orukomi — meu nome. Ilustrações de Edmilson Quirino dos Reis (Quilombhoje SP, 2007), além de ensaios e participações nos Cadernos Negros, em Pau de Sebo: antologia de poesia negra (1988), em Finally Us: contemporary black brazilian women writers (1995), em Ancestral House (1995), em Terra de palavras: contos (2004) etc; seus trabalhos estão publicados em 35 antologias no Brasil e no exterior; a poeta coidealizou, com Vera Lúcia Barbosa, o Sarau Afro Mix evento multimídia com minipalestra, roda de poesia e performance de dança e, com Márcio Barbosa, criou o Xirê de Palavras & Poesia Afro, com palestras sobre a literatura afro-brasileira e declamações de poemas destinadas a crianças e adolescentes de escolas públicas e particulares.

domingo, 29 de outubro de 2023

William Butler Yeats: A manta


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[traduzido por João Moura Jr.]

Te fiz, canção, esta manta
Coberta de pedrarias
De velhas mitologias
Do calcanhar à garganta:
Mas os tolos a tomaram
E, como se fosse sua,
Sobre os ombros a levaram.
Deixa, canção, dá-se um jeito
Pois sair despido à rua
É que é um verdadeiro feito.

[suplemento dominical de cultura] Folhetim*, 28.07.84

W. B. Yeats

A Coat**

I made my song a coat
Covered with embroideries
Out of old mythologies
From heel to throat;
But he fools caught it,
Wore it in the world's eyes
As though they'd wrought it.
Song, let them take it,
For there's more enterprise
In walking naked.

Notas:
* O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa registra que Folhetim foi um suplemento dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido por Tarso de Castro, trazia como objetivo inicial ser um “caderno de leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura modificada através do tempo, circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro também foi um dos fundadores do semanário Pasquim, periódico de origem carioca;
** O tradutor e crítico literário Péricles Eugênio da Silva Ramos, em Poemas de W. B. Yeats [Art Editora, 1987] anota a respeito do poema Coat:
Neste famoso poema, de 1912, ( … ) Yeats reafirma que, para livrar-se da multidão de imitadores de sua maneira primitiva, o jeito era mudar de estilo. Tiraria seu casaco bordado de mitologia e andaria nu (i.é., escreveria com simplicidade. Ellmann [Richard David Ellman, crítico literário e biógrafo] acentua, contudo, que Yeats não quis negar seus antigos símbolos, mas apenas frisar que de então por diante estes não mais fariam parte de sua roupagem exterior, e sim de sua própria pele.”.
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Folhetim: Poemas traduzidos [vários poetas e tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São Paulo — SP; William Butler Yeats ou W. B. Yeats (1865 1939), irlandês nascido em Dublin, foi poeta e dramaturgo, representante máximo do Renascimento Literário irlandês e um dos escritores mais destacados do século XX; o poeta andejou por diversos estilos e escolas literárias e foi co-fundador do Abbey Theatre; escreveu e publicou Mosada: A Dramatic Poem (1886), The Wanderings of Olsin and Other Poems (1889), John Sherman and Dhoya, two stories (1891), Poems (1895), The Secret Rose — short stories (1897), The Wind Among the Reeds (O Vento entre os Juncos, 1899), Plays in Prose and Verse, Written for an Iris Theatre (1919), Discoveries — A Volume of Essays (1907), The Green Helmet and Other Poems (1910), Four Plays for Dancers (Quatro Peças para Dançarinos, 1921), The Cat at the Moon (1924), October Blast — poetry (1927), The Winding Stair and Other Poems (1933), entre tantos outros textos em verso e prosa e para teatro.

sábado, 28 de outubro de 2023

Jorge de Lima: Eu sei que atrás do seu olhar havia . . . [soneto]


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[Olhar]

Eu sei que atrás do seu olhar havia
um outro olhar como uma chama escrava:
Sob o olhar de Raquel o olhar de Lia
no pórtico das órbitas velava.

Quando às vezes Raquel o olhar cravava
em alguém ou a alguém Raquel seguia
eram os olhos da irmã o que se via,
era o olhar da pastora que ali estava.

Debruça-se o pastor no olhar do filho.
Que é que via nos olhos que fitava?
Nos olhos bem-amados que é que via?

Por certo de Raquel o estranho brilho.
Mas atrás desse brilho bruxuleava
o olhar de Lia, Lia, sempre Lia.

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Jorge de Lima, Poesia — Coleção Nossos Clássicos Nº 26, por Luiz Santa Cruz, 1958, Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro — RJ; Jorge Matheos de Lima (1893 1953), alagoano de União dos Palmares, formado em medicina, foi político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor, professor de literatura e pintor; escreveu e publicou XIV Alexandrinos (1914), O Mundo do Menino Impossível (poesia, 1925), Poemas (1927), Novos Poemas (1929), O acendedor de lampiões (poesia, 1932), Calunga (romance, 1935), Tempo e eternidade (poesia, 1935), A túnica inconsútil (poesia, 1938), A mulher obscura (romance, 1939), Anunciação e encontro de Mira-Celi (poesia, 1943), Poemas Negros (1947), Livro de Sonetos (1949), Guerra dentro do beco (romance, 1950), Invenção de Orfeu (poesia, 1952) e outros títulos em verso e prosa.

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Zalina Rolim: Hora nostálgica


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Alvorecera um dia luminoso,
De límpida e suave transparência;
Tranquilo como um sonho venturoso,
Alegre como o riso da inocência.

Do céu azul sereno e fulgurante,
Por sobre o verde cafezal extenso,
Caía o sol, de um brilho deslumbrante,
Dourando a plantação, cálido, intenso...

Um velho escravo, trêmulo e alquebrado,
A custo erguendo o baço olhar magoado,
Contempla ao longe a alcantilada serra;

E os lábios entre-abrindo, vagamente,
Murmura: Quem me dera, ó Deus clemente!
Tornar a ver o céu da minha terra.

O Coração — 1893

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Zalina Rolim — Arruda Dantas [biografia e poemas], Apresentação [Prefácio], Organização de dados biográficos e Posfácio “Post Scriptum” de Arruda Dantas, 1983, Editora Pannartz, São Paulo — SP; Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo (1869 1961), paulista de Botucatu, foi professora alfabetizadora, educadora, poeta e uma das precursoras na difusão de poesias para crianças no país; passou parte de sua infância em Itapetininga, terra de seus familiares, mas também morou em Itapeva [ex Faxina], Araraquara, São Roque, Sorocaba e Itu, todas cidades do interior paulista, sempre acompanhando o pai, então juiz de Direito e nomeado para estas localidades; em 1893, a educadora e poeta mudou-se para a capital, São Paulo, quando o pai veio a assumir cargo no Tribunal de Justiça estadual; Zalina Rolim só frequentou regularmente uma escola em Itapeva, aos sete anos de idade e por um breve período, e ali também aprendeu português, francês, italiano e inglês em aulas ministradas por João Kopke [educador e escritor, 1852 1926]; no mais, todo seu aprendizado cultural se deu em casa e sob a orientação direta do pai; na capital paulista, foi pioneira na formação educacional do primeiro Jardim da Infância de São Paulo, anexo à Escola Normal da Capital [depois, Escola Normal Caetano de Campos, hoje Edifício Caetano de Campos, da Secretaria de Educação de São Paulo, na Praça da República]; traduziu obras dos idiomas inglês e italiano, colaborou com a Revista do Jardim da Infância, além de ter participado com adaptações e produções originais de pedagogia, ficção e poesia; escreveu para a revista feminina A Mensageira (1897 1900) e para os jornais O Itapetininga, Correio Paulistano, A Província de São Paulo e A Cidade de Itu; suas obras: O Coração (poesias, 1893), Livro das Crianças (poesias, 1897) e Livro da Saudade (organizado em 1903 para publicação póstuma e se extraviou); a poeta e educadora, mesmo sem formação acadêmica oficial, exerceu funções pedagógicas como auxiliar de diretoria na criação deste primeiro Jardim de Infância paulistano; hoje há na cidade de São Paulo duas instituições com seu nome: Escola Estadual Dona Zalina Rolim [Rua Luís Carlos, 740 Vila Aricanduva] e... isto é, havia... pois em pesquisa googleana, o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa descobriu, através de página da prefeitura de São Paulo, que o Espaço de Leitura Zalina Rolim [Rua Corredeira, 26 Vila Mariana] encontra-se permanentemente desativado [notícia de fevereiro de 2023].

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Joséphin Soulary: Sonhos ambiciosos

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[traduzido por Lúcio de Mendonça*]

Se eu tivesse algum chão: montanha, vale ou seara,
quisera um pouco d’água: arroio, olho ou cachoeira;
uma árvore plantara: ipê, cedro ou palmeira;
erguera um teto: telha-vã, colmo ou coivara.

Na árvore um ninho bom: frouxel, palha ou taquara,
reteria um cantor: sabiá, melro ou coleira;
sob o teto um bom leito: estrado, rede ou esteira,
reteria uma huri: parda, morena ou clara.

Basta um pequeno chão; para que o demarcasse,
pediria à mulher que mais me enamorasse:
fica em frente do sol que vem rompendo; espera;

até onde na selva a tua sombra avance,
apenas até lá meu horizonte alcance:
ventura que na mão se não colhe, é quimera!

Rio, 1893.


Rêves ambitieux

Si j’avais un arpent de sol, mont, val ou plaine,
Avec un filet d’eau, torrent, source ou ruisseau,
J’y planterais un arbre, olivier, saule ou frêne,
J’y bâtirais un toit, chaume, tuile ou roseau.

Sur mon arbre, un doux nid, gramen, duvet ou laine,
Retiendrait un chanteur, pinson, merle ou moineau.
Sous mon toit, un doux lit, hamac, natte ou berceau,
Retiendrait une enfant, blonde, brune ou châtaine.

Je ne veux qu’un arpent; pour le mesurer mieux,
Je dirais à l’enfant la plus belle à mes yeux:
«Tiens-toi debout devant le soleil qui se lève;

Aussi loin que ton ombre ira sur le gazon,
Aussi loin je m’en vais tracer mon horizon.»
Tout bonheur que la main n’atteint pas n’est qu’un rêve.

* Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página expõe sobre este poema Sonhos ambiciosos, do item “Lúcio de Mendonça”, anotado com a expressão “(J. Soulary)” logo abaixo do título: trata-se de uma tradução do poema Rêves ambitieux do poeta francês Joséphin Soulary; Lúcio de Mendonça também traduziu poemas de Alfred de Musset, Jean Richepin, Heinrich Heine, Ludwig Uhland, Henry Mürger, Sainte-Beuve, Théophile Gautier, Victor Hugo, etc.
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Antologia de Poetas Fluminenses (vários autores) — Rubens Falcão, Carta-Prefácio de Agripino Grieco, 1968, Gráfica Record Editora, Rio de Janeiro — RJ; Joséphin Soulary ou Joseph Marie Soulary (1815 1891), francês de Lyon, foi um escritor e poeta francês; rejeitado pelos pais, teve uma infância difícil, aos dezesseis anos alistou-se num regimento, depois, acolhido por Hippolyte-Paul Jaÿr, então prefeito de Lyon e que apreciava suas poesias, tornou-se funcionário da prefeitura e seguiu dupla carreira: a administrativa e a literária; de seus traços bibliográficos, é tido que seus sonetos humorísticos atraiam a atenção e encantavam os leitores; tinha o pleno domínio das técnicas poéticas, particularmente das do soneto; suas obras: À travers champs (1837), Les Cinq cordes du luth (1838), Les Éphéméres (deux séries, 1846 et 1857), Sonnets humouristiques (1862), Les Figulines (1862), Pendant l’invasion (1871), Les Rimes ironiques (1877), Jeus divins (1882), e duas comédias; suas obras poéticas foram reunidas em 3 volumes (1872-1883).

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Guerra Junqueiro: O luar


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Ó luz! ó alma na amplidão suspensa,
Ó astros puros, ó luar, ó sol!
E em noites tristes de tristeza imensa,
Ó luz feita harmonia, ó rouxinol!

E como eu quero ainda! E como é triste
Sentir a vossa doce claridade,
Esse bater de ondas da saudade,
Sobre a imagem dum bem que não existe!

Lá vem a luz, a Ofélia desmaiada,
Pela amplidão da abóbada azulada,
A grinalda de estrelas desfolhando...

Sonâmbula d’amor, com mãos piedosas
Entorna as longas tranças luminosas
Por sobre os corações que estão chorando.

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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros e Portugueses, Organização e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Abílio Manuel Guerra Junqueiro (1850 1923), português de Ligares Freixo de Espada à Cinta, formado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi alto funcionário administrativo, político, deputado, jornalista, escritor e poeta; à sua época, bastante popular, é considerado o mais típico representante da chamada Escola Nova e, com sua poesia panfletária, contribuiu para formar o ambiente revolucionário que acabou por provocar a implantação da República portuguesa; passando a residir em Lisboa, a partir de 1875 colaborou em prosa e em verso com jornais políticos e artísticos, A Lanterna Mágica, O António Maria, Diário de Notícias, Atlântida, Branco e Negro, Brasil Portugal, A Crônica, A Illustração Portugueza, A Imprensa, A Leitura, A Mulher, O Occidente, Renascença, O Pantheon, A República Portugueza, Ribaltas e Gambiarras, Serões, Azulejos, Azeitonense, entre outros periódicos; suas obras: A Morte de D. João (1874), Contos para a Infância (1875), A Musa em Férias (1879), A Velhice do Padre Eterno (1885), Finis Patriae (1890), Os Simples (1892), Oração ao Pão (1902), Gritos da Alma (1912), Poesias Dispersas (1920), ...

terça-feira, 24 de outubro de 2023

Thomas Macaulay: A morte moço (1)


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[traduzido por Renato Janine Ribeiro]

A meu Rei legítimo, imaculadas ofertei
Coragem e fé; vã fé, e coragem vã
Por ele terras, honras, riqueza larguei,
E uma cara esperança, mais preciosa que tudo.
Por ele enlanguesci em clima estrangeiro
E de pesar encaneci os cabelos na força da idade;
Ouvi em Lavernia o murmúrio das árvores de Scargill,
Junto ao Arno suspirei pelo meu Tees, mais belo;
Noite após noite avistei meu lar, em sono febril,
Passando, toda manhã, do sonho ao choro;
‘Té que Deus, de ver tão severa provação,
Me deu o repouso ansiado, a morte moço.
Ó tu, que a esta pedra sem nome o acaso traz
Da altiva terra que em tempos foi minha,
Pelas brancas falésias que nunca hei de rever
Pela querida língua que falei como tu,
Esquece todo ódio, e verte uma lágrima inglesa
Sob pó inglês. Um coração partido aqui jaz.

[suplemento dominical de cultura] Folhetim*, 13.03.83

Thomas Macaulay

Epitaph on a Jacobite

To my true king I offered free from stain
Courage and faith; vain faith, and courage vain.
For him, I threw lands, honours, wealth, away.
And one dear hope, that was more prized than they.
For him I languished in a foreign clime,
Grey-haired with sorrow in my manhood’s prime;
Heard on Lavernia Scargill’s whispering trees,
And pined by Arno for my lovelier Tees;
Beheld each night my home in fevered sleep,
Each morning started from the dream to weep;
Till God who saw me tried too sorely, gave
The resting place I asked, an early grave.
Oh thou, whom chance leads to this nameless stone,
From that proud country which was once mine own,
By those white cliffs I never more must see,
By that dear language which I spake like thee,
Forget all feuds, and shed one English tear
O’er English dust. A broken heart lies here.

* Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página registra que Folhetim foi um suplemento dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido por Tarso de Castro (1941 — 1991), trazia como objetivo inicial ser um “caderno de leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura modificada através do tempo, circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro também foi um dos fundadores do semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas traduzidos [vários poetas e tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Thomas Babington Macaulay, Lord Macaulay (1800  1859), inglês de Rothley Temple, distrito de Charnwood, Leicesterchire, educado em escola de Hertfordshire e, depois, no Trinity College, em Cambridge, foi político, historiador, ensaísta e poeta; como membro do Parlamento, exerceu funções políticas na Índia; em 1838, de retorno à Inglaterra, tornou-se deputado, recebeu a nomeação para Secretário de Guerra, e também foi eleito reitor da Universidade de Gasglow; suas obras: Works by Thomas Babington Macaulay, Lays of Ancient Rome (quatro poemas históricos, 1842), Critical and Historical Essays (coletânea editada em 1843, textos originalmente publicados na Edinburgh Review), The History of England from the Acession of James II (História da Inglaterra, 4 volumes publicados integralmente, e um quinto volume, incompleto), Social and Industrial Capacities of the Negroes; enquanto estudou em Cambridge, não tomou contato com a literatura clássica, só vindo a conhecê-la através de leituras quando já estava a trabalho na Índia; foi também sozinho que aprendeu os idiomas alemão, holandês e espanhol; era fluente em francês.

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Torquato Neto: Agora não se fala mais . . .


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Agora não se fala mais
toda palavra guarda uma cidade
e qualquer gesto é o fim
do seu início;

Agora não se fala nada
e tudo é transparente em cada forma
qualquer palavra é um gesto
e em sua orla
os pássaros de sempre cantam
nos hospícios.

Você não tem que me dizer
o número de mundo deste mundo
não tem que me mostrar
a outra face
face ao fim de tudo:

só tem que me dizer
o nome da república do fundo
o sim do fim
do fim de tudo
e o tem do tempo vindo;

não tem que me mostrar
a outra mesma face ao outro mundo
não se fala, não é permitido:
mudar da idéia. é proibido.
não se permite nunca mais olhares
tensões de cismas crises e outros tempos.
está vetado qualquer movimento.

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26 Poetas Hoje — Antologia: Organização, Introdução e Posfácio de Heloísa Buarque de Hollanda, 2001, 5ª edição, Editora Aeroplano, Rio de Janeiro — RJ; Torquato Pereira de Araújo Neto (1944 1972), piauiense de Teresina, mudando-se para Salvador (BA) aos 16 anos, fez seus estudos secundários no Colégio [marista] Nossa Senhora da Vitória, foi jornalista, poeta, letrista de música popular e participante do movimento de contracultura (tropicalismo, cinema marginal, poesia concreta ...) no Brasil; em 1962, mudando-se para o Rio de Janeiro, estudou jornalismo mas não se formou, trabalhou na imprensa carioca, escreveu sobre cultura nos jornais Correio da Manhã, Jornal dos Sports e Última Hora; em 1973 foi publicado Os últimos dias de paupéria (1ª edição, Livraria Eldorado Tijuca Ltda., Rio de Janeiro RJ), sua obra póstuma; em 1968, o poeta e letrista Torquato Neto teve participação no LP (long-play, disco de vinil) Tropicalia ou Panis et Circencis (em composições de Gilberto Gil e Caetano Veloso), além de outras parcerias musicais em LPs de Luiz Melodia, Jards Macalé, João Bosco, Sérgio Brito, Edu Lobo, Geraldo Vandré, Geraldo Azevedo, Paulo Diniz, ...; como ator, participou dos filmes Nosferatu (1970), de Ivan Cardoso, Adão e Eva do Paraíso ao Consumo (super 8, 1972), de Edemar Oliveira e Carlos Galvão, e também foi diretor, além de ator, do filme Terror da Vermelha (1972); suicidou-se em 10 de novembro de 1972, trancando-se no banheiro e abrindo o gás; algum tempo depois, em homenagem póstuma ao poeta piauiense, Caetano Veloso escreveu a canção Cajuína e a incluiu no disco Cinema Transcendental (1979).

domingo, 22 de outubro de 2023

Júlia Cortines: Depois da batalha


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Ei-lo, triste e de pé, de sua tenda à porta.
Na planície cessou o fragor da batalha,
E o silêncio, por sobre essa paisagem morta,
Deixa agora cair a pesada mortalha.

Espraia o olhar, e nada o seu olhar conforta:
Corre o sangue; do fumo esgarça-se a toalha;
O ar, um corvo, estendendo as asas negras, corta;
Por tudo uma tristeza infinita se espalha...

De súbito, o guerreiro, atento, a face inclina
Para o lado em que, doce e piedosa, tu desces,
Morte, sobre o sofrer a tua asa divina!

Qual se, de longe, um triste e confuso ruído
De resfôlegos e ais, de blasfêmias e preces,
Lhe viesse ferir subitamente o ouvido...

[revista A Mensageira, de 15 de março de 1899,
Ano II, nº 26, São Paulo — SP]

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A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira (1897 a 1900), Diretora: Presciliana Duarte de Almeida, Edição fac-similar, Volume II, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; da vida da poetisa e cronista Maria Júlia Cortines Laxe (1863 1948), fluminense de Rio Bonito, apesar de sua longevidade, pouco se sabe: de sua avó recebeu “instrução elementar”, prosseguiu seus estudos em Niterói e, autodidata, adquiriu formação literária e pedagógica; portas foram abertas para que ela atuasse no magistério, é o que se supõe; colaborou com as revistas A Semana e A Mensageira, redigiu para o jornal O País, no qual manteve a coluna “Através da Vida”; no início do século XX, no meio literário brasileiro, foi considerada uma das "três Júlias" mais famosas da época (as outras foram Francisca Júlia, também poetisa, e Júlia Lopes de Almeida, romancista); escreveu seus primeiros versos aos 13 anos, e aos 21 já colaborava em periódicos da Corte Imperial; deixou-nos como legado Versos (1894) e Vibrações (1905), ambos de poesia; ”praticamente esquecida em nossos dias”, em 2010 a Academia Brasileira de Letras publicou o volume Versos & Vibrações de Júlia Cortines e mais três poemas inéditos, “Coleção Austregésilo de Athayde, nº 32”, com apresentação/estudo, Descortinando Júlia, de Gilberto Araújo e o texto A poesia esquecida de Júlia Cortines, de Fausto Cunha; no Rio de Janeiro existe uma rua com seu nome, além de também ter o nome emprestado a escolas e logradouros de outras cidades (Rua Júlia Cortines, em São Paulo, Escola Municipal Julia Cortines, em Niterói...).

Ibrantina Cardona*: Ti-Chin-Fú

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A Olavo Bilac

Tem olhos cor de ônix, e do Japão é filho.
Usa o rabicho a ylang-ylang perfumado.
O rosto é cor de oca, e de Nankim pintado,
O seu bigode negro e ralo tem mais brilho

Veste cetim Macau, verde claro, bordado
À ouro, com dragões e rosas no peitilho.
Traz ventarola á cinta, em delicado atilho;
Nos pés botins de cor, com bico revirado.

É mandarim fidalgo e tem ricas baixelas,
Quiosques, palanquins; habita um palacete
Com teto de cristal e crivos nas janelas.

Na mesa de charão dá sempre o seu banquete;
Fuma ópio, é feliz; e, entre mulheres belas,
Ressona embriagado em flácido tapete.

[revista A Mensageira, de 15 de Dezembro de 1897,
Ano I, nº 5, São Paulo — SP]


* Nota do blogue Verso e Conversa: acerca da vida de Ibrantina Cardona, o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página transcreve o que se segue:
Ao se casar com o jornalista Francisco Cardona, mudou-se para Mogi-Mirim, no interior de São Paulo. Com ele, viveu um casamento considerado, no mínimo, "estranho”. Descrito pelo vigário da cidade, Monsenhor José Nardini, como uma pessoa de temperamento forte e violento, Francisco pode ter sido o grande responsável pela separação do casal. Uma separação também diferente: viviam na mesma casa, ele na parte da frente e ela, na de trás. O banheiro tinha duas portas; uma para ele, outra para ela. As refeições eram servidas separadamente, sendo que no fim do casamento, os almoços e jantares chegaram a ser feitos por pessoas diferentes. Francisco e Ibrantina não trocavam uma palavra. Quando necessário, se comunicavam por meio de bilhetes.’ (trecho do texto Não somos alegres nem tristes: somos poetas, transcrito de A Voz da Serra — sexta-feira, 14 de março de 2014, Nova Friburgo — RJ)
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A Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira (1897 a 1900), Diretora: Presciliana Duarte de Almeida, Edição fac-similar, Volume I, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo — SP; Ibrantina Froidevaux de Oliveira Cardona (1868 1956), nascida em Nova Friburgo RJ, foi poeta e escritora; colaborou intensamente em periódicos da época: Revista Feminina, Senhorita X!..., A Mensageira, Gazeta de Paraopeba, ...; escreveu e publicou Plectros (1897), Primavera do Amor (1915), Heptacórdio (1922), Cleópatra (1923), Asas Rubras (1939), Cosmos (poesias de vários tempos, 1951), ...; em 1976, a poetisa foi biografada por Antônio Arruda Dantas em Ibrantina Cardona, publicado pela Editora Pannartz; Ibrantina foi membro da Academia Fluminense de Letras, participou do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas, da Associação Paulista de Imprensa etc.

sábado, 21 de outubro de 2023

William Carlos Williams: As últimas palavras da minha avó inglesa


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[traduzido por José Paulo Paes]

Versão abreviada de um poema publicado pela primeira vez em 1920

Havia alguns pratos sujos
e um copo de leite
na mesinha ao lado dela
junto à cama rançosa, em desordem —

Encarquilhada e quase cega
ali jazia roncando
quando despertava, punha-se a gritar
em voz irada por comida,

Me dê alguma coisa pra comer
Eles me matam de fome
Estou bem não quero ir
para o hospital. Não, não, não

Me dê alguma coisa pra comer
Deixe-me levá-la
para o hospital, eu disse
e depois quando estiver bem

poderá fazer o que quiser.
Ela sorriu, Certo
Você faz o que quiser primeiro
aí poderei fazer o que eu quiser

Oh, oh, oh! gritou ela
quando os homens da ambulância
a puseram na maca
É isso que vocês chamam

de me pôr a cômodo?
Já então estava lúcida
Oh, vocês se acham espertos
vocês gente moça.

disse, mas eu garanto
que não sabem coisa alguma.
Então partimos.
No caminho

passamos por um longo renque
de olmos. Ela os contemplou
alguns instantes pela
janela da ambulância e disse,

O que são todas essas
coisas felpudas lá fora?
Árvores? Ora, estou cheia
delas, e sua cabeça rolou para o lado.

(O vão rompido — 1941)

William Carlos Williams

The last words of my english grandmother

A shortened version of a poem first published in 1920

There were some dirty plates
and a glass of milk
beside her on a small table
near the rank, disheveled bed

Wrinkled and nearly blind
she lay and snored
rousing with anger in her tones
to cry for food,

Gimme something to eat
They're starving me
I'm all right I won't go
to the hospital. No, no, no

Give me something to eat!
Let me take you
to the hospital, I said
and after you are well

you can do as you please.
She smiled, Yes
you do what you please first
then I can do what I please

Oh, oh, oh! she cried
as the ambulance men lifted
her to the stretcher
Is this what you call

making me comfortable?
By now her mind was clear
Oh you think you're smart
you young people,

she said, but I'll tell you
you don't know anything.
Then we started.
On the way

we passed a long row
of elms. She looked at them
awhile out of
the ambulance window and said,

What are all those
fuzzy-looking things out there?
Trees? Well, I'm tired
of them and rolled her head away.

(The Broken Span — 1941)
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Poemas: William Carlos Williams — Seleção, Tradução, Estudo crítico e Notas de José Paulo Paes, 1987, Companhia das Letras, São Paulo — SP; William Carlos Williams (1883 1963), estadunidense de Rutherford, New Jersey, formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia, foi médico pediatra e clínico geral, romancista, ensaísta e poeta do modernismo e do imagismo norte-americano; Williams, antes mesmo de aprender o inglês, aprendeu o espanhol, visto que sua mãe, de origem basca, nascera em Porto Rico, Caribe, e em casa seus pais conversavam neste idioma; suas obras: Poems (1909), Kora in Hell: Improvisations (poema-prosa, 1920), The Great American Novel (novela, 1923), Novelette and Other Prose (1932), An Early Martyr and Other Poems (Um mártir precoce e outros poemas, 1935), White Mule (novela, 1937), Life along the Passaic River (contos, 1938), The Complete Collected Poems of William Carlos Williams 1906—1938 (1938), The Wedge (poesias, 1944), Paterson — Books I, II, III, IV and V (1946 1958), Autobiography (1951), The Desert Music and Other Poems (1954), Selected Essays (1954), Pictures from Brueghel and Other Poems (Quadros de Brueghel e outros poemas, 1962), Many Loves and Other Plays: The Collected Plays of William Carlos Williams (drama, 1962) e outros textos em verso e prosa; William Carlos Williams recebeu premiações por sua obra, entre as quais o National Book Award for Poetry, o Prêmio Bollingen e, postumamente, o Pulitzer de Poesia, por Pictures from Brueghel and Other Poems.