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[traduzido por Alfredo de Souza]
Certa criança um grão encontra por acaso
E encantada por ver vívidas cores,
Toma, para o plantar, de porcelana um vaso
Ornado de dragões e de bizarras flores.
Planta-o em parte. A raiz, como serpes, se alonga,
Sai da terra e se torna em arbusto frondente;
Dia a dia seu pé se estende e se prolonga
Té que o bojo do vaso estala de repente.
Volta a criança; e vê, erguido arbusto
Punhais verdes brandir nos cacos; e raiventa
Quer derrubá-lo; o tronco é robusto;
Persiste, e finalmente os dedos ensanguenta.
Assim cresceu o amor que minh’alma celebra;
Elementar, eu julguei, róseas singelas;
É um enorme aloés cuja raiz já quebra
De porcelana o vaso onde há figuras belas!
Toma, para o plantar, de porcelana um vaso
Ornado de dragões e de bizarras flores.
Sai da terra e se torna em arbusto frondente;
Dia a dia seu pé se estende e se prolonga
Té que o bojo do vaso estala de repente.
Punhais verdes brandir nos cacos; e raiventa
Quer derrubá-lo; o tronco é robusto;
Persiste, e finalmente os dedos ensanguenta.
Elementar, eu julguei, róseas singelas;
É um enorme aloés cuja raiz já quebra
De porcelana o vaso onde há figuras belas!
Le pot de fleurs
Parfois un enfant trouve une
petite graine,
Et tout d’abord, charmé de ses
vives couleurs,
Pour la planter, il prend un
pot de porcelaine
Orné de dragons bleus et de
bizarres fleurs.
Il s’en va. La racine en
couleuvres s’allonge,
Sort de terre, fleurit et
devient arbrisseau;
Chaque jour, plus avant, son
pied chevelu plonge
Tant qu’il fasse éclater le
ventre du vaisseau.
L’enfant revient; surpris, il
voit la plante grasse
Sur les débris du pot brandir
ses verts poignards;
II la veut arracher, mais la
tige est tenace;
II s’obstine, et ses doigts
s’ensanglantent aux dards.
Ainsi germa l’amour dans mon
âme surprise;
Je croyais ne semer qu’une
fleur de printemps:
C’est un grand aloès dont la
racine brise
Le pot de porcelaine aux
dessins éclatants.
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Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves,
[diversos autores e tradutores], Antologia da Literatura Mundial, 7ª edição, 1965,
Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; Théophile Gautier (1811 — 1872),
francês de Tarbes, foi escritor, jornalista, poeta, crítico literário e de arte;
defensor e propulsionador da “arte pela arte”, pelo culto à beleza da forma poética, que veio a desaguar no surgimento do parnasianismo, Gautier transitou no romantismo, parnasianismo, simbolismo e decadentismo; colaborou com os periódicos
La Chronique de Paris, La Presse, entre vários outros jornais da época; suas obras:
La Cafetière (contos, 1831), Albertus ou L’Ame et le pêché (poesias, 1833), Mademoiselle
de Maupin (romance, 1835), Le Jeunes-France (contos ou romances zombeteiros, 1833),
La Comédie de la mort (poesias, 1838), Une tear du diable, Le Tricorne Enchanté,
Pierrot Posthume (teatro, todos em 1839), Les Grotesques (crítica, 1843), Le Voyage
en Espagne (relatos de viagem, 1843), Émaux et camées (poesias, 1852), Constantinopla
(relatos de viagem, 1853), Les Beaux-Arts en Europe (crítica, 1855), L’Art Moderne
(crítica, 1856), Honoré de Balzac (biografia, 1859), Le Capitaine Fracasse (romance,
1863), Voyage en Russe (relatos de viagem, 1867) e outros títulos.
