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terça-feira, 9 de novembro de 2021

Théophile Gautier: Vaso de flores

 
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[traduzido por Alfredo de Souza]

Certa criança um grão encontra por acaso
E encantada por ver vívidas cores,
Toma, para o plantar, de porcelana um vaso
Ornado de dragões e de bizarras flores.
 
Planta-o em parte. A raiz, como serpes, se alonga,
Sai da terra e se torna em arbusto frondente;
Dia a dia seu pé se estende e se prolonga
Té que o bojo do vaso estala de repente.
 
Volta a criança; e vê, erguido arbusto
Punhais verdes brandir nos cacos; e raiventa
Quer derrubá-lo; o tronco é robusto;
Persiste, e finalmente os dedos ensanguenta.
 
Assim cresceu o amor que minh’alma celebra;
Elementar, eu julguei, róseas singelas;
É um enorme aloés cuja raiz já quebra
De porcelana o vaso onde há figuras belas!

Théophile Gautier

Le pot de fleurs

Parfois un enfant trouve une petite graine,
Et tout d’abord, charmé de ses vives couleurs,
Pour la planter, il prend un pot de porcelaine
Orné de dragons bleus et de bizarres fleurs.
 
Il s’en va. La racine en couleuvres s’allonge,
Sort de terre, fleurit et devient arbrisseau;
Chaque jour, plus avant, son pied chevelu plonge
Tant qu’il fasse éclater le ventre du vaisseau.
 
L’enfant revient; surpris, il voit la plante grasse
Sur les débris du pot brandir ses verts poignards;
II la veut arracher, mais la tige est tenace;
II s’obstine, et ses doigts s’ensanglantent aux dards.
 
Ainsi germa l’amour dans mon âme surprise;
Je croyais ne semer qu’une fleur de printemps:
C’est un grand aloès dont la racine brise
Le pot de porcelaine aux dessins éclatants.
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Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores e tradutores], Antologia da Literatura Mundial, 7ª edição, 1965, Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; Théophile Gautier (1811 1872), francês de Tarbes, foi escritor, jornalista, poeta, crítico literário e de arte; defensor e propulsionador da “arte pela arte”, pelo culto à beleza da forma poética, que veio a desaguar no surgimento do parnasianismo, Gautier transitou no romantismo, parnasianismo, simbolismo e decadentismo; colaborou com os periódicos La Chronique de Paris, La Presse, entre vários outros jornais da época; suas obras: La Cafetière (contos, 1831), Albertus ou L’Ame et le pêché (poesias, 1833), Mademoiselle de Maupin (romance, 1835), Le Jeunes-France (contos ou romances zombeteiros, 1833), La Comédie de la mort (poesias, 1838), Une tear du diable, Le Tricorne Enchanté, Pierrot Posthume (teatro, todos em 1839), Les Grotesques (crítica, 1843), Le Voyage en Espagne (relatos de viagem, 1843), Émaux et camées (poesias, 1852), Constantinopla (relatos de viagem, 1853), Les Beaux-Arts en Europe (crítica, 1855), L’Art Moderne (crítica, 1856), Honoré de Balzac (biografia, 1859), Le Capitaine Fracasse (romance, 1863), Voyage en Russe (relatos de viagem, 1867) e outros títulos.