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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Fernando Pessoa Ferreira: O Morto

Resultado de imagem para Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 50
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Pela manhã, calçaram lhe- sapatos
de sono. E à tarde, alegres inimigos
pintaram suas mãos, murchas, ausentes,
para esconder-lhe o último espetáculo.

Rude neblina vem molhar-lhe os ossos,
o seu olhar ferido e a sua face
densa, todas as magras vestes frias
e os pés vazios, interminavelmente.

É uma flauta dormindo? Um tênue mapa
que se desprende dos seus próprios rumos?
Ele agora está só, largo e preciso,

perfeito como o tempo, mas sem luta.
Ele agora viaja e nos seus ombros
leva o espanto das coisas terminadas.

Os Instrumentos do Tempo  1958

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Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 50, Seleção e Prefácio de André Seffrin, Direção de Edla van Steen, primeira edição, 2007, Editora Global, São Paulo — SP; Antônio Fernando Pessoa Ferreira (1932 —  2010), pernambucano de Olinda, jornalista desde os 21 anos, foi também escritor e poeta; trabalhou nos jornais Diário Carioca, Correio da Manhã e Última Hora, nas revistas Manchete e Cruzeiro, no Rio de Janeiro, e na Folha da Tarde, Folha de São Paulo e revistas do Grupo Abril, em São Paulo; num período sombrio ditadura iniciada em 1964, foi preso em 1969, acusado de hospedar um procurado pelos militares; colaborou com o semanário O Pasquim; bibliografia: Os Instrumentos do Tempo (poesias, ganhador do Prêmio Fábio Prado, 1958), Em Redor do A (poesias, 1967), Os Fantasmas da Gaveta (contos, 1983), O Umbigo do Anjo (contos, 1998), Os Demônios Morrem Duas Vezes (romance, 2005), O Assobio da Foice (romance, 2010).