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sábado, 5 de dezembro de 2020

Fábio Carvalho: A Constituição da poesia, Título VII — Da Ordem Econômica e Financeira [Artigos 48º e 49º]

A constituição da poesia – Livraria Expressão Popular
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Capítulo III — Da Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária

Art. 48º A Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária será obrigatoriamente desenvolvida a partir da permanente lembrança dos seguintes fatos históricos:

  • I. a chegada dos portugueses nessa terra só foi, de fato, comemorada em Portugal. Os índios, a fauna e a flora choraram com a invasão bacalhau;
  • II. os cara-pálidas dividiram este lugar em quinze fatias separadas, cada qual distribuída a quinze camaradas. Todas demarcadas com linhas imaginárias, todas nomeadas Capitanias Hereditárias;
  • III. e geraram filhos, misturando-os ou não, que geraram netos, bisnetos, trinetos... Até que treze, quatorze, quinze gerações à frente, os descendentes dos tais caras pálidos criaram a Lei das Terras, privatizando o chão;
  • IV. a geração dos tataranetos daqueles que privatizaram o chão impôs um novo jeito de plantar. Matas foram derrubadas e produtos químicos aplicados. Máquinas foram importadas e genes modificados;
  • V. recentemente, a mesma linhagem de cara-pálidas, já modernizada, resolveu brincar de montar e encaixar pecinhas nos laboratórios, pintando e bordando vidas artificiais, modelando transgenia, enfeitando multinacionais, derramando nanotecnologia, inventando jogadas comerciais, espalhando mercadoria, imaginando as águas, plantas e animais privados à minoria, driblando e querendo mais, bagunçando noite e dia, noite e dia, noite e dia...

Parágrafo único. O nosso povo sempre foi pobre e à terra nunca teve acesso. Ao exército e à polícia, o nobre agradece. Mas não de férias, nem recesso.

Art. 49º A Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária será permanentemente desenvolvida a partir da obrigatória lembrança das seguintes indiscutíveis obviedades:

  • I. sem água não há vida e sem vida não há nada;
  • II. o solo não resiste quando um infeliz insiste na ideia e raspa extensa vegetação nativa como quem faz a barba;
  • III. agrotóxico é tóxico;
  • IV. adubo químico é artificial, além de ser mercadoria;
  • V. adubo orgânico é natural, além de estar ali, compondo a matéria;
  • VI. a cidade fica cheia quando o campo esvazia;
  • VII. é saudável e prazeroso cultivar pequenas plantações;
  • VIII. muita gente plantando, muita comida;
  • IX. achar que a maioria não quer morar na roça não procede. Viver no campo é muito bom se a condição não impede.

Parágrafo único. No sentido mais amplo e verdadeiro da palavra e na melhor das intenções de um verso entrelaçado e contínuo, é assegurado a todos o canto que entoa da-terra-a-igualdade-do-trabalho-o-alimento-da-vida-a-liberdade-do-povo-o-sustento-da-terra-a-igualdade-do-trabalho-o-alimento-da-vida-a-liberdade-do-povo-o-sustento-da-terra...

Meia Palavra Bastaria (2014)
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A Constituição da poesia — Fábio Carvalho, 2008, 2ª edição, Thesaurus Editora, Brasília — DF; Fábio Simoni Homem de Carvalho é agrônomo, escritor, compositor e poeta, contribui com a elaboração e publicação de materiais destinados à educação popular, em sua maioria cartilhas relacionadas aos temas sociedade, meio ambiente e agroecologia; bibliografia: A Constituição da poesia (2008), Passeio poético pela obra de Marx e outros poemas necessários (2015), Na asa da algema — Papo de poeta, Conversa de bar (2016); na música, compôs os CDs Conta Outra, Clarice — adaptação da obra de Clarice Lispector (trilha sonora, 2007), No Chão de Abá (2009), Meia Palavra Bastaria (2014) e, em parceria com Pedro Nathan, No Batuque das Ideias (2011); pilota o blogue meia palavra bastaria.

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Fábio Carvalho: A Constituição da poesia, Título VIII — Da Ordem Social

A constituição da poesia – Livraria Expressão Popular
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Capítulo I  Disposição Geral

Art. 53º A fim de garantir a poesia, a palavra ordem será falada, escrita ou pensada desacompanhada de qualquer dissabor.
  • § 1º Quando surgir agressiva e arrogante, no início, no meio ou no fim de uma frase, que as letras presentes por perto se rebelem e, insistentemente discordem.
  • § 2º Quando a ordem dos fatores não alterar (ou alterar) o produto esperado, que não seja um problema, pois há sempre fatores a serem ordenados e um desarranjo que se ordena.
  • § 3º Quando um poema ordenar um canto tímido e necessário, que as notas cresçam seguras de si e voem longe...
Tratore - Meia Palavra Bastaria - Fábio Carvalho
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A Constituição da poesia — Fábio Carvalho, 2008, 2ª edição, Thesaurus Editora, Brasília — DF; Fábio Simoni Homem de Carvalho é agrônomo, escritor, compositor e poeta, contribui com a elaboração e publicação de materiais destinados à educação popular, em sua maioria cartilhas relacionadas aos temas sociedade, meio ambiente e agroecologia; bibliografia: A Constituição da poesia (2008), Passeio poético pela obra de Marx e outros poemas necessários (2015), Na asa da algema — Papo de poeta, Conversa de bar (2016); na música, compôs os CDs Conta Outra, Clarice — adaptação da obra de Clarice Lispector (trilha sonora, 2007), No Chão de Abá (2009), Meia Palavra Bastaria (2014) e, em parceria com Pedro Nathan, No Batuque das Ideias (2011); pilota o blogue meia palavra bastaria.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Fábio Carvalho: A Constituição da poesia — Emendas Constitucionais

A constituição da poesia – Livraria Expressão Popular
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Dispõe sobre a poesia constituída.

I.
Quando ecoou
todos ouviram,
todo mundo entendeu.

Não foi preciso explicar,
de tão simples e comum
a todos.

Foi preciso, sim, repetir
de tão preciso que foi.

Também se fez presente
o silêncio,
passeando entre as ideias,
revendo opiniões,
compondo pensamentos
e sumindo, sorrateiro,
ao anunciar o riso aberto.

Quando ecoou
todos sentiram,
todo mundo entendeu.

II.
E chegou transformando.
E queria transformar.
Chegou com força e leveza
navegando pelo ar.

Quem trouxe foi o vento.
Mas quem soprou ao vento
foram os lábios.

Quem disse aos lábios
foi o peito.
Mas quem encheu o peito
foram os olhos.

Quem mostrou aos olhos
foi o desejo.
Mas quem provocou o desejo
foram as mãos,
de irmãs e irmãos.

E quem levou as mãos
à folha,
sustentando a madeira,
continuou levando
cada vez mais,
cada vez melhor.

III.
E o tempo ia passando.
Enquanto passava
resolveu, só por um tempo,
parar e contemplar.

O vento soprava
e muito.
De todos os lados,
de todos os cantos.

Quantos lábios diziam
constantemente!

Quantas ideias a convir,
a convidar o silêncio
que vinha sempre!
Sempre a passeio.

Quanto desejo provocado!
Quantos olhos sérios
sorriam, se viam
e enchiam cada peito
até quase estourar!

Quantas mãos levadas à folha!
Quantas folhas sustentadas,
acariciadas pela ponta da madeira!

Mãos que se erguiam
uma a uma
e pediam a vez
ao vento,
cada vez mais,
cada dia melhor.

IV.
E, de repente,
qual lâmpada quando acende,
ao som dos pássaros
da cidade
das pessoas,
o cenário era outro:
um quarto e nada mais.

Um quarto, um tanto quanto escuro,
fechado e avesso à luz do dia,
que cumpria rotina aquela manhã.

E antes do entreabrir dos olhos,
dentro do corpo dobrado,
imóvel pelo sono,
palavras iam sendo apanhadas.

Perto dali,
imagens desordenadas
projetavam lembranças
na parte interna de pálpebra.

Cenas e frases, juntas
tentavam acordar a consciência,
quando o escuro do quarto
apagou de vez a dúvida,
deixando tudo mais claro.

Confirmado, assim,
o surrealismo de minutos atrás,
que não parecia só real.
Parecia certo.

O vento, neste momento,
batia na janela
trazendo somente a serena vontade
de manter o corpo ali:
quente.

O peito, sem mais,
só enchia e esvaziava,
com ritmo e tom.
A calma o acolchoava.

Os lábios por um instante
tentaram se desgrudar.
Mas a força que os atraía,
como dois imãs,
não deixou.

As mãos tomaram impulso
a fim de tocar o rosto
e a vida...

E quanto ao desejo,
o mesmo que durante a noite
mostrara aos olhos,
quando provocado,
simplesmente
despertou mais vivo.

Quando ecoar
todos ouvirão,
todo mundo vai entender.

Meia Palavra Bastaria (2014)
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A Constituição da poesia — Fábio Carvalho, 2008, 2ª edição, Thesaurus Editora, Brasília — DF; Fábio Simoni Homem de Carvalho é agrônomo, escritor, compositor e poeta, contribui com a elaboração e publicação de materiais destinados à educação popular, em sua maioria cartilhas relacionadas aos temas sociedade, meio ambiente e agroecologia; bibliografia: A Constituição da poesia (2008), Passeio poético pela obra de Marx e outros poemas necessários (2015), Na asa da algema — Papo de poeta, Conversa de bar (2016); na música, compôs os CDs Conta Outra, Clarice — adaptação da obra de Clarice Lispector (trilha sonora, 2007), No Chão de Abá (2009), Meia Palavra Bastaria (2014) e, em parceria com Pedro Nathan, No Batuque das Ideias (2011); pilota o blogue meia palavra bastaria.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Fábio Carvalho: A Constituição da poesia, Título III — Da Organização do Estado [Artigos 30º ao 32º]

A constituição da poesia – Livraria Expressão Popular
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Capítulo VI Da Intervenção

Art. 30º Compete a qualquer ser humano intervir da maneira que bem entender a fim de garantir e favorecer a construção das sociedades constituídas pela poesia.
  • Parágrafo único. É assegurado, sem problema algum, seguir o próprio estado de espírito libertário e optar por intervenções individuais e/ou pontuais. No entanto, é importante compreender que só se sabe sobre os movimentos sociais e o devido movimento que se faz se o trabalho do dia-a-dia for para e com quem movimenta. 

Capítulo VII — Da Administração Pública

Art. 31º Ao contrário do que é esperado quando um sorriso vira prece e quem, triste, encolhe e carece de um bom aumento no ordenado, o que é público não será privado aos que desembolsam vil metal. Será, sim, usufruto (solicitado) de qualquer gentil mortal.

Art. 32º A fim de anunciar a poesia, quase todos os espaços deverão ser públicos, zelados pelo e para o público. Os que não serão não farão diferença, pois bastará pedir licença para entrar (sendo o momento propício e a sensatez um princípio, é claro).

Meia Palavra Bastaria (2014)
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A Constituição da poesia — Fábio Carvalho, 2008, 2ª edição, Thesaurus Editora, Brasília — DF; Fábio Simoni Homem de Carvalho é agrônomo, escritor, compositor e poeta, contribui com a elaboração e publicação de materiais destinados à educação popular, em sua maioria cartilhas relacionadas aos temas sociedade, meio ambiente e agroecologia; bibliografia: A Constituição da poesia (2008), Passeio poético pela obra de Marx e outros poemas necessários (2015), Na asa da algema — Papo de poeta, Conversa de bar (2016); na música, compôs os CDs Conta Outra, Clarice — adaptação da obra de Clarice Lispector (trilha sonora, 2007), No Chão de Abá (2009), Meia Palavra Bastaria (2014) e, em parceria com Pedro Nathan, No Batuque das Ideias (2011); pilota o blogue meia palavra bastaria.

sábado, 22 de agosto de 2020

Fábio Carvalho: A Constituição da poesia, Título III — Da Organização do Estado [Artigos 16º ao 19º]

A constituição da poesia – Livraria Expressão Popular
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Capítulo I Da Organização Político-Administrativa

Art.º 16 A fim de constituir a poesia, o estado de espírito libertário deverá ser necessariamente instituído.
  • § 1º Um dos pontos de partida poderá ser uma tranquila e cautelosa reflexão, a sós ou não, sobre quais alegrias e quais tristezas pode a vida nos reservar.
  • § 2º Um dos caminhos a traçar poderá ser a tentativa serena e paciente de desenhar alegrias e desviar das tristezas (das que podem ser desviadas, é claro).

Art. 17º O estado de espírito libertário, depois de instituído, deverá estar em constante processo de organização e administração, haja o que houver, seja o que a vida quiser.
  • Parágrafo único. Compete a cada um governar o próprio estado de espírito libertário.

Art. 18º A ajuda ao próximo, e a quantas pessoas for possível, também será competência de cada indivíduo.
  • Parágrafo único. É assegurado o direito às mais variadas e inacreditáveis formas de ajudar o próximo a ministrar o próprio estado de espírito libertário (sem disparate, evidentemente). A condição, para tanto, será o consenso entre as partes, pressupostamente.

Art. 19º A amizade é fundamental.
  • Parágrafo único. Além da amizade, o acoplamento a curto, médio ou longo prazo certamente poderá ser útil à instituição, organização e administração do estado de espírito libertário.

Meia Palavra Bastaria (2014)
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A Constituição da poesia — Fábio Carvalho, 2008, 2ª edição, Thesaurus Editora, Brasília — DF; Fábio Simoni Homem de Carvalho é agrônomo, escritor, compositor e poeta, contribui com a elaboração e publicação de materiais destinados à educação popular, em sua maioria cartilhas relacionadas aos temas sociedade, meio ambiente e agroecologia; bibliografia: A Constituição da poesia (2008), Passeio poético pela obra de Marx e outros poemas necessários (2015), Na asa da algema — Papo de poeta, Conversa de bar (2016); na música, compôs os CDs Conta Outra, Clarice — adaptação da obra de Clarice Lispector (trilha sonora, 2007), No Chão de Abá (2009), Meia Palavra Bastaria (2014) e, em parceria com Pedro Nathan, No Batuque das Ideias (2011); pilota o blogue meia palavra bastaria.

sábado, 1 de agosto de 2020

Fábio Carvalho: A Constituição da poesia, Título III — Da Organização do Estado [Artigos 20º ao 23º]

A constituição da poesia – Livraria Expressão Popular
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Capítulo II Da União

Art. 20º Caso o namoro vire casório, compete ao casal fechar os olhos, procurando entrelaçar emoção e razão, certos de que a primeira nos faz voar e a segunda nos traz ao chão.
  • § 1º Antes de se entregar à poesia conjugal, fazer um favor a si próprio e a quem irá te poetizar. Fazer primeiro a mente, com o coração, de mão dada andar.
  • § 2º É necessário, da mesma forma, abrir os olhos e olhar bem dentro dos olhos da pessoa querida, até a onde a vista alcança. Tentar ver se o brilho dos olhos ainda traz algo de criança. O ideal é acreditar na poesia verdadeira em toda e qualquer instância, principalmente se esta poesia também lhe faz voltar à infância.
  • § 3º À vivência poética, cabe sempre ao casal procurar o arrepio espontâneo que envolve a alma, quase sempre oculta. Sentir este arrepio é perceber o que foi perdido na passagem para a fase adulta.

Art. 21º Por mais óbvio que pareça, para cada atitude tem uma reação. Por isso, compete a quem se acoplar se dedicar ao máximo e prestar muita atenção.
  • § 1º O corpo responde a toques, a gestos, a palavras e a olhares. Os olhares respondem a gestos, a palavras e a toques no corpo, que pede mais... E assim a cada toque, a cada gesto, a cada palavra e a cada olhar, o corpo vai agindo e reagindo, transmitindo paz...
  • § 2º Entre as peles tem que ter sintonia. Entre as carnes também. O mesmo deve-se aos ossos, aos cabelos, pêlos e as águas do corpo que vão e vêm...
Art. 22º Se não for para ser bom, não vale a pena envolvimento. Dessa forma, é assegurado compreender que até mesmo a desconexão não pode ser vista como problema, como tormento.
  • Parágrafo único. Se em alguns momentos não conectar, há que se tirar disso um proveito. Bastam os motivos do fato procurar, com calma, bom senso e respeito. Se não conectar em vários momentos, há também que se tirar disso um proveito. Basta transformar o relacionamento e experimentar de outro jeito.
Art. 23º Aos beijos e abraços ( . . . ), cabe lembrar outro ilustre poeta, que ao compor a paixão, ensinou sobre a vida amorosa ao poema e à canção. Compete aos amantes, desta maneira, cantar e recitar a sua poesia conselheira, principalmente aquela que conjuga eternidade e duração.

Meia Palavra Bastaria (2014)
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A Constituição da poesia — Fábio Carvalho, 2008, 2ª edição, Thesaurus Editora, Brasília — DF; Fábio Simoni Homem de Carvalho é agrônomo, escritor, compositor e poeta, contribui com a elaboração e publicação de materiais destinados à educação popular, em sua maioria cartilhas relacionadas aos temas sociedade, meio ambiente e agroecologia; bibliografia: A Constituição da poesia (2008), Passeio poético pela obra de Marx e outros poemas necessários (2015), Na asa da algema — Papo de poeta, Conversa de bar (2016); na música, compôs os CDs Conta Outra, Clarice — adaptação da obra de Clarice Lispector (trilha sonora, 2007), No Chão de Abá (2009), Meia Palavra Bastaria (2014) e, em parceria com Pedro Nathan, No Batuque das Ideias (2011); pilota o blogue meia palavra bastaria.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Fábio Carvalho: A Constituição da poesia, Título I — Dos Princípios Fundamentais

A constituição da poesia – Livraria Expressão Popular
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Art. 1º Poesia, a princípio, é só uma palavra. Palavra, artifício, que pertence aos poetas. Poetas que, por vício, manifestam-se ora pela ausência, ora pela presença da poesia.
Parágrafo único. A palavra poesia também pertence àqueles e àquelas que simplesmente a soltam no ar, a encontram estampada ou a presenciam soando. E pertence a mais gente... e pertence a melodias...

Art. 2º Além da singela palavra, a poesia pode, de repente, ser um precioso sentimento, observadas as seguintes características:
  1. um sentimento que não se define com frases de efeito. O que é sentir a poesia todos sabem e, ao mesmo tempo, não sabem direito;
  2. um sentimento que não se sente facilmente com tão poucos sentidos, pois o sentir não tem gosto, nunca foi visto, não tem cheiro, não se tateia e nem entra pelos ouvidos.
Parágrafo único. A poesia já foi, é e poderá ser sentida em inúmeras situações, quase sempre boas. Não depende da cor, do sexo, da religião, da idade e, às vezes, nem da intenção das pessoas. Não depende nem de saber definir o que é poesia, nem de saber senti-la. Em muitos momentos, ou em surpreendentes e impressionantes tipos de relação, o determinado estado de espírito é suficiente para a poesia surgir sentida.

Art. 3º Sendo um precioso sentimento, a poesia naturalmente poderá se transformar em gestos, feitos, maneiras de agir, compreendendo que:
  1. ações individuais e coletivas quase sempre regem a vida;
  2. vida também é organizada, além de acontecer;
  3. as formas de organização são politicamente definidas;
  4. a política, certamente, poetizada pode ser;
  5. poesia manifesta o amor de infinitas maneiras;
  6. qualquer amor tem a seriedade como suporte;
  7. seriedade tem o sorriso como norte;
  8. sorriso é um poema em tom de brincadeira.
Parágrafo único. A poesia pode ser politizada.

Meia Palavra Bastaria (2014)
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A Constituição da poesia — Fábio Carvalho, 2008, 2ª edição, Thesaurus Editora, Brasília — DF; Fábio Simoni Homem de Carvalho é agrônomo, escritor, compositor e poeta, contribui com a elaboração e publicação de materiais destinados à educação popular, em sua maioria cartilhas relacionadas aos temas sociedade, meio ambiente e agroecologia; bibliografia: A Constituição da poesia (2008), Passeio poético pela obra de Marx e outros poemas necessários (2015), Na asa da algema — Papo de poeta, Conversa de bar (2016); na música, compôs os CDs Conta Outra, Clarice — adaptação da obra de Clarice Lispector (trilha sonora, 2007), No Chão de Abá (2009), Meia Palavra Bastaria (2014) e, em parceria com Pedro Nathan, No Batuque das Ideias (2011); pilota o blogue meia palavra bastaria.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Fábio Carvalho: cada qual no seu tempo & só falta fazer

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                    Fora a nossa relação com os minutos, horas, dias, semanas, meses, anos, décadas... No caso da relação com os séculos, só na Bíblia mesmo... E o recordista foi Matusalém! Segundo o livro mais vendido do mundo, ele viveu 969 anos! Pense no tamanho da orelha! Pois é... Mas, voltando ao assunto, lidar com o tempo, tentando domesticá-lo, é um dos nossos maiores desafios. O tempo da natureza, o tempo de cada pessoa, cada qual no seu tempo.

Eu e você com mais de sessenta
Nos amarrávamos feito criança
Em alguns laços

Nós na adolescência
Tropeçaremos como adulto
Em inúmeros passos

A gente quando jovem
Vamos nos desenhar velhos
Em certos traços

Pois o quando
É cada qual no seu tempo
Ora no tempo certo
Ora nos descompassos

                    Certo... E tentar domesticar o tempo tem a ver com o verbo poder. Todos nós podemos contribuir mais e melhor com a emancipação humana, só falta fazer... Vez ou outra me bate aquela dúvida se viemos mesmo do macaco ou do bicho-preguiça...

Eu posso, tu podes, ela pode
Nós podemos, vós podeis
Elas podem
A conjugação do verbo poder
É uma das roupas da verdade
Estampada de clichê

Não há mistério!

Poder, podemos quase tudo:
Tecer a lida dos projetos
Bordar a vida com estudo

Porém se o verbo fazer
For um pano sem uso
Ou uma palavra empoeirada
“Poder, podemos quase tudo”
É um verso que vestirá o nada

Meia Palavra Bastaria (2014)
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Na asa da algema  Papo de poeta, Conversa de bar, de Fábio Carvalho, Apresentação de Lília Diniz, 2016, Editorial Iguana, Marabá  PA; Fábio Simoni Homem de Carvalho é agrônomo, escritor, compositor e poeta, contribui com a elaboração e publicação de materiais destinados à educação popular, em sua maioria cartilhas relacionadas aos temas sociedade, meio ambiente e agroecologia; bibliografia: A Constituição da poesia (2008), Passeio poético pela obra de Marx e outros poemas necessários, (2015) Na asa da algema — Papo de poeta, Conversa de bar (2016); na música, compôs os CDs Conta Outra, Clarice —  adaptação da obra de Clarice Lispector (trilha sonora, 2007), No Chão de Abá (2009), Meia Palavra Bastaria (2014) e, em parceria com Pedro Nathan, No Batuque das Ideias (2011); pilota o blogue meiapalavrabastaria.blogspot.com.br.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Fábio Carvalho: o papel da poesia & preferência

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               Agora, independentemente da metragem de cada poema, a gente tem que, tentar medir o papel da poesia. Não precisa de trena, muito menos ir a uma gráfica.

O papel da poesia deve ser artesanal
Feito na mão com noites e manhas

O papel da poesia pode ser amassado
Desde que as canetas estejam prenhas

O papel da poesia deve ser lançado
Origami de aviões e andorinhas

O papel da poesia deve ser todo escrito
Verso livre, acordado com os sonhos

O papel da poesia é envolver a sensibilidade
E dá-la de presente aos corações e punhos

               Outra coisa, e você sabe disso muito melhor do que eu, é ter que escolher a forma poética para as ideias que vão pipocando do cérebro. Como disse o pleonasmo pra redundância, são várias as possibilidades que variam com a variedade da variação. E aí, igual a tudo na vida, é só uma questão de preferência.

Na urgência do poema
Caço e tiro as palavras
E refaço pensamentos
Num espelho infinito

Pelo risco dessa pressa
Minha dúvida assovia
Me alcança e me pergunta
Mansa feito mariposa:

Conteúdo do meu tema
Poesia do meu panfleto
O que você prefere?
Um poema numa quadra
Ou num soneto?

Meia Palavra Bastaria (2014)
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Na asa da algema  Papo de poeta, Conversa de bar, de Fábio Carvalho, Apresentação de Lília Diniz, 2016, Editorial Iguana, Marabá  PA; Fábio Simoni Homem de Carvalho é agrônomo, escritor, compositor e poeta, contribui com a elaboração e publicação de materiais destinados à educação popular, em sua maioria cartilhas relacionadas aos temas sociedade, meio ambiente e agroecologia; bibliografia: A Constituição da poesia (2008), Passeio poético pela obra de Marx e outros poemas necessários (2015), Na asa da algema — Papo de poeta, Conversa de bar (2016); na música, compôs os CDs Conta Outra, Clarice —  adaptação da obra de Clarice Lispector (trilha sonora, 2007), No Chão de Abá (2009), Meia Palavra Bastaria (2014) e, em parceria com Pedro Nathan, No Batuque das Ideias (2011); pilota o blogue meiapalavrabastaria.blogspot.com.br.