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Capítulo III — Da Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária
Art. 48º A Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária será obrigatoriamente desenvolvida a partir da permanente lembrança dos seguintes fatos históricos:
Parágrafo único. O nosso povo sempre foi pobre e à terra nunca teve acesso. Ao exército e à polícia, o nobre agradece. Mas não de férias, nem recesso.
Art. 49º A Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária será permanentemente desenvolvida a partir da obrigatória lembrança das seguintes indiscutíveis obviedades:
Parágrafo único. No sentido mais amplo e verdadeiro da palavra e na melhor das intenções de um verso entrelaçado e contínuo, é assegurado a todos o canto que entoa da-terra-a-igualdade-do-trabalho-o-alimento-da-vida-a-liberdade-do-povo-o-sustento-da-terra-a-igualdade-do-trabalho-o-alimento-da-vida-a-liberdade-do-povo-o-sustento-da-terra...
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A Constituição da poesia — Fábio Carvalho, 2008, 2ª edição, Thesaurus Editora, Brasília — DF; Fábio Simoni Homem de Carvalho é agrônomo, escritor, compositor e poeta, contribui com a elaboração e publicação de materiais destinados à educação popular, em sua maioria cartilhas relacionadas aos temas sociedade, meio ambiente e agroecologia; bibliografia: A Constituição da poesia (2008), Passeio poético pela obra de Marx e outros poemas necessários (2015), Na asa da algema — Papo de poeta, Conversa de bar (2016); na música, compôs os CDs Conta Outra, Clarice — adaptação da obra de Clarice Lispector (trilha sonora, 2007), No Chão de Abá (2009), Meia Palavra Bastaria (2014) e, em parceria com Pedro Nathan, No Batuque das Ideias (2011); pilota o blogue meia palavra bastaria.
Capítulo III — Da Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária
Art. 48º A Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária será obrigatoriamente desenvolvida a partir da permanente lembrança dos seguintes fatos históricos:
- I. a chegada dos portugueses nessa terra só foi, de fato, comemorada em Portugal. Os índios, a fauna e a flora choraram com a invasão bacalhau;
- II. os cara-pálidas dividiram este lugar em quinze fatias separadas, cada qual distribuída a quinze camaradas. Todas demarcadas com linhas imaginárias, todas nomeadas Capitanias Hereditárias;
- III. e geraram filhos, misturando-os ou não, que geraram netos, bisnetos, trinetos... Até que treze, quatorze, quinze gerações à frente, os descendentes dos tais caras pálidos criaram a Lei das Terras, privatizando o chão;
- IV. a geração dos tataranetos daqueles que privatizaram o chão impôs um novo jeito de plantar. Matas foram derrubadas e produtos químicos aplicados. Máquinas foram importadas e genes modificados;
- V. recentemente, a mesma linhagem de cara-pálidas, já modernizada, resolveu brincar de montar e encaixar pecinhas nos laboratórios, pintando e bordando vidas artificiais, modelando transgenia, enfeitando multinacionais, derramando nanotecnologia, inventando jogadas comerciais, espalhando mercadoria, imaginando as águas, plantas e animais privados à minoria, driblando e querendo mais, bagunçando noite e dia, noite e dia, noite e dia...
Parágrafo único. O nosso povo sempre foi pobre e à terra nunca teve acesso. Ao exército e à polícia, o nobre agradece. Mas não de férias, nem recesso.
Art. 49º A Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária será permanentemente desenvolvida a partir da obrigatória lembrança das seguintes indiscutíveis obviedades:
- I. sem água não há vida e sem vida não há nada;
- II. o solo não resiste quando um infeliz insiste na ideia e raspa extensa vegetação nativa como quem faz a barba;
- III. agrotóxico é tóxico;
- IV. adubo químico é artificial, além de ser mercadoria;
- V. adubo orgânico é natural, além de estar ali, compondo a matéria;
- VI. a cidade fica cheia quando o campo esvazia;
- VII. é saudável e prazeroso cultivar pequenas plantações;
- VIII. muita gente plantando, muita comida;
- IX. achar que a maioria não quer morar na roça não procede. Viver no campo é muito bom se a condição não impede.
Parágrafo único. No sentido mais amplo e verdadeiro da palavra e na melhor das intenções de um verso entrelaçado e contínuo, é assegurado a todos o canto que entoa da-terra-a-igualdade-do-trabalho-o-alimento-da-vida-a-liberdade-do-povo-o-sustento-da-terra-a-igualdade-do-trabalho-o-alimento-da-vida-a-liberdade-do-povo-o-sustento-da-terra...

A Constituição da poesia — Fábio Carvalho, 2008, 2ª edição, Thesaurus Editora, Brasília — DF; Fábio Simoni Homem de Carvalho é agrônomo, escritor, compositor e poeta, contribui com a elaboração e publicação de materiais destinados à educação popular, em sua maioria cartilhas relacionadas aos temas sociedade, meio ambiente e agroecologia; bibliografia: A Constituição da poesia (2008), Passeio poético pela obra de Marx e outros poemas necessários (2015), Na asa da algema — Papo de poeta, Conversa de bar (2016); na música, compôs os CDs Conta Outra, Clarice — adaptação da obra de Clarice Lispector (trilha sonora, 2007), No Chão de Abá (2009), Meia Palavra Bastaria (2014) e, em parceria com Pedro Nathan, No Batuque das Ideias (2011); pilota o blogue meia palavra bastaria.


