quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Colombina: Quando eu morrer

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Não quero um mausoléu de mármore ou granito
sobre o pó que serei... Não quero uma capela!
Que velem o meu sono os astros do infinito,
Que, mudos, dizem mais que a palavra mais bela!

Não ponham uma cruz sobre o lugar restrito
onde vou descansar, enfim. Bastou-me aquela
que sempre carreguei neste mundo maldito:
foi pesada demais  quero esquecer-me dela.

Quando eu morrer... que as mãos dos meus amigos plantem,
na minha campa humilde, uma árvore qualquer,
que dê flores e sombra e onde os pássaros cantem.

E, se possível for, uma roseira ao lado,
que diga, a quem passar, que um sonho de mulher
do pó ressuscitou, em rosas transformado!

(Distância — 1947/1953 — 2ª ed., p.31)

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Colombina — Yde Schloenbach — e sua poesia romântica e erótica (esboço biográfico e seleção de poemas), por Maria Thereza Cavalheiro, 1987, João Scortecci Editor, São Paulo — SP; Colombina, ou Yde (Adelaide) Schloenbach Blumenschein (1882 1963), paulista e paulistana, fez parte de seus estudos na Alemanha; cronista e poetisa, publicou seus primeiros poemas por volta de 1900, n’A Tribuna, de Santos SP; colaborou com revistas e jornais de sua época, como O Malho, Fon-Fon, Careta, Jornal das Moças, muitas vezes utilizando pseudônimos Colombina ou Paula Brasil; criou a Casa do Poeta Lampião de Gás e O Fanal, periódico da Casa por ela editado e do qual foi diretora; escreveu e publicou Vislumbres (poesias, 1908), Versos em Lá menor (1930), Lampião de Gás (1937), Uma cigarra cantou para você (1946), Distância: poemas de amor e de renúncia (1948), Trovas (1955), Cantigas ao Luar (1960), Rapsódia Rubra: Poemas à Carne (1961) e outros títulos; a poetisa, poliglota, falava alemão, francês, inglês, espanhol e italiano, além da língua pátria.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Vicente Huidobro: Até quando sangrarem a vida & outros poemas

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[traduzido por Helena Ferreira]

De ver e palpar

O iceberg sereno como um imperador
Segue sua sina
Obedece cegamente às linhas de sua mão

Sombra

A sombra é um fragmento que se afasta
No rumo de outras praias

Em minha memória um rouxinol se queixa
Rouxinol das batalhas
Que gorgeia sobre todas as balas

Até quando sangrarem a vida

A mesma lua ferida
Apenas tem uma asa
O coração fez seu ninho
No meio do vazio
Entretanto
Na margem do mundo florescem cravinas

E A PRIMAVERA VEM SOBRE AS ANDORINHAS

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Vicente Huidobro

De ver y palpar

El iceberg sereno como un emperador
Sigue su destino
Obedece ciegamente a las líneas de su mano.

Sombra

La sombra es un pedazo que se aleja
Camino de otras playas

En mi memoria un ruiseñor se queja
Ruiseñor de las batallas
Que canta sobre todas las balas

Hasta quando sangrarán la vida

La misma luna herida
No tiene sino una ala
El corazón hizo su nido
En medio del vacio
Sin embargo
Al bonde del mundo florecen las encinas

Y LA PRIMAVERA VIENE SOBRE LAS GOLONDRINAS
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Vicente Huidobro & Manuel Bandeira, Ensaios de Carlos Nejar e Juan Antonio Massone, Revisão, Tradução e Versão de Helena Ferreira, 2007, Academia Chilena de la Lengua e Academia Brasileira de Letras, Imprinta Express, Rio de Janeiro  RJ; Vicente García Huidobro Fernández (1893 1948), chileno de Santiago do Chile, foi poeta e escritor de vanguarda estética; o poeta passou boa parte de sua vida na Europa, transitando entre a França e a Espanha e foi um dos promotores da poesia de vanguarda na América Latina; teve participação ativa nas revistas Sic e Nord-Sud, ao lado de Apollinaire e de outros; foi o mentor do que passou a se chamar criacionismo poético, e que consistia em buscar a inovação na poesia como uma necessidade e uma obsessão, um paroxismo na procura do novo, um bilinguismo textual; bibliografia: Ecos del Alma (1911), La gruta del silencio e Canciones en la noche (ambos em 1913), Pasando y passando e Las pagodas ocultas (ambos em 1914), Adán e El espejo de agua (ambos em 1916), Horizon carré (1917), Poemas árticos, Ecuatorial, Tour Eiffel e Hallali (todos em 1918), Manifestes (1925), Mio Cid Campeador (1929), Altazor o el viaje en paracaídas (1931), Sátiro, o El poder de las palabras (1939) etc.; Huidobro escreveu algumas de suas obras em francês; em diferentes períodos, colaborou com as revistas de arte Dada (Espanha), Nord-Sud e L’Esprit Noveau (França), Vanity Fair (Estados Unidos) e dirigiu, em conjunto com Tristan Tzara, o caderno literário da revista Feuielle Volante; também participou como fundador e/ou co-fundador das revistas Musa Joven e Azul (Chile), entre outras atividades; escreveu roteiro para o filme cubista Cagliostro, fez crítica de cinema na imprensa argentina, foi conferencista e deu palestras sobre poesia; durante a 2ª Guerra, alistou-se nas tropas aliadas, participou como correspondente de guerra na França, transmitiu crônicas do campo de batalha para A Voz da América; foi militante do partido comunista chileno.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Friedrich Hölderlin: Sócrates e Alcibíades

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[traduzido por Antonio Medina Rodrigues]

“Por que cultuas sempre, Sócrates divino,
   Esse rapaz? Pois nada de maior conheces?
      Por que o contemplam os teus olhos,
         Com amor, como aos divinos?”

Mais adora ao que é mais vivo quem sondou mor profundeza,
   E entende a suma juventude quem o olhar abriu no mundo,
      Pois assiduamente, ao fim e ao cabo,
         Os sábios só procuram a beleza.

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Sokrates und Alcibiades

“Warum huldigest du, heiliger Sokrates,
   Diesem Jünglige stets? kennest du Größers nicht?
      Warum siehet mit Liebe,
         Wie auf Götter, dein Aug’ auf ihn?“

Wer das Tiefste gedacht, liebt das Lebendigste,
   Hohe Jugend versteht, wer in die Welt geblickt,
      Und es neigen die Weisen
         Oft am Ende zu Schönem sich.
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Canto do Destino e outros cantos Hölderlin, Organização, Tradução e Ensaio de Antonio Medina Rodrigues, 1994, Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Johann Christian Friedrich Hölderlin (1770 1843), alemão de Lauffen, região da Suábia, foi poeta, romancista, dramaturgo, tradutor e filósofo; estudou teologia no convento de Tübingen, recebeu formação humanística, conviveu com Hegel e Schelling, tendo colaborado com estes na formação inicial da corrente filosófica conhecida como Idealismo alemão; frequentou a Universidade de Iena; na sua trajetória intelectual, também conviveu e estabeleceu relações com Schiller, Fichte e Goethe; o poeta teve quatro de suas poesias publicadas pela primeira vez no Almanaque das Musas para o ano de 1792 (Musenalmanach für das Jahr 1792), depois vieram outras publicações no Florilégio Poético para o Ano de 1793 (Poetische Blumenlese für das Jahr 1793), na edição de inverno da revista Nova Thalia (Neue Thalia), Almanaque das Musas de 1807 (Musenalmanach 1807)...; traduziu Sófocles e os fragmentos de Píndaro; bibliografia: A Morte de Empédocles (fragmentos, drama, 17971800), Hiperion ou O Eremita na Grécia (17971799), Tragédias de Sófocles (1804), Poemas de Friedrich Hölderlin (editados por Ludwig Uhland e Gustav Schwab, 1826), Gedichte vor 1800 (Poemas anteriores a 1800, volume 1, 1944), Gedichte nach 1800 (Poemas após 1800, volume 2, 1961)...; relata a sua biografia que, a partir de 1807 e pelo resto de sua vida, o poeta viveu confinado em uma torre, sendo cuidado pela família e auxiliares, após ter recebido o diagnóstico médico de loucura ou insanidade irreversível; Hölderlin, mesmo após esta data, continuou escrevendo e produziu textos em seus momentos de lucidez.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Nestor Tangerini: Vocação

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Era-lhe toda a ansiedade
Formar-se de qualquer jeito:
Cursar uma Faculdade
De Medicina ou Direito.

Mas em contraste e em verdade,
Havia, nesse sujeito,
Uma virtude: a vontade,
E a negligência: um defeito.

Fracassou em Medicina
E em Direito triste sina!
Foram fracassos fatais!

E as “faculdades” perdendo,
Coitado! Acabou sofrendo
Das faculdades mentais.

Pastaciúta

jornal O Almofadinha, de Luiz Leitão,
Ano XIV — Reinado de Momo, nº 14, p. 1,
25, 27 e 28 de fevereiro de 1933, Niterói — RJ,

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Nestor Tangerini e o Café Paris — Crônicas de Nelson Tangerini, Apresentação de Jorge Eduardo Magalhães, 2010, Editora Nitpress, Niterói — RJ; Nestor Tambourindeguy Tangerini (1895 1966), paulista e piracicabano, cursou Farmácia e Direito, foi poeta satírico, jornalista, escritor, compositor, caricaturista, teatrólogo, professor de português e ex-funcionário do antigo DCT (Departamento de Correios e Telégrafos); viveu em Niterói, à época capital do Estado do Rio de Janeiro, e foi um dos frequentadores da Roda do Café Paris, reduto de intelectuais e boêmios de Niterói; como teatrólogo atuante no teatro de revistas, escreveu Tudo pelo Brasil (com Lili Leitão), Cadeia de Sorte, Na Boca da Hora e Lição Doméstica (estas, em parceria com Aldo Cabral) etc.; compôs canções e publicou crônicas e poesias em revistas literárias e jornais; colaborou com a revista de humor e sátira O Espeto, onde publicava sonetos, trovas, poemas, crônicas, esquetes, caricatura e monólogos, sempre fazendo uso de vários pseudônimos: Dom T, Conselheiro Armando Graça, João da Ponte, João do Paris, Conselheiro XX Mirim, José Oitiçoca, Malba Taclan, Álvaro Amoreyra, Benedito Merga Lião, Pastaciúta...

domingo, 27 de outubro de 2019

Max de Vasconcellos: Ante o quadro da guerra

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Se foi para isto... para ver a Terra
Ensanguentada a arder, sinistramente,
Nas convulsões tetânicas da Guerra,
Como numa fogueira uma serpente;

Se foi para assistir, do mar à serra,
O ódio a escachoar em catadupa ardente
 Da alma do Homem, que, na alma, ainda hoje encerra
O que Átila encerrava antigamente;

Se foi para este horror que um quadrumano
Hediondo, pelos séculos polido,
Se fez um deus, no hediondo aspecto humano;

Se foi para isto... não valerá nunca,
Pithecanthropus, teres evoluído
Do monstro, que eras, de figura adunca!...

O Debate, ano 1, nº 2, 19 ago. 1917, p. 11,
Rio de Janeiro.

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Max de Vasconcellos — O Poeta da Agonia, Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Maria José da Silva Fernandes, Monique da Costa Ribeiro, Thiago Roza Ialdo Montilha e outros, 2012, In-Fólio, Rio de Janeiro — RJ; Max de Vasconcellos Azevedo (1891 1919), fluminense de Campos dos Goytacazes, estudou no Colégio Abílio, de Niterói, formou-se na Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, foi poeta, jornalista, militante anarquista e boêmio frequentador da Roda Literária do Café Paris, de Niterói, além de também fazer presença em outros cafés da Lapa carioca; o poeta trabalhou como jornalista em diversos periódicos niteroienses e da então capital do país, Rio de Janeiro; Max de Vasconcellos não publicou livros em vida, porém seus poemas, crônicas e resenhas ficaram registrados em inúmeros jornais e revistas da época, muitos deles de orientação anarquista: Athena Fluminense (hebdomedário literário e noticioso) e Gazeta da Manhã, ambos de Niterói, O Debate, A Razão, A Luta (Revista da Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro), Guerra Social, Gazeta de Notícias, A Voz do Trabalhador (Órgão da Confederação Operária Brasileira), La Rinascenza Latina — Settimanale politico dell’italo-americanismo in Brasile e ABC, todos do Rio de Janeiro, Fanal — revista do Novo Cenáculo, de Curitiba, A Plebe e A Lanterna (jornal anticlerical e de combate), ambos de São Paulo, O Dia, de Campos dos Goytacazes etc; a Roda Literária do Café Paris frequentada pelo poeta e boêmio, algum tempo depois passou a se chamar Cenáculo Ambulante (consta ter sido o poeta o primeiro a designá-la Cenáculo) e mais tarde (1923) deu origem ao Cenáculo Fluminense de História e Letras CFHL, ativo até os dias de hoje; o poeta simbolista, boêmio e jovem, morreu de tuberculose em 11 de abril de 1919.

sábado, 26 de outubro de 2019

Friedrich Schiller: O Peregrino

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[traduzido por Barão de Paranapiacaba]

Na primavera da vida
Deixei a paterna herdade,
Abandonando os prazeres
Da risonha mocidade.

À herança renunciando,
E a tudo que possuía,
Encetei minha viagem
Crente e cheio de alegria;

E, de infantis sentimentos
Transbordando o coração,
Segui levando na dextra
Do peregrino o bordão.

A voz da crença indistinta
E da esperança fervente
Dizia-me: é livre a estrada,
Vai sempre para o nascente

Té que topes e transponhas
Fulgurante porta de ouro
Onde tudo que se avista
É celeste e imorredouro!

Veio a noite, e novo dia,
E eu sempre a andar, na esperança;
Ver o que busco e desejo
Minha alma ainda não alcança.

Embargaram-me a passagem
Barreiras de águas e montes;
Vales, abismos, torrentes
Vinguei por meio de pontes.

Cheguei a um rio que a leste
Corria em manso coleio,
E em suas águas tranquilas
Atirei-me sem receio;

Pela corrente impelido
Eu fui até um vasto mar,
Sem que neste ainda pudesse,
O que buscava encontrar.

O meu alvo está distante,
Na imensidade sem fim:
Vou-lhe após, mas não me é dado
Vê-lo mais perto de mim.

Ai de mim! Ninguém me aponta
Caminho que me conduza
Ao que me está de contínuo
A fugir da vista ilusa!

Acima de nós, bem alto,
Ai! o céu meus olhos vêem...
Mas não toca o céu na terra,
E não há na terra o Além.

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Friedrich Schiller

Der Pilgrim

Noch in meines Lebens Lenze
War ich, und ich wandert aus,
Und der Jugend frohe Tänze
Liess ich in des Vaters Haus.

All mein Erbtheil, meine Habe
Warf ich fröhlich glaubend hin,
Und am leichten Pilgerstabe
Zog ich fort mit Kindersinn.

Denn mich trieb ein mächtig Hoffen
Und ein dunkles Glaubenswort:
Wandle, riefs, der Weg ist offen,
Immer nach dem Aufgang fort,

Bis zu einer goldnen Pforten
Du gelangst, da gehst du ein,
Denn das Irdische wird dorten
Himmlisch, unvergänglich sein.

Abend wards und wurde Morgen,
Nimmer, nimmer stand ich still,
Aber immer bliebs verborgen,
Was ich suche, was ich will.

Berge lagen mir im Wege,
Ströme hemmten meinen Fuss.
Über Schlünde baut ich Stege,
Brücken durch den wilden Fluss.

Und zu eines Stroms Gestaden
Kam ich, der nach Morgen floss,
Froh vertrauend seinem Faden,
Werf ich mich in seinen Schooss.

Hin zu einem grossen Meere
Trieb mich seiner Wellen Spiel,
Vor mir liegts in weiter Leere,
Näher bin ich nicht dem Ziel.

Ach kein Steg will dahin führen,
Ach der Himmel über mir
Will die Erde nie berühren,
Und das Dort ist niemals hier!
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologias de Poetas da Língua Alemã, (diversos autores e tradutores), Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, Clássicos de Bolso, 1985, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Johann Christoph Friedrich von Schiller (1759 1805), alemão de Marbach am Neckar, inicia o curso de Direito, abandona, e forma-se em Medicina; foi poeta, filósofo, médico, professor, dramaturgo e historiador; considerado grande homem das letras, foi um dos principais representantes do Romantismo e do Classicismo alemão; sua obra: em dramaturgia: Os Bandoleiros (1781), Wallestein (1799), Maria Stuart (1800), A Noiva de Messina (1803), Guilherm Tell (18031804) etc., em poesia: Os Artistas (1788), Ode à Alegria (1785), A Luva (1797), O Canto do Sino (1799) e outros, em prosa: Cartas Filosóficas (1786), Da Arte Trágica (1792), Do Patético (1793), Poesia Ingênua e Sentimental (1796), História da Separação dos Países Baixos (1788), História da Guerra dos Trinta Anos (inacabada, 17911793) e outros títulos.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

#contemporaníssima2019: evo

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Evo Morales

Augusto dos Anjos: O fim das coisas

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Pode o homem bruto, adstrito à ciência grave,
Arrancar, num triunfo surpreendente,
Das profundezas do Subconsciente
O milagre estupendo da aeronave!

Rasgue os broncos basaltos negros, cave
Sôfrego, o solo sáxeo; e, na ânsia ardente
De perscrutar o íntimo do orbe, invente
A limpada aflogística de Davy!

Em vão! Contra o poder criador do Sonho
O Fim das Coisas mostra-se medonho
Como o desaguadouro atro de um rio...

E quando, ao cabo do último milênio,
A humanidade vai pesar seu gênio
Encontra o mundo, que ela encheu, vazio!

Eu (Poesias Completas),
Rio de Janeiro, São José, 1963.

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Presença da Literatura Brasileira II: Do Romantismo ao Simbolismo — Antonio Candido e José Aderaldo Castello, 1976, 6ª edição, Difel, São Paulo — SP; Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884 1914), paraibano de Sapé, aprendeu as primeiras letras com o pai, fez o curso secundário no Liceu Paraibano, formou-se em Direito pela Faculdade de Recife e não advogou, foi professor e poeta; em 1908, recém-formado, transfere-se para a capital da Paraíba, passa a dar aulas particulares e é nomeado professor interino de Literatura do Liceu Paraibano; em 1910, muda-se para o Rio de Janeiro e, continuando no magistério, assume o cargo de professor de Geografia na Escola Normal e no Colégio Pedro II; em 1913, mudando-se para Leopoldina MG, é nomeado diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira e continua a dar aulas particulares; seus poemas, e alguma prosa, são publicados em vários jornais da época: Almanaque do Estado da Paraíba, O Comércio (Paraíba), Nonevar (Paraíba), A União, Gazeta de Leopoldina (Leopoldina MG); publicou, em vida, sua única obra, Eu (1912); em 1920, foi editado na Paraíba, Eu e Outras Poesias, reunindo a sua produção posterior ao primeiro e único livro; hoje é um dos poetas mais estudados e reeditados no Brasil.